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17 de janeiro de 2021 | 09:46 pm

VIDA NA ROÇA, VIDA NO CÉU

Tempo de leitura: 2 minutos

Odilon, eu fiquei na roça. De teimoso, porque aqui é meu chão. Virei meeiro, trabalho muito e divido os ganhos com o dono da fazenda. Pra você eu posso contar; dois filhos meus foram pra Itabuna. Um trabalha no comércio,  casou, leva uma vida simples, mas é uma pessoa de bem.

Daniel Thame (para Odilon Pinto)

“Querido Odilon,   essa carta chega até você molhada pelas lágrimas de saudade, mas também de gratidão.

Ah, Odilon. Você nem imagina quantas e quantas vezes nós sentava em torno do rádio, tomando o café,  pra ouvir seu programa e

principalmente o quadro Vida na Roça.

Eram histórias de amor, de tristeza, da vida dura no campo, mas também de momentos felizes que só você sabia contar. Porque você era um de nós, Odilon.

Nós só ia pras roças de cacau depois que seu programa terminava  e já ficava esperando o dia seguinte.

A vida na roça nunca foi fácil para o trabalhador,  mas nós vivia com dignidade, fome ninguém passava. E tinha as festas, de Reis, de São João, de Natal, o povo todo das fazendas se reunia e era uma alegria de dar gosto…

Uma vez no Natal eu levei um leitãozinho pra você lá na Rádio Jornal, você me recebeu na maior simplicidade e ainda me agradeceu na rádio.

E todo mundo ouviu, Odilon, porque não tinha fazenda nesse mundão de Deus que não tivesse um rádio só pra ouvir você.

Ah Odilon, que saudade desse tempo.

Depois veio essa desgraçada da vassoura de bruxa e tudo mudou pra pior. O cacau praticamente acabou, nós ficou perdido porque pra nós o cacau nunca iria acabar.

Odilon, muitos companheiros perderam o emprego, famílias inteiras ficaram sem rumo. Teve até Tonho, pai de cinco filhos, trabalhador retado, que mergulhou na cachaça e um dia se atirou no Rio Pardo, pra nunca mais voltar.

Teve Zeca, que pegou a família e foi pra São Paulo com quase nenhum dinheiro e não mandou mais notícias. Teve Maria, que foi abandonada pelo marido, se trancou em casa com os três filhos pequenos e passou a viver do pouco que nós conseguia levar.

Tanta gente que partiu, Odilon.

Odilon, eu fiquei na roça. De teimoso, porque aqui é meu chão. Virei meeiro, trabalho muito e divido os ganhos com o dono da fazenda. Pra você eu posso contar; dois filhos meus foram pra Itabuna. Um trabalha no comércio,  casou, leva uma vida simples, mas é uma pessoa de bem.

O outro, Odilon, se meteu com uma tal de droga, já foi preso, vive  em confusão e só de falar dá um aperto no coração. Minha véia é só que chora e ora o tempo todo pra Deus tirar ele desse caminho.

Odilon, acho que tô me alongando demais.

Quero encerrar essa carta dizendo uma coisa do coração.

Você nos deixou, a vida na roça tá em silêncio, mas nós tem certeza de que a partir de agora os anjos, santos e até Deus vão parar todas as manhãs pra ouvir  você contando causos da  Vida no Céu.

Daniel Thame é jornalista.

PROJETO CULTURA E ARTE DO COLÉGIO JORGE AMADO REÚNE AUTORES DO SUL DA BAHIA

Tempo de leitura: < 1 minuto

O Colégio Jorge Amado, em Itabuna, realiza, de hoje até a próxima sexta (16), o projeto Cultura e Arte, que busca estimular o livre pensar e enraizar a cultura sul-baiana por meio do diálogo com os escritores.

Devido à pandemia do coronavirus, que obriga a um distanciamento social, os bate papos serão transmitidos no perfil do colégio no instagram (@colegiojorgeamadoitabuna).

A mediação será feita por professores do colégio e os convidados, além de discutirem sobre a Literatura Regional, também apresentarão suas obras autorais.

