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22 de abril de 2021 | 05:57 pm

“AOS NOSSOS HERÓIS”: ITACARÉ LANÇA CAMPANHA TURÍSTICA INÉDITA PARA PROFISSIONAIS DA SAÚDE

Itacaré lança campanha turística para profissionais da saúde
Tempo de leitura: 5 minutos

Maiores heróis da pandemia da covid-19, os profissionais da saúde são o público-alvo da campanha turística lançada, neste domingo (21), por Itacaré, município localizado no sul da Bahia. De 8 de abril a 30 de novembro, eles poderão descansar em um dos principais destinos do Nordeste tendo descontos médios acima de 30% em itens que vão de hospedagem a alimentação e equipamentos de lazer e bem-estar.

Jorge Ávila, secretário de Turismo e de Cultura  de Itacaré, revelou ao PIMENTA que a campanha Aos nossos heróis foi planejada e a execução se deu em dez dias, entre apresentações da proposta e de envolvimento do trade turístico local e de parceiros regionais e nacionais. “É reconhecimento e gratidão a tudo que estes profissionais da linha de frente contra a covid-19, que estão de plantão há um ano, fazem por nós. Eles terão aqui todo cuidado e a energia nossa, de Itacaré”, acrescenta.

As palavras-chave da campanha – reconhecimento, gratidão e acolhimento – dão a dimensão de como ela foi pensada, reforça o secretário. Um site apresentará os atrativos do destino, os parceiros da campanha e como os profissionais da saúde poderão comprar os pacotes de viagem ou serviços. A seguir, confira os principais trechos da entrevista concedida por Jorge Ávila a este site.

PIMENTA – Quem é o público-alvo desta campanha?

Jorge Ávila – Com o prefeito Antônio de Anízio, envolvemos todo o trade do município, além da Abav e da Abrasel, e lançamos uma campanha considerada inédita e voltada aos profissionais de saúde da linha de frente do combate à covid-19. Aos Nossos Heróis é o nome desta ação de reconhecimento, de gratidão aos profissionais da saúde. Eles estão de plantão há mais de um ano, salvando vidas. Queremos atendê-los, ajudá-los, seja ele do Brasil, seja de qualquer parte do mundo. Eles poderão vir para descansar, recarregar as energias com a família em um clima todo especial.

O que torna o destino e a campanha atrativos para estes profissionais?

O profissional terá descontos, cortesias em hotéis, pousadas, bares, restaurantes… [Como exemplo] De três diárias, uma será cortesia da hospedagem que estiver participando da campanha. Nesse clima especial, ele vai a um restaurante, pizzaria e lá terá um crepe, uma pizza, massa, um fettuccine com o nome da campanha, Aos nossos heróis. São estabelecimentos atendendo com pratos e opções com homenagem a médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, e oferecendo desconto. O guia turístico vai atender também com preços reduzidos de até 50%.

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O profissional poderá programar a viagem para até 30 de novembro. Quem cuida da gente deve ser cuidado da melhor forma em um período tão desafiador como agora.

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O que se espera com esta ação?

A campanha é todo um clima para atender, acolher esses nossos grandes heróis. É um acolher em que haverá ilha de bem-estar, com yoga e massagem, passeios de stand up paddle… É toda uma produção para que o profissional da saúde possa recarregar suas energias aqui, é uma postura de melhor cuidado com o profissional da saúde.

Quais são os cuidados adotados pelo município para recebê-los?

Itacaré é das cidades que têm dos menores índices de infecção, com baixo número de casos ativos de Covid-19, com barreira sanitária para quem aqui chega. Nossa intenção é agradecer, é gratidão, reconhecimento, com todos os cuidados, seguindo os protocolos, com os participantes tendo o selo turismo seguro.

Como será a divulgação e a venda de produtos desta campanha?

Esses produtos, serviços e pacotes estarão à venda por 60 dias, de 22 de março até 22 de maio. Quem adquirir, vai poder utilizar essas diárias e serviços no período entre 8 de abril e 30 de novembro deste ano. Não é nada para viajar semana que vem. O profissional poderá programar a viagem para até 30 de novembro. Quem cuida da gente deve ser cuidado da melhor forma em um período tão desafiador como agora.

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O profissional poderá programar a viagem para até 30 de novembro. Quem cuida da gente deve ser cuidado da melhor forma em um período tão desafiador como agora.

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Como esse público-alvo poderá adquirir obter estes benefícios, comprar um pacote da campanha?

Ele vai procurar a sua agência de viagem ou contatar os parceiros da campanha. Estamos lançando um site com todos os parceiros, desde meios de hospedagem a bares, restaurantes, guias e a Ilha do Bem-Estar.

E a reserva da hospedagem, compra dos serviços?

Eles podem comprar pacote via agência de viagens. É uma campanha que envolve a Abav [Agência Brasileira de Agências de Viagem], que tem mais de 2 mil associados e é parceira da ação e poderá colocar esse pacote para o Brasil e para o mundo. Nós estamos enviando cards em quatro idiomas (inglês, espanhol, francês e alemão). Fizemos contato com outros países. Já tivemos contato com o cônsul da Argentina, Pablo Virasoro, que parabenizou o município pela ação. Vamos procurar distribuir material em alguns países. Temos adesões de influencers, cantores e atores.

Quais atores participam?

Não posso falar nomes, mas são grandes nomes [que já conhecem, visitaram Itacaré]. Todos vão levar essa mensagem ao mundo para os nossos heróis, do médico nefrologista ao fisioterapeuta, cardiologista, radiologista, enfermeiro. Todos precisam ser acolhidos e têm a nossa gratidão.

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Foram eles que nos inspiraram para se se criasse algo por eles, para eles, com cortesias, descontos e essa energia toda nossa. Itacaré está sinalizando, de maneira muito clara, o reconhecimento a esses profissionais.

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Como ficam os protocolos em tempos de pandemia?

Para fazer uso do pacote, o profissional poderá viajar com a família, estar presente. É o profissional da saúde. O público-alvo são eles. Hoje, 80% destes profissionais já estão vacinados [contra a Covid-19] e até 30 de novembro todos já estarão imunizados, sem a menor dúvida. Itacaré está muito cuidadoso com esse processo.

Qual foi o ponto de partida, o start para uma campanha como essa?

Os profissionais da saúde desta linha de frente são pessoas que estão de plantão há um ano, numa carga de trabalho muito pesada. A gente está querendo com esta ação homenagear estes profissionais. Foram eles que nos inspiraram para se se criasse algo por eles, para eles, com cortesias, descontos e essa energia toda nossa. Itacaré está sinalizando, de maneira muito clara, o reconhecimento a esses profissionais.

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Conversamos com profissionais do setor… Abav, Abrasel [Associação Brasileira de Bares e Restaurantes] estão apoiando também e informam que nunca viram nada parecido com isso nessa pandemia. É algo inédito.

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A ação é inédita no país?

Não vi ainda nada desenvolvido nessa linha. Conversamos com profissionais do setor… Abav, Abrasel [Associação Brasileira de Bares e Restaurantes] estão apoiando também e informam que nunca viram nada parecido com isso nessa pandemia. É algo inédito. Outro ponto é que também estamos negociando com postos de combustíveis para que estes viajantes, este público, tenha desconto na hora de abastecer, encher o tanque na volta para casa.

Quais segmentos do trade participam da campanha?

A cidade toda está engajada. É uma preparação de 10 dias, de cadastramento de parceiros, de contatos com Abav, Abrasel. Foi uma luta grande e estávamos esperando o lançamento. Todos os secretários estão apoiando, ajudando. Tivemos reuniões para tratar exclusivamente dessa pauta. Todo o time do município está ajudando, envolvido, com o comando do técnico, o prefeito Antônio de Anízio.

Confira vídeo da campanha.

SE AVANÇO DO MAR NÃO FOR CONTIDO, SÃO MIGUEL VAI DESAPARECER, ALERTA OCEANÓGRAFO

Entrevista pelo PIMENTA, professor da UESC, Lúcio Rezende, explica como o Porto do Malhado agravou a erosão marinha na orla norte e sugere o que pode ser feito para conter avanço do mar || Fotos: Facebook/Reprodução e Ed Ferreira
Tempo de leitura: 6 minutos

O oceanógrafo Lucio Figueiredo de Rezende, nesta entrevista ao PIMENTA, alerta para o risco de o São Miguel, bairro do litoral norte de Ilhéus, sumir do mapa, caso nada seja feito para conter a erosão marinha naquela área.

Professor do Departamento de Ciências Exatas da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Lucio explica como a construção do Porto do Malhado, inaugurado em 1971, interferiu na dinâmica do litoral ilheense, com o acúmulo de areia na Praia da Avenida e os processos erosivos na orla norte. Também sugere o que pode ser feito para impedir que o mar ganhe mais terreno no São Miguel e no bairro vizinho, o São Domingos.

Casas ameaçadas pelo avanço do mar no São Miguel

O docente, que é doutor em Oceanografia Física pela Universidade de Aveiro, de Portugal, defende que a estabilização da linha costeira seja acompanhada pela reurbanização da orla norte.

Os manguezais também podem sofrer com os impactos do avanço da mar na Barra de Taípe e o assoreamento na Baía do Pontal, observa Lucio, chamando a atenção para a importância do mangue como barreira contra a dispersão de poluentes no meio ambiente. Leia.

A Avenida Soares Lopes e sua praia, em fotos de 1957 e 2020 || Acervo de José Nazal

BLOG PIMENTA – Quais foram os principais impactos da construção do Porto do Malhado para as orlas do Centro e da Zona Norte de Ilhéus?

Lucio Figueiredo de Rezende – O impacto mais evidente da construção do Porto do Malhado foi o acúmulo de sedimentos que a gente vê na [Avenida] Soares Lopes. Isso era um processo litorâneo, que levava à distribuição de sedimentos ao longo da orla de Ilhéus. Esse sedimento acabou sendo aprisionado na Soares Lopes. Você vê o engordamento artificial daquela praia da Soares Lopes, que está levando também a um processo de assoreamento da Baía do Pontal, que está bem assoreada. No lado norte, há processos erosivos, principalmente em São Miguel. São Miguel, por suas próprias características, já seria um local erosivo. Entretanto, no passado, nós tínhamos um aporte frequente de sedimentos que equilibrava esses processos erosivos. Agora, depois de anos da construção do porto, você tem o bloqueio da carga sedimentar e processos erosivos intensos em São Miguel.

O espigão do Porto do Malhado, na ponta norte da Praia da Avenida

Esse bloqueio foi feito com o espigão do porto?

É uma consequência da construção do espigão, porque o transporte litorâneo não consegue transpor aquele espigão. Há uma retenção muito grande de carga sedimentar. Tem a ver com a parte de transporte de sedimentos, velocidade de fluxo, etc. Falando de uma maneira simples, é isso: uma incapacidade de transporte. Isso acontece muito. Quando você constrói barreiras no ambiente costeiro, isso gera problemas que vão se manifestar em outras regiões. Se você construir diversos espigões, você vai transferindo esses processos litorâneos para outras regiões. Você tem que tomar cuidado com isso. A zona litorânea é muito sensível, é parte de um sistema dinâmico, cuja resultante pode ser um processo erosivo em outra região.

Os espigões do São Miguel em 2006 || Foto José Nazal

O senhor explicou que os espigões construídos na orla norte poderiam ser um pouco maiores, mas não muito. Por quê?

Você deve agir sempre com parcimônia. Se você colocar espigões muito grandes, embora possa melhorar a deposição local, acaba gerando processos erosivos mais à frente. Por isso é necessário agir com muita parcimônia e responsabilidade no ambiente litorâneo. Eu acho que os espigões, da forma como estão ali, estão bons. Eles seguraram um pouco do transporte sedimentar. O que deveria ter sido feito – e não foi – era uma estabilização da linha de costa. É inconcebível perder ruas inteiras com o avanço do mar. Você estabiliza a linha de costa e dá uma tranquilidade para a população local.

Área estabilizada com pedras na linha costeira do São Miguel, ao lado da Barra de Taípe, perto da Cabana da Sol

A gente viu na Barra de Taípe, perto da Cabana da Sol, uma área bem estabilizada. O ideal seria fazer o mesmo tipo de estabilização, com aquela quantidade de pedras, ao longo da orla de São Domingos e São Miguel?

