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21 de fevereiro de 2020 | 03:45 am

APONTAR A CORRUPÇÃO DO OUTRO É FACIL. E A NOSSA?

Tempo de leitura: 2 minutos

ailtonsilva artigoAilton Silva | ailtonregiao@gmail.com

 

É muito fácil apontar e condenar a corrupção do outro. Vamos fazer uma reflexão sobre os nossos comportamentos e começar a mudança por nós.

 

Desde o ano passado que acompanhamos, em todo o Brasil, gente anônima, lideranças políticas, empresários, dirigentes de organizações não governamentais, representantes de entidades de classe e integrantes de “grupos revolucionários” como Movimento Brasil Livre (MBL), entre outros, gritando bravamente contra a corrupção. Muitas pessoas que se mostravam indignadas com o descaso com o dinheiro público estão me deixando confuso.

Quando as pessoas tomaram às ruas, pensei: já passou da hora de acabar com esse câncer. Até imaginei que a virada iria começar com a revolta do povo. Eram empolgantes o debate, a articulação pelas redes sociais, a cobertura da mídia e as pessoas nas ruas contra a corrupção. No meio de tudo aquilo, as operações da Polícia Federal, que resultaram em prisões de figurões da política e representantes de grupos empresariais. Pensava, a mudança já começou…

Para ficar perfeito, só aumentava o número de pessoas que condenavam a corrupção, o que era altamente positivo. Mas, sinceramente, nunca acreditei na honestidade de muitos dos líderes que estavam à frente desses movimentos. Minha desilusão aumentou quando se tornou público que um dos integrantes do MBL respondia a mais de 60 processos na justiça, incluindo ações por fraude.

Mais adiante, outra pancada: esse mesmo movimento recebeu dinheiro de partidos políticos para as manifestações e, nas eleições municipais deste ano, em Porto Alegre, promoveu uma batalha interna – grupo dividido entre dois candidatos. A guerra e troca de acusações podem ter motivado a morte de um dos integrantes do movimento.

Mas tem os líderes do Movimento Vem para Rua que são honestos, éticos e que lutam por um Brasil decente.  Sim, deve ter muita gente correta. Esse, porém, não parece ser o caso de Jailton Almeida, servidor público federal, integrante do movimento e que fazia em Brasília, nos carros de som, discursos inflamados contra a corrupção. No entanto, em junho foi nomeado para cargo de “coordenador-geral de participação social na gestão pública”, logo após a posse do novo governo. É ilegal? Não. Mas imoral, sim.

Outro “exemplo” é do presidente da Federações das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que participou ativamente dos protestos, mas é acusado de caixa dois nas eleições de 2014. Aliás, é imensa a lista de políticos que apareceram discursando pela moralidade, ética e respeito ao dinheiro público, mas investigados exatamente por desvio de dinheiro do contribuinte. Neste meio, há até acusados de formação de quadrilha, extorsão, falsidade ideológica, trabalho escravo, fraude, dentre tantos outros crimes.

Quem também tinha o discurso bonito contra a corrupção era a estudante Sofia Azevedo Macedo, de Minas Gerais. A jovem agora aparece nos noticiários como uma das pessoas que tentaram fraudar as provas do Enem 2016.  São tanto casos de quem nos últimos meses gritou contra corrupção e foi flagrado exatamente fazendo o que se dizia condenar.  É verdade que existe muita gente honesta e decente, mas também não faltam hipócritas. É muito fácil apontar e condenar a corrupção do outro. Vamos fazer uma reflexão sobre os nossos comportamentos e começar a mudança por nós.

Ailton Silva é jornalista.

A LEI DA FICHA LIMPA E AS CONTRADIÇÕES DOS BRASILEIROS

Tempo de leitura: 3 minutos

Ailton Silva | ailtonregiao@yahoo.com.br

Na verdade, a lei barrou apenas os políticos condenados por colegiados (formados por desembargadores e ministros) ou os que renunciaram ao mandato depois da representação ou pedido de abertura de processo.

Nos últimos dias acompanhamos as comemorações de partidários e simpatizantes porque os seus candidatos foram liberados pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).  Tenho certeza que muitas dessas pessoas ajudaram a criar a Lei Complementar 135/2010.

