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12 de julho de 2020 | 05:50 pm

COLABORADORES DO PIMENTA VOLTAM APÓS ELEIÇÃO

Tempo de leitura: < 1 minuto

Devido ao início do período eleitoral, oficializado pelas convenções partidárias, o PIMENTA suspendeu as colaborações de articulistas que disputarão mandato este ano. Entre os escribas regulares, são dois os “pendurados”: Marco Wense, que foi confirmado como candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo médico Antônio Mangabeira, e Rosivaldo Pinheiro, que hoje (30) será inscrito oficialmente na chapa proporcional do PCdoB.

Pinheiro, aliás, marcou presença no blog com uma coluna semanal, religiosamente publicada às quartas-feiras. Desde maio, foram 15 artigos sobre os mais diversos temas, com foco principalmente em questões ligadas à cidadania. E o resultado dessa participação, segundo diz, o impressionou. Um dos artigos, abordando o relacionamento nas redes sociais, gerou convite para debate na Universidade Federal de Alagoas.

– Ampliamos os horizontes do debate para além do debate ideológico. O resultado dessa exposição foi o reconhecimento espontâneo de pessoas de diversos setores – afirma Pinheiro.

A expectativa do PIMENTA é de que os dois colaboradores retomem a produção após o dia 2 de outubro.

 

A POLÊMICA ENTRE EMILIANO E RISÉRIO

Tempo de leitura: < 1 minuto

Do Cena Bahiana

Articulista de A TARDE, Antônio Risério critica a falta de projetos do PT e é impiedoso com o deputado Nelson Pelegrino, que representou o partido na disputa pela Prefeitura de Salvador. Para Risério, o ex-candidato é um “bobão” inventado pelo partido.

Em um artigo caceteiro, Risério expôs suas preferências nas últimas eleições. Na capital baiana, ACM Neto (DEM); no Rio de Janeiro, Marcelo Freixo (PSOL); em São Paulo, Fernando Haddad (PT)! Uma salada partidária que define bem esse período “pós-ideológico”, onde os partidos perderam a identidade.

Como não há linha programática definida, um dos critérios de escolha pode ser a personificação do novo. Freixo no Rio, Haddad em São Paulo… ACM Neto em Salvador?! Risério não acredita que o herdeiro de ACM represente a volta do carlismo, então…

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UNIVERSO PARALELO

Tempo de leitura: 5 minutos

É PRECISO PACIÊNCIA COM MAUS REDATORES

Ousarme Citoaian
Falamos aqui da condenação do artigo indefinido, do qual os plumitivos (dicionário, urgente?) abusam tanto quanto os políticos da nossa paciência. Exemplos dados, não serão repetidos, por desnecessários. Mas ficamos devendo uma referência a abusos com os artigos definidos, que, igualmente àqueles, não melhoram a linguagem.  Ao contrário, conspurcam-na. E aqui estão alguns “abonos” que, para evitar que a coluna seja acusada de injuriosa, maledicente e difamatória, foram colhidos na mídia impressa regional. Antes (quem avisa, amigo é) uma advertência: se houver pronome possessivo por perto, redobre seus cuidados com os artigos definidos, porque, juntos, eles são uma mistura indigesta. Dito o que, vamos à colheita.

FRASE NÃO QUER CORREÇÃO, QUER ESPONJA

Um articulista ensina que “todo mundo tem a sua própria opinião”; numa coluna sobre política partidária descubro que “Alcides Kruschewsky reassumiu o seu posto na Câmara”; perspicaz, um analista conclui que “é necessário ter coragem de exibir a sua opinião”; outro, na mesma linha doutoral e perdulária, disserta sobre a conveniência de  “compartilhar a sua ideia”. Não entendo a razão de não se escrever (com notável economia, e sem prejuízo da clareza) ”exibir sua opinião”, “compartilhar sua ideia” e que o vereador “assumiu seu posto na Câmara”, com varrição radical dos artigos inúteis. Sobre a primeira frase, digo como aquele ministro da ditadura: “Nada a declarar”. É passar-lhe a esponja e construir outra.
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CINCO LIVROS E A REVELAÇÃO DE UMA VIDA

O crítico Hélio Pólvora foi submetido a uma prova que não me dá inveja: ditar, para Gabriel Kuak (presidente da União Brasileira de Escritores) a lista dos cinco livros que mais pesaram em sua formação. Apenas cinco, e é isto que faz espinhosa a tarefa. Creio que os leitores (para quem esta notícia seja nova) tenham curiosidade em saber a preferência do autor de O grito da perdiz, por isso antecipo os escolhidos, na ordem em que foram citados (Hélio se ateve apenas aos brasileiros): O Guarani (José de Alencar), Dom Casmurro (Machado de Assis), Angústia (Graciliano Ramos), Fogo Morto (José Lins do Rego) e O Continente (parte de O Tempo e o Vento, Érico Veríssimo). Lista inesperada, à exceção de Machado de Assis.

