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4 de agosto de 2020 | 07:54 am

ITABUNA, 110 ANOS: ENCARAR DESAFIOS, SUPERAR CRISES E SE REINVENTAR ESTÁ NO DNA GRAPIÚNA

Itabuna completa 110 anos de emancipação com o DNA da superação || Foto José Nazal
Tempo de leitura: 5 minutos

Daniel Thame

Itabuna chega aos 110 anos de emancipação no momento em que o mundo vive uma das piores crises sanitárias de sua história, com impactos devastadores na economia. Por causa da pandemia da Covid-19, a cidade paralisou as atividades comerciais e empresariais não essenciais por mais de cem dias e só agora inicia um processo gradual de reabertura, seguindo rígidos protocolos de segurança determinados pela Organização Mundial de Saúde.

A crise afeta diversos segmentos de Itabuna, mas a capacidade de se reinventar, superar crises e dar a volta por cima, está no DNA do itabunense, desde os pioneiros que iniciaram a transformação da então Vila de Tabocas na Itabuna com ares de metrópole, até os tempos atuais, em que o espírito empreendedor prevalece em meio a dificuldades que estão aí para serem superadas.

Fernando diz acreditar na capacidade de superação do itabunense

Itabuna atravessou as crises cíclicas do cacau, encarou a pior das crises até então, com o apocalipse gerado pela vassoura-de-bruxa e as crises econômicas nacionais. Mas sempre se superou, como vai superar os impactos ainda não mensuráveis da Covid-19 no sul da Bahia.

É assim, por exemplo, que pensa o prefeito Fernando Gomes, em seu quinto mandato à frente do município. Mesmo com foco na saúde, para preservar vidas. “Ao assumir a Prefeitura de Itabuna decidi olhar para frente e não reclamar do passado. E assim fiz e tenho feito. Confio na força de trabalho dos itabunenses, acredito na capacidade de superação e tenho confiança no futuro, porque Itabuna é uma cidade que sempre superou obstáculos para se consolidar como um dos polos da Bahia e do Nordeste” afirma.

ESPÍRITO EMPREENDEDOR

Duas gerações de empreendedores, Helenilson e o filho Manoel Chaves Neto

Implantar em Itabuna o primeiro shopping do Sul da Bahia no ano 2000, em meio a uma crise devastadora provocada pela vassoura-de-bruxa, parecia algo impensável. Não para Helenilson Chaves, visionário e empreendedor nato, um apaixonado pela cidade, que fez nascer um shopping que se transformaria num marco da consolidação da Itabuna como o maior polo comercial, prestador de serviços, lazer/entretenimento, saúde e ensino superior da região.

Jequitibá é um dos símbolos do comércio sul-baiano

Aos 20 anos, o Shopping Jequitibá, hoje dirigido por Manoel Chaves Neto, passa por um processo permanente de ampliação, modernização e ampliação do mix de produtos/serviços. Mesmo com o shopping fechado por 120 dias por causa da pandemia, Neto mantém o otimismo. “Quando ocorreu o fechamento das operações do Jequitibá por força da pandemia, decidimos encarar a avassaladora consequência da Covid-19, com foco na adequação do shopping ao novo normal, buscando alternativas e soluções para o empreendimento como um todo”.

“Reabriremos o Jequitibá com seis novos projetos sendo implementados. Essas ações são um exemplo da educação e ensinamentos de meu pai e a nossa eterna crença na capacidade de Itabuna superar crises. Continuamos e estamos convictos do potencial mercadológico de Itabuna, do sul da Bahia e por contar disto, em breve vamos anunciar relevantes novidades” ressalta Manoel Chaves Neto.

Leahy: comércio unido na travessia

A FORÇA DO COMÉRCIO

Além do comércio, Itabuna também se consolidou como polo regional de serviços na área da saúde, com centenas de leitos hospitalares, de clínicas e consultórios médicos das mais diversas especialidades, e no setor educacional, com universidades públicas e centros universitários privados. Seu raio de influência atinge 120 municípios e uma população superior a um milhão de habitantes.

