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12 de maio de 2021 | 02:55 pm

CARTA ESCRITA EM 2070 É DESTAQUE NO MOMENTO

Tempo de leitura: 3 minutos

Efigênia OliveiraEfigênia Oliveira | ambiente_educar@hotmail.com

 

A mensagem da Carta escrita no ano 2070 registra a precariedade da vida na Terra, pela escassez não somente de água, mas de oxigênio, elementos essenciais, em falta no ambiente, pela escassez, também, de árvores na paisagem terrestre.

 

A Carta escrita no ano 2070, publicada no ano 2002, na revista Crónicas de Los Tiempos, apresenta fortes características proféticas, realidade no Sudeste brasileiro, no Sul e Extremo sul da Bahia, regiões sem antecedentes de seca.

Sentindo a iminência da tragédia, o cronista externa sua aflição que aos desatentos parece besteira. Limitam-se, eles, a rotularem de ecochatos os que recomendam parcimônia no uso da água potável, ou de qualquer outro bem natural. Aqui, trechos da referida Carta antecipam as consequências da irresponsabilidade com o único líquido que cria e robustece todos os seres vivos do planeta:

“[…] Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA ÁGUA, só que ninguém ligava; pensávamos que a água jamais acabaria. […] Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. […] Os cientistas investigam, mas não há solução possível. Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de árvores, o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações. […] Alterou-se a morfologia dos espermatozoides de muitos indivíduos, e como consequência, crianças nascem com insuficiências, mutações e deformações […]”. A Carta faz, pois, referências às consequências ora constatadas.

Fontes idôneas dão conta de que as regiões brasileiras perdem, todos os anos, milhões de toneladas de água, e que as chuvas escassas, provocam acentuados prejuízos no cenário socioeconômicoambiental nacional.  Aliás, os eventos climáticos têm ganhado contornos severos. Em alguns lugares, chuvas torrenciais interferem abruptamente na vida em suas dimensões; em outros, a seca aniquila impiedosamente todos os cantos.

O serviço de meteorologia promete chuva para o sul da Bahia, em imagem que anima a todos os afetados pela ausência dela. Tem sido assim. Logo começa forte ventania que desvia as nuvens carregadas, e no outro dia, céu de brigadeiro, sem chance de água para as tarefas domésticas e para umedecer a lavoura que adorna as feiras livres com alimentos diretos da agricultura familiar.

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EX-PRESIDENTE DA EMASA DEFENDE INVESTIMENTO EM DESSALINIZAÇÃO DA ÁGUA

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Iruman defende investimento em dessalinização.

Iruman defende investimento em dessalinização.

O advogado Iruman Contreiras defende investimento em uma usina de dessalinização da água captada pela Emasa em Castelo Novo, em Ilhéus. Ex-presidente da empresa municipal, Iruman lembrou que a barragem do Rio Colônia, em Itapé, deverá ficar pronta somente em novembro de 2017 se mantido o cronograma da obra. Ele faz outra conta para justificar o investimento: com chuvas regulares, o lago a montante da barragem se formaria apenas em 2021.

– Cinco anos de previsão certa de crise hídrica justificaria um investimento emergencial numa usina de dessalinização, em nome da poupança popular que não consegue mais “comprar” água mineral – disse ele por meio de uma rede social.

Segundo Iruman, a ideia já havia sido cogitada em 2001, no planejamento estratégico da empresa, e em um período em que o nível de cloreto na água era de 170 miligramas por litro. Hoje, conforme o PIMENTA já mostrou, chega a 32 vezes mais que o aceitável pelos órgãos de saúde.

Iruman presidiu a Emasa na segunda gestão de Geraldo Simões, no período 2001 a 2002, quando deixou o comando da empresa para assumir a Secretária de Transporte e Trânsito de Itabuna. Naquele período, lembrou, começou a ser elaborado o projeto da barragem do Colônia pelo governo municipal.

Há menos de duas semanas, dirigentes da Emasa e empresários discutiam a possibilidade de investir em dessalinização. O debate foi puxado pelo Cidadelle Empreeendimentos. A direção da Emasa ainda não se posicionou quanto ao tema. A empresa está em processo de privatização.