SEM CLARICE LISPECTOR E GUIMARÃES ROSA

Hélio parece temer que a originalidade lhe custe caro. “Corro o risco de bordoadas dos fãs de Clarice Lispector e João Guimarães Rosa”, reconhece, mas defende sua escolha de cinco livros que não vão para a ilha deserta nem ficam à cabeceira, ao alcance da mão. “Preferem o leito da memória, onde ardem ou palpitam sob cinzas”. De minha parte, tentei antecipar alguns votos e errei feio. Mas acertei com Dom Casmurro, sabendo que Hélio Pólvora é um dos especialistas no mais célebre triângulo amoroso da literatura brasileira – até escreveu um ensaio “provando” que a traição de Capitu a Bentinho, discutida há mais de um século, ocorreu de fato. Minha “previsão” incluiu Guimarães Rosa e Graciliano Ramos. Passei longe de um, raspei o outro.

EM ANGÚSTIA, O NASCIMENTO DO ESCRITOR

Imaginava que Hélio incluiria São Bernardo ou Vidas Secas, quando ele preferiu Angústia. Imagino que não me equivoquei de todo. O ensaísta explica que Angústia lhe deu “um estalo”, com a arte de escrever a roçar-lhe o rosto, “qual leve asa de pássaro”, e afirma que o livro “talvez perca, em estrutura, para São Bernardo e Vidas Secas, mas revela uma intimidade cúmplice que acentua a comoção”. Mais adiante, na hipótese de uma relação de dez livros, ele lembra Os Sertões (Euclides da Cunha), Minha Formação (Joaquim Nabuco), Capítulos de História Colonial (Capistrano de Abreu), Jubiabá (Jorge Amado, na rede) e Dora, Doralina (Rachel de Queiroz). E encerra com extrema elegância: “Perdão Pompeia, Lygia, Adonias e Autran Dourado”.

ENTRE ERRO E LICENÇA POÉTICA, O ABISMO

Dentre os truques com que tentamos justificar erros de linguagem está um, chamado licença poética. É preciso atenção do leitor para não confundir as duas categorias. Apenas tangenciando o assunto (não sou professor, nem isto aqui é aula de português), é bom lembrar que licença poética é a permissão para se fugir da chamada norma culta da língua, não um salvo-conduto para a ignorância, conforme alguns autores parecem entender. É uma forma de libertar o escritor de amarras gramaticais que o impeçam de tornar sua mensagem clara a esse animal em extinção chamado leitor. Portanto, a licença poética tem tempo e lugar adequados à sua prática.

A PRINCESA, O REVOLUCIONÁRIO E O BODE

Muito citado para identificar algo confuso, O samba do crioulo doido, de Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto), me parece um atípico caso de licença poética – em que a manipulação não é da gramática, mas da história: a abertura (“Foi em Diamantina/onde nasceu JK”) guarda fidelidade histórica – o sorridente Juscelino (foto) nasceu naquela cidade mineira, em 1902 – mas em seguida o letrista parece “endoidar de vez” e não fala mais coisa com coisa: a princesa Leopoldina “arresolveu” se casar, mas Chica da Silva entra pelo meio e mistura a princesa com Tiradentes! E o refrão? “Lá iá, lá, iá, lá, iá/o bode que deu vou te contar”. Só podia dar bode.

CAOS TOTAL: “PROCLAMARAM A ESCRAVIDÃO”

 
Está implantado o caos irremediável: “Joaquim José/que também é (breque!)/da Silva Xavier/queria ser dono do mundo/e se elegeu Pedro II”.  Depois, mancomunados, Dom Pedro e Anchieta proclamam a escravidão, “Dona Leopoldina virou trem/ e Dom Pedro é uma estação também”. Fechando esse pacote tão insano quanto saboroso, um refrão anárquico: “Ô, ô, ô, ô, ô, ô/o trem tá atrasado ou já passou”. Além de nada bater com o que ouvimos na escola, a falta de lógica é absoluta: dizer que Tiradentes “se elegeu Pedro II” é de uma desordem inconcebível, um “desrespeito” com a história que deixou muita “otoridade” em pé de guerra naquele plúmbeo 1968.

