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28 de outubro de 2020 | 02:43 am

DESENCONTRO NO ABC DA NOITE

Tempo de leitura: 3 minutos

O Caboclo se encontrava no merecido período de férias, que gozava na aprazível capital alagoana – Maceió – com sua esposa, integrando uma caravana do não menos impoluto radialista itabunense Cacá Ferreira, o que justifica a ausência

 

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Cliente assíduo por mais de 40 anos do ABC da Noite, o jornalista canavieirense aposentado Tyrone Perrucho, passeando por Itabuna, resolveu dar as caras para tomar umas batidas e rever o amigo Caboclo Alencar. Flanou pelo centro da cidade olhando as vitrines das lojas da avenida do Cinquentenário e adjacências até que chegasse o horário do Caboclo abrir as portas, exatamente às 11 horas, como manda a tradição.

E às 10h55min se apresentou e postou-se em frente ao estabelecimento, como um daqueles alunos rebeldes, ausentes do ABC da Noite por anos a fio, esperando ser o primeiro a se apresentar ao Caboclo como um aluno repetente. Mas eis que nesta fatídica quarta-feira o Caboclo Alencar não cumpriu o prometido, conforme a placa afixada na parede com o horário de funcionamento.

Mas o velho aluno não se fez de rogado e continuou postado no passeio aguardando a abertura para ter a primazia de ser o primeiro a se deliciar com uma batida de tamarino ou gengibre – de acordo com a linha de produção do dia. Exatamente às 11h27min, olhou em sua volta e se deparou com outros fregueses, que assim como ele, aguardavam ansiosamente o horário de abertura.

Mas nada do Caboclo! Pelo olhar que dirigiam ao ABC da Noite – fechado –, pareciam crianças perdidas no meio da multidão à espera da mãe, que nunca aparecia. Eis que então, tomado por uma atitude impensada, dá mais uma olhada no aparelho celular para conferir o horário, confabula com os outros clientes rejeitados e toma a decisão de ir embora, sem voltar a se deliciar com as maravilhosas batidas do Caboclo Alencar.

Maravilhosas, deliciosas, apetitosas, tanto faz, e o desocupado Tyrone Perrucho, sentido o seu orgulho de cliente ferido, resolve ir embora, voltar para sua Canavieiras sem “molhar o bico” e tirar dois dedos de prosa com o Caboclo. Apesar da grande amizade que os une, Tyrone se sentiu traído, por sempre espalhar pelos quatro cantos do mundo a precisão britânica, guiada pelo relógio suíço de Caboclo Alencar, obediente aos horários de abertura e fechamento.

Antes de dar a meia volta e retornar a Canavieiras para dar expediente na Confraria d’O Berimbau, estabelecimento que não prestigia os horários, desde que cheguem após as 10h51min, fez questão de mirar seu celular para a frente do ABC da Noite e clicar uma foto. Da próxima vez que voltar a Itabuna irá exibi-la ao Caboclo com o olhar de reprovação pelo desleixo num dos costumes mais tradicionais da cidade.

Mas o jornalista não foi o primeiro a dar as caras nas portas fechadas do ABC da Noite em horário de pleno expediente, colegas frequentadores tantos já tiveram o mesmo dissabor ao não poder se deliciar das saborosas batidas antes do almoço. Chegam, se postam em frente do ABC e ficam esperando que, como num passe de mágica, o Caboco Alencar apareça do nada para servir sua batida predileta.

Como um filhote de pássaro à espera da mãe para regurgitar o precioso alimento, olham para as portas esperando que se abram, olham para o relógio e não se conformam com o descumprimento do horário. Aos poucos outros vão chegando e se associando ao misterioso sumiço do Caboco, que sem mais nem menos deixa os clientes como filhotes famintos abandonados no ninho.

Ia me esquecendo, e deixo aqui os devidos esclarecimento para os desavisados: Uma placa de bronze fixada na parede proclama os horários de abertura e fechamento do régio expediente: De segunda a sexta-feira: das 11 às 12h30min e das 17 às 19 horas; aos sábados, das 11 às 12h30min; sem expediente aos domingos. De minha parte, acho um exagero a atitude do exigente Tyrone Perrucho, afinal, aos 89 anos bem vividos, que mal faz o caboclo relaxar o horário de vez em quando?