O QUE FIZEMOS COM O CACHOEIRA…

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Situação do Rio Cachoeira numa área onde a Emasa consegue captar água a cada 12 horas, em Nova Ferradas.

Situação do Rio Cachoeira em trecho a 300 metros da estação de captação de Nova Ferradas.

Tristeza é o sentimento de quem vê a situação do Rio Cachoeira, em Itabuna, nas imediações da unidade de captação de Nova Ferradas. Onde antes se captava, em média, 250 litros por segundo, hoje é possível retirar não mais que 60 litros por segundo, por 12 horas, e com igual intervalo.

O trecho está praticamente seco, com pequenos poços de onde a Emasa ainda retira água (por meio de transposição) para abastecer bairros da zona oeste do município. Não se sabe até quando vai dar…

Com a seca de mais de nove meses, a região perdeu 80% de sua reserva de água. Além de Itabuna, outros municípios, como Itajuípe, Camacan e Ilhéus também enfrentam racionamento. No curto prazo, não há muito o que fazer, além de esperar a chuva.

Infelizmente, em vários trechos o velho Cachoeira vai ficando cada vez menos parecido com um rio. Para quem o conheceu em outros tempos, é realmente de chorar.

ALÉM DO SAL

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ricardo ribeiroRicardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com

 

Tivesse havido prevenção e investimento em um modelo de uso racional da água, a situação seria outra. Mas se optou pela facilidade e a ilusão da fartura infinita.

 

A natureza dá sinais muito evidentes de que está chegando ao seu limite, mas a humanidade segue adiante com suas mesmas prioridades, modos de agir e uma imutável inconsequência. A elevação das temperaturas quebra recordes sucessivamente, não apenas por fatores naturais, principalmente o El Niño, mas também pela emissão de poluentes na atmosfera. Ademais, seguimos despejando esgotos nos rios, enquanto falta-nos água potável nas torneiras, o que é esdrúxulo.

Não é difícil imaginar aonde isso vai parar? No sul da Bahia, antes uma região com fartura de água, nem dá mais para fazer tal pergunta, pois o colapso antevisto já se materializa no presente. Noticia-se que, depois de mais de nove meses de estiagem, a região perdeu mais de 80% do volume de água que possuía. É terrível, mas era previsível que isso um dia poderia acontecer. Falta chuva, é certo, mas a ausência de bom senso, responsabilidade e compromisso com as futuras gerações contribuíram para tingir o cenário com cores mais dramáticas.

Há quantos anos se sabe que Itabuna, maior cidade da região, desperdiça mais de 50% da água tratada, antes que ela chegue aos domicílios? E esta não é uma insanidade exclusiva deste município, pois em todo o país, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, o uso inconsequente da água é a regra. Apesar dos avisos inequívocos, em muitos lugares utiliza-se o recurso como se inesgotável fosse. Ledo engano, cujos resultados serão catastróficos, como já são por aqui.

As consequências da miopia são sentidas e, como de praxe, é só neste momento crítico e desesperador que se pensa em buscar “soluções”. Tivesse havido prevenção e investimento em um modelo de uso racional da água, a situação seria outra. Mas se optou pela facilidade e a ilusão da fartura infinita.

Por falar nas tais “soluções”, no que toca ao poder público, nota-se que infelizmente elas seguem uma rota obscura, permeada por rumores preocupantes e em um delicado momento de transição política, quando coisas estranhas costumam acontecer.

É momento de a sociedade civil estar vigilante e participante dessa busca de alternativas. Não se trata apenas de tirar o sal da água, mas de remover toda e qualquer impureza das negociações que possam eventualmente se valer da crise para concretizar velhos e conhecidos intentos, não exatamente vinculados ao interesse público.

PROTESTO NA CAIXA D’ÁGUA

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Moradores queimaram objetos, interditando a rua (foto Pimenta)

Moradores queimaram objetos, interditando a rua (foto Pimenta)

Moradores da Rua José Alves Franco, na comunidade popularmente conhecida como Caixa D’Água, em Itabuna, fizeram um protesto contra a Emasa na noite de hoje (18). Sem abastecimento há quase um mês, eles reivindicam a instalação de um tanque comunitário no local.