Sim, e, de preferência, cuidando com humanismo da região, estabilizando e fazendo, por exemplo, uma faixa litorânea, talvez com ciclovias, enfim, um lugar agradável. Assim você resgata a autoestima da comunidade e não perde área para o mar. O mar está avançando sempre. Todo ano ele avança um pouco. Se nada for feito, vai continuar avançando.

Parte da orla destruída pelo mar no São Domingos; erosão alcançou margem do asfalto da BA-001

Existe mesmo a possibilidade de todo o São Miguel desaparecer?

Sim, o São Miguel está cada vez sofrendo mais processos erosivos. Sim, o mar pode romper aquela barra de São Miguel, se você não fizer nada. Existe a solução de curto prazo: estabilizar a linha de costa. Também é preciso olhar para uma solução de longo prazo para minorar o sedimento aprisionado no Porto do Malhado. Se você faz uma solução de curto prazo, estabilizando a linha de costa, isso vai dar tranquilidade à população litorânea. Nesse tempo, você tenta achar soluções junto com o Governo do Estado, o porto, para recompor um pouco do transporte litorâneo. Você não pode recompor totalmente, porque agora há uma outra dinâmica que depende do acúmulo de sedimentos na Soares Lopes. O primeiro passo é estabilizar a linha de costa. É o que deveria ter sido feito muito tempo atrás. Não é nada tão caro assim. Aproveita o verão para fazer as obras, porque, no inverno, os processos erosivos voltarão.

A Codeba anunciou que vai fazer nova dragagem, o que é importante para aumentar a capacidade de atração de navios para o Porto do Malhado. Isso pode agravar a erosão no norte?

Isso é normal. O que pode ser feito é a análise desse material; se ele não estiver contaminado por metais pesados, poderia ser levado para a praia do norte. Só é possível saber se há contaminação com análises laboratorias. A princípio, não há problema em fazer uma dragagem no porto.

Professor explica sazonalidade do processo erosivo na costa litorânea, que se intensifica no inverno

Por que a erosão ocorre de forma sazonal?

A erosão ocorre ali [na orla norte]. No passado, você tinha um transporte sedimentar que equilibrava esse processo. Existe uma sazonalidade porque, no inverno, as ondas são mais energéticas. Você tem frentes frias e ondas de diversos quadrantes chegando. As ondas são formadas em altas latitudes, não são formações locais. Elas trazem energia de tempestades. No inverno, você tem mais tempestades, por isso as ondas são mais energéticas e fazem com que o transporte sedimentar seja em direção à plataforma. No verão e nos outros períodos do ano, as ondas são menos energéticas e as praias são mais gordas. Há um perfil construtivo das praias, um engordamento. Daqui a pouco, nós teremos processos erosivos e vamos ver todo o drama que se repete, todos os anos, naquela zona de Ilhéus. Há um estoque limitado de areia que transita na praia. Quando você não tem barreiras, ela transita livremente. Quando você faz uma barreira litorânea, muda esse fluxo de sedimentos.

O assoreamento na Baía do Pontal também é um impacto do Porto do Malhado ou já é da nova ponte?

A Baía do Pontal é um estuário, que tem a tendência natural de sofrer assoreamento. Nesse caso, também tem uma influência do engordamento da Praia da Avenida. Os sedimentos litorâneos estão entrando na Baía do Pontal. Ali é um reflexo de tudo isso que aconteceu em decorrência do porto e também do assoreamento natural do estuário. Daqui a pouco nós vamos ter que fazer alguma coisa na Baía do Pontal também, uma dragagem, para mantê-la estabilizada. É uma outra dinâmica, que também se conecta com a do litoral, mas é particular, porque ali você tem um estuário.

O senhor demonstrou preocupação com os impactos desse avanço do mar sobre os manguezais. O que está em risco nesse caso?

Os manguezais são barreiras biogeoquímicas. Eles retêm os poluentes. No manguezal, os poluentes estão complexados na estrutura do mangue, não causam problemas para a biota nem para os seres humanos. Quando você perturba o manguezal, pode tirar um pouco dessa estabilidade. Os manguezais são ambientes muito importantes, que devem ser preservados não só como berçários naturais, mas também como barreiras biogeoquímicas, segurando e estabilizando todas as nossas atividades, todos os poluentes que chegam na zona litorânea. Um ambiente sem mangue vai ser um ambiente muito mais contaminado. Atualizado às 13h16.

PARA NAZAL, MARÃO TRATA INEMA E PIMENTEIRA COMO UM ESTORVO

Em entrevista, Nazal avalia a possibilidade da saída de Inema e Pimenteira dos limites territoriais de Ilhéus – ideia aventada pelo prefeito – como sinal de desprezo
Tempo de leitura: 4 minutos

O ex-vice-prefeito José Nazal (Rede) avalia que o prefeito Mário Alexandre, Marão (PSD), trata Inema e Pimenteira como se esses distritos, situados longe da sede do município, fossem um estorvo para a administração de Ilhéus.

Emitiu a opinião ao comentar notícia, veiculada pelo Jornal do Radialista, de que o prefeito levantou a possibilidade de doar Inema e Pimenteira aos municípios de Coaraci e Itajuípe, respectivamente.

Nazal concedeu entrevista ao PIMENTA e fez uma retrospectiva do período à frente da extinta Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável (Seplandes), entre janeiro de 2017 e 30 abril de 2018, quando rompeu a aliança política com Mário Alexandre.

Numa manifestação rara feita à época, o Ministério Público do Estado da Bahia, por meio do promotor de Justiça Paulo Eduardo Sampaio Figueiredo, afirmou que a saída do então vice-prefeito da secretaria provocou “grande sentimento de perda“. A nota pública da 11ª Promotoria de Justiça de Ilhéus reservou a mesma deferência ao ex-superintendente de Meio Ambiente, o jornalista Emílio Gusmão, que deixou o governo junto com Nazal.

Com 64 anos, Nazal é fotógrafo, memorialista e atua há quatro décadas na vida pública da terra que conhece como poucos. É dele o livro Minha Ilhéus, que percorre a memória da cidade com fotografias produzidas ao longo do século passado.

Questionado sobre os desafios de Ilhéus para melhorar a qualidade de vida da sua população, apontou as grandes tarefas que o município precisa executar na área de planejamento urbano, mas preferiu não estabelecer hierarquia entre elas.

No fim da entrevista, também avaliou o desempenho das três esferas de governo na gestão da pandemia de Covid-19. Leia.

BLOG PIMENTA – Como avalia o período à frente da Seplandes?

José Nazal Pacheco Soub – Nós conseguimos impor um ritmo satisfatório, respeitando as decisões do Conselho do Meio Ambiente. Não tentamos controlar o conselho. A gente fez a limpeza de totens pela Avenida e outdoors das ruas. Aplicamos critérios técnicos na análise dos projetos. Às vezes a pessoa dizia: “Você está atrapalhando”. Atrapalhando nada. O cara vem todo errado e quer que libere errado. Teve uma vez o caso de uma marmoraria. A pessoa reclamava que o projeto “tinha seis meses que não anda”. Fui pessoalmente ao setor. Já tinha três meses que a secretaria tinha mandado um e-mail à pessoa [responsável pela empresa] e não recebia resposta. Também fizemos trabalho de fiscalização intensa. Demos um curso de poda. A gente fez alguns TACs [Termos de Ajustamento de Conduta] e conseguiu equipar a secretaria. Deixamos um projeto, que foi depois feito com um convênio com a Universidade Federal do Sul da Bahia, para fazer o inventário arbóreo da cidade. Conseguimos fazer, com recurso de um TAC, um termo de referência para fazer o plano de manejo do Parque da Boa Esperança. Tentamos liberar o recurso da Valec para o parque e não conseguimos. Teve umas atrapalhações lá que impediram. Trabalhamos de forma tranquila, de frente. Teve a questão da usina [de asfalto do município], que foi uma polêmica danada e continua errada. Você exige licença dos outros e não cumpre, não faz sua parte?

Em janeiro de 2021, o Jornal do Radialista informou que o prefeito tem a intenção de convocar plebiscito para doar os territórios de Inema e Pimenteira. Isso avançou?

Não pode ser uma ação do prefeito. Essa questão de limites [territoriais entre municípios] é com a Assembleia [Legislativa do Estado], que tem regras para isso. Não é uma coisa simples como o prefeito quer. Ele, simplesmente, na minha opinião, está dizendo que Inema e Pimenteira são um estorvo para o município.

Ele manifestou mesmo essa intenção?

Ele disse numa entrevista em Itabuna, numa rádio em Itabuna.

Numa entrevista de 2017 para o Blog do Gusmão, o senhor disse que o acúmulo de pequenas coisas e pendências do cotidiano administrativo atrapalhavam a missão de lidar com os grandes desafios do município. Quais são os maiores desafios em Ilhéus?

É difícil elencar de forma hierarquizada, dizendo qual é o mais importante e urgente. Teria que fazer uma consulta pública ampla. A gente pode elencar sem hierarquizar. Por exemplo, a habitação. Agora que o governo tá fazendo. O governo não. A Bamin está fazendo agora um plano [municipal] de habitação para o município. Fizeram as audiências agora. Para mim, foram muito fracas. Não teve divulgação. Fizeram para cumprir tabela. Chamaram algumas pessoas, me chamaram, eu fui, mas deveria ter tido uma divulgação ampla, inclusive para o interior. Outro grande problema é que nós não temos plano municipal de saneamento básico. A gente não tem previsão, a gente não tem estudo, a gente não tem prognóstico da demanda por água que haverá daqui para frente, inclusive com esse boom de grandes empreendimentos da construção civil e empreendimentos como o Porto Sul. Outro problema: a gente tem diversos bairros do município sem regularização fundiária, uma parte do Pontal, Salobrinho, Vila Lídia, parte da Conquista e outros lugares da cidade e do campo. Também falta uma revisão dos núcleos das Secretarias de Educação, de Saúde e de Assistência Social no campo. Ilhéus não tem plano de mobilidade urbana…

Consegue dimensionar a responsabilidade de cada uma das três esferas de governo na gestão da pandemia?

Olha, esse governo federal é difícil de avaliar, porque pode parecer uma coisa passional por eu não ser simpático ao presidente, às suas decisões e aos seus atos. Pode parecer passional, mas a gente vê que quem mais falhou foi o governo federal. O governo estadual, o governador teve uma ação, eu acho que foi – não vou dizer que não tenha erro, com certeza teve alguns erros – mas houve preocupação, sobretudo com a vida. A gente sabe que todos os atos foram tomados pela decisão necessária de salvar vidas. Isso foi feito. Todas as decisões tomadas, no calor do problema, no dia a dia, não houve uma inércia no enfrentamento do problema. O governo do município também tomou atitudes. A gente estava vendo agora a liberação absoluta. Os três entes federativos não têm pernas e braços para dar conta da fiscalização para conter os excessos. Infelizmente, uma grande parte da população não tá levando a sério.

Continua na Rede e vai disputar as eleições de 2022?

O partido vai promover alguns eventos políticos para discutir. Nas eleições passadas [de 2018], o partido não conseguiu vencer a cláusula de barreira. Defendi alianças, mas fui voto vencido. Agora não vai ter [coligação partidária]. Eu estou na Rede, vou ficar na Rede, é o partido que me deu todo o apoio e me permitiu ser vice-prefeito. É um partido que não assusta você tomar uma bola nas costas, como acontece em outros partidos que, muitas vezes, nas vésperas de um pleito, você é obrigado a recuar ou mudar de bandeira. É um partido orgânico, pequeno, mas tem pessoas de opinião e responsabilidade. Atualizado às 19h29min.

COVID-19: ITABUNA AINDA NÃO PRETENDE RETOMAR MEDIDAS RESTRITIVAS, AFIRMA SECRETÁRIA

A médica Lívia Mendes, secretária de Saúde de Itabuna
Tempo de leitura: 3 minutos

A médica Lívia Mendes, secretária de Saúde de Itabuna, disse hoje (23) ao PIMENTA que a adoção de medidas restritivas contra o novo coronavírus, até o momento, não está no horizonte do governo municipal.