PROGRAMAÇÃO

Dia 14 – Escritores convidados Ruy Póvoas, às 19 horas, Jailton Alves, às 20 horas, com mediação da professora Miralva Moitinho

Dia 15 – Escritores convidados Daniel Thame, às 19 horas, Walmir do Carmo, às 20 horas, com mediação da professora Vânia de Jesus.

Dia 16 – Escritores convidados Iolanda Costa, às 19 horas, e Reinan Braga, às 20 horas, com mediação da professora Fernanda Brasil.

O GOGÓ DE OURO E A COLETIVA DO GOVERNADOR

Tempo de leitura: 3 minutos

Pois Saldanha não se fez de rogado e abriu a coletiva com sua pergunta saudação por cerca de três minutos. De bom humor, após os elogios fáceis e adjetivos escolhidos a dedo, o governador Jaques Wagner respondeu à pergunta e em seguida acenou para Isaac encerrar a coletiva.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

As entrevistas coletivas concedidas por autoridades e políticos eram consideradas algo relevante, um encontro onde seriam revelados planos, projetos, programas, notícias dignas de bomba. De uma só vez o digníssimo venderia seu peixe e se colocava à disposição dos comunicadores para as devidas explicações de praxe, tirando todas as dúvidas e mal entendidos que por ventura ainda existissem.

Nem sempre as coletivas saem conforme o planejado, com perguntas consideradas inconvenientes ou fora do contexto, causando um mal-estar ao entrevistado e sua trupe – assessores e comunicadores amigos. Presenciei coletivas que acabaram em gargalhadas e outras de final lastimável, após a providencial, necessária e conveniente intervenção da turma do deixa disso.

Nessas ocasiões, o objeto da coletiva cai por terra e a notícia é salva por um sucinto release enviado pela assessoria de comunicação aos veículos de comunicação, prejudicando a informação. E no meio do tiroteio virtual fica a sociedade que não conhecerá dos detalhes da notícia, com a visão diferenciada dos diversos comunicadores presentes.

Mas existem, ainda, as coletivas que contam com a participação de penetras – a favor e do contra o político presente –, que querem mostrar serviço, puxar o saco, dizer que está presente para defendê-lo, quem sabe, até a morte. Exageros à parte, cortam a pergunta do comunicador, ajudam na resposta do entrevistado, fazem discurso tecendo loas, conseguem desagradar mineiros e baianos.

O radialista Elival Saldanha, conhecido como o “Gogó de Ouro” de Ilhéus, se notabilizou pela sua voz, é claro, mas sempre enriquece o seu currículo com outras nuances. Promotor de eventos artísticos no passado, em tempos mais recentes assumiu a realização de festas etílico-gastronômicas em Ilhéus, a exemplo da Feijoada e da Peixada do Jornal Foco Bahia, além do camarote Dubai é Aqui, no Carnaval ilheense.

Mas isso não era tudo para o velho Saldanha, que adorava participar de uma entrevista coletiva. E mais, era sempre o primeiro a perguntar, ou melhor, fazer uma pergunta através de um lauto elogio, a pleno pulmões com a voz que Deus lhe deu. E não abria mão dessa primazia, que proporcionava uma “boa” dor de cabeça nos assessores da autoridade a ser entrevistada.

E não adiantava a lista dos comunicadores inscritos pela ordem na mão do coordenador da coletiva, já que não possuía os pulmões e cordas vocais com força suficiente para abafar a sonora voz do Gogó de Ouro. E como todos já o conheciam e eram amigos, permitiam a primazia da pergunta inaugural, seja quem fosse o entrevistado, não conseguia escapar do questionamento de Saldanha.

E assim aconteceu durante a coletiva concedida pelo governador Jaques Wagner numa abertura do Festival do Chocolate, no Centro de Convenções de Ilhéus. Como estavam presentes 15 profissionais de imprensa, a luta era traçar uma estratégia para dissuadir Saldanha de fazer a primeira pergunta, o que não funcionou, para o desespero dos jornalistas Daniel Thame, Maurício Maron e Isaac Jorge, coordenadores do evento.