No protesto, os manifestantes queimaram objetos e deixaram a rua interditada. A Polícia Militar esteve no local e solicitou o apoio do Corpo de Bombeiros para desbloquear a via. Não houve resistência, mas os moradores avisaram que voltarão a se mobilizar se a Prefeitura não instalar o reservatório.

Ouvidos pelo PIMENTA, moradores disseram que enfrentam dificuldade para conseguir água em um tanque instalado pela Prefeitura em outra parte do bairro São Roque, que abrange a Caixa D’Água. Além da distância, eles muitas vezes são impedidos por quem mora mais perto do reservatório improvisado.

Segundo os manifestantes, nem a Prefeitura nem a Emasa enviaram representantes para ouvir suas reivindicações.

TESOURA DE TEMER PODE COMPROMETER BARRAGEM DO RIO COLÔNIA

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Temer "Mãos de Tesoura"

Temer “Mãos de Tesoura”

O vice-presidente Michel Temer (PMDB) assumiu hoje (12) o comando do país e incluiu, como uma das partes principais de seu discurso de posse, o aviso de que cortará gastos do governo. A advertência causa temor de redução de repasses e prejuízo no andamento de obras, como a da barragem do Rio Colônia, que foi retomada recentemente.

A barragem, que é a esperança de solução para a crise de abastecimento em Itabuna, teve até o momento apenas 5% de seu projeto concluído. Dos R$ 35 milhões que correspondem à parcela dos recursos federais na obra, apenas R$ 1,9 milhão foi liberado. Já o Estado liberou R$ 2 milhões da contrapartida de R$ 12 milhões.

Além da verba para a construção da barragem, o projeto exigirá recursos para a construção de uma nova estrada entre Itapé e Itaju do Colônia, a cargo do Derba. Nos bastidores, circula a informação de que o órgão estadual também prevê dificuldades para viabilizar os R$ 16 milhões que deverão ser destinados à rodovia.

RESTAURANTE DA UESC SUSPENDE ATIVIDADES POR FALTA DE ÁGUA

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Restaurante da Uesc não abre por falta de água (Foto DCE Uesc).

Restaurante da Uesc não abre por falta de água (Foto DCE Uesc).

O racionamento de água que atinge boa parte dos ilheenses causa transtornos também na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). Com os reservatórios vazios, a administração do Restaurante Universitário (RU) avisou aos estudantes que não vai funcionar nesta terça-feira (3).

O RU é o preferido dos universitários por oferecer café, almoço e jantar com preço abaixo da média, por ser subsidiado pela universidade.

Com o fechamento temporário hoje, os estudantes já reclamam. No entanto, como não há previsão do fim do racionamento, não vai ser difícil ver o restaurante de portas fechadas nos próximos meses.

Na semana passada, a Embasa anunciou que ampliaria o número de bairros atingidos pelo racionamento, que somente terá fim com a melhora do nível nos mananciais que abastecem os reservatórios de Ilhéus. O abastecimento de água tem ocorrido em dias alternados na cidade.

DONOS DE CARROS-PIPA RECEBEM PAGAMENTO

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Convênio que garante abastecimento por meio de carros-pipa foi renovado (foto Lucas França/Ascom-PMI)

Convênio que garante abastecimento por meio de carros-pipa foi renovado (foto Lucas França/Ascom-PMI)

Proprietários de carros-pipa contratados pela Coordenação de Defesa Civil de Itabuna começaram a receber seus pagamentos na última sexta-feira (29). De acordo com a Prefeitura, o processo será concluído amanhã (3).

No dia 23, os  contratados chegaram a paralisar o trabalho por causa do atraso no acerto financeiro. A Prefeitura explicou que o problema tinha a ver com o não recebimento de um cartão magnético que dá acesso à conta bancária na qual o valor foi creditado, o que já está resolvido.

O governo municipal também anunciou a prorrogação, por mais 30 dias, do convênio com o Governo do Estado que tem garantido o abastecimento emergencial  nos bairros por meio dos carros-pipa. A renovação foi publicada no último sábado (30), no Diário Oficial do Estado.