“[Medidas] de restrição, ainda não. A gente acompanha os números e vê que tem esse aumento, que a gente está tendo um reflexo agora das festas de fim de ano, em que as pessoas tendem a aglomerar mais e fugiram das regras importantes. Mas, agora, a gente não vê medidas de restrição, não”, explicou.

Na última quarta-feira (20), o secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, se reuniu com secretários de municípios das regiões Sul e Sudoeste do estado. Queria saber o que os governos municipais estavam fazendo para conter o vírus. Lívia Mendes representou Itabuna na reunião online. Na conversa com o PIMENTA, a secretária informou que o município vai priorizar o trabalho de conscientização das pessoas, para que evitem aglomerações e se protejam usando máscara. Deu o exemplo da Patrulha do Som, que fiscaliza o cumprimento das regras sanitárias em ambientes como bares e restaurantes. A gestora planeja a volta do serviço com a Guarda Municipal e os fiscais de indústria e comércio.

A troca de comando na Prefeitura prejudicou as medidas de combate à pandemia, admite Lívia Mendes. “Com essa transição, realmente, as ações de vigilância epidemiológica, as testagens, diminuíram. Um governo estava saindo, e outro, assumindo e colocando as pessoas que iriam coordenar essas ações. A gente já está voltando com as testagens. Um exemplo foi lá no abrigo [Albergue Bezerra de Menezes] e também as ações nos bairros com aumento de casos”.

Com a volta dos ônibus às ruas em até 12 dias, conforme anúncio do prefeito Augusto Castro (PSD), a Secretaria Municipal de Saúde vai estabelecer os protocolos de segurança do transporte coletivo, como o uso obrigatório de máscaras e o fornecimento de álcool em gel aos usuários e trabalhadores do sistema.

MORTES E OCUPAÇÃO DE UTIs

Entre 31 de dezembro e 22 de janeiro, Itabuna registrou 17 mortes por Covid-19. No total, são 378. Perguntamos à secretária se chegou a faltar leitos de tratamento intensivo para os pacientes do município. “No pico mesmo que a gente viu da pandemia, com certeza, faltou, porque Itabuna é referência da macrorregião. Os leitos de Itabuna também eram referência para o Sul e o Extremo-Sul do estado. Então, realmente, pela gravidade, se algum município ficou descoberto, isso provavelmente aconteceu por conta da insuficiência de leitos na época do pico”, respondeu.

Em Itabuna, o SUS disponibiliza 28 leitos de UTI Covid; 27 deles estão ocupados, segundo o boletim epidemiológico divulgado ontem (22) pela prefeitura. De acordo com a secretária, o município não registrou taxa de ocupação de 100% em 2021, mas nada garante que isso não voltará a acontecer, porque a dinâmica da pandemia “é um reflexo do comportamento da população”.

VACINAÇÃO

Itabuna recebeu 2.017 doses da CoronaVac e Ilhéus, com menos habitantes, 6.017. O que explica essa diferença? “Essa distribuição, essa proporcionalidade, segundo o Estado, foi feita em relação à população público-alvo dessa primeira fase. Qual era o público dessa primeira fase? Profissionais de saúde, os idosos das casas de longa permanência, ribeirinhos e indígenas em aldeias. Uma das questões é que Ilhéus tem as aldeias indígenas”, explicou a secretária Lívia Mendes. Em balanço divulgado neste sábado (23), a Prefeitura de Ilhéus informou que 1.007 tupinambás foram vacinados até o momento.

O Ministério da Saúde pretende iniciar neste sábado (23) o envio de dois milhões de doses da vacina Oxford/Astrazeneca aos estados. A exemplo do que aconteceu com o lote da CoronaVac, explica Mendes, o governo municipal só vai saber o número de vacinas destinadas a Itabuna poucas horas antes ou no momento da entrega feita pela Secretaria de Saúde do Estado.

LUIZ MELO: “DOENTE MENTAL É RELEGADO A SEGUNDO PLANO PORQUE NÃO VOTA, NÃO PRODUZ”

Tempo de leitura: 8 minutos

A reforma psiquiatra brasileira foi positiva para a assistência em saúde mental, mas o falta vontade política dos governantes para colocá-la em prática, na opinião de Luiz Cezar Melo, 65 anos, mais de 30 deles dedicados à Psiquiatria. Luiz Melo faz críticas ao arremedo que se fez de assistência psiquiátrica nos municípios, principalmente Itabuna. As consequências, aponta, podem ser vistas nas ruas.

Numa entrevista ao PIMENTA, Luiz Melo observa que praticamente se destruiu o pouco que havia no município, principalmente nos últimos quatro anos. O psiquiatra observa, por exemplo, que o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) nível 3 começou a ser construído e não foi entregue até o momento. Ele apela ao prefeito eleito, Augusto Castro, para que conclua o equipamento e faça valer o que preconiza a reforma psiquiátrica.

BLOG PIMENTA – Na opinião do senhor, a assistência psiquiátrica em Itabuna é a ideal?

Luiz Cezar Melo – Como especialista em saúde mental há quase 30 anos, na Apae, Caps e serviço de ambulatório, vejo que a situação tem piorado e não há perspectiva de melhora. Se antes tínhamos sistema que funcionava precariamente, hoje está muito pior e aquém do desejado.

O que difere o antes do momento atual?

Tínhamos hospital funcionando em sistema de mega-asilo, de pessoas confinadas. Depois da reforma psiquíatrica, tentou-se sistema mais racional. Existia, também, o ambulatório da Prefeitura, no Hospital de Base, que funcionava de forma precária, e atendia demanda de Itabuna e região. Funcionava? Pelo menos, os pacientes eram vistos de três em três meses. Havia constância, não havia intervalo muito grande entre um atendimento e outro. Hoje, foi criado ambulatório no Centro, simplesmente arremedo de atendimento psiquiátrico. A pessoa que tem sofrimento mental, quando consegue atendimento, é seis, oito meses depois. O atendimento é precário, com receita emitida, replicada, treplicada.

Quais os riscos para o paciente?

O indivíduo não tem muito contato com quem está tratando dele. Não há avaliação. A pessoa tem que ser avaliada, pelo menos, de três em três meses, mas é vista em intervalor de seis, a 10 meses até. Essa pessoa pode reagudizar, paralisar. E o indivíduo fica na rua. Os familiares sabem bem o que é isso, de ter doente mental em casa e não ter a quem recorrer, não ter o que fazer.

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A saúde mental sempre foi jogada de lado, patinho feio da saúde, que é o patinho feio do orçamento geral de um município.

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Não há alternativa?

A alternativa acaba sendo o serviço particular, que são as clínicas populares, que têm consulta relativamente barata para quem é de classe média, mas não privilegiado tirar R$ 200 do seu orçamento é muito. Esse é um dever do Estado e um direito do cidadão, atendimento público e gratuito. A saúde mental sempre foi jogada de lado, patinho feio da saúde, que é o patinho feio do orçamento geral de um município.

A reforma psiquiátrica foi positiva? Por que ela não está funcionando como preconizado em Itabuna?

A reforma psiquiátrica foi muito positiva com o fim do confinamento. Dificilmente alguém se recupera tendo a sua liberdade limitada e sofrendo maus-tratos e sobrevivendo com o mínimo possível. Era uma solução quando não se tinha algo melhor. A reforma psiquiátrica trouxe uma novidade que é o atendimento na comunidade. Se ela fosse implantada com eficácia, apoio público, vontade política, se a doença mental não fosse tão discriminada e relegada a segundo, a terceiro plano até, talvez ela tivesse…

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O Caps não é um ambulatório a mais. Trabalha em rede, trabalha com o PSF. O único Caps que funcionou bem foi o de Ibicaraí.

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Há bons exemplos de mudança depois da reforma psiquiátrica?

Em alguns lugares, ela floresceu. A reforma prevê que o indivíduo seja tratado na própria comunidade, sem precisar afastá-lo de quem ele gosta, da sua família, porque foi jogado no meio de outras pessoas também doentes. A reforma foi perfeita ao criar o Caps, que encara a doença mental como digna de ser excluída da sociedade, e sim uma tentativa de incluir esse doente que, por algum momento, perdeu a razão, de torná-lo capaz de ser um cidadão. O Caps não é um ambulatório a mais. Trabalha em rede, trabalha com o PSF. O único Caps que funcionou bem foi o de Ibicaraí.

O que deu certo no município sul-baiano?

Em Ibicaraí, tínhamos os três dispositivos da reforma psiquiátrica, que é o Caps, o serviço de residência terapêutica para pacientes que não tivessem referência familiar, o paciente de rua, e o internamento em hospital público. O hospital tinha 3 leitos de psiquiatria. Os pacientes que agudizavam ficavam lá por algum tempo. O período de internamento era mínimo, não saíam da cidade. O paciente recebia o tratamento e voltava para a sua comunidade, dessa vez já com orientação para se tratar no Caps.

Por que Itabuna não avança, embora ainda seja polo em serviços de saúde?

Itabuna tem quatro dispositivos (Caps 2, Caps Infância e Adolescência e Caps Álcool e Drogas) e tem um outro Caps que nunca funcionou e está sendo construído há vários mandatos e ninguém se arvora de terminar. É um Caps que prevê internamento. Ou seja, estaria solucionando um vácuo que o Hospital São Judas deixou. Porque o paciente estaria sendo internado na crise e depois voltaria para o seu ambiente familiar.

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O indivíduo que descompensa não tem a assistência imediata devida. São usados os hospitais gerais, mas estes não atendem completamente. O indivíduo que adoece não tem um sistema para atendê-lo.

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Quais são os efeitos, as consequências da falta de assistência psiquiátrica em Itabuna?

A consequência é o aumento de número de suicídio, pois o indivíduo que descompensa não tem a assistência imediata devida. São usados os hospitais gerais, mas estes não atendem completamente. O indivíduo que adoece não tem um sistema para atendê-lo. Temos aí Roça do Povo que poderia ser usado como oficinas terapêuticas, oficinas protegidas, sistema que dá certo em algumas cidades da Bahia, onde o paciente psiquiátrico, que só é improdutivo na crise, poderia ser encaminhado para poder aprender uma atividade. Ibicaraí chegou a receber prêmio nacional como Caps modelo. Lá, funcionava em rede. Há solução, não há é vontade política.

Há recursos federais para essas ações?

Sim, não para construção, mas para assistência. A parte maior do recurso vem do governo federal. Já deveria estar construído e funcionando aqui o Caps 3, com internamento e psiquiatra de plantão. Isso demorou de ser implantado no Brasil inteiro. Salvador agora que tem, inclusive o CAPS 3 AD, que é de emergência para alcoolismo e drogas, mas, de fato, demorou muito para ser implantado na Bahia.

Por que, no geral, relegam a assistência na área de saúde mental a terceiro, quarto plano?

Primeiro, porque quem adoece não interfere muito na dinâmica econômica da sociedade. O doente mental é invisível, porque ele não vota. Se vota, vota apenas quando sadio. Ele não produz, não é consumidor. Então, é relegado a segundo plano, porque é invisível. No sistema capitalista, ele não tem cartão de crédito. Uma sociedade que confunde cidadania com consumo…

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O doente mental é relegado a segundo plano porque é invisível. No sistema capitalista, ele não tem cartão de crédito. Uma sociedade que confunde cidadania com consumo…

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Não tem valor para essa sociedade?

A não ser que se trate de um grande executivo que adoeça. Ou dono de uma firma ou que seja alguém importante para o sistema. Mas se for pessoa humilde, menos privilegiada, e para o lugar que ele está saindo na empresa tiver 10, 20 para ocupar o lugar, ninguém vai se preocupar em recuperar essa pessoa, já que há exército de reserva muito grande.

Os governos, além de não observarem o doente, fecham os olhos para os efeitos dessa desassistência na família?

Exato. Existe toda uma dinâmica familiar que é afetada. Quem é que vai cuidar deste doente quando está em casa? Por isso que o hospital psiquiátrico parece opção mais viável para alguns. “Não, eu deixo ele lá, não me preocupo mais com ele, vou fazer minhas coisas”. Isso, mesmo sabendo que ele pode estar sendo maltratado.

