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5 de junho de 2020 | 04:16 pm

NÃO ACEITAR FIM DA RELAÇÃO É CAUSA DE 33% DAS AGRESSÕES A MULHERES, APONTA ESTUDO

Em um terço dos casos, origem das agressões estava em não aceitar fim de relação || Foto Marcos Santos/USP
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A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro analisou 107 processos em tramitação nos tribunais do júri fluminense, que julgam casos de atentado contra a vida. Mulheres entre 21 e 40 anos, atacadas em casa, à noite ou de madrugada, a faca ou a tiros, pelo companheiro ou ex-companheiro, é o perfil mais comum das vítimas de tentativa de feminicídio. A pesquisa traçou um panorama dos assassinatos de mulheres no estado. O levantamento foi divulgado hoje (6) para marcar o Dia Internacional da Mulher, que será comemorado no domingo (8).

Segundo a pesquisa, uma em cada três agressões é atribuída, pelo autor do crime, à dificuldade em aceitar o fim do relacionamento. Outros motivos foram discussão por razões diversas, vingança, ciúme, estupro e recusa da vítima em manter relação sexual.

A maior parte dos crimes ocorreu entre pessoas que namoravam, estavam casadas ou vivendo em união estável (40%) ou tinham uma relação anterior (42%), sendo que 62% dos relacionamentos eram de até cinco anos. Quase todas as mulheres foram submetidas a episódios anteriores, registrados ou não em delegacia, de violência doméstica. Segundo o estudo, muitas não denunciaram os agressores por medo ou porque foram coagidas por eles.

A maioria dos crimes ocorreu de noite (39%) ou de madrugada (34%). Juntos, observa-se que 73% dos crimes foram praticados no período de descanso. Além disso, em 72% dos casos, a agressão ocorreu na residência da vítima. Os autores utilizam, em 44% dos casos, uma faca para cometer o crime, seguida da arma de fogo (17%).

VIOLÊNCIA ANTERIOR

O trabalho consistiu na leitura e análise documental de processos sobre o assunto. Dos 107 processos estudados, ajuizados entre 1997 e 2019, 40 foram julgados, dos quais 31 terminaram em condenação. No total, 69 contêm relatos de violência doméstica anterior, apenas 23 dos quais anotados na folha de antecedentes criminais do autor.

“O que chama a atenção é que vários processos têm relatos de violência doméstica anterior, mas em muito poucos foi acionada a polícia ou houve o registro de ocorrência dessas violências anteriores. A gente tem que procurar entender por que tantas mulheres ainda vivenciam o ciclo da violência, mas não se socorrem das medidas protetivas de todo o sistema que a Lei Maria da Penha oferece para prevenir um fato mais grave”, disse a coordenadora de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria, Flavia Nascimento.

INTIMAÇÃO

De acordo com a defensora pública, é preciso investir mais na qualificação e sensibilização dos profissionais que atuam na rede de proteção à mulher nos sistemas de justiça e de segurança pública para as questões de gênero.

Segundo Flavia, a dificuldade em intimar o réu é um dos motivos para o atraso nos julgamentos, mas a maior demora para a conclusão dos casos ocorre ainda na fase de inquérito policial. “Isso contribui para que a mulher desacredite no sistema de justiça como uma das alternativas para a solução do seu problema de violência doméstica”, acredita.

Para a diretora de Estudos e Pesquisas de Acesso à Justiça, Carolina Haber, coordenadora da pesquisa, o ciclo de violência atinge principalmente mulheres muito vulneráveis, vivendo em áreas carentes, com forte relação de dependência econômica com o agressor.

“O que o poder público tem que fazer é dar condições para que a mulher se sinta acolhida num primeiro momento. Se ela não chega a fazer registro na delegacia é porque, de fato, ela não vê o Estado como passível de prover uma política pública que dê acolhimento”.

PROJETO VIDA SAUDÁVEL PRESTA HOMENAGEM ÀS MULHERES EM AULÃO NA BEIRA-RIO

Projeto Vida Saudável terá homenagens em aulão na Beira-Rio
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Que tal perder calorias se divertindo e ainda homenagear as mulheres? Essa é a proposta do Aulão de Ginástica, promovido pelo Projeto Vida Saudável, no próximo sábado (7), véspera do Dia Internacional da Mulher). O evento começa às 6h30min, na Praça Rio Cachoeira (Beira-Rio), em Itabuna.

O Projeto Vida Saudável é uma ação colaborativa do Instituto Sorria, juntamente com o Sindicato dos Comerciários de Itabuna e da comunidade, principalmente dos bairros próximos ao Recanto dos Comerciários, onde as aulas são ministradas.

As pessoas interessadas em participar do Projeto Vida Saudável podem fazer suas inscrições no Recanto dos Comerciários (Rua Aurora, 270, Bairro Conceição).

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA EM ILHÉUS ABRE PROGRAMAÇÃO ESPECIAL PARA AS MULHERES

Exposição em celebração ao Dia Internacional da Mulher
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A Defensoria Pública do Estado da Bahia em Ilhéus iniciou, nesta terça-feira (3), uma série de atividades com objetivo de difundir e fortalecer a educação em direitos das mulheres. A programação para celebrar o março mulher teve início hoje à tarde, na sede do órgão, com a exposição de fotos e textos “Lugar de mulher é onde ela quiser”.

Desenvolvido pelas professoras Viviane Briccia e Romari Martinez, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), o projeto entrevistou diferentes moradoras de Ilhéus, Itabuna e outros municípios do sul da Bahia. A professora registrou vários depoimentos sobre como a condição de mulher influenciou a performance profissional e a vida. Uma roda de conversas com as autoras será realizada na abertura da exposição que seguirá na sede até sexta-feira (6).

No mesmo 6 