Relaxado não é adjetivo para ser aplicado na impoluta figura do Caboclo Alencar, considerado uma autarquia nos meios em que frequenta. O Caboclo se encontrava no merecido período de férias, que gozava na aprazível capital alagoana – Maceió – com sua esposa, integrando uma caravana do não menos impoluto radialista itabunense Cacá Ferreira, o que justifica a ausência.

Tyrone Perrucho que marque outra viagem a Itabuna!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

CABOCO ALENCAR REABRE ABC DA NOITE

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Caboco Alencar aguarda clientela, após 2 meses de molho  (Foto Daniel Thame).

Caboco Alencar retorna após 2 meses (Foto Daniel Thame).

Do Blog do Thame

Pouco mais de dois meses após ser submetido a uma cirurgia e já plenamente recuperado, Alencar Pereira da Silva, o Caboco Alencar reabre as portas do ABC da Noite nesta segunda-feira (11).

O fechamento, ainda que temporário, do ABC deixou uma lacuna impreenchível no Beco do Fuxico em Itabuna, motivo de tristeza e abstinência forçada dos fãs das batidas de antologia que só Alencar sabe preparar.

O ABC da Noite reabre às vésperas do Caboco Alencar completar 85 anos, o que por si só já é motivo de comemoração. Com a reabertura do ABC e o aniversário do Caboco, justifica-se a bebemoração neste janeiro inteiro.

A Associação Itabunense dos Amigos de Cuba ja está definindo uma programação especial para comemorar os 85 anos do Caboco, tão longevo e igualmente tão admirado como o camarada Fidel.

CABOCO ALENCAR PASSA BEM, APÓS CIRURGIA

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Caboco Alencar e Dona Neusa (Foto Daniel Thame).

Caboco Alencar e Dona Neusa (Foto Daniel Thame).

Do Blog do Thame

Recuperando-se bem de uma cirurgia para retirada do apêndice, Alencar Pereira, o Caboco Alencar, deve ter alta nesta sexta-feira (13).

Alencar, sempre assistido pela sua companheira, dona Neusa, está sendo acompanhado por uma equipe de médicos da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna, legitimamente preocupados com sua saúde e também com seu breve retorno ao ABC da Noite, no Beco do Fuxico, por ora temporariamente fechado.

A torcida pelo pronto restabelecimento do Caboco Alencar é compartilhada por seus milhares de amigos/seguidores, já saudosos de sua presença contagiante e, sejamos honestos, de suas batidas de antologia, cuja falta deixa uma lacuna impreenchível.

Saúde e volte logo, Caboco Alencar!

O ‘IMPÍTIMAN’ DE CABOCO

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beco-fuxico-224x300Daniel Thame, do Blog do Thame

Sem direito a recado na porta, como diria o imortal Adoniran Barbosa no igualmente imortal `Samba do Arnesto`, o Caboco Alencar cerrou o ABC da Noite e se aboletou numa excursão rumo a Bom Jesus da Lapa, onde passa a semana entre peregrinações e abluções.

Deixou órfãos os abecezeiros que acorrem ao local mais famosos do Beco do Fuxico em busca das melhores batidas da galáxia – quiçá do universo – e dão, literalmente, com a porta na cara.

É caso para intervenção militar e Aecim já avisou que ser for colocado (é colocado e não eleito, que fique bem claro), ele apoia o impeachment do Caboco.

Melhor conter a crise de abstinência e esperar pela volta de Alencar.

ABC DA NOITE COMPLETA 53 ANOS

Tempo de leitura: 2 minutos
Caboco Alencar aguarda clientela na festa  (Foto Daniel Thame).

Caboco aguarda clientela na festa (Foto Daniel Thame).

Domingos Matos

No próximo dia 28, Dia da Cidade, o ABC da Noite, o bar mais emblemático de Itabuna, comemora 53 anos de existência. Embora o aniversário coincida com o do município, que completa 105 anos, a festa do ABC da Noite será antecipada para esse sábado, dia 25.

Como manda a tradição, Alencar Pereira da Silveira, ou simplesmente Caboco Alencar, comanda a festa com seus “alunos repetentes”, aqueles que fazem questão de não decorar o ABC para terem motivos de “visitar a escola” todos os dias.

A festa começa às 11 horas mas, contrariando a regra da casa, não tem hora marcada pra acabar. Haverá no meio da rua um microfone e um sistema de som, para quem quiser fazer qualquer declaração de amor ao bar, em forma de música, poesia ou simplesmente brindar e parabenizar pelos relevantes serviços prestados ao longo dessas mais de cinco décadas.