Pois Saldanha não se fez de rogado e abriu a coletiva com sua pergunta saudação por cerca de três minutos. De bom humor, após os elogios fáceis e adjetivos escolhidos a dedo, o governador Jaques Wagner respondeu à pergunta e em seguida acenou para Isaac encerrar a coletiva, com apenas oito minutos de duração, para desespero de quem não tinha conseguido fazer uma só pergunta.

E quem disse que Saldanha se sentiu ofendido com o fim da coletiva? Pelo contrário, o Gogó de Ouro se jactava que teria sido o único comunicador a ter a deferência do governador do Estado, e ainda aproveitou a oportunidade para convidar Jaques Wagner a participar do camarote Dubai é Aqui, do Sheik Saldanha. Os jornalistas preteridos não se deram ao trabalho de repreender Saldanha pelo costumeiro comportamento.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

ALAMBIQUE LANÇA COMENDA DEDÉ DO AMENDOIM

Tempo de leitura: 2 minutos

Dedé do Amendoim ou Tesão era presença e garantia de riso em bares itabunenses

A Academia de Letras, Artes, Musica, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopias, Etc., a Alambique, lança nesta quinta-feira (6), durante a Lavagem do Beco do Fuxico, a Comenda Dedé do Amendoim. A comenda é uma homenagem a um dos personagens mais marcantes da boemia de Itabuna, Dorival Hygino da Silva, simplesmente “Dedé do Amendoim”, também conhecido como “Tesão”.

Durante vários anos, Dedé comercializou amendoins e ovos de codorna nos bares do centro e bairros como Fátima, Santo Antônio e São Caetano, a bordo de sua inseparável bicicleta. Dedé do Amendoim ´pendurou os pedais` há cerca de quatro anos e atualmente encontra-se recluso em sua residência no bairro de Fátima, em função de problemas de saúde.

O jornalista e escritor Daniel Thame, presidente da Alambique, destaca que “pessoas como Dedé do Amendoim, Caboco Alencar e Zequinha do Katikero, símbolos de uma cidade com tradição em bares e botecos legendários, precisam ser reconhecidos e homenageados em vida”.

O próprio Caboco Alencar, que essa semana completou 89 anos, do imortal ABC da Noite, no Beco do Fuxico, será o primeiro contemplado com a Comenda Dedé do Amendoim, que em tempos pré-Viagra também era demasiadamente solicitado pelos que acreditavam nos poderes, digamos, afrodisíacos do produto que lhe deu fama. A confecção da Comenda é um gentil oferecimento da Free Hand.

Comenda será entregue a personalidades itabunenses

ISTO É DEDÉ DO AMENDOIM

No final dos anos 90, Dedé vendia seus amendoins e seus ovos de codorna no Katiquero, vestindo com orgulho uma camisa do PT, quando um desses babacas que infelizmente poluem os bares perpetrou:

-Tira a essa camisa horrível que eu compro tudo…

Ao que Dedé respondeu na lata:

-Pois pra gente como você eu prefiro não vender nada…

E seguiu em frente, com sua bicicleta e sua dignidade.

UMA VITRINE PARA O CACAU E O CHOCOLATE “MADE IN SUL DA BAHIA”

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Site traz notícias exclusivas sobre o segmento do cacau e chocolate

Daniel Thame, editor do Cacau&Chocolate

O site Cacau e Chocolate é das maiores novidades editoriais do sul da Bahia nos últimos anos. Lançado em 2019, tornou-se uma vitrine com notícias exclusivas do segmento.

Nesta entrevista ao PIMENTA, o editor Daniel Thame fala do estalo que gerou o novo xodó em uma história de mais de 40 anos de jornalismo e da qualidade do cacau e do chocolate sul-baiano. E, claro, do mercado a ser explorado por cerca de 70 marcas regionais de chocolate e derivados.