BOM HUMOR CONTRA A BURRICE VERDE-OLIVA

Sucesso imediato, o samba se fez clássico. Mas Martinho da Vila o detesta, achando-o “preconceituoso”. Eu discordo. Sérgio Porto nunca deu sinais de discriminar quem quer que fosse: conhecedor de jazz, ele se referia ao gênero como “jazz tocado por negros”. E “crioulo” não tinha o ar pejorativo de hoje. A propósito, João Saldanha frequentemente  chamava Pelé de “o crioulo” – e  nunca ninguém o enquadrou na Lei Afonso Arinos. Samba…  é uma canção política: insurge-se, com bom humor, contra a ditadura, que exigia louvações a vultos históricos no Carnaval. O “crioulo” era a vítima. Aqui, a gravação original (Quarteto em Cy, com abertura do autor).

(O.C.)

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A DOR DE UMA MÃE!

Tempo de leitura: 2 minutos

Manuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br

A procriação é algo tão perfeito que oferece a ela exatos nove meses para que se adeque, que se acostume e arrume a vida até o grande dia do nascimento.

Algumas religiões tentam explicar a morte e torná-la menos dolorosa, especialmente para quem fica. Acho extremamente válido e inteligente, inclusive. Admiro quem consegue lidar com tudo isso com muita sabedoria, calma e paz no coração. Eu, sinceramente, não faço parte desse time.

Nós, seres humanos, não sabemos e nem gostamos de perder. Não sabemos aceitar o fim de um relacionamento, mesmo quando temos a plena consciência de que ele está fadado ao insucesso; não sabemos lidar com a falência de uma empresa à qual demos o nosso suor e depositamos as nossas expectativas; não aceitamos, muitas vezes, nos desfazer de roupas e sapatos usados, abarrotando gavetas com coisas velhas. Somos apegados. Acho que essa é a palavra mais adequada. Somos apegados ao que julgamos ser nosso, e dar adeus ao que queremos bem é algo bastante doloroso.

Vejo nas manchetes dos jornais um número cada vez maior de jovens partindo antes da hora. Sim, os jovens estão partindo antes da hora, deixando para trás vidas cheias de sonhos, expectativas e conquistas. Deixando para trás a possibilidade de ficar velhinho e sentar na varanda de casa, de pijama, e contar aos netos tudo o que a vida lhe ensinou. A sensação que tenho, diante dessa loucura que é a morte prematura, é de piedade, de compaixão. Dos jovens que se privam da vida, mas, especialmente, das mães que ficam.

Eu não sou mãe. Mas imagino que a chegada de um filho mude a vida, a rotina e os sentimentos de uma mulher para sempre. Porém, a procriação é algo tão perfeito que oferece a ela exatos nove meses para que se adeque, que se acostume e arrume a vida até o grande dia do nascimento. Na morte prematura, não. Elas são pegas de surpresa, muitas vezes no aconchego dos seus lares, sonhando com o sorriso dele, que não mais verá.

Não diminuo aqui a dor de um pai, de um irmão, de uma esposa ou de um amigo. Mas acredito que o amor de uma mãe é algo maior que ela mesma. O amor de uma mãe é semeado na gestação, na delicadeza do aleitamento, no instinto, no íntimo da mulher. E se o amor de uma mãe é assim, incomensurável, sua dor é algo que me corta o coração só de imaginar…

Manuela Berbert é jornalista e colunista da Contudo.

AVANTE A BANDEIRA DA FEMINILIDADE!

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Manuela Berbert

E só então, do alto do seu scarpin preto, como uma personagem dos contos de Nelson Rodrigues, gritou: “Socorro! Meu marido morreu!”.

A feminilidade se refere às características e comportamentos associados ou apropriados a mulheres. A alegria, a delicadeza e a sutileza nos gestos, nas atitudes, nas palavras, por exemplo, distinguem as mulheres de sucesso. É uma qualidade positiva que, se usada de maneira correta, abre portas, sejam elas profissionais ou pessoais. Ou alguém vai dizer que não?