E poucos também sabem lidar em um momento de crise…

Por isso, louvo muito a reforma psiquiátrica. Pelo menos, na ideia é ótimo. Os Caps estão preocupados com a saúde mental. Então, os familiares podem frequentar os Caps até para ter noção do que fazer e não fazer quando o paciente entra em crise. Há um aprendizado, também. Há muito cuidador de doente mental que, depois, resolve cursar auxiliar de enfermagem ou serviço social, agente comunitário de saúde. Existe um desconhecimento não apenas do público em geral, mas de profissionais da área da saúde também, porque não querem lidar com pessoas que adoecem, pois há o estigma de que doente mental é perigoso, violento. É um estigma.

Preconceito?

Os estudos indicam que o doente mental não é mais violento do que a população em geral. É que os crimes, quando cometidos por doentes mentais, são mais alarmantes, pois há perda do controle, porém não são tão comuns. E aí gera o estigma. Os normais, às vezes, cometem crimes muito mais violentos que os doentes mentais.

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O doente mental que não é bem tratado ou que não consegue esse espaço (atendimento) no serviço público para se tratar, ele se torna quase uma bomba-relógio.

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E aí, retornamos para a questão inicial das consequências da falta de assistência na rede pública, não é mesmo?

O indivíduo que não é bem tratado ou que não consegue esse espaço (atendimento) no serviço público para se tratar, ele se torna quase uma bomba-relógio. O cara que passa um tempo sem ver psiquiatra, sem renovar ou revisar a medicação, pode surtar num período desses e cometer um crime. Mas se é visto, pelo menos, de três em três meses, diminui-se essa possibilidade. Vejo doentes mentais que esperavam consulta há nove meses e descompensaram nesse período, cometendo crime. Se tivesse atendimento, provavelmente não teria cometido o crime. Ou seja, estamos falando de prevenção também.

A reforma psiquiátrica abre espaço para o convívio, a integração. Qual o peso dessa integração para a saúde mental deste paciente?

Se o indivíduo se acha mais aceito, menos discriminado e confia na capacidade dele, isso já é terapêutico por si só. Mas se o indivíduo é isolado, discriminado, claro que vai agravar. Um exemplo bom disso: em Ibicaraí, havia programa chamado Pintando a Cidade. O artista plástico levava os doentes mentais para a rua para pintar as guias, calçadas, jardins… Então, a população em geral, de lá, se acostumou a ver estas pessoas produzindo, trabalhando, coisa que não imaginava, e sem essa aura de perigo. O artista recolhia no comércio as tintas e ele reformava, fazia as tintas e pintava e deixava os usuários do Caps trabalhando. Eles nunca poderiam imaginar que o doente mental poderia produzir alguma coisa, inclusive para a cidade. Então, esse tipo de coisa eu nunca vi aqui em Itabuna. É até uma sugestão para o governo que está entrando…. Eu sei que doente mental não dá voto, mas se ele quer ser um bom gestor, porque não terminar o Caps 3, porque não colocar equipes eficientes nos Caps e não voltar o ambulatório geral? É tornar o doente mental visível. Mostrar que ele não é violento. É violento quando não é tratado adequadamente.

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Eu sei que doente mental não dá voto, mas se ele quer ser um bom gestor, porque não terminar o Caps 3, porque não colocar equipes eficientes nos Caps e não voltar o ambulatório geral? É tornar o doente mental visível.

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Quais são os reflexos da falta de assistência para a cidade?

Quem nunca viu um doente mental na rua quebrando patrimônio ou sendo vítima de chacota e provocações? Há quem não o compreenda e começa a provocá-lo, xingá-lo, ver, realmente, o circo pegar fogo. Há pouco tempo, havia um que quebrava carros… Ah, porque não tem mais o São Judas (clínica psiquiátrica). Que tivesse, mas o São Judas não era tudo. A pessoa não ia ficar a vida inteira lá. Então, se não cuidar para que ele aprenda outro comportamento e não seja provocado, porque não implantar um sistema desse? Sai mais caro recuperar patrimônio destruído por ele.

DIRETOR DIZ QUE SHOPPING JEQUITIBÁ ADOTA PROTOCOLOS E AGUARDA REABERTURA

Neto diz que shopping se prepara para quando reabertura for autorizada
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O diretor do Shopping Jequitibá, Manoel Chaves Neto, diz que o empreendimento está adotando todas as medidas necessárias para cumprir os protocolos determinados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para “reabrir com total segurança, assim que a flexibilização da atividade comercial for liberada”.

Atualmente, o shopping em Itabuna está funcionando no sistema drive thru e delivery e mantém em funcionamento setores considerados essenciais, como supermercado, farmácia e lotérica. O Drive Thru e Delivery, com relação das lojas, pode ser acessado no site do shopping. A seguir, Neto fala sobre a expectativa para a reabertura do empreendimento e os impactos da pandemia.

Dos 577 shoppings Centers no Brasil, 411, equivalente a 71% do total, estão abertos e em operação. Como tem sido este retorno?

Manoel Chaves Neto – O protocolo de abertura tem sido parecido em todos os Shoppings Centers no Brasil, com pequenas mudanças regionais: horários reduzidos, maior frequência da higienização, uso obrigatório de mascaras por frequentadores e funcionários, verificação de temperatura na entrada, disponibilização de álcool em gel, acesso ao estacionamento eletronicamente e suspensão de atividades promocionais que tragam aglomeração.

Quantos Shoppings na Bahia estão abertos e em plena operação?

Dos 21 shoppings centers existentes no estado, 3 deles, equivalentes a 14% do total do estado estão reabertos e em operação.

Qual a perspectiva para abertura do Shopping Jequitibá?

O Shopping Jequitibá está 100% pronto para reabertura em plena segurança, com todas recomendações feitas pela OMS, implementadas e todo o time de colaboradores treinado e adaptados para o convívio no novo normal. Diante de todos os investimentos e adequações feitas, o shopping será um ambiente educativo em relação à Covid-19. Mas, para que isso ocorra, dependemos de um entendimento conjunto da Prefeitura Municipal, Governo do Estado e Ministério Público.

O que significa passar as celebrações da Páscoa, Dias das mães, Dia dos Namorados e São João, datas com forte apelo comercial, com o shopping fechado?

Está sendo um período bem difícil para o varejo, pois todas nossas 137 operações se encontram paralisadas, com uma queda vertiginosa nas vendas. O impacto econômico em datas tão importantes e no próprio dia a dia normal é muito grande. Por isso, aguardamos a reabertura do shopping para iniciarmos o processo de recuperação.

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Criamos as alternativas paliativas para impulsionar as vendas com a implantação do Delivery e Drive Thru, iniciativas que serão incrementadas, melhoradas e ficarão em definitivo como um canal de vendas dos lojistas do Shopping Jequitibá.

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Quais as alternativas de vendas que o Shopping Jequitibá proporcionou aos seus lojistas?

Criamos as alternativas paliativas para impulsionar as vendas com a implantação do Delivery e Drive Thru, iniciativas que serão incrementadas, melhoradas e ficarão em definitivo como um canal de vendas dos lojistas do Shopping Jequitibá.

BRASIL PODE TER PRIORIDADE NO USO DA VACINA DE OXFORD CONTRA COVID-19

Universidade Federal pode colocar Brasil em situação privilegiada, diz reitora
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O Brasil poderá ter prioridade no uso da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford contra a Covid-19. A informação é da reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Soraya Smaili.

A instituição irá participar, a partir das próximas semanas, da terceira fase de pesquisas da vacina inglesa, realizando testes em cerca de mil pessoas que vivem em São Paulo e atuam em atividades com exposição ao vírus.

O laboratório da universidade do Reino Unido é o que está mais adiantado na construção de uma vacina contra o novo coronavírus, que deverá estar pronta em até 12 meses.

De acordo com Smaili, a participação do Brasil – o primeiro país fora do Reino Unido a fazer parte das pesquisas da vacina – coloca o país como “grande candidato” a usá-la, com prioridade, assim que a sua eficácia for comprovada.

“Existem algumas conversas nesse sentido [para o país poder ter prioridade no uso da vacina]. Estamos trabalhando para que sim. O fato de estarmos integrando e sermos o primeiro país fora do Reino Unido e também o primeiro laboratório no Brasil a realizar esses estudos – semelhantes a esses não há nenhum outro no Brasil – torna o país um grande candidato”, disse, em entrevista.

De acordo com a reitora da Unifesp, com acesso à “receita” da vacina, o Brasil terá capacidade de reproduzi-la em grande escala, a partir de laboratórios nacionais. “Tendo acesso à vacina,  temos capacidade de produção em larga escala, por meio dos nossos laboratórios nacionais de fato, como o Instituto Butantan, e os laboratórios da Fiocruz, entre outros”.

Leia a seguir a entrevista com a reitora da Unifesp à Agência Brasil:

Qual será o papel da Unifesp no processo de desenvolvimento da vacina de Oxford?

Soraya Smaili – A vacina foi iniciada e desenvolvida até esse estágio em que ela está, lá na Universidade de Oxford. O papel da Unifesp é integrar agora a fase 3 de testes, que é um estágio em que você aplica a vacina em voluntários humanos. É uma fase já avançada do desenvolvimento, porque já passou por laboratório, pelas células, já passou pelos animais, já passou pelas outras fases clínicas. Agora está na fase pegar indivíduos voluntários que vão receber a vacina e que serão acompanhados por alguns meses para poder verificar se a vacina é eficaz, se ela consegue proteger contra o coronavírus.

Por que o país e a Unifesp foram escolhidos para participar dessa fase de testes?

Inicialmente é por conta da liderança da doutora Lily Yin Weckx, que é a coordenadora do estudo no Brasil e é coordenadora do laboratório do Centro de Referência em Imunização da Unifesp. Esse centro tem conexões com diversos outros pesquisadores do Reino Unido e da Europa. E também por conta da doutora Sue Ann Costa Clemens, chefe do Instituto de Saúde Global da Universidade de Siena, e também pesquisadora do Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais da Unifesp. Por causa da experiência que elas têm na área e dos estudos que já realizaram anteriormente, com reputação muito boa internacional, o nosso laboratório aqui da Unifesp foi indicado para executar essa fase do teste da vacina.

Como a participação brasileira pode agregar conhecimento ao desenvolvimento científico local?

Nós vamos aprender muito com esse processo. Mas, além de tudo, vamos poder participar de um importante trabalho que vai, provavelmente, se tudo continuar correndo bem, em alguns meses ter uma vacina que poderá ser aplicada em toda a população contra a covid-19.

Ter participado dessa fase dará ao país alguma prioridade para que a população seja vacinada?

Sim, existem algumas conversas nesse sentido. Nós estamos trabalhando para que [seja isso] sim. O fato de estarmos integrando e sermos o primeiro país fora do Reino Unido e também o primeiro laboratório no Brasil a realizar esses estudos, estudos semelhantes a esse não têm nenhum outro no Brasil, torna o país um grande candidato.

Essa vacina já foi aprovada no país?

Foi aprovada pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], que é uma agência que é ligada ao Ministério da Saúde, tudo isso, dependendo dos resultados, e com o andamento da pesquisa, dessa fase da pesquisa e dos testes, nós temos grande chance de termos, sim, acesso à vacina. Tendo acesso, nós temos capacidade de produção em larga escala, por meio dos nossos laboratórios nacionais de fato, como o Instituto Butantan, os laboratórios da Fiocruz, entre outros.

Quais os prazos para o início e final da pesquisa no Brasil?

Os testes ainda não iniciaram. Isso deve acontecer por volta da terceira semana de junho. Essa fase será a fase de recrutamento. Em seguida, os testes desses voluntários selecionados. Depois, a aplicação da vacina, e o seguimento por alguns meses, até doze meses, para que os resultados possam ser conclusivos. Eu disse até 12 meses, porque a perspectiva é que este período pode ser de doze meses ou talvez um pouco menos.

O que a senhora destacaria desse processo que agora envolve o Brasil?

A importância de a gente ter a ciência brasileira, a universidade federal trabalhando para o desenvolvimento de uma vacina, que está entre as primeiras vacinas, entre as mais promissoras das que estão sendo estudadas no mundo todo. Estamos – a nossa universidade está se somando a um esforço global, é uma universidade pública federal ligada ao Ministério da Educação – nos juntando a um esforço mundial para a obtenção de uma vacina que vai beneficiar milhões e milhões de pessoas.

Qual o sentimento?