“A receptividade ao site tem sido surpreendente, tanto na questão dos acessos como na interface com a cadeia produtiva de cacau, especialmente cooperativas de agricultores familiares, que geralmente têm pouco acesso à mídia”, afirma.

Acompanhe.

Blog Pimenta – Como surge a ideia de um site específico para falar de cacau e chocolate sul-baiano?

Daniel Thame – A ideia de criar um site especifico para falar do cacau e do chocolate do sul da Bahia vinha sendo amadurecida desde o 10º Chocolat Bahia, em Ilhéus, quando as marcas de chocolate de origem deram um salto de qualidade e quantidade. Em 2019, na primeira versão do Chocolat São Paulo, quando vi centenas de paulistas comparando os chocolates do sul da Bahia a produtos importados, decidi que era hora de colocar o site no ar.

Durante dois meses, trabalhei conteúdos regionais, sempre focando essa nossa condição única de produzir cacau e chocolate, indo da árvore ao produto (tree to bar), além do apelo da conservação da Mata Atlântica e da figura mítica de Jorge Amado, que projetou o cacau sul baiano para o mundo.

Pimenta – Quando a ideia se concretiza?

Daniel Thame – O lançamento, ainda em caráter experimental, ocorreu no Chocolat Bahia 2019, em Ilhéus, quando pude apresentar o site aos empreendedores e disponibilizar um novo canal de divulgação.

O site vem veiculando conteúdos que valorizam justamente esse novo momento, divulgando as marcas de chocolate de origem e outros produtos derivados de cacau, como cerveja e até cosméticos. Tem sido uma descoberta permanente de novas marcas e produtos diferenciados e de jovens empreendedores que estão construindo uma nova história na região.

Pimenta – E a receptividade, como tem sido?

Daniel Thame – Pensando a médio prazo, estipulei o prazo de um ano para viabilizar e consolidar o site, mas a receptividade tem sido surpreendente, tanto na questão dos acessos como na interface com a cadeia produtiva de cacau, especialmente cooperativas de agricultores familiares, que geralmente têm pouco acesso à mídia. Até por afinidade, temos buscado valorizar esses empreendimentos, já que a produção de chocolate tem potencial de geração de emprego e renda para centenas de famílias de agricultores que cultivavam apenas cacau e agora produzem ótimos chocolates, como Bahia Cacau, Natucoa, Terra Vista e outros.

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A recepção tem sido surpreendente. Temos buscado valorizar esses empreendimentos. A produção de chocolate tem potencial de geração de emprego e renda para centenas de famílias de agricultores que cultivavam apenas cacau e agora produzem ótimos chocolates, como Bahia Cacau, Natucoa, Terra Vista e outros.

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Pimenta – O interesse pelos temas cacau e chocolate é do mercado e de produtores ou o consumidor tem se interessado mais pelo tema e está mais curioso em saber o que se produz aqui?

No sul da Bahia, esse interesse se deve principalmente a Marco Lessa, que, há 11 anos, criou o Festival do Chocolate de Ilhéus, hoje Chocolat Bahia, quando havia apenas uma marca de chocolate relativamente conhecida, o Chocolate Caseiro de Ilhéus, o que na época parecia uma loucura. O festival, hoje o maior do gênero no Brasil, deu visibilidade ao chocolate de origem do sul da Bahia. Hoje são cerca de 70 marcas, feitas com amêndoas de qualidade e com embalagens atraentes, algumas delas já comercializadas no Brasil e no Exterior. Temos hoje chocolates produzidos com certificado de origem da Indicação Geográfica Sul da Bahia (IG Cacau), um grande referencial com reconhecimento internacional.

Pimenta – O que a cobertura deste segmento revela?

Daniel Thame – O Chocolat São Paulo, no maior mercado consumidor do país, mostrou que há um enorme potencial para o chocolate do sul da Bahia e essa é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada, já que o aumento do consumo de chocolates de origem é uma tendência mundial. E o site pretende justamente contribuir nesse processo, já que a divulgação é fundamental para que a produção possa ser comercializada não apenas em nível regional, mas no Brasil e no Exterior.