Desculpe se desaponto alguns, mas como telespectadora do BBB (sim, eu assisto ao Big Brother Brasil), acho que está faltando glamour e vaidade naquele recinto. Tenho a leve impressão de que as mulheres ali confinadas esqueceram-se das câmeras. Perderam o entusiasmo pela maquiagem, pelos penteados, pelo figurino extravagante e até, em alguns casos, pelo amor próprio.

Gosto de gente, de observar o comportamento alheio e diagnosticar traços da personalidade do ser humano. E esse tipo de programa, assim como a vida em sociedade, é um excelente laboratório.

Feliz é aquela mulher que sabe usufruir dos seus atributos sem tornar-se vulgar. Aquela que sabe ser elegante de minissaia, que sabe olhar nos olhos sem se oferecer e, principalmente, aquela que sabe as medidas exatas do perfume e da maquiagem para cada ocasião.

Nunca vi, por exemplo, a face de tia Dalva em seu tom natural. Cresci com essa curiosidade, já que ela mantém-se vaidosa e maquiada até hoje, no auge dos seus 83 anos. Reza a lenda familiar que, residindo em São Paulo, na companhia do seu segundo marido, teve um momento crítico: numa noite fria de julho, aprontando-se para dormir, percebeu que Dito, como era carinhosamente chamado por ela, sentia-se mal, vindo a enfartar em alguns minutos.

Extremamente vaidosa, tia Dalva deitou o defunto em sua cama e partiu para o banho. Vestiu seu longo preto de cetim, cobriu o pescoço com uma echarpe italiana, maquiou-se, penteou-se, abusou do perfume francês e rumou para o quintal de sua residência, onde um muro de altura mediana a separava dos vizinhos. E só então, do alto do seu scarpin preto, como uma personagem dos contos de Nelson Rodrigues, gritou: “Socorro! Meu marido morreu!”.

Manuela Berbert é jornalista, estudante de Direito e colunista da Contudo.

MEDO DO CASTIGO

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Quando Alcântara viu Nilton, falou sorrindo: “você é descarado, eu vi que quando falei do raio você desceu ligeiro da marquise”.

Marival Guedes | marivalguedes@yahoo.com.br

Na eleição para a Assembléia Legislativa em 1967 o prefeito José de Almeida Alcântara, maior liderança populista da história itabunense, apoiou um secretários municipal , o engenheiro Félix Mendonça.
No dia da realização de um comício no Berilo o jornal O Intransigente denunciou que o prefeito não estava repassando, para as casas filantrópicas, o dinheiro que recebia dos banqueiros do jogo do bicho.
No evento, o palanque foi substituído por uma marquise na esquina do Berilo. O funcionário do gabinete, Nilton Ferreira Ramos – Nilton Jega Preta – apresentava os comícios. Neste dia, à tarde, o tempo fechou literalmente com relâmpagos, trovões e ameaça de uma tempestade.
Alcântara pediu a Nilton Ramos para reduzir o número de oradores, no que foi atendido. Eram dois microfones, um com o apresentador e outro para os políticos.
Primeiro falou Félix e depois Alcântara, que iniciou o discurso comentando  a notícia do jornal: “meu povo do Berilo e da Mangabinha. Minhas velhinhas…”  Fez uma pausa e num tom de lamento,voz chorosa, falou: “vocês viram a calúnia que saiu hoje num jornal?”.
E jurou: “eu quero que um raio me parta se eu já fiquei com um centavo do dinheiro do famigerado jogo do bicho”.
Neste momento Nilton Jega Preta, supersticioso, entregou o microfone à Mário Cezar da Anunciação e rapidamente desceu da marquise. Após o comício, o grupo foi se encontrar num bar e restaurante, atual Galo Vermelho. Quando Alcântara viu Nilton, falou sorrindo: “você é descarado, eu vi que quando falei do raio você desceu ligeiro da marquise”. Nilton também sorriu e desconversou.
Marival Guedes é jornalista e escreve no Pimenta sempre às sextas-feiras.