Para quem não se lembra, trata-se da lei aprovada em 2010, após mais de um milhão de brasileiros – inclusive eu – colocarem os seus nomes em um abaixo-assinado. Na época, cheguei a acreditar que todos os corruptos desse país seriam banidos da política. Depois percebi muita ingenuidade da minha parte. Eles são os mesmos que aprovam as leis.

Minha ilusão ou ignorância durou quase dois anos, quando começou o prazo para o envio dos pareceres dos Tribunais de Contas dos Municípios (TCMs) para os promotores públicos estaduais. Os juízes de primeira de instância começaram a faxina e imaginei: nestas eleições não vai sobrar um ladrão. Os de galinhas, certamente, não, porque para estes as leis não são favoráveis.

Para os ladrões de milhões da nossa saúde, educação, saneamento básico, não há punição tão fácil, pois logo aquele jurista descobre que os pareceres dos TCMs não têm nenhuma serventia. Não valem nada se as câmaras de vereadores não seguirem.

Nesse ponto, vejo que não sou o único ingênuo na história da lei da Ficha Limpa. As entidades que lutaram pela moralização na política e pelo bom uso do dinheiro público também foram enganadas. Nunca que um prefeito, com a maioria na Câmara de Vereadores, terá suas contas rejeitadas.

Se seguirem o parecer do TCM, os parlamentares aliados vão deixar brechas para que o prefeito possa recorrer e derrubar a decisão. Há quem diga que existem punições para os presidentes de Câmara de Vereadores. Não sei de nenhum caso em que essa figura tenha colocado as contas em votação dentro do prazo estabelecido.

Na verdade, a lei barrou apenas os políticos condenados por colegiados (formados por desembargadores e ministros) ou os que renunciaram ao mandato depois da representação ou pedido de abertura de processo.

Os demais, para alegria do eleitor apaixonado (diga-se de passagem, muita gente que prega a moralidade na administração pública), estão livres para concorrer como se nenhum centavo tivesse sido desviado. E pior: desdenha do povo quando afirma ser honesto em seu programa eleitoral.

Tenho certeza que muita gente viu-se nesta condição em diferentes municípios do Brasil. Teve até carnaval fora de época por causa da liberação de ficha suja pelos Tribunais Regionais Eleitorais. Cenas de circo com carreatas, passeatas, queima de fogos e, nos braços do povo, o ímprobo (isso mesmo, ímprobo é o cidadão que rouba o dinheiro público. Não podemos chamá-lo de ladrão).

Por causa desse tipo de coisa, às vezes, penso que não me fizeram bem, na faculdade, as aulas de Sociologia e Psicologia (poderia incluir ética, mas foi uma disciplina que aprendi antes, em casa, com meus pais e amigos). Pensando bem, é melhor não pensar sobre as contradições do homem.

Finalizo recorrendo ao espetacular e genial Ruy Barbosa, que afirmou, em 1914: “de tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto…”. Tenho certeza que pelo menos um leitor desse blog vai concordar com Ruy.

Ailton Silva é jornalista.

OS VERDADEIROS HERÓIS FORAM ESQUECIDOS

Tempo de leitura: 3 minutos

Ailton Silva | ailtonregiao@gmail.com

Até o aeroporto internacional de Salvador teve o nome substituído para homenagear um político que, com todo o respeito aos seus familiares e admiradores, não terá nunca a importância da Independência do nosso estado e do Brasil.

As histórias sobre a independência da Bahia e do Brasil são ricas, embora parte delas recheada de contradições, assim como é contraditório o nosso comportamento com relação aos heróis e ao 2 de Julho de 1823.

Manipulados pelos políticos, permitimos que eles homenageiem a si mesmo com nomes de ruas, praças, hospitais, pontes, viadutos, avenidas e até municípios. Assim aceitamos, também, que os heróis da Independência da Bahia praticamente fiquem esquecidos.

O coronel que assumiu o comando geral do Exército Brasileiro e derrotou os soldados portugueses em 1823, por exemplo, sequer teve a honra de ter o nome cravado em um logradouro público importante. Não cabe aqui discutir os interesses da família dele.