MAIS QUE UM BAR, UMA INSTITUIÇÃO

Reduto da boemia diurna itabunense, o ABC da Noite recebe de braços abertos poetas, políticos, médicos ou pedreiros. De braços abertos, mas sem muita demora. É mais que um bar, é uma instituição. Por isso mesmo, tem regras (muito) próprias.

“Aqui a hora é dita: das 11 às 12h30min e das 17 às 19 horas. E é pra ser cumprida”. Com esse amistoso anúncio na parede externa, tudo já fica mais do explicado: cada um faça por onde conseguir suas doses de batidas no menor espaço de tempo possível.

Os que preferem garantir um estoque regulador, encomendam a bebida em litros. Assim, mesmo se der 19 horas e o sino tocar, e todos forem gentilmente convidados a sair, há a esperança de continuar bebericando a saborosa bebida.

Porém, nada se comparará ao prazer de fazer esse exercício espremido no pé do balcão, de olho no relógio da parede – hora oficial do Caboco – para sentir o mesmo prazer renovado por mais uma tarde-noite de ABC.

REPETENTES – COM MUITO PRAZER

No fundo, apesar de ele nos lembrar que voltamos lá todos os dias movidos pelo vício, o certo é que nada se compara com beber uma batida de limão – ou de maracujá, de gengibre, de pitanga… – ouvindo a prosa de Caboco Alencar.

Se bem que o Caboco tem razão. Somos todos viciados em estudar – e repetir de ano – nessa escola chamada ABC da Noite.

FESTA NO ABC DA NOITE COMEMORA 84 ANOS DE “CABOCO” ALENCAR

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Caboco Alencar é a estrela de sábado, no Beco do Fuxico.

Caboco Alencar é a estrela de sábado, no Beco do Fuxico.

Daniel Thame

A festa dos 84 anos de Alencar Pereira da Silva, o Caboco Alencar, será realizada neste sábado (31) a partir das 11 horas, no ABC da Noite, no Beco do Fuxico.

O evento será uma espécie de pré-lavagem do Beco, que acontece no dia 7 de fevereiro.

O Caboco Alencar celebrará seus 84 anos com uma festa que terá minitrio e presenças da Banda Descarga Elétrica, executando as antigas e memoráveis marchinhas de  carnaval, e de artistas regionais.

O ABC da Noite, fundado pelo Caboco Alencar há 52 anos, é um dos principais pontos da boemia itabunense, oferecendo batidas cuja receita são segredo de estado e que em  sua história atraiu personalidades como o ex-presidente Lula.

Mas a grande personalidade do ABC da Noite é mesmo o Caboco Alencar, merecedor de justas homenagens.

O vinho é por conta da casa, os acepipes são na base do “cada um paga a sua e a amizade continua”, que os tempos não estão para bocas livres e regabofes. A festa tem o apoio da Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopias, Etc., a Alambique.

FESTA NOS 52 ANOS DO ABC DA NOITE

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Caboclo e o seu ABC da Noite (Foto Daniel Thame).

Caboclo e o seu ABC da Noite (Foto Daniel Thame).

Os 52 anos do ABC da Noite, o mais tradicional boteco do Sul da Bahia, serão comemorados amanhã (26) com uma festa em homenagem ao Caboclo Alencar, que há mais de meio século brinda seus discípulos com batidas incomparáveis e frases de efeito que renderam até livro.
A festa, além de comes e bebes, terá as participações dos músicos Jaffet Ornelas, Carlos Santana e Duo Bem Ti Vi, que se apresentam a partir das 11 horas da manhã no palco armado em frente ao boteco.
Tombado pela Prefeitura  em 2013, o prédio onde o ABC foi instalado, inicialmente um açougue providencialmente transformado em boteco, faz parte da história de Itabuna e além dos clientes fiéis, é parada obrigatória para quem visita a cidade.
A homenagem é organizada pela Associação Cultural Amigos do Teatro (Acate), Associação dos Amigos do Caboclo Alencar (Acacau) e Academia de Letras, Artes, Músiva, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopias, Etc. (Alambique).