Carlos Leahy, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Itabuna fala do otimismo e esperança nos 110 anos do município. “Itabuna sempre foi um celeiro de grandes empresários, com um comércio de abrangência regional. Vamos atravessar juntos essa situação inesperada e unidos vamos dar a volta por cima, saindo mais fortalecidos, porque essa essas são marcas do itabunense, empreender, não desistir nunca e olhar para o futuro com otimismo”.

Margotto fala de aspirações e força do itabunense

Para Edimar Margotto Junior, advogado, empresário e agropecuarista, “a terra de Jorge Amado, de Firmino Rocha, de Candinha Doria, de Cyro de Mattos, de Zélia Lessa e de Valdirene Borges” tem tudo para surfar a onda do desenvolvimento sustentável. “Superamos a vassoura-de-bruxa e somos referência pujante em comércio e em tecnologia, a 8ª economia da Bahia, com mais de 5.000 empresas e um PIB anual superior a R$ 3 bilhões”, afirma.

Segundo Margotto, com um orçamento anual que supera os R$ 600 milhões, Itabuna pode viver dias melhores, com direito a educação de qualidade e em tempo integral, com saneamento básico e despoluição do Rio Cachoeira, com ambiente propício ao empreendedorismo, um plano de mobilidade urbana”. “Podemos vivenciar um novo momento, com uma cidade mais humana e mais justa, sobretudo para as pessoas mais necessitadas”, finaliza.

Rafael Andrade: superação e mutirão que é exemplo para o mundo

EXEMPLO DE SOLIDARIEDADE

Idealizador e coordenador do Mutirão do Diabetes de Itabuna, maior evento de prevenção e tratamento da doença no mundo, o médico oftalmologista Rafael Andrade, do Hospital Beira Rio, afirma que uma importante característica da cidade é se superar perante grandes adversidades, com o que ela tem de melhor, a sua gente. “Quantas crises passamos e quantos vezes nos levantamos, ainda mais fortes?”. “Enchentes, secas, crises da vassoura-de-bruxa, muitas crises econômicas, mesmo assim seguimos em frente com este povo de fé que não se entrega” diz.

“Minha história é a prova deste solo fértil grapiúna. Aqui nasceu, cresceu e se expandiu para todo o Brasil, o Mutirão do Diabetes, que se mistura com a história da minha vida, que começou em 2004 atendendo pouco menos de 200 pessoas, e durante 15 anos vem atendendo dezenas de milhares de pessoas.”

Julius Kaeser, ex-diretor da Nestlé em Itabuna, fala da avidez do grapiúna em aprender

HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO

Julius Kaeser, que foi diretor da Nestlé em Itabuna no período de 1985 a 1998, hoje radicado em Portugal, testemunhou a bonança provocada pela alta do cacau e também da crise gerada pela vassoura-de-bruxa. “Algo que sempre me chamou positivamente a atenção com relação a comunidade grapiúna foi a forma fraternal no tratamento com as pessoas, o espírito empreendedor. A formação profissional dos colaboradores que trabalhavam na empresa também foi surpreendente. A avidez de querer aprender cada vez mais e se superar era até comovente”, diz.

“Foi um enorme prazer poder ter tido a oportunidade de liderar um grupo de pessoas tão motivadas. Foi uma lição de vida para mim e tenho a certeza de que mais uma vez a cidade vai ser recuperar e sair ainda mais fortalecida”, ressalta.

TEATRO DE ITABUNA SERÁ INAUGURADO HOJE COM IVETE E ORQUESTRA SINFÔNICA DA BAHIA

Tempo de leitura: 3 minutos

Teatro Candinha Doria será inaugurado nesta sexta-feira

O Teatro Candinha Doria, em Itabuna, será inaugurado nesta sexta-feira (26) com apresentações de Ivete Sangalo e músicos e a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba), a partir das 19h30min. A inauguração será restrita a quase 600 convidados, que é a capacidade máxima do teatro. O equipamento cultural será inaugurado pelo governador Rui Costa e o prefeito de Itabuna, Fernando Gomes. Horas antes, às 12h30min, Rui e Fernando concedem entrevista e fazem visita guiada para a imprensa.