José Joaquim de Lima e Silva assumiu as tropas brasileiras em um momento crucial. Ele substituiu o general Pedro Labatut, que fora capturado pelas tropas inimigas que chegaram a dominar parte da Bahia, principalmente a região de Salvador.

De igual modo, a heroína Maria Quitéria de Jesus (1791-1853) mereceu o esquecimento do povo baiano. Pioneira na luta para expulsar os portugueses do Brasil, a filha de fazendeiro inscreveu-se voluntariamente no Exército para lutar contra os invasores.

Com grande habilidade no manuseio das armas de fogo e ótima em montaria, Quitéria cortou o cabelo, vestiu-se de homem para ingressar no Exército, em 1822, com o nome de José Cordeiro de Medeiros, o seu cunhado. Fez isso escondido do pai, o fazendeiro Gonçalo Alves de Almeida.

Nascida em 27 de julho, no arraial de São José de Itapororocas, hoje município de Feira de Santana, a heroína foi condecorada no Rio de Janeiro com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul. Ela recebeu a medalha das mãos do imperador Dom Pedro I.

Quitéria lutou por mim, por você, caro leitor; por nós, que não erámos nascidos;  pelos filhos dos coronéis que fugiram do alistamento, mas, principalmente, pela verdadeira independência política e administrativa do Brasil. Ela foi integrante do Batalhão dos Voluntários do Príncipe, conhecido, também, como “Batalhão dos Periquitos”, por causa dos punhos e golas de cores verdes de seu uniforme.

A nossa heroína morreu em Salvador em 1853, praticamente cega e no anonimato. Ao contrário dos nossos “heróis políticos”, que estão com os seus nomes gravados pelos quatro cantos do Brasil, em logradouros construídos com o nosso dinheiro.

Ah, depois de anos no esquecimento, em 28 de junho de 1996, Maria Quitéria passou a ser reconhecida como Patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. A história da mulher é admirável e deslumbrante.

Outra heroína brasileira, só lembrada na celebração do 2 de Julho, é a freira Joana Angélica de Jesus. Ela tentou abrigar, no convento em Salvador, os soldados brasileiros que tinham sido cercados, mas foi fuzilada pelas tropas portuguesas. Pouco se fala sobre a brava mulher.

Os políticos reduziram a importância dos nossos heróis para desvalorizar o 2 de Julho,  dia em que os soldados brasileiros conseguiram a separação do país do domínio de Portugal.

Até o aeroporto internacional de Salvador teve o nome substituído para homenagear um político que, com todo o respeito aos seus familiares e admiradores, não terá nunca a importância da Independência do nosso estado e do Brasil.

O 2 de Julho não deveria ser feriado estadual, mas nacional porque foi a verdadeira independência do Brasil. Parabéns aos nossos verdadeiros heróis!

Ailton Silva é repórter de A Região, chefe de jornalismo da Morena FM e assessor de comunicação.

 

GENTE BOA NA NIGHT

Tempo de leitura: < 1 minuto

Num flagrante do PIMENTA pelos bares da vida, duas figuras da maior qualidade: os jornalistas Luiz Conceição, da assessoria de imprensa da Ceplac, e Ailton Silva, editor d'A Região e do jornalismo da Rádio Morena. Dois amigos-irmãos nossos, que inspiram este blog. Conceição tem o faro dos grandes repórteres; Ailton é um guerreiro, que superou muitas adversidades para se tornar o profissional competente e respeitado que é hoje. Dá orgulho conviver com gente assim.

QUAL A CULPA DOS NORDESTINOS?

Tempo de leitura: 4 minutos


Ailton Silva

Os que acham que somos um bando de analfabetos esquecem que temos mestres, pesquisadores, doutores, grandes empresas e estamos na terra do jurista Ruy Barbosa (…).