CLIENTELA FIEL COMEMORA OS 83 ANOS DO CABOCLO ALENCAR

Tempo de leitura: 2 minutos

Daniel Thame | Blog do Thame
Os 83 anos do Caboco Alencar, que há mais de meio século comanda o ABC da Noite, boteco que é reduto da boêmia itabunense -ou do que restou dela- serão comemorados neste sábado, com uma festa no Beco do Fuxico, célebre viela da qual o ABC é referência.
A festança, que começa às 10 horas do sábado (2 de fevereiro), terá som mecânico com marchinhas dos carnavais de antigamente e show da banda Charanga Elétrica de Itajuípe, especialmente convidada para o ágape, além de homenagens ao Caboco Alencar.
Alencar Pereira, nome que o Caboco recebeu na pia batismal em Sorocaba, no interior paulista, itabunense de coração desde que aportou em terras grapiunas ainda menino, chega aos 83 anos em plena forma, tanto nas tiradas espirituosas quanto nas batidas de sabor inigualável, que fazem do ABC um boteco único, que nem se dá ao luxo de oferecer uns tira-gostos à sua legião de acólitos.
O ABC da Noite foi tombado pela Prefeitura de Itabuna em 2013, mas o Caboco segue firme, para alegria dos amigos que batem ponto no boteco para saborear as batidas (quem quiser tira-gosto que leve ou se acerte com outra legenda, Dedé do Amendoim), e para um bate papo, onde política, religião e futebol convivem pacificamente. Às vezes, mais ou menos pacificamente.
A festa dos 83 anos do Caboco Alencar é realizada pela Associação dos Amigos do Caboco (sim, o mestre das batidas tem até Associação!), com o apoio da FICC, ACATE, Associação dos Blocos de Carnaval de Itabuna (viúvas do quase-carnaval de Vane), Bloco Pó de Giz e da Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopias, Etc., a gloriosa e beberosa Alambique.

ABC DA NOITE COMPLETA 51 ANOS HOJE

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Caboclo e o seu ABC da Noite (Foto Daniel Thame).

Caboclo e o seu ABC da Noite (Foto Daniel Thame).

O ABC da Noite completa 51 anos de plena atividade e a comemoração será neste sábado (27),  a partir das 11 horas, no Beco do Fuxico, em Itabuna.  O Caboclo Alencar, fundador do tradicional boteco grapiúna,  vai receber os amigos, que fazem do ABC da Noite um ponto de encontro da boemia itabunense.

Além das tradicionais batidas, haverá vinho, cachaça e  salgadinhos por conta da casa, já que aos 81 anos de idade, o Caboclo resolveu abrir a mão. Dedé do Amendoim, outra figura lendária, também vai dar o ar na graça no ABC da Noite com amendoim, ovo de corda e codorna, mas ai é por conta do freguês. Leia mais

UNIVERSO PARALELO

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NAÇÃO DE BEBEDORES FERIDOS E CHOROSOS

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1AlencarAtônito, Caboco Alencar, com sua “farmácia” assaltada na calada da noite, teria se perguntado: “Mas, por que eu?”. É duro de aceitar um mundo em que nem o boteco (refúgio de vagabundos e cavalheiros, espaço da solidariedade, do sonho e da poesia) é respeitado. Quando grandes empresas comerciais ou industriais predadoras, molas mestras do enriquecimento nem sempre lícito (muitas vezes movido a sangue dos trabalhadores) são assaltadas é maior nosso nível de compreensão. Assaltar o ABC da Noite é mais do que atentar contra o diminuto patrimônio pessoal do Caboco; é ferir de morte uma imensa nação de bebedores – ato próprio de bandidos sem coração, lirismo ou paladar.

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O mundo fica cada vez mais inabitável
O ABC (justo, D. Ceslau não há de me recomendar à excomunhão por essa verdade nua) é espaço sagrado. Bem que ali, não se pode negar, possam  ter surgido algumas manifestações anticlericais, motivadas por uma dose a mais de batida.  Mas foram apenas engrolados discursos tentativos de consertar o vasto Brasil sem porteira, insuficientes para abalar o teto da Capela Sistina. Constato, com imensa tristeza, que o mundo se faz um lugar cada vez mais inabitável, pois nem líricos e inocentes botecos são dignos do respeito dos assaltantes, que invadiram o templo do ABC como se adentrassem um depósito de rinchona. Bem fez Eduardo Anunciação, que, em protesto antecipado, recusou-se a testemunhar tamanha heresia.
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NÃO QUEREMOS A MENTIRA COMO APANÁGIO