MAYNART APOSTA EM IDEIA DE GEDDEL PARA RESOLVER DÍVIDA DO CACAU

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Ex-superintendente da Ceplac aposta na criação de um fundo para assegurar captação de crédito para a lavoura cacaueira

Ex-superintendente da Ceplac aposta na criação de um fundo com o objetivo de assegurar captação de crédito para a lavoura cacaueira

Apesar de já ter descartado a possibilidade de voltar ao comando da superintendência da Ceplac, num praticamente inevitável governo Michel Temer, o peemedebista Juvenal Maynart anda entusiasmado com uma proposta para tirar a cacauicultura do perrengue financeiro.

Segundo Maynart, quando Geddel Vieira Lima era deputado federal, defendeu a criação de um fundo, que garantiria a captação de recursos destinados à lavoura. Para o ex-superintendente, a região se beneficia hoje de uma combinação de fatores capazes de viabilizar a ideia.

A principal dessas condições favoráveis é o reconhecimento da cabruca como sistema agroflorestal de cultivo pela Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), o que pode permitir que os “serviços ambientais” prestados pela cacauicultura sejam convertidos em crédito. O outro fator seria o apoio da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), que tem se alinhado à Ceplac por meio de seus núcleos de sustentabilidade e inovação.

Empolgado por natureza, Maynart afirma que dentro de dois anos o cacau será a melhor commodity agrícola do mundo. E ele é enfático também ao defender a manutenção da cabruca, tanto pelo reconhecimento como ativo ambiental, como pela importância efetiva para a preservação da Mata Atlântica e, consequentemente, dos mananciais da região.

Nesses tempos de crise de abastecimento, o peemedebista adverte: “se a gente não tiver esse cuidado dentro do espaço produtivo rural,  nós não conseguiremos recompor a oferta de água nas áreas urbanas”.

CERB VAI PERFURAR POÇOS ARTESIANOS EM ITABUNA

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Cerb vai perfurar 13 poços nos bairros de Itabuna

Cerb vai perfurar 13 poços nos bairros de Itabuna

A Prefeitura de Itabuna utilizará recursos fornecidos pela Defesa Civil do Estado para perfurar 13 poços artesianos em bairros da cidade. De acordo com o prefeito Claudevane Leite, um convênio foi firmado com a Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos da Bahia (Cerb), que ficou responsável pelos estudos geológicos e perfuração dos poços.

A captação de água no subsolo se tornou uma das alternativas dos itabunenses, diante do agravamento da crise hídrica. Com a captação em suas estações comprometida, a Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa) há muito tempo não consegue nem de longe atender à demanda. A Defesa Civil já colabora com o município, desde a decretação de estado de emergência pelo Estado, viabilizando carros-pipa que trazem água de estações da Embasa em Ubaitaba e São José da Vitória.

Alguns moradores também têm contratado empresas particulares para perfurar poços, um serviço que chega a custar entre 12 e 13 mil reais. Como o valor é proibitivo para famílias de baixa renda, a expectativa é de que os poços perfurados pela Cerb aliviem o sofrimento dessas famílias.

Ligado ao Movimento de Luta pela Terra (MLT), o vereador Aldenes Meira (PCdoB) solicitou à Cerb que também perfure poços artesianos em áreas da zona rural de Itabuna. Segundo ele, três já foram perfurados e a companhia irá viabilizar outros quatro.

“TARDE EM ITABUNA”

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Circula nas redes sociais uma paródia da música “Tarde em Itapuã”, de Vinícius de Moraes, que se transformou em uma insólita “Tarde em Itabuna”. Os versos evocam uma cidade onde o sol arde e é possível “sentir o mar”, porém de uma forma que ninguém gostaria.

Ao final, o cantor afirma:

“Esta música é para agradecer aos governantes, que, nos últimos 20 anos, vêm matando nossa cidade e nosso povo. Obrigado, pelas brigas políticas de vocês! Muito obrigado!”.

A autoria da pérola é desconhecida. O PIMENTA faz questão de saber quem compôs para dar os devidos créditos.

Atualização às 12h34min – A paródia foi composta por Cida Lisboa.