A campanha eleitoral deste ano foi marcada mais pela troca de agressões entre os candidatos do que por debates sobre temas como reforma tributária e investimentos em infraestrutura. Outra constatação foi que, em muitos momentos, a mídia deixou de fazer o bom jornalismo, prestar um serviço ao cidadão, independente da opção eleitoral, para fazer panfletagem.
Uma vergonha para quem diz que faz jornalismo independente. O enquadramento “a gosto” ocorreu, muitas vezes, nos pequenos e grandes veículos. Mas não vou entrar neste mérito, pois os leitores, telespectadores e ouvintes perceberam isso claramente.
Talvez o que muita gente não percebeu foi o preconceito de algumas pessoas do Sul e Sudeste (muitos de São Paulo) contra o nordestino e nortista. Os comentários nas redes sociais, revistas, jornais foram muitos. E vergonhosos. Os mais leves foram: burros, imbecis, idiotas, dependentes de “bolsa esmola”.
Tantos “adjetivos” porque o Nordeste e o Norte foram duas das três regiões do Brasil nas quais a maioria dos eleitores preferiu Dilma Rousseff (PT) a José Serra (PSDB). É verdade que essas duas regiões têm alto índice de analfabetismo, são carentes de saúde pública de qualidade, esgoto tratado, mais moradia, segurança pública e salários melhores. As consideradas regiões ricas não sofrem com nada disso?
Tentar separar o Brasil entre regiões ricas e pobres não é nada inteligente. Somos todos brasileiros, filhos de uma só nação e sonhamos com melhoria em todos os setores, com mais pessoas ascendendo de classe social. O Nordeste e o Norte merecem respeito.

Para Mayara, xenofobia pouca é bobagem.

Não venham argumentar que não há preconceito. Ele, infelizmente, vai existir por algum tempo, enquanto as pessoas acreditarem que as manifestações durante o período eleitoral e logos após resultado da eleição são fatos isolados. Não são. Existem, sim, muitos preconceituosos, entre eles a estudante de direito Mayara Petruso, que chegou a postar, na sua página, frase como “Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”,
A estudante paulista escreveu ainda: “Dêem direito de voto pros (sic) nordestinos e afundem o país de quem trabalha pra sustentar os vagabundos que fazem filhos pra ganhar o bolsa 171”.
Sei que esse, felizmente, não é o sentimento da maioria do povo de São Paulo nem de outros estados das regiões Sudeste e Sul, mas que há muita gente que pensa como essa patricinha, como tem!
Para nós, nordestinos com muito orgulho, o que importa é que estamos em processo de desenvolvimento e caminhando para um dia termos estados com mais qualidade de vida.
Os que acham que somos um bando de analfabetos esquecem que temos mestres, pesquisadores, doutores, universitários, veículos de comunicação fortes, grandes empresas, artistas da música, do teatro, da televisão e estamos na terra do jurista Ruy Barbosa, o Águia de Haia, que foi para a Inglaterra ensinar inglês. Além de tudo, temos gente que trabalha, vive com dignidade e que ajuda a manter esse país.
No mais, qualquer pessoa sensata sabe que não foram apenas o Nordeste e Norte que asseguraram a eleição da candidata do PT. José Serra, também, perdeu em estados como Minas Gerais e Rio de Janeiro. Perdeu na região Sudeste. E mais: a petista se elegeria mesmo se, como querem alguns, o Nordeste fosse riscado do mapa.
O pior: o candidato venceu em São Paulo por menos de dois milhões de votos (12.308.038 dele contra 10.462.010 dela). Como um excelente administrador como apregoam alguns veículos de comunicação, ele deveria vencer de goleada no próprio estado. Ou Não?
Então, seguindo a lógica dos que estão revoltados com os nordestinos e nortistas, o eleitor de São Paulo, que preteriu o candidato do PSDB, é burro, é imbecil? Tenho certeza que não. Como homem perfeito como se vendeu e foi repassado por parte da mídia, ele poderia ter saído do estado como pelo menos 15 milhões de votos. Não saiu.
Poderia muito bem ter vencido em Minas Gerais, estado em que o ex-governador Aécio Neves, seu aliado, teve mais de sete milhões e meio de votos para o Senado. Agora, culpar o nordestino e nortista, porque muitos preferiram a continuidade, é coisa de quem não tem classe para perder.
O preconceito não é o melhor caminho em um país democrático e cheio de contrastes que precisam ser resolvidos. Somos um só povo e quem votou em Dilma merece respeito e quem optou por Serra também. O resto é torcer para que os nossos problemas econômicos e sociais sejam resolvidos nos próximos anos.
Ailton Silva é jornalista, editor do Jornal das 7 (Morena FM) e repórter d´A Região.