Clique e confira mais do Cacau e Chocolate.

TV CABRÁLIA, UMA HISTÓRIA DE 30 ANOS

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Maron, Ramiro, Nestor, Rui e Daniel idealizaram comemoração

Maurício, Ramiro, Nestor, Rui e Daniel idealizaram comemoração

No dia 12 de dezembro, a primeira emissora de televisão do interior nordestino, a TV Cabrália, completa 30 anos de inaugurada. Ubaldo Porto Dantas era o Prefeito de Itabuna, Waldir Pires era o Governador da Bahia e na presidência da República estava José Sarney.

O então Senador Luiz Viana Filho deu nome ao complexo televisivo, uma iniciativa do filho Luiz Viana Neto, associado a Enrique Marques Barros e outros companheiros que já comandavam a TV Aratu, em Salvador. A obra foi edificada em menos de seis meses, atuou inicialmente como afiliada da Rede Manchete, sendo mais tarde vinculada ao SBT, Rede Família e Record News e, como sendo autorizada a atuar como emissora geradora por pouco tempo atuou como emissora independente.

Hoje fazendo parte da Rede Record, a primeira televisão do interior nordestino é parte integrante da história recente das comunicações nas regiões sul, sudoeste e extremo-sul da Bahia, num ano rico para a imprensa regional, onde nasceram também o Jornal A Região, em abril e a Rádio Morena FM, em dezembro.

A SAGA DOS PIONEIROS

Equipe reúne 30 anos de história da emissora

Equipe reúne 30 anos de história da emissora

Nos seus primeiros seis anos sob o controle da família Viana, tendo como diretor geral o jornalista Nestor Amazonas, a emissora é ainda hoje considerada um marco nessa história, revolucionando as comunicações no sul da Bahia com a iniciativa da criação de novas agências publicitárias e a fomentação de novos profissionais, que mais tarde viriam a sair também dos cursos acadêmicos que surgiram.

Em dezembro de 2016 almoçaram no Bataclan, em Ilhéus, o primeiro Superintendente, Nestor Amazonas, o primeiro Chefe de Jornalismo, Daniel Thame, o primeiro Repórter, Maurício Maron, o primeiro Apresentador, Ramiro Aquino e o primeiro Diretor Comercial, Rui Carvalho. Desse encontro de pioneiros saiu a decisão de comemorar os 30 anos da emissora, reunindo em novembro, para não conflitar com os festejos oficiais da emissora, todos aqueles que quisessem o reencontro.

Já está próxima a data escolhida, 18 de novembro, um sábado, na Associação dos Funcionários da Ceplac, a partir das 9h, o que os organizadores estão chamando de Grande Encontro. Os contatos, por meio das redes sociais, emails e telefones, confirmaram mais de 100 presenças, que com os familiares, alcançam 130 pessoas.

Emissora completa 30 anos em dezembro

Emissora completa 30 anos em dezembro

BRASIL E EXTERIOR

Vem gente de várias regiões do Brasil e até de outros países. Tem profissionais morando na Alemanha, na Itália, nos Estados Unidos, em Portugal e outros na Bahia, Brasília, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio e São Paulo. A maioria permanece em Itabuna, Ilhéus.

Para a programação, além da feijoada com entrada de acarajé, está prevista música com os artistas da casa, interpretação de textos históricos, exposição de fotos de época e de artigos jornalísticos.

GABO/BERRÍO/MACONDO/MARACANÃ

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dt-chargeDaniel Thame | Blog do Thame

Na antológica abertura de Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marquez, Aureliano Buendia, diante do pelotão de fuzilamento, lembra o fascinante e distante dia em que o pai lhe apresentou o gelo, maravilha da humanidade naquele rincão perdido nos confins da Colômbia.

A narrativa é antológica, sinalizando o que o mundo conheceria e admiraria como o realismo fantástico de Gabo.