Decidi-me a “responder” (na verdade, ninguém me perguntou nada!) a alguns comentários, o que não fiz. Poderia dizer que foi devido à “roda viva” que tritura os que escrevem com data marcada. Mas não digo, pois tenho sido invadido por completo desapreço à mentira. Expulsemo-la, portanto, do capital dos jornalistas, para integrá-la ao apanágio dos políticos, que de tal valor não podem prescindir. Se não fiz o que me prometi foi por falta de planejamento – e não se pode debitar a culpa ao lixo nas ruas e a outras mazelas pequenas e provincianas. Então, mãos à obra, como disse o prefeito, diante do indefeso cofre municipal.
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4BebadosambaDebatedor culto, coerente e corajoso
Devo informar a Yan Santos, que me propõe discutir a questão “Camilo de Jesus Lima” com o professor Adylson Machado, ser impossível a tarefa. Quando Adylson (ex-roqueiro, professor de Direito e autor de, pelo menos, dois livros) fala, eu silencio. Culto, coerente e corajoso (eis uma inesperada aliteração!), ele está mais para ser ouvido do que contestado. Mas só a sugestão já me eleva, honra e consola. Comunista da Sibéria me emocionou com a citação de Paulinho da Viola (“Se lágrima fosse de pedra eu choraria”). Bebadosamba é um dos meus discos preferidos, que ganhei de uma “amiga secreta” de bom gosto, no Natal de 1996, ainda quentinho.

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Jornalismo genial e ditadura estúpida
5Tarso de CastroPor fim, não gostaria que passasse em branco a dica de leitura de Ricardo Seixas, o livro Memórias do esquecimento, de Flávio Tavares. Também acho pertinente o emprego de protetor auricular durante o Carnaval, mas esta é outra história… A referência me conduziu a dois outros livros de jornalistas: 75 Kg de músculos e fúria (Tarso de Castro – a vida de um dos mais polêmicos jornalistas brasileiros) e O sequestro dos uruguaios (Operação Condor – Uma reportagem dos tempos da ditadura), de Luiz Cláudio Cunha. São dois grandes momentos da vida brasileira: no primeiro, o jornalismo em tempos emoldurados pelo golpe militar; no segundo, a específica estupidez das ditaduras em nuestra America.
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(ENTRE PARÊNTESES)

Nas arquibancadas, assistindo a fumacinhas negras e brancas, torcedores verde-amarelos de eventos vaticanos lamentam o resultado do Habemus papam, como se fosse um jogo em La Bombonera: Argentina 1 x 0 Brasil. “Só nos faltava mesmo um papa argentino!”, lamentou-se um dos meus amigos mais pessimistas. Mas pior seria se pior fosse: dizem que o novo sumo não se chamou Maradona II porque Pelé, ao perceber a tendência, ameaçou fazer haraquiri na Praça de Maio. Entende?

BIBI FERREIRA E SUAS MALAS DE LIVROS

7Jane F.Levando duas malas de livros, Bibi Ferreira embarca para Nova Iorque, quando abril chegar. A artista vai comemorar o aniversário de 90 anos com uma apresentação no Lincoln Center, com ingressos disputadíssimos: a espevitada Jane Fonda (foto), que não é boba, reservou camarote no ano passado. A mala é de obras literárias, filosóficas e algumas partituras, publicações de que Bibi não se separa, textos que ela quer ter ao alcance da mão em qualquer tempo, em qualquer lugar. Uma curiosidade sobre a filha de Procópio Ferreira: estreou no palco com apenas 20 dias de nascida, em 1922, na peça Manhã de sol, no colo da madrinha Abigail Maia, mulher Oduvaldo Viana, padrinho do bebê.
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Matrícula negada em colégio paulista
Com cerca de oito anos, Bibi começa a trabalhar na companhia do pai famoso e aos nove, por ser filha de artistas, tem sua matrícula negada no tradicional Colégio Sion, de São Paulo. Mas Procópio responde à altura: manda a filha para a escola em Londres, onde ela também estuda teatro. Em 1936, outra vez no Brasil, participa de filmes, como atriz e cantora, monta sua própria companhia (por onde passam Cacilda Becker, Maria Della Costa, Sérgio Cardoso e Henriette Morineau) e não para mais: canta, representa, produz. Uma das primeiras mulheres a dirigir teatro no Brasil, fez tevê, mas não  novela. Aqui, um corte de show da Globo, em 1992, comemorativo dos 50 anos da artista.

(O.C.)

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