Estamos muito orgulhosos, contentes, de termos em nosso país uma universidade que são tão bem equipadas com profissionais tão capacitados, que é um patrimônio do povo brasileiro. Isso certamente temos de salientar. A ciência brasileira é uma ciência de alta qualidade e, por isso, foi escolhida a Unifesp, porque tem essa qualidade, dos nossos pesquisadores. Estamos em um esforço coletivo para superamos esse momento. A ciência brasileira também vai dar a sua contribuição e as suas respostas.

NOS 20 ANOS DO SHOPPING JEQUITIBÁ, NETO APOSTA EM UNIÃO E ENCARA FUTURO COM OTIMISMO

Manoel Chaves Neto, diretor-geral do Shopping Jequitibá
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O Shopping Jequitibá completa 20 anos nesta terça-feira (5). Iniciativa pioneira e visionária no sul da Bahia do empresário Helenilson Chaves, o maior centro de compras, lazer e serviços da região, segundo o diretor Manoel Chaves Neto, transformou a data em momento de reflexão sobre o futuro, que o encara com otimismo.

Nesta entrevista, Neto fala dos reflexos da pandemia da covid-19 na economia, na sociedade e os passos futuros – e o que é necessário – para uma reabertura do comércio. O diretor também fala de novos empreendimentos que vão se somar ao mix de atrações do empreendimento.

Como você resume estas duas décadas do Shopping Jequitibá?

Manoel Chaves Neto – Quero agradecer, agradecer e agradecer por hoje completarmos 20 anos de vida, de relação e de muito amor por Itabuna e todo sul da Bahia. Estas duas décadas passaram voando, ultrapassamos diversos obstáculos, vencemos dezenas de crises, chegamos até a ficar órfãos do nosso fundador e idealizador Helenilson Chaves. Entretanto, as raízes do Shopping Jequitibá são fortes, profundas e sólidas, proporcionando estarmos comemorando seus 20 anos, com empreendimento, completo, regional, dominante no sul da Bahia.

Fomos pegos de surpresa pela forma avassaladora da pandemia, fazendo com que mudássemos por completo nossas programações e atividades comemorativas para esta data. Ainda assim, continuaremos constantemente atentos, trabalhando duro, estudando e nos adaptando para manter o Shopping Jequitibá por muitas décadas como um equipamento único e de vanguarda para o novo normal.

Lia Chaves e o esposo e idealizador do Shopping, o empresário Helenilson Chaves

Hoje temos 46 dias do Decreto Municipal que culminou com o fechamento de todo comércio. Em relação ao Shopping Jequitibá, como está sendo este momento e quais os impactos?

Está sendo dificílimo, pois a pandemia da Covid-19 interrompeu, repentinamente, o ciclo operacional do Shopping Jequitibá e dos nossos lojistas. Por consequência, colocando todos numa fragilidade econômica e financeira de fluxo de caixa, entretanto, os reais impactos só saberemos no médio prazo.

 

Continuaremos constantemente atentos, trabalhando duro, estudando e nos adaptando para manter o Shopping Jequitibá por muitas décadas como um equipamento único e de vanguarda para o novo normal.

 

Qual geração de empregos do Shopping Jequitibá?

Juntamente com nossos lojistas, aproximadamente 1.300 empregos diretos.

Haverá demissões no Shopping Jequitibá?

Não iremos demitir nossos colaboradores, pois utilizaremos todos os benefícios do Governo Federal para segurar ao máximo todos os postos de trabalho existentes antes da Covid-19.

Já existem cerca de 80 shoppings centers abertos no Brasil. Quando serão abertas as portas do Shopping Jequitibá?

A abertura do Shopping Jequitibá está diretamente ligada ao prazo estipulado no decreto municipal em vigor. Entretanto, estamos conscientes que, para abrir o Jequitibá, necessariamente os hospitais da nossa cidade terão que estar minimamente estruturados para enfrentamento das futuras demandas que virão. Hoje esta situação carece da chegada de respiradores, pois só temos 10 leitos de UTI da Santa Casa.

 

Estamos conscientes que, para abrir o Jequitibá, necessariamente os hospitais da nossa cidade terão que estar minimamente estruturados para enfrentamento das futuras demandas que virão.

 

Qual será o protocolo de abertura para o Shopping Jequitibá?

Neste período, nós adequamos o Shopping Jequitibá, com as normativas e protocolos listados pela OMS (Organização Mundial de Saúde), com objetivo de prevenir e dar segurança à saúde de todos que ali frequentam.

Shopping Jequitibá chega aos 20 anos de fundado

As lojas que estavam contratadas e com previsão de abertura serão concretizadas?

Nestes últimos 46 dias, tivemos várias evoluções na construção de lojas Vivara, Natura, ISE Grelhados e Restaurantes e Meu Chapa, além da reforma da Patroni. Em fase de análise final de projetos, temos a Barbearia e a Gráfica que ficarão na alameda de serviços.

 

Tivemos várias evoluções na construção de lojas Vivara, Natura, ISE Grelhados e Restaurantes e Meu Chapa, além da reforma da Patroni. Em fase de análise final de projetos, temos a Barbearia e a Gráfica que ficarão na alameda de serviços.

 

Quantas lojas do Shopping Jequitibá já fecharam as portas por causa dos efeitos da Covid-19?

A IPlace já apresentava desde 2019 o desejo de fechar por motivos de não descolar ponto de equilíbrio e, face a pandemia e consequentemente aumento do dólar, os produtos importados aumentariam de preço e possivelmente haveria retração de vendas.

Como está a relação da administração do Shopping com seus lojistas?

Nossa relação é de união, transparência e parceria reforçada, pois só sairemos desta crise unidos, com muito trabalho e criatividade.

Quais as perspectivas, novidades do Shopping Jequitibá?

Nossa perspectiva é mantermos o Shopping Jequitibá sempre atraente, aconchegante, seguro para receber bem cada vez mais nossos clientes. Além disto, vamos demandar esforços para criar novas alternativas de canais de vendas e distribuição para nossos lojistas.

REI DO INTERMUNICIPAL, BETO OLIVEIRA QUER MAIS TÍTULOS E TREINAR A SELEÇÃO DE ITABUNA

Tempo de leitura: 12 minutos

Poucos treinadores conquistaram tantos títulos no futebol do interior da Bahia como Beto Oliveira. São seis troféus do Campeonato Intermunicipal, três deles consecutivos (2017-2018-2019), e uma conquista com equipe profissional, no comando do Itabuna Esporte Clube, em 2002, na Segunda Divisão do Baiano.  A equipe conseguiu o acesso invicta depois de 10 anos sem disputar nenhuma competição.

Em entrevista exclusiva ao PIMENTA, o treinador fala do sonho de conquistar um Campeonato Baiano e mais três títulos do Intermunicipal. Ele também comenta sobre o sufoco que passou por conta da desconfiança dos torcedores de Itamaraju durante a temporada passada, quando teve de montar uma equipe completamente diferente da que se sagrou campeã em 2018.

Beto Oliveira afirma ainda que é louco para treinar a Seleção de Itabuna e observa que o Campeonato Interbairros deveria ser no primeiro semestre, não no segundo, como é realizado hoje. O técnico também fala de Pep Guardiola, Abel Braga, Jorge Jesus e do time rubro-negro carioca: “O Flamengo de hoje é encantador”.

Veja a íntegra da entrevista.

Blog Pimenta – Sua carreira começa na década de 80 como jogador. Exatamente quando?

Beto Oliveira- Comecei na base do Itabuna Esporte Clube em 1982 e me profissionalizei três anos depois. Atuei pelo Itabuna até 87. Rodei por algumas equipes profissionais no país. Em 91 voltei para o Itabuna e um ano depois fui para o Grêmio Maringá. Em 93 encerrei a carreira como jogador de futebol e comecei a treinar a divisão de base do Itabuna, em 94, sendo técnico do time que disputou a Copa Rio daquele ano. Fiquei como treinador da equipe por três anos seguidos.

Pimenta- E no futebol profissional?  

Beto – Comecei em 2000, quando treinei o Grapiúna nos últimos quatro jogos da Segunda Divisão do Campeonato Baiano. Vencemos o Astro, Bahia de Feira, Barreiras e Jequié, salvo engano. Uma das equipes utilizou um jogador irregular, houve alteração na classificação e perdemos a chance de disputar o título naquele ano.

Pimenta – Um início de carreira de treinador empolgante, por sinal.

Beto Foi sim. Em 2001, treinei o Grapiúna que disputou a Taça São Paulo de Futebol Júnior. No retorno, voltei à equipe profissional do Grapiúna para, mais uma vez, disputar a Segunda Divisão do Baianão. Ficamos com o vice-campeonato. Perdemos o título para o Palmeiras do Nordeste, então filial do Palmeiras de São Paulo. Eles tinham uma equipe muito forte e subiram.

Pimenta – E o primeiro título na carreira?

Beto Em 2001, fui contratado para treinar a Seleção de Coaraci no Intermunicipal. Ali, ganhei o meu primeiro título. No outro ano, voltei ao futebol profissional para comandar o Itabuna Esporte Clube na Segunda Divisão. A equipe estava há 10 anos sem participar de competições. Conquistamos o título da Série B de forma invicta e garantimos vaga na elite do futebol baiano.

Pimenta – Em 2002 a sua primeira competição nacional. Foi isso?

Beto Sim. Como treinador do Colo Colo no Campeonato Brasileiro da série C. Em 2003 voltei ao profissional do Itabuna e ficamos na terceira colocação no Baianão. Perdemos a semifinal para o Vitória, que estava na série A do Campeonato Brasileiro.

Pimenta – E o seu segundo título no Intermunicipal?

Beto – Foi em 2004, com a Seleção de Itamaraju.

 

 

Já fiz uma análise e cheguei à conclusão de que ainda é cedo para parar. Quero retornar ao futebol profissional e ganhar mais títulos.

 

Pimenta – Rodou muito como treinador…

Beto – Minha carreira foi entre equipes amadoras e profissionais. E o terceiro título no Intermunicipal também foi no extremo-sul do estado. Em 2009 fechei um contrato com a Seleção de Porto Seguro por dois anos. Ficamos em terceiro lugar, mas conquistamos o título, invicto, em 2010.

Pimenta – Sete anos depois mais um título…

Beto Em 2017, com a Seleção de Eunápolis. No ano seguinte retornei à Itamaraju, onde conquistamos dois títulos consecutivos do Campeonato Intermunicipal.

Pimenta – Beto Oliveira foi um bom jogador?

Beto Tenho uma família de atletas. Danielzinho começou a carreira no Itabuna e passou por equipes como Palmeiras (na base) e Bragantino, na década de 80. Guiovaldo também tem passagem pelo Itabuna, futebol de Portugal e várias equipes no Brasil. Acho que fui um bom jogador sim. Comecei como volante e depois fui atuar como zagueiro. Nas décadas de 80 e 90, tínhamos muitos craques. Era muito difícil para o profissional do interior ser contratado por um time grande do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais ou Sul do País.

Pimenta – Já pensou em parar?

Beto Já fiz uma análise e cheguei à conclusão de que ainda é cedo. Quero retornar ao futebol profissional e ganhar mais títulos.

Pimenta – Já recebeu propostas para trabalhar neste ano?

Beto Recebi uma proposta de um dos times da Primeira Divisão do Campeonato Baiano, mas não possível o acerto por questões financeiras. Ofereceram um valor menor do que eu ganhava no Intermunicipal. Entendi ser uma desvalorização muito grande. Para trabalhar no profissional, na elite do Baiano, o técnico merece ter uma remuneração melhor.

 

 

Tenho algumas propostas. Provavelmente em março, estarei treinando uma equipe da Segunda Divisão do Baiano.

 

 

Pimenta – Você não estaria em uma vitrine melhor?

Beto No futebol profissional a cobrança é muito maior. Todos da cidade exigem uma campanha excelente. A expectativa gira em torno de vencer Bahia e Vitória e conquistar o título de campeão. Tenho algumas propostas. Provavelmente em março, estarei treinando uma equipe da Segunda Divisão do Baiano.

Pimenta – Qual foi a conquista de Campeonato Intermunicipal mais fácil e a mais difícil?

Beto Não existe conquista fácil, ainda mais em se tratando do Intermunicipal, que é disputado por 64 equipes. É uma competição que dura seis meses. Enfrentamos muitas dificuldades. Às vezes, perda de jogadores importantes no decorrer da competição.