Na já antológica noite de 23 de agosto de 2017, um colombiano menos famoso chamado Orlando Berrío nos reapresentou a algo que estava perdido nos desvãos da memória de um futebol que era jogo, mas também era poesia: a magia do improviso, do drible desconcertante que destrói um esquema mecânico, monótono e previsível.

Flamengo e Botafogo faziam um daqueles jogos modorrentos, típicos do futebol atual, em que o importante é se defender e se der, ou quando der, atacar. Meio de campo congestionado, goleiros sem serem incomodados e o indefectível cheiro de 0x0.

E eis que no ex-Templo do Futebol, hoje mais um exemplo do tributo ao deus corrupção, o Maracanã foi apresentado ao gelo.

Como se Garrincha, numa dessas molecagens do destino, resolvesse reencarnar por um átimo de segundo no estádio onde foi rei e menino travesso, e trazer um pouco de luz naquela escuridão de futebol.

O drible de Berrío!

O drible de Berrío!

E, noutra trapaça do destino, reencarnar no time errado, botafoguense que foi, e ainda por cima num colombiano com pinta de milongueiro e estampa de dançarino de tango. Ou de cumbia. Ou seria de samba? Orlando Berrío.

Berrío estava pronto para ser substituído e recebeu uma bola na lateral. Lance comum.

Ninguém no Maracanã esperava nada da jogada e o próprio Berrío poderia ter se livrado na bola e saído de um jogo do qual ninguém se lembraria daqui a uma semana.

Mas Berrío (Garrincha?) produziu o lance a ser lembrado daqui a Cem Anos (de Solidão). Um drible tão desconcertante quando indescritível, que resultou no passe perfeito para o gol da vitória.

Filho, eis o Gelo!

Maravilhem-se todos, pois esse é um daqueles raros momentos que vão para a eternidade.

O divino, o imponderável, o fantástico, o genial, a irreverência gerados num pedacinho de gramado transformando em latifúndio.

Meninos eu vi, dirão daqui pra frente os que estiveram no Maracanã. E os que não estiveram, testemunhas multiplicadas aos milhões. Macondo é o universo.

Aproveitemos o gelo.

Congela, eterniza a imagem.

O resto, o gol, a vitória, a classificação do flamengo para a decisão da Copa do Brasil contra o Cruzeiro são meros detalhes.

Eterno é Berrío, numa obra de arte que Gabo assinaria.

Maracanã, Macondo.

Na magia de um drible esse mundo de merda ainda pode ser uma alegre Bola de Futebol.

OBRAS DO JORNALISTA DANIEL THAME SÃO EXPOSTAS EM SALÕES DE BERLIM E LISBOA

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Obras de Thame são expostas em salões internacionais.

Obras de Thame são expostas em salões internacionais.

Os livros Vassoura e Jorge100anosAmado-Tributo a um Eterno Menino Grapiúna, do jornalista e escritor sul-baiano Daniel Thame, estão sendo expostos nos salões Internacionais do Livro em Berlim (Alemanha) e Lisboa (Portugal).

A exposição dos livros ocorre no estande da ZL Editora, do Rio de Janeiro, com a coordenação da escritora e produtora cultural Jô Ramos, ao lado de outros autores brasileiros.

Vassoura, que acaba de ganhar uma edição revista e ampliada, bebe na fonte bíblica em uma  contos sobre os impactos da vassoura de bruxa, doença que devastou a lavoura cacaueira, na vida da população sul-baiana.

Jorge100anosAmado… traz uma série de contos que fazem uma releitura contextualizada dos principais romances do escritor grapiúna que fascinou o mundo, como Gabriela Cravo e Canela, Terras do Sem Fim, Capitães da Areia, Mar Morto, Cavaleiro da Esperança, Tocaia Grande, Tieta do Agreste.

ROMPEM-SE AS CORDAS. E O CARNAVAL DA BAHIA ABRE AS ASAS PARA A LIBERDADE

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DT blog 3Daniel Thame | danielthame@gmail.com

 

Coube a Rui Costa,  um governador nascido e criado numa família humilde do bairro da Liberdade (mais que uma ironia, o nome embute um simbolismo), iniciar um processo de liberação das amarras.