O DIA EM QUE O PCB SABOTOU O COMÍCIO DOS INTEGRALISTAS

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O sogro de Dilermano, que não era comunista e nada sabia da sabotagem, ia passando na hora e foi agredido pelos “galinhas verdes”

Marival Guedes | marivalguedes@yahoo.com.br
Nas eleições de 1955 o líder integralista Plínio Salgado se candidatou a presidente da República pelo PRP (Partido da Representação Popular). Em Itabuna havia muitas lideranças deste grupo, fato que o estimulou a fazer um comício nesta cidade.
Mas o PCB (Partido Comunista Brasileiro) também estava fortalecido, tendo inclusive nos seus quadros pessoas de destaque no município. Uma das lideranças, Dilermano Pinto, que gerenciava a farmácia do sogro, resolveu sabotar o comício. Convocou os militantes menos famosos, moradores dos bairros, e pediu que se infiltrassem no grupo de direita para uma atividade clandestina. Fez suspense e depois contou o que deveria ser feito.
O evento foi no cine Itabuna. Quando Plínio Salgado começou a falar, um cheiro forte invadiu o local. As pessoas lacrimejavam e tossiam. Algumas chegaram a desmaiar e em poucos minutos o local foi esvaziado.
O farmacêutico havia distribuído ampolas contendo gás tóxico. Os militantes do partidão jogaram estas armas no chão do cinema e se retiraram. Pisadas, pelos próprios integralistas, as ampolas estouravam. O candidato também deixou imediatamente o local, indo fazer um comício improvisado na praça Adami, sem som nem palanque.
O sogro de Dilermano, que não era comunista e nada sabia da sabotagem, ia passando na hora e foi agredido pelos “galinhas verdes” – assim eram chamados os integralistas. Revoltado, foi à delegacia e prestou queixa.
Plinio Salgado ficou em quarto e último lugar com apenas 8% dos votos. Juscelino Kubitschek obteve 36%, derrotando também Juarez Távora e Adhemar de Barros. A oposição tentou impedir a posse alegando que Juscelino não conseguiu os 50% mais um voto. No entanto, a Constituição determinava que seria eleito o mais votado.
Marival Guedes é jornalista e escreve sempre às sextas-feiras.

"PARECIA UMA BONEQUINHA"

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O medo, como se sabe, costuma provocar cegueira e surdez. Ninguém está seguro em locais em que a presença da polícia é quase miragem.

Daniel Thame | www.danielthame.blogspot.com
Ana Clara Galdino, de quatro anos de idade, brincava com as amiguinhas na porta de sua casa, uma residência modesta no bairro Califórnia, periferia de Itabuna.
De repente, desapareceu sem deixar vestígios.
Como se fosse natural uma criança desaparecer enquanto brinca na porta de casa, mesmo diante de tantas coisas sobrenaturais que ocorrem numa periferia dominada pela violência, pelas drogas e pelo medo.
Ana Clara, que brincava com as coleguinhas quando foi raptada sem que ninguém desse conta, tornou-se um hiato.
Onde estaria Ana Clara? Perguntaram os familiares, os amigos, já que, aparentemente, ninguém viu nem ouviu nada.
O medo, como se sabe, costuma provocar cegueira e surdez. Ninguém está seguro em locais em que a presença da polícia é quase miragem.
Quatro dias depois, soube-se finalmente onde estava Ana Clara.
Ou o que havia restado da menina meiga, doce e brincalhona, na ingenuidade angelical de seus quatro aninhos de vida.
Ana Clara era apenas um corpinho abandonado num terreno baldio. Estava morta.
Ana Clara teve os cabelos raspados, o que pode indicar algum tipo de ritual macabro.
Ao lado do corpo de Ana Clara foram encontrados preservativos usados, o que pode sinalizar que ela foi vítima de violência sexual, antes ou depois de ser morta.
Com ou sem ritual macabro ou violência sexual, a morte da menina Ana Clara é dessas coisas que chocam pela brutalidade.
Porque o simples ato de matar já é injustificável.
Que monstruosidade é essa que tira a vida de uma criança?
Que insanidade é essa que transforma seres aparentemente humanos em monstros?
Que mundo é esse em que a vida não vale nada, em que crianças desaparecem enquanto brincam e reaparecem mortas num terreno baldio?
Ana Clara Galdino, 4 anos.
“Parecia uma bonequinha”, disse à polícia a mulher que encontrou o corpo.
Uma bonequinha.
À brutalidade, soma-se a ironia involuntária.
Ana Clara brincava justamente de boneca com suas amiguinhas quando foi tragada por monstros, não de fantasia, mas tragicamente reais.
Daniel Thame é jornalista, blogueiro e autor do livro Vassoura.