Pimenta – O título mais marcante, então?

Beto O mais prazeroso foi primeiro, conquistado com a Seleção de Coaraci. Embora tivesse sido vice-campeão da segunda divisão com Grapiúna, chegamos sem muito conhecimento sobre o Intermunicipal, que é uma competição totalmente diferente. Peguei uma seleção formada basicamente por ex-jogadores profissionais e vividos na competição e eu sem experiência.  Achei um pouco mais difícil para impor a minha metodologia de trabalho, mas tudo deu certo.

Clique em leia mais, abaixo, e confira a íntegra da entrevista.

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AZEVEDO DIZ QUE VAIDADE DENTRO DA EQUIPE PROVOCOU DERROTA ELEITORAL EM 2012

Tempo de leitura: 9 minutos

Capitão Azevedo durante entrevista em que falou de passado e alianças para 2020

O ex-prefeito Capitão Azevedo diz que a disputa entre as áreas de marketing e de coordenação de campanha, por vaidade, causou a sua derrota em 2012, quando tentou a reeleição. Azevedo perdeu para Claudevane Leite (Vane do Renascer) por uma diferença de 1.107 votos (45.623 a 44.516). Pré-candidato pelo PL, Azevedo concedeu entrevista ao PIMENTA e diz que errou ao não adotar critério técnico na formação da equipe de governo em 2009, quando assumiu a Prefeitura de Itabuna.

Hoje, Azevedo diz ter um grupo novo e que governará ouvindo todos os setores da sociedade. Para ele, a vitória em 2008 oxigenou a política de Itabuna ao interromper a polarização entre os grupos de Fernando Gomes e de Geraldo Simões. Atribui a si o título de recordista na captação de recursos e execução de grandes obras, embora fosse de um partido de oposição aos governos estadual e federal à época.

Na última semana, parte da entrevista já havia sido publicada, quando Azevedo respondia se aceitaria ser vice de Fernando Gomes. Diz que sua condição não será outra que não a cabeça de chapa. Também fala que, se eleito, vai “destravar a cidade” apostando em mobilidade urbana. E diz ter sido frustrado pelo ex-governador Jaques Wagner, que prometeu duplicar o trecho da BR-415 que vai da Nova Itabuna até Ferradas. Abaixo, confira a íntegra da entrevista que abre a série com pré-candidatos.

Blog Pimenta – O senhor terminou a disputa de 2016 em 4º lugar. Por que a decisão de se candidatar novamente a prefeito?

Capitão Azevedo – Agora ficou mais claro para a população que os meus sucessores [Vane do Renascer e Fernando Gomes] não tiveram a mesma capacidade para captar recursos e executar obras. Sem apoio político, nós captamos R$ 98 milhões e executamos grandes obras, como a cobertura do Canal Lava-Pés, na Avenida Amélia Amado. Lembra como era aquilo quando chovia? Demos outra cara àquela região. Ali passam 90% dos ônibus de Itabuna.

Pimenta – Essa seria a razão principal?

Azevedo – Olha, nós trabalhamos nos bairros direitinho, fazendo esgotamento sanitário, asfaltando, construindo casas dignas. São Pedro, Manoel Leão, Santa Clara, Maria Pinheiro, Zizo, Daniel Gomes, Pedro Jerônimo. No Maria Pinheiro, existia uma rua que chamavam de Rua da Bosta. Esse era o nome real. O esgoto corria pela rua. Hoje isso é passado. Bairros que não eram vistos pelo poder público. Atacamos a infraestrutura, investimos nas pessoas.

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Existiam ali, [na eleição de 2012], a equipe de marketing e a coordenação, que estavam tendo desentendimentos e aquilo prejudicou. Foi vaidade. Cada um querendo ser melhor que o outro.

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Pimenta – O senhor diz que fez captação recorde de recursos, executou grandes obras. A que o senhor atribui a não reeleição?

Azevedo – Eu atribuo a erros dentro da equipe. Na véspera do pleito, no sábado, fizemos a maior caminhada da história de Itabuna. Os adversários filmaram tudo e tomaram providência para agir na virada da noite, foram para o voto útil. Veja só: perdi a eleição de forma apertada, por 1.107 votos.

Pimenta – E o “racha” interno…

Azevedo – Exatamente. Existiam ali a equipe de marketing e a coordenação, que estavam tendo desentendimentos e aquilo prejudicou. Foi vaidade. Cada um querendo ser melhor que o outro. Isso, realmente, cria embaraços, é até comprometedor.

Pimenta – O que o senhor não repetiria em um eventual governo?

Azevedo – Não repetiria o critério de formação da equipe. Hoje, temos que ter técnicos para dar os resultados que a sociedade precisa. Estamos buscando a inteligência das universidades daqui, ouvindo todos os setores. Vamos ouvir o empresariado, trazer grandes investimentos para gerar emprego que é o que nossa juventude precisa.

Pimenta – Com quem o senhor está conversando em relação a alianças?

Azevedo – Estamos conversando com todo mundo. Temos que sair dessa briga ideológica, partidária. Só traz atrasos. A cidade vem perdendo terrivelmente competitividade. O momento exige alguém sem barreiras ideológicas, partidárias, que seja suprapartidário. Quando prefeito, nós quebramos a polarização que existia em Itabuna. A cidade respirou.

Pimenta – O senhor disse que está aberto, vai procurar todo mundo. O senhor procuraria o prefeito para novamente formar chapa?

Azevedo – Eu nem sei se o prefeito é candidato. Isso é lá na frente que vai se ver. Eu estou decidido. Não abro mão da cabeça de chapa.

Pimenta – O senhor não aceitaria composição sendo vice?

Azevedo – Em hipótese alguma. Isso está descartado. O projeto nasceu, está aqui na minha mente. Vamos colocar nossa proposta para a sociedade, com um novo modelo. A gente realmente reconhece os erros que tivemos no governo e eles devem ser corrigidos. Além do lado da resposta do desenvolvimento socioeconômico da cidade, temos que buscar respostas para cuidar da dignidade humana.

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A gente não pode aceitar que uma mãe não possa ser atendida na hora do parto, tendo que se deslocar pra Ilhéus, Jequié ou outra cidade para ter filho, criança morrendo em porta de hospital.

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Pimenta – O senhor tem sido cuidadoso nas críticas ao governo de Fernando. Isso se deve a quê? É pensando em aliança?

Azevedo – Nós temos que respeitar as pessoas. Sou amigo de Fernando, mas quando chega na questão administrativa, a gente não pode aceitar que uma mãe não possa ser atendida na hora do parto, se deslocando pra Ilhéus, Jequié ou outra cidade para ter filho. Criança morrendo em porta de hospital. A gente não pode aceitar isso. Veja, faço crítica construtiva, para melhorar.

Pimenta – O senhor faria composição com o prefeito Fernando Gomes?

Azevedo – Fernando Gomes tem a linha dele e eu tenho a minha. Eu estou decidido a ser cabeça de chapa e ir até o final… Agora, não podemos rejeitar apoios. Quem quiser me seguir…

Pimenta – E partido, o senhor vai para a disputa no PL mesmo?

Azevedo – Pelo PL, 22.

Pimenta – Está fechado?

Azevedo – (risos) Está, e com garantia.

Pimenta – Com a garantia de quem?

Azevedo – Do presidente, José Carlos Araújo.

Pimenta – E essa disputa de Araújo com o João Bacelar, que é ligado a Fernando Gomes, não pode deixar o senhor sem legenda?

Azevedo – O presidente me garantiu. Confio na palavra dele. Ele disse “eu sou homem e enfrentei o maior chefe de quadrilha desse país, o Eduardo Cunha. Eu garanto o partido”. Ali, ele demonstrou o perfil de homem determinado…

Pimenta – O PL é da base. O senhor buscará os partidos da base do governo estadual?

Azevedo – Eu não tenho restrições. Hoje a nossa base é Itabuna. Queremos criar o momento. Quando o político se elege, ele tem que procurar o governador, o presidente. A gente não tem como fugir disso aí. Eu era prefeito pelo Democratas e consegui recursos no Estado e na União em governos que eram do PT, com [Jaques] Wagner e Lula. Quebramos esse paradigma. Agora, eu tive sanções, né? Na saúde, a gente não recuperou a gestão plena [perdida no governo de Fernando Gomes, em novembro de 2008, e só recuperada em 2013, com Vane do Renascer].

 

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Olha, no meu governo só foram dois secretários de saúde. Quanto mais muda de secretário. Complica. E os efeitos são terríveis para a sociedade, para quem mais precisa.

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Pimenta – O senhor acha que escolheu os melhores quadros para a Saúde?

Azevedo – Olha, a saúde é uma pasta complicada. Dr. Antônio Vieira contribuiu bastante. Depois, entendemos que deveríamos ter um alinhamento político, havia boicote em algumas áreas, e nomeamos um outro secretário, [Geraldo Magela, hoje secretário de Ilhéus]. Olha, no meu governo só foram dois secretários de saúde.

Pimenta – É uma crítica indireta a Fernando Gomes, que está no sexto secretário de Saúde desde 2017?

Azevedo – É dizer que é uma área complicada e só foram dois, né? Acho que quanto mais muda de secretário há solução de continuidade. Complica. E os efeitos são terríveis para a sociedade, para quem mais precisa.

Pimenta – Com quem o senhor já conversou? Com quais partidos está fechado?

Azevedo – Esse é o momento da busca, do namoro. Hoje, tem o aspecto da proporcional [vereadores], que não tem mais coligação. Cada partido quer candidato a prefeito forte para fazer vereador. Nós estamos com o PL e dialogando com os demais, de centro, de direita, de esquerda.

Pimenta – Como o senhor vai trabalhar para atingir as várias faixas e perfis do eleitorado, da direita à esquerda, e não apenas os mais pobres, foco na campanha de 2016?

Azevedo – Você observa que eu falo o pensar Itabuna livre. É para termos liberdade e melhor forma de agregar esse eleitorado. Nós temos que buscar esse universo, buscar quem pensa Itabuna, livre dessas amarras ideológicas e pensando no desenvolvimento da cidade. Temos que apresentar plano de governo para a sociedade itabunense. Sinto que podemos conquistar o maior universo de eleitores.

 

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Nós vamos destravar a cidade, destravar Itabuna. Vamos criar a maior política de mobilidade da história de Itabuna.

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Pimenta – O senhor vai para a terceira disputa a prefeito. É bem conhecido do eleitorado. O que levará de diferente para conquistá-lo?

Azevedo – Começa pela formação da equipe. Estamos vivendo outro momento, outra equipe planejando a cidade. Não são planos mirabolantes. Você tem que rasgar grande avenidas. Eu tenho uma queixa de [Jaques] Wagner, que garantiu na TV que duplicaria aquele trecho da Nova Itabuna até Ferradas da BR-415. Prometeu. Não saiu. Olha, isso seria um vetor de desenvolvimento. Feira e Conquista se desenvolveram porque pensaram. Estão no topo.

Pimenta – E Itabuna?

Azevedo – Nós vamos destravar a cidade, destravar Itabuna. Vamos criar a maior política de mobilidade da história de Itabuna. Vamos construir um trevo em cima dessa rótula do São Caetano, tirar aquela complexidade de trânsito que é a Manoel Chaves com a Princesa Isabel.

Pimenta – Há um gargalo naquela região, que é a rótula da ponte do São Caetano. Qual seria a solução?

Azevedo – Ali, podemos construir um viaduto para melhorar o sistema viário.

Pimenta – Na campanha, o senhor chegou a mostrar projeto de ponte estaiada, ligando a Amélia Amado com o Conceição. Sairia mesmo ou era apenas factoide de campanha?

Azevedo – Nós tínhamos R$ 90 milhões para aquela ponte, lá no Ministério das Cidades.

Pimenta – Esse projeto seria factível hoje?

Azevedo – Sim, tranquilo. Vamos apresentar à União. Projeto que não tem malandragem, os técnicos analisam e dão resposta.

 

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Iremos fomentar não apenas o Interbairros [de Futebol]. Nós vamos fomentar os jogos estudantis, outras modalidades esportivas. O basquete, o vôlei, futebol, vôlei, futsal… Praticamente, o esporte foi extinto do planejamento do poder público em Itabuna.