 

Durante duas décadas, o Carnaval de Salvador transformou-se numa espécie de Casa Grande & Senzala.

Protegidos pelas cordas, a elite branca de Salvador e milhares de turistas do Brasil e do Exterior, igualmente brancos em sua esmagadora maioria, desfrutavam das grandes atrações do Carnaval, em blocos cujos abadás caríssimos transformaram-se em grife e símbolo de status.

Do lado de fora das cordas, espremido entre as  calçadas e os camarotes, o povo, negros e multados da mais miscigenada e também mais negra das cidades brasileiras. Os chamados  pipocas, sorvendo migalhas do banquete oferecido aos bem nascidos.

Como os blocos se tornaram um espaço exclusivo, produzia-se um clima de alegria, mas uma alegria artificial.

Um “Muro de Berlim”  tropical, contraste constrangedor na festa que de popular só tinha o nome. Porque havia a corda.

Juntos, sim. Mas misturados, aí já era demais!

Não é mais.

Coube a Rui Costa,  um governador nascido e criado numa família humilde do bairro da Liberdade (mais que uma ironia, o nome embute um simbolismo), iniciar um processo de liberação das amarras.

Romper a corda.

Entre as já memoráveis imagens do Carnaval de Salvador em 2016,  nenhuma é mais forte, pelo que representa, do que a de grandes artistas como Ivete Sangalo, Bell Marques e Banda Eva, Léo Santana, Baby do Brasil, Moraes Moreira, Vingadora, Luiz Caldas, Sarajane, Gerônimo, Saulo cantando para uma multidão sem cordas, unida na alegria autêntica, que é marca do povo baiano, negros e brancos, pobres e ricos.

Ao romper as cordas e democratizar a folia, Rui Costa quebra um paradigma e abre caminho para fazer do Carnaval da Bahia efetivamente a maior festa popular do planeta.

Popular porque, enfim, o povo é protagonista e não um mero espectador excluído da folia.

Axé!

Daniel Thame é jornalista e editor do Blog do Thame.

DANIEL THAME PARTICIPA DO LANÇAMENTO DA FLICA, NA CAIXA CULTURAL

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Daniel participa de mesa na Pré-Flica.

Daniel participa de mesa na Pré-Flica.

O jornalista e escritor sul-baiano Daniel Thame será um dos participantes do lançamento da Festa Literária de Cachoeira. A Pré-Flica ocorre nesta sexta e no sábado (18 e 19), na Caixa Cultural Salvador.

O lançamento oficial será às 18 horas de hoje (18), com mesa temática conduzida por Cristiano Ramos com os autores Cristóvão Tezza e Ronaldo Correia de Brito.

O evento conta com mesas literárias com autores renomados, música e programação especial para crianças e coleta de publicações para doação à biblioteca comunitária Sociedade Unificadora de Professores (SUP).

 

Amanhã (19), a partir das 9h, prossegue com novas mesas literárias compostas por escritores como Sônia Rodrigues, Victor Mascarenhas, Fabrício Carpinejar, Miriam de Sales, Ana Maria Gonçalves, Daniel Thame e Laurentino Gomes.

As discussões do dia 19 serão mediadas por autores e especialistas em literatura, como o pernambucano Cristiano Ramos, o curador geral do evento, Aurélio Schommer, o autor baiano revelação, Fernando Vita, além do ator Jackson Costa e do intelectual baiano Zulu Araújo.

OBRA DE THAME

Daniel Thame, que participará da mesa com o tema  Muitas andanças, um só rumo, com Ana Maria Gonçalves e mediação de Zulu Araujo,  é autor dos livros Vassoura, um relato sobre a tragédia gerada pela vassoura-de-bruxa no Sul da Bahia e Jorge100anosAmado, Tributo a um Eterno Menino Grapiúna, obras focadas em personagens dramáticos e muito realistas. Ele publicou A Mulher do LobisomemManual de Baixo Ajuda-como transformar sua autoestima em anã.

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