O MUNDO FANTÁSTICO DOS BANCÁRIOS

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Gustavo Atallah Haun | g_a_haun@hotmail.com

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É certo, e ninguém duvida disso, que todos os trabalhadores têm direito à greve, segundo a própria CLT. É mais do que correta toda forma de manifestação que extermine de vez a opressão, o autoritarismo, a falta de liberdade, o arrocho salarial, as péssimas condições de trabalho, etc.

O que nos deixa de orelhas em pé é saber que existem certas classes de trabalhadores que desfrutam de um status quo privilegiado dentro da engrenagem capitalista da batida mais valia e, mesmo assim, agridem a população inviabilizando seus trabalhos em paralisações enfadonhas e intermináveis. Os bancários fazem parte dessa ala exclusivíssima.

O que se pode dizer dessa classe? Se pudéssemos estratificar os empregos, certamente os bancários desfrutariam do topo da pirâmide, poderíamos até chamá-los de “burguesia” dos trabalhadores, pois desfrutam de tantas benesses que a grande massa proletária sonha dormindo e acordada!

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O MODISMO POLÍTICO DOS DIAS ATUAIS

Tempo de leitura: 2 minutos
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Gustavo Atallah Haun | g_a_haun@hotmail.com

Está em moda de uns anos para cá se formar grupelhos civis para debater assuntos que dizem “pertinentes” à sociedade. Isso é uma coisa nova, que nos leva a algumas elucubrações, tais como: é interessante a formação disso para que mesmo?

Assistindo ao fantástico filme Batismo de Sangue (2008), pode-se perceber como a sociedade foi conivente com o absurdo da ditadura militar. Assistiam jogos da seleção tricampeã, esperavam ansiosos o milésimo gol de Pelé, alienavam-se em novelas sob as barbas dos carrascos déspotas Médici, Fleury, Dops, Doi – Codi, etc.

A população em geral nada sabia ou fingia nada saber do que acontecia nos porões do golpe de 69 até 85. Tudo isso com a conivência da Rede Globo, dos grupos Folha e Estadão. Ninguém se rebelou, ninguém quis mudar nada, ninguém pegou em armas para combater o atraso, a tortura, enfim, por liberdade! Poucos alunos secundaristas e universitários, meros amadores, juntos com “terroristas” como Lamarca, Mariguela ou alguns ex-militares, fizeram algo digno de nota.

E, no entanto, vemos o quanto a hipocrisia está no auge nos dias atuais… Algumas cabeças vazias, pequeno-burguesas, chateados – tadinhos! – com um ex-sindicalista, nordestino, de partido historicamente de esquerda, vêm à lume debater, discutir, opinar sobre políticas públicas, sobre política partidária, sobre governabilidade, sobre assuntos que tratam como ridícula quimera partidarista!

Não olham para o próprio umbigo, não vêem – já que a maioria desses grupinhos bobos são coligados à eterna direita, olhem as biografias deles – o que já fizeram no Brasil, os absurdos que já cometeram, as oligarquias formadas que até hoje emperram uma revolução cultural em nosso povo. No fundo, o que querem são cargos de confiança, dinheiro do erário, lapidação pública, porque política para esses senhores são apenas conivências socais empregatícias.

Para que tais pentelhudos elitistas tenham alguma legitimidade frente ao que propõem, cadê os representantes do povo? Cadê os representantes dos bairros, das comunidades, dos movimentos sociais, dos sindicatos? Esses encontrinhos em churrascarias, bares e restaurantes são nada mais que uma garçoniere mental! Fraquíssima masturbação intelecto-conservadora de prosopopéias para acalentar bovinos!

Deveriam, isso sim, visitar favelas, subir morros, ver a quantas anda a política municipal, que nada faz pelos muitos bairros pobres que pululam em nossas cidades. Deveriam prestar serviço social de graça, ralar com a base da pirâmide societária, que é a mais carente e necessitada. Deveriam ir dar aula nas escolas públicas desse chão. Deveriam fazer o que fez o “imprestável” Lula, que elevou 20 milhões de pessoas de classe social no Brasil.

Queridos, vocês estão na contramão da história! É só olhar ao redor e ver o que faz Evo, Chávez, Corrêa. Mas sei o que vocês pensam e desejam: festinhas regadas a uísque, cocaína e putas, à la Berlusconi.

Gustavo Atallah Haun é professor

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