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Pimenta – O senhor tem falado em recriar a Secretaria de Esporte. Vai ter verba para várias modalidades ou só futebol?

Azevedo – Nós temos que resgatar o esporte e envolver esses jovens, que são mais vulneráveis à violência. A partir do momento que a gente oferece infraestrutura, campos, quadras, Vila Olímpica, estádio, com auxílio para quem não tem condições de comprar chuteira, tênis, uniforme, a gente estimula esses jovens, coloca num bom caminho. E vamos fomentar não apenas o Interbairros [de Futebol]. Nós vamos fomentar os jogos estudantis, outras modalidades. O basquete, o vôlei, futebol, vôlei, futsal… Praticamente, o esporte foi extinto do planejamento do poder público em Itabuna.

Pimenta – O que o senhor pensa em relação à área social?

Azevedo – Nós fizemos, com recursos próprios, o Bolsa-Renda. Nós realmente tiramos os barracos de madeira, construímos casa com quarto, sala, cozinha… Olha, eu fui rápido e enxerguei que tinha o Minha Casa Minha Vida. As empresas começaram a aparecer querendo áreas para construir casas. Vi que precisavam de incentivo e que ia contemplar famílias de 0 a 3 salários mínimos. Fiz anteprojeto de lei e dei incentivo às empresas para construir.

Pimenta – Quais incentivos?

Azevedo – Isentei as empresas de pagar ISS [Imposto sobre Serviços]. Com a isenção de 5%, foram R$ 100 milhões para construir esses apartamentos, com Pedro Fontes I e II, Jardim América I e II, o Itabuna Parque, o Vida Nova, Gabriela, Jubiabá e São José. São fruto da política pública que eu crie. Isso, realmente, atrai as empresas a fim de construir esses apartamentos e tiramos esse déficit terrível. Todas essas pessoas que moram nesses apartamentos sabem que foi Capitão Azevedo que criou essa lei.

Pimenta – Os condomínios enfrentam problemas de segurança, com a presença e controle do tráfico. Como muda isso?

Azevedo – Você sabe que alguém fala em polícia. Sim, é válido. Mas temos que criar programas sociais, trabalhar pesado o social, com esporte, lazer, cultura. Eu pretendo criar um grande empreendimento na área da formação técnica profissional, com a realização de cursos para motos, caminhões…

 

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No planejamento, se houver ingerência política, joga-se tudo por água abaixo. Tanto que, seja na União, Estados ou municípios, há carência terrível de planejamento.

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Pimenta – Quem o senhor tem como referência em gestão pública no Brasil?

Azevedo – Jaime Lerner, de Curitiba, que foi vereador, prefeito, governador. Em 2012, estivemos lá para conhecer o que foi feito, e como foi feito, por Lerner. Cidade planejada que tem perspectiva de desenvolvimento, mobilidade urbana… Curitiba, com Lerner, virou referência. Ele planejou, executou.

Pimenta – Planejamento é um desafio na gestão pública, que se torna ainda maior quanto menor é o município. Como mudar essa mentalidade?

Azevedo – No planejamento, se houver ingerência política, joga-se tudo por água abaixo. Tanto que, seja na União, Estados ou municípios, há carência terrível de planejamento. Interesse político era para construir quadra. Aí vem o político e diz “não, aquela quadra, não. Quero campo do lado de lá.”. Por interesse político, vai e cede para atender corrente. Você tem que estudar de forma científica os anseios da população. Por exemplo, hoje, o que é que a população mais precisa? Saúde, emprego, segurança pública. Para termos estes dados, precisamos pesquisar, pesquisar a real da situação, saber o que está acontecendo. Nosso planejamento vai cuidar disso aí. Saber o desejo da comunidade. Na medida que consulta toda a sociedade, tem um diagnóstico mais perfeito.

UMA VITRINE PARA O CACAU E O CHOCOLATE “MADE IN SUL DA BAHIA”

Tempo de leitura: 3 minutos

Site traz notícias exclusivas sobre o segmento do cacau e chocolate

Daniel Thame, editor do Cacau&Chocolate

O site Cacau e Chocolate é das maiores novidades editoriais do sul da Bahia nos últimos anos. Lançado em 2019, tornou-se uma vitrine com notícias exclusivas do segmento.

Nesta entrevista ao PIMENTA, o editor Daniel Thame fala do estalo que gerou o novo xodó em uma história de mais de 40 anos de jornalismo e da qualidade do cacau e do chocolate sul-baiano. E, claro, do mercado a ser explorado por cerca de 70 marcas regionais de chocolate e derivados.

“A receptividade ao site tem sido surpreendente, tanto na questão dos acessos como na interface com a cadeia produtiva de cacau, especialmente cooperativas de agricultores familiares, que geralmente têm pouco acesso à mídia”, afirma.

Acompanhe.

Blog Pimenta – Como surge a ideia de um site específico para falar de cacau e chocolate sul-baiano?

Daniel Thame – A ideia de criar um site especifico para falar do cacau e do chocolate do sul da Bahia vinha sendo amadurecida desde o 10º Chocolat Bahia, em Ilhéus, quando as marcas de chocolate de origem deram um salto de qualidade e quantidade. Em 2019, na primeira versão do Chocolat São Paulo, quando vi centenas de paulistas comparando os chocolates do sul da Bahia a produtos importados, decidi que era hora de colocar o site no ar.

Durante dois meses, trabalhei conteúdos regionais, sempre focando essa nossa condição única de produzir cacau e chocolate, indo da árvore ao produto (tree to bar), além do apelo da conservação da Mata Atlântica e da figura mítica de Jorge Amado, que projetou o cacau sul baiano para o mundo.

Pimenta – Quando a ideia se concretiza?

Daniel Thame – O lançamento, ainda em caráter experimental, ocorreu no Chocolat Bahia 2019, em Ilhéus, quando pude apresentar o site aos empreendedores e disponibilizar um novo canal de divulgação.

O site vem veiculando conteúdos que valorizam justamente esse novo momento, divulgando as marcas de chocolate de origem e outros produtos derivados de cacau, como cerveja e até cosméticos. Tem sido uma descoberta permanente de novas marcas e produtos diferenciados e de jovens empreendedores que estão construindo uma nova história na região.

Pimenta – E a receptividade, como tem sido?

Daniel Thame – Pensando a médio prazo, estipulei o prazo de um ano para viabilizar e consolidar o site, mas a receptividade tem sido surpreendente, tanto na questão dos acessos como na interface com a cadeia produtiva de cacau, especialmente cooperativas de agricultores familiares, que geralmente têm pouco acesso à mídia. Até por afinidade, temos buscado valorizar esses empreendimentos, já que a produção de chocolate tem potencial de geração de emprego e renda para centenas de famílias de agricultores que cultivavam apenas cacau e agora produzem ótimos chocolates, como Bahia Cacau, Natucoa, Terra Vista e outros.

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A recepção tem sido surpreendente. Temos buscado valorizar esses empreendimentos. A produção de chocolate tem potencial de geração de emprego e renda para centenas de famílias de agricultores que cultivavam apenas cacau e agora produzem ótimos chocolates, como Bahia Cacau, Natucoa, Terra Vista e outros.

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Pimenta – O interesse pelos temas cacau e chocolate é do mercado e de produtores ou o consumidor tem se interessado mais pelo tema e está mais curioso em saber o que se produz aqui?

No sul da Bahia, esse interesse se deve principalmente a Marco Lessa, que, há 11 anos, criou o Festival do Chocolate de Ilhéus, hoje Chocolat Bahia, quando havia apenas uma marca de chocolate relativamente conhecida, o Chocolate Caseiro de Ilhéus, o que na época parecia uma loucura. O festival, hoje o maior do gênero no Brasil, deu visibilidade ao chocolate de origem do sul da Bahia. Hoje são cerca de 70 marcas, feitas com amêndoas de qualidade e com embalagens atraentes, algumas delas já comercializadas no Brasil e no Exterior. Temos hoje chocolates produzidos com certificado de origem da Indicação Geográfica Sul da Bahia (IG Cacau), um grande referencial com reconhecimento internacional.

Pimenta – O que a cobertura deste segmento revela?

Daniel Thame – O Chocolat São Paulo, no maior mercado consumidor do país, mostrou que há um enorme potencial para o chocolate do sul da Bahia e essa é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada, já que o aumento do consumo de chocolates de origem é uma tendência mundial. E o site pretende justamente contribuir nesse processo, já que a divulgação é fundamental para que a produção possa ser comercializada não apenas em nível regional, mas no Brasil e no Exterior.

Clique e confira mais do Cacau e Chocolate.

“CINEMA CONSOLIDA SHOPPING JEQUITIBÁ COMO CENTRO DE LAZER DO SUL DA BAHIA”, DIZ NETO

Tempo de leitura: 4 minutos

Neto diz que cinema consolida Jequitibá como shopping dominante

O Shopping Jequitibá vive uma virada de ano especial com grandes expectativas para 2020. A segunda etapa da expansão, que trouxe lojas-âncora como Casas Bahia e Kalunga, e a inauguração do Cinemark, nesta quinta (19), são marcos na história do empreendimento. O shopping é fruto do espírito visionário e arrojado de Helenilson Chaves e  consolidado por seu filho e hoje diretor, Manoel Chaves Neto.

Nesta entrevista, Neto fala do impacto da chegada do cinema e das novas lojas, dos novos empreendimentos que serão inaugurados e de seu otimismo com o novo momento econômico vivido pelo sul da Bahia.

O que a inauguração do cinema representa para o Shopping Jequitibá?

Manoel Chaves Neto – Representa e consolida o retorno da cultura, lazer, entretenimento, encontros, emoções, diversão e, sem dúvida, muita alegria para todos do sul do Estado.

Novo cinema é inaugurado na noite desta quinta (18)

Qual a expectativa de fluxo de pessoas no shopping com a inauguração do cinema?

Manoel Chaves Neto ⁃ O mês de novembro já superou significativamente nossas expectativas, com um crescimento de 19% no fluxo de veículos e 31% no fluxo de pessoas, impactados pela inauguração de lojas-âncora como Kalunga e Casas Bahia. Além disso, o tempo de permanência das pessoas no Jequitibá aumentou de forma relevante.

O cinema tem capacidade de expansão?

Manoel Chaves Neto ⁃ O cinema do Shopping Jequitibá vem com aproximadamente 750 lugares, tendo já um espaço assegurado para futura ampliação de, pelo menos, 450 lugares. Esta ampliação será regulada pelo mercado, a depender da demanda de público nas salas de exibição.

Você já considera o Jequitibá um shopping com o seu mix completo?

Manoel Chaves Neto ⁃ Consideramos que o Shopping Jequitibá esteja atualmente com seu mix de lojas completo, atendendo uma demanda regional, levando o empreendimento ter a característica de um Shopping  Dominante no sul da Bahia.

Além da ampliação, quais as modificações e reformas realizadas no shopping?

Manoel Chaves Neto ⁃ Além da bela ampliação realizada no L2, contemplando um amplo espaço de convivência moderno, confortável e democrático, trouxemos diversas e novas operações para o mix do Jequitibá. Fizemos, também, significativas interferências em todo mall/corredores do shopping, reforma completa da Praça de Alimentação e substituição de todo mobiliário.

Quais lojas ainda estão para serem inauguradas?

Manoel Chaves Neto – Para janeiro de 2020, teremos a Smart Fit  e a  ISE japonês e grelhados. Em fevereiro, a Meu Chapa e Nova Detalhes. Em março, a Natura e Alameda de Serviços. Já em abril, Vivara, Mariposa  e Nova Look.

Ainda existe capacidade de ampliação  do Shopping?

Manoel Chaves Neto ⁃ O Shopping Jequitibá, após a implantação da ampliação, passou a ter 29.700 metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL), 750 vagas de estacionamento, 143 operações, 680 assentos na praça de alimentaçãoe um cinema com 750 lugares. Sempre pensamos estrategicamente e de longo prazo no Shopping Jequitibá, pois, hoje, já temos aprovado e com alvará em mãos mais uma nova ampliação de mais 12.000 metros quadrados de novas ABL, mais 400 vagas de estacionamento num deck park, ampliação de mais 600 lugares na praça de alimentação e mais duas salas de cinema. Entretanto, a data da concretização deste potencial será determinada pelo mercado e do nosso poder de consumo.