A MENSAGEM DA ÁGUA E A OBSESSÃO DO MOSQUITO HOMICIDA

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Efigênia OliveiraEfigênia Oliveira | ambiente_educar@hotmail.com

 

As populações, em tímida mobilização no combate ao inimigo, ávidas estão pelo consumismo, pelo uso das tecnologias, e pela competitividade em ritmo acelerado, mas desatentas estão à alta produção de resíduos expostos no meio ambiente.

 

O cientista japonês Masaru Emoto comprova por meio de minuciosos experimentos, que “a água está profundamente conectada à consciência individual e coletiva dos seres humanos, fornecendo uma nova luz à evolução humana”. Suas experiências dão conta de que a água submetida a palavras amenas ou grosseiras apresenta características próprias a essas situações.

Essa constatação sugere que patologias mentais, individuais e/ou coletivas, como a violência diversificada e exacerbada, emitida pelos humanos, estariam contaminando os mananciais. Não seria esta a causa de epidemias, como dengue, chicungunya, zika e outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti, cujo suporte de reprodução é a água?

Verdade é que, em igual proporção ao recrudescimento dos distúrbios sociais – corrupção e outras inúmeras ferocidades humanas contra a própria espécie, nas últimas décadas, doenças provenientes do mau manuseio da água tem se proliferado e se tornado cada vez mais invasivas e resistentes.

Considere-se que um simples mosquito existe desde que o mundo é mundo, como elemento transmissor da malária, da febre amarela e de outras doenças, em muitos casos letais, mas passíveis de tratamento e cura. A preocupação com suas larvas, popularmente conhecidas como cabeças-de-prego, sempre houve. Nada mais do que isso, até elas se replicarem em batalhões de mosquitos que voam da água parada e limpa, prontos para o ataque.

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EM MEIO À SECA, AMURC VIRA “PRONTO-SOCORRO” DE MUNICÍPIOS

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Superintendente da Defesa Civil do Estado, Rodrigo Hita, fala na reunião com os prefeitos

Superintendente da Defesa Civil do Estado, Rodrigo Hita, fala na reunião com os prefeitos

A partir de agora, a sede da Associação dos Municípios do Sul, Extremo-Sul e Sudoeste da Bahia (Amurc) manterá um atendimento destinado a orientar prefeitos da região a instruir pedidos de decretação de estado de emergência, em função da estiagem. Um corpo formado por técnicos das áreas da Defesa Civil e da Vigilância Sanitária está responsável pelas orientações.

A criação desse núcleo na Amurc foi decidida em reunião na tarde desta segunda-feira (11), com a participação de prefeitos do sul da Bahia, região que enfrenta a pior seca das últimas três décadas. Também esteve presente o superintendente de Defesa Civil do Estado, Rodrigo Hita.

Segundo o prefeito de Ibicaraí, Lenildo Santana, que preside a Amurc, o objetivo é sensibilizar os governos federal e do estado para que colaborem com ações imediatas capazes de diminuir os impactos da estiagem. Ele cita, entre essas medidas, a aquisição de carros-pipa, perfuração de poços artesianos, construção de adutoras e limpeza de barragens.

A situação de emergência já foi reconhecida em Itabuna, por meio de decreto do governo estadual. Diante do agravamento da estiagem, que já dura cerca de oito meses, outros municípios – a exemplo de Almadina, Barro Preto, Buerarema, Camacan, Coaraci, Ibicuí, Itajuípe, Itaju do Colônia, Ibicaraí, Santa Cruz da Vitória, Uruçuca, Ubaitaba, Firmino Alves, Nova Canaã e Pau Brasil –  também estão na fila da emergência.

ITABUNA: SECA, ÁGUA SALGADA E INCONVENIÊNCIAS

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Efigênia OliveiraEfigênia Oliveira | ambiente_educar@hotmail.com

Setembro passou, outubro e novembro/ já estamos em dezembro, meu Deus, o que é de nós? (…) Sem chuva na terra, descamba janeiro, depois fevereiro, o mesmo verão (…). Apela pra março que é o mês preferido/ do santo querido Senhor São José/ Mas nada de chuva, tá tudo sem jeito (…).