A obra ficou paralisada por 12 anos e foi retomada em 2018, após o Governo do Estado e a Prefeitura firmarem convênio para a conclusão. Além de cerca de R$ 10 milhões já empregados na fase estrutural, o Estado repassou mais de R$ 20 milhões, desde 2018 e a conclusão neste ano. Até o próximo domingo, shows de Simone e Simaria, Luiz Caldas e Chiclete com Banana e apresentações do Ballet do Teatro Castro Alves.

A inauguração do novo teatro marca os 109 anos de emancipação de Itabuna, comemorado em 28 de julho. Apto a receber espetáculos nacionais e internacionais, o teatro, em sua estrutura física, atende a todas as normas ambientais, de segurança e de acessibilidade, além de possuir uma moderna estrutura de iluminação, sonorização, mecânica, cênica e acústica, além de um amplo foyer, camarim, sanitários, salas de apoio e administração, segundo o governo baiano.

ATRAÇÕES DIAS 27 E 28

A programação promovida pela Governo do Estado terá neste sábado (27), a partir das 19h30min, a Osba, o Ballet do Teatro Castro Alves (BTCA) e o espetáculo A História do Soldado. No dia 28, data do aniversário da cidade, a área externa do teatro vai receber os shows de Luiz Caldas e da banda Chiclete com Banana.

PARALISAÇÃO, POLÊMICA E REDE GLOBO

Projeto ficou paralisado por mais de 10 anos

Após mais de dez anos de paralisações e polêmica, a obra é entregue. No período em que ficou paralisada, a obra ganhou destaque como um dos exemplos nacionais de desperdício de dinheiro público ao aparecer em matéria do Fantástico, da Rede Globo (relembre aqui).

Artistas e entidades se mobilizaram para a sua conclusão em um dos movimentos liderados pelos produtores culturais Ari Rodrigues e Eva Lima, da Associação Cultural Amigos do Teatro (Acate).

Ari, da Acate, em entrevista para a Globo

O clamor pela conclusão também levou o Ministério Público Estadual (MP-BA) a investigar o quanto já havia sido gasto até aquele momento. Apontou cerca de R$ 17 milhões, com base em documentos. A obra estava orçada em R$ 12,9 milhões. Será concluída por cerca de R$ 24 milhões. O Estado não informou, com precisão, o valor repassado desde 2018 até a conclusão do projeto.

O valor gasto divulgado pela promotoria em 2013 foi contestado pelo prefeito Fernando Gomes (reveja). Numa reunião com representantes da OAB e da Acate, o então ex-prefeito disse terem sido gastos R$ 3,7 milhões. “O dinheiro gasto foram R$ 800 mil da prefeitura e R$ 2 milhões e 900 mil do Estado. Digo isso por que a obra toda foi orçada, na época, em R$12 milhões e 900 mil. Se já gastaram R$ 17 milhões e não concluíram, então alguém pegou esse dinheiro”, afirmou Fernando em 2013.

O TEATRO CANDINHA DORIA SOB A LENTE DE PEDRO AUGUSTO

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Foto Pedro Augusto

Fachada do Teatro Municipal de Itabuna em imagem captada pelo fotógrafo Pedro Augusto Benevides. A obra será inaugurada no dia 26 de julho e terá concerto da Orquestra Sinfônica da Bahia e apresentação do Balé do Teatro Castro Alves. Tocada pelo município, a obra é concluída com recursos do Governo do Estado, que liberou R$ 24 milhões para a sua conclusão. O teatro levará o nome de um dos ícones da cultura itabunense, Candinha Doria.

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