A Clínica Médica, já  anunciada, ainda vem para o Jequitibá?

Manoel Chaves Neto ⁃ A Clínica Médica e Diagnóstica será uma realidade. O que ocorreu foi um atraso no processo de implantação, mas teremos uma clínica  mais completa, mais ampla e com muito mais opções de serviços e atendimentos.

 

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As vendas da Black Friday foram excelentes, pois tivemos o fluxo de 7.684 veículos, aproximadamente 37.000 pessoas e uma venda no dia de R$ 6.200.000

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Como foram as vendas do Black Friday? E a expectativa para as vendas de Natal?

Manoel Chaves Neto – As vendas da Black Friday foram excelentes, pois tivemos o fluxo de 7.684 veículos, aproximadamente 37.000 pessoas e uma venda no dia de R$ 6.200.000, fazendo com que todos indicadores ficassem acima dos dois dígitos positivamente. E a expectativa para o Natal é igualmente positiva, o que já pode ser verificado ao longo da semana.

Quais perspectiva para o Shopping Jequitibá nos próximos anos?

Manoel Chaves Neto – Não podemos falar de perspectiva do Shopping Jequitibá sem falar no cenário macro e micro econômico. No cenário macro econômico, temos a  perspectiva de crescimento do PIB em 2,25%, inflação abaixo do teto de 3,60%,  taxa de juros no menor patamar histórico em 4,50%,  desemprego em 11,40% ainda num alto patamar, mas com expectativa de baixa, aprovação das reformas tributárias, administrativas e política e a Ibovespa no recorde histórico de 135.000 pontos.

Já no cenário micro econômico, temos a perspectiva,  maior atratividade de Itabuna, com advindo da Policlínica, Teatro, reforma do Centro de Cultura, faculdades públicas e privadas, investimentos estruturantes realizado pelo Governo do Estado na infraestrutura do sul da Bahia, com a construção da Barragem em Itapé, Ponte Ilhéus – Pontal, autorização da duplicação da rodovia Ilhéus – Itabuna, construção do Porto Sul, incentivo na cultura e cultivo do cacau na busca de novos nichos de mercado com a produção de chocolate, implantação de gasoduto da Bahiagás na porta de diversas empresas e a participação mais efetiva e dinâmica do empresariado e profissionais liberais regionais nas entidades de classes e pretensões partidárias na busca de uma tribuna para ativamente representar os empreendedores que geram 70% dos postos de trabalho em nossa cidade.

Qual mensagem que você gostaria de deixar para 2020?

Manoel Chaves Neto ⁃ A mensagem que nós, do Shopping Jequitibá, deixamos para todos é de que usem e abusem do Jequitibá. Ele é seu, pois realizamos com muita dedicação, amor e carinho todos estes investimentos e melhorias, pensando única e exclusivamente na nossa população do sul da Bahia. Todo o nosso trabalho é focado em trazer o que há de melhor e mais modernos ao alcance democrático e sem distinção de todos os 1.200.000 habitantes da nossa região. Desejo, também, um Feliz Natal e 2020 com muita saúde, paz, alegria e muitas realizações.

SANDRY SONHA COM TÍTULO MUNDIAL NA SELEÇÃO; SAIBA MAIS SOBRE O ITABUNENSE

Tempo de leitura: 2 minutos

Sandry vai disputar o Mundial na categoria sub-17

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou o perfil dos jogadores que vão representar o País no Campeonato Mundial de Futebol sub-17. Entre os 21 selecionados está Sandry Roberto Santos Góes, que nasceu no bairro Califórnia, em Itabuna, em 30 de agosto de 2002, e é um dos atletas mais valorizados da base do Santos.

O garoto de 17 anos começou a carreira jogando futsal no Colégio Ciso e depois foi para a Escolinha da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB de Itabuna), comandada pelo professor Vladstone Menezes. Filho do ex-jogador Carlos Alberto Oliveira Góes, Nenenzinho,  Sandry foi descoberto aos 10 anos pela equipe do Santos, onde já chegou a atuar pelo time principal no Campeonato Paulista deste ano e pela Copa do Brasil.

De acordo com a CBF, Sandry é um meia moderno capaz de defender e sair jogando, pressionar o adversário e aparecer na área para finalizar. Isso é justamente um pouco do que itabunense tem a oferecer à Seleção Brasileira Sub-17. Mesmo jovem, tem uma grande referência no futebol: o meia Arthur, do Barcelona e da Seleção Brasileira.

A Seleção Brasileira estreia na Copa do Mundo Sub-17 no próximo dia 26, contra o Canadá, no Estádio Bezerrão, em Brasília. Na primeira fase, o Brasil ainda enfrenta Nova Zelândia e Angola na competição, que será realizada no país pela primeira vez. Saiba mais um pouco sobre o jogador itabunense.

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NEUROCIENTISTA BRASILEIRA DA REDE SARAH RECEBE PRÊMIO INTERNACIONAL

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Lúcia Braga recebe prêmio de reconhecimento internacional || Foto Fernando Frazão/AB

A neurocientista e presidente da Rede Sarah de hospitais, Lúcia Willadino Braga, recebeu o prêmio Distinguished Career Award, da Sociedade Internacional de Neuropsicologia (INS, na sigla em inglês). O prêmio é concedido a cientistas que tenham dado contribuições importantes para o setor.

A premiação ocorreu na noite desta quarta-feira (10), no Rio de Janeiro, durante o encontro anual do INS, realizado no Brasil este ano. Há 40 anos na Rede Sarah, Lúcia é a primeira pessoa latino-americana a receber a premiação. Momentos antes de receber o prêmio, Lúcia conversou com a reportagem da Agência Brasil.

Nós conhecemos muito ou conhecemos pouco o cérebro?
Lúcia Braga: Eu acho que ainda conhecemos pouco. Se a gente comparar com 20 anos atrás, a gente conhece muito mais. Mas se a gente pensar daqui a 20 anos, realmente vai achar que sabia muito pouco hoje. A gente tem muita coisa a descobrir no cérebro. Cada dia está descobrindo mais. Isso que é muito bonito, construir um conhecimento. O que eu acho legal deste momento é que o Brasil faz parte da construção do conhecimento internacional em neurociência. Então nós estamos gerando o conhecimento. Isso é muito importante para o país.

De quarenta anos para cá mudou muito na neuropsicologia?
Lúcia Braga: Nessa época só tinha o raio-X, nem tomografia havia. Então tudo a gente tinha que provar pelo comportamento. E hoje a gente pode comprovar as mudanças no comportamento e as mudanças que ocorrem no cérebro. Então hoje a gente entende muito mais o cérebro. Depois que vieram os equipamentos de neuroimagem, a gente pôde ver o cérebro funcionando, ficou muito mais profunda a nossa análise sobre tudo o que acontece no cérebro e começamos a descobrir muitas coisas do cérebro que nós não sabíamos. Então, os últimos anos têm tido inúmeras descobertas, por parte de todos nós, neurocientistas, em função de ganhos tecnológicos de diagnósticos.

O seu reconhecimento é importante para a senhora e para o país também?
Lúcia Braga: Acho que é muito importante, porque coloca o Brasil gerando conhecimento. E quando é um prêmio de carreira, é uma trajetória que eu fiz, mas eu e os meus colegas da Rede Sarah, porque ninguém faz nada sozinho. A interação com os cientistas brasileiros. Então é um prêmio que não é para mim, mas para todos os brasileiros.

Também é um estímulo para os jovens que estão entrando na faculdade…
Lúcia Braga: Sim. A gente precisa se aprofundar em neurociência. Tem muita coisa para descobrir. E tem pessoas incríveis no país. Vamos dar oportunidade para essas pessoas pesquisarem. Estudantes, jovens, pessoas interessadas nos mistérios do cérebro.

Aos 50 ou 60 anos a pessoa tem que continuar a estudar, para manter a neuroplasticidade? 
Lúcia Braga: Vou mostrar em minha palestra [no segundo dia do encontro] o que muda na substância cinzenta e na substância branca do cérebro quando a gente aprende. Então isso é a importância do aprender. O estudo é permanente e você pode continuar desenvolvendo novas redes neuronais depois dos 50 ou 60 anos. Pode e deve. Antes se achava que não se podia mais. Que a partir de um momento você já estava com o cérebro construído. O que é há é uma especialização do cérebro durante a vida. Então o cérebro do adulto já está mais organizado que o da criança, que tem mais plasticidade. Mas não significa que esteja estagnado. A gente tem que continuar em frente. Aprendendo coisas, trocando ideias, trocando conhecimentos. Toda a aprendizagem exercita o cérebro.

Como funciona a Rede Sarah? Tem aporte privado?
Lúcia Braga: A Rede Sarah é 100% pública. E isso prova que o serviço público pode funcionar, sim. Com boa gestão, transparência, governança e cuidado, a gente vai mostrando que nós temos todo um Brasil possível. Precisamos olhar mais para esse país. São nove unidades. Temos hospitais em Brasília, São Luís, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza, Belém, Macapá, Rio de Janeiro. Atendemos 1,7 milhão de pessoas por ano. Fazemos um atendimento todo humanista, com evidências científicas. É um atendimento todo público. A entrada é pelo site. Basta a pessoa entrar. Quem não tem acesso por internet, pode ligar.

OFTALMOLOGISTA ALERTA PARA A PREVENÇÃO E OS CUIDADOS NO COMBATE AO GLAUCOMA

Tempo de leitura: 4 minutos

Cerca de 900 mil pessoas no Brasil são portadoras de glaucoma, segunda maior causa de cegueira no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo as projeções, o glaucoma afetará 80 milhões de pessoas em 2020 e 111,5 milhões em 2040. Trata-se de uma doença grave, cuja perda – irreversível – do campo visual somente é percebida em estado avançado, quando pode já ter comprometido entre 40% e 50% da visão.

Por ser um vilão silencioso, o diagnóstico e o tratamento precoce são fundamentais para conter o desenvolvimento dessa patologia. Pensando nisso, a causa mobiliza profissionais e instituições de saúde na campanha Maio Verde, que tem seu dia D, o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, em 26 de maio.

“Sem uma rotina de consulta oftalmológica, a doença se instala e progride lentamente, podendo demorar meses ou anos para que o paciente perceba”, explica a médica Monica Mayoral, especialista em glaucoma do DayHorc. A oftalmologista responde, abaixo, as dúvidas mais comuns em relação ao glaucoma, explicando suas causas, manifestações, tratamentos e novidades no combate à doença. Confira:

O que é glaucoma e de que forma ele se manifesta?

É uma neuropatia no nervo óptico que pode causar perda progressiva da visão. Infelizmente trata-se de uma condição silenciosa, ou seja, assintomática.

Qual a gravidade dessa doença?

No estágio avançado, culmina com a perda de visão. O glaucoma pode levar a cegueira irreversível, se não tratado.

Quais pessoas estão mais suscetíveis ao problema? Quais causas e fatores influenciam a doença?

Afrodescendentes são mais suscetíveis ao glaucoma, inclusive às formas de mais difícil controle. Entre os fatores de risco para a doença estão: maiores que 40 anos, histórico familiar de glaucoma, algumas condições oftalmológicas (como altos míopes, pessoas que sofreram trauma ocular, alguns tipos de processos inflamatório e descolamento de retina), uso de medicações (corticoides e antidepressivos) e condições sistêmicas (diabéticos).

Existem tipos diferentes de glaucoma?

Sim, há dois tipos. Mais comum, o glaucoma de ângulo aberto ocorre quando a capacidade de produção de humor aquoso (líquido presente no interior do olho) é superior à capacidade de absorção. Esse fenômeno aumenta o volume de líquido presente no olho e, consequentemente, eleva a pressão intraocular. Esse tipo é o glaucoma silencioso, em que o paciente demora a perceber a perda visual. Mais raro, o glaucoma de ângulo fechado ou agudo ocorre quando a produção de humor aquoso no interior do olho é normal, mas o globo ocular não consegue absorver adequadamente o líquido. Apresenta sintomas como dor intensa nos olhos, embaçamento visual, visualização de círculos coloridos em volta das luzes, vermelhidão ocular, dor de cabeça e náuseas. Clique no Leia Mais e confira a íntegra da entrevista.

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