A SERVIDORA QUE ROUBOU O TELEVISOR DA ESCOLA

Tempo de leitura: 3 minutos

Ailton Silva

Foi simplesmente genial a idéia do CQC de doar um televisor de plasma para uma escola da rede municipal de Barueri e monitorar o seu destino. Na terceira temporada do programa, os meninos do “Custe o Que Custar”, que é veiculado nas noites de segunda-feira pela TV Bandeirantes, decidiram medir o nível de honestidade dos gestores e servidores públicos do município paulista.

No final do ano passado, a turma do CQC instalou GPS e alarme e doou o aparelho para a Secretaria de Educação de Barueri para que o mesmo fosse utilizado por alunos de uma das escolas da rede municipal. A história terminaria por aí, não fosse a desonestidade de funcionários da Escola Tarso de Castro.

O aparelho de última geração foi levado para a casa por uma funcionária e era utilizado como se lhe pertencesse. No quadro “Proteste Já” desta segunda-feira, 22, o CQC mostrou como o televisor era usado pela família de uma servidora pública. O GPS permitiu que o aparelho fosse monitorado 24 horas.

Constatadas as irregularidades, os meninos do CQC, que por sinal é melhor programa de humor da televisão aberta brasileira, foram até a Secretaria Municipal de Educação saber em que escola estava o aparelho. O secretário Celso Furlan (irmão do prefeito), sem saber que o televisor era monitorado, apressou-se em informar que estava sendo utilizado por alunos de uma das escolas da rede municipal.

No local, na verdade, o aparelho ficou por muito pouco tempo. O engraçado foi a funcionária tentado devolver o produto roubado da escola. Coloca o televisor no carro e é perseguida até a escola; descontrolada, tenta voltar e, no final, encurralada, acaba devolvendo o aparelho de onde nunca deveria ser saído.

Mais interessante ainda foram as desculpas apresentadas para tentar justificar o roubo. A diretora da escola alegou que o televisor foi retirado da escola para que os carnais fossem sintonizados. Isso por um período de mais de quatro meses. Sem explicação. As perguntas dos repórteres Rafinha Bastos e Danilo Gentil, apesar de básicas, foram sensacionais, muito bem casadas com imagens.

Hilário também foi a reação do prefeito de Barueri, Rubens Furlan (PMDB), ao ser questionado sobre a ação da servidora pública. Ao invés de ficar indignado com o mau exemplo da funcionária desonesta, partiu para o ataque aos integrantes do CQC, os chamando de babacas, entre outros adjetivos peculiares de um político descontrolado.

Depois, ao perceber a merda que havia falado, decidiu fazer média com o programa. Não tinha mais jeito. Ah! Uma semana antes, o mesmo Rubens Furlan ingressou na justiça e uma juíza proibiu e veiculação do “Proteste Já” alegando falta de “direito de resposta”. Isso mesmo, direito de resposta de uma matéria que nunca havia sido veiculada. O Tribunal de Justiça de São Paulo colocou ponto final na aberração jurídica.

Elaborada com muito bom humor, a matéria mostra que a desonestidade está enraizada em quase todos os escalões da administração pública. Ela atinge do simples servidor ao prefeito, ao deputado, ao governador. Fiquei imaginado como seria a colocação de um chip no dinheiro que é pago pela coleta de lixo, pela reforma da escola e a construção do hospital.

Seria uma festa de políticos flagrados levando os seus 10%. Seria uma farra de liminares impedindo a veiculação das matérias?Talvez, no Brasil, quase tudo é possível.

O certo mesmo é a falta punição para políticos corruptos. Muitos semi-analfabetos, que nunca estudaram nem trabalharam na iniciativa privada, mas são ricos porque se tornaram PhDs na roubalheira.

Eles respondem a dezenas de processos por desvio de dinheiro, mas aí a justiça não funciona. O que justifica um pobre, analfabeto; que não ganhou na loteria, não herdou bens, torna-se um dos homens mais ricos do Brasil? Viva a idéia genial do CQC! Vamos colocar chip no dinheiro público, vamos investigar e condenar. Tá na hora. Brincadeira, não vai acontecer tão cedo. Olha que sou otimista, viu.

Ailton Silva é jornalista, editor de A Região e do Jornal das Sete, da Morena FM.

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