O lamento épico na voz do sanfoneiro Luís Gonzaga descreve exatamente a situação atual do sul da Bahia, cujo clima em nada se assemelha ao sertão nordestino. Em crise hídrica desde agosto de 2015, que registrou um inverno de poeiras de chuva, adentramos abril de 2016 sem sinais claros de que em breve mataremos a saudade de um banho de chuveiro com água insípida. Além do banho salgado e limitado, toalhas e roupas lavadas com essa água propiciam prejuízos, ao organismo humano, e aos outros organismos vivos.

Nesse cenário, Itabuna parece ser a cidade mais castigada de todas da região: falta d’água, violências várias, lixo jogado a esmo nas ruas, odor fétido por toda parte; ilhas de calor que concentram altas temperaturas, em decorrência de devastada cobertura vegetal na área urbana e entorno; concentração de gases nocivos à saúde e alta infestação de doenças provenientes do aedes.

Os rios da Bacia do Leste e bacias circunvizinhas, impossibilitados estão de matar a sede de ecossistemas e populações que vão do sul ao extremo sul do estado, todas elas atingidas pela seca persistente e atípica. Os municípios e suas respectivas sedes e comunidades regionais se encontram no mesmo problema, sem solução em curto prazo, mas estão livres da água salgada.

O dito aqui não é novidade, porém nada se diz do que passa a população ribeirinha do Almada, ao longo do trecho banhado pelas marés, até a estação de tratamento da Emasa em Castelo Novo. Não somente humanos, mas plantações, criações, fauna, flora e ictiofauna são afetadas pela água salgada que adentra o rio e afluentes, quase sem vida, atingindo severamente essas populações. Um tipo de invasão que lembra um pouco a tragédia de Mariana, uma vez que ambas as situações deveriam ter sido evitadas ou minimizadas.

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POR ÁGUA ABAIXO

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celina santosCelina Santos | celinasantos2@gmail.com

 

A realidade de Itabuna traz um recorte ainda mais grave. A cidade ouve há mais de 20 anos a promessa de que uma barragem no rio Colônia iria corrigir o já irregular abastecimento de água.

 

Uma espécie de antiprofecia se cumpre no sul baiano, porque a região do mar enfrenta uma seca semelhante à do sertão. A população vê os rios, cujas nascentes não foram preservadas, secarem. Enquanto isso, a peregrinação por um balde de água é cercada de absurdos que fazem dos cidadãos – e do poder público – vítimas e vilões de um filme indesejável, mas real.

O “sul”, como é chamado no restante do estado, lamentavelmente, amarga o mesmo dissabor experimentado com a crise do cacau. Na linha do Titanic (“ninguém afunda esse navio”), imperou por aqui a ideia de que nada abalaria a produção do “fruto de ouro”. E não havia um “plano B”. Da mesma forma, ocorreu com a chuva.

Acreditou-se que a água seria para sempre farta, que “São Pedro” abriria as torneiras, tal como nos tempos dos “atoleiros” nas estradas. A exemplo do que houve com a cacauicultura, não foi elaborado um plano alternativo para compensar uma eventual escassez hídrica. A situação afeta um grande número de cidades, a ponto de ser decretado “Estado de Emergência” em muitas delas.

Contudo, a realidade de Itabuna, maior município sul-baiano, traz um recorte ainda mais grave. A cidade, com cerca de 220 mil habitantes, ouve há mais de 20 anos a promessa de que uma barragem no rio Colônia iria corrigir o já irregular abastecimento de água, impulsionar a vinda de indústrias etc. O assunto, certamente, integrou o programa de vários candidatos a prefeitos, deputados e governadores.

Ocorre que, agora, os tanques dos bairros nobres ficam vazios na maior parte do mês; algo, até então, mais frequente na periferia. E o pior: a água chega com 32 vezes mais sal do que o mínimo aceitável para consumo humano. O orçamento das famílias, por sua vez, pode ficar 32 vezes mais alto. Afinal, é preciso pagar pelo líquido inadequado e também por galões de água supostamente própria para ser ingerida.

Esperamos que a obra da barragem, reiniciada neste momento em que a crise arrastou o problema para cima do tapete, não encontre, novamente, entraves no sombrio universo das licitações. Porque, na prática, é inadmissível ver uma cidade de médio porte depender apenas da chuva para haver água a ser distribuída. É, no mínimo, arcaico demais para o “pós-moderno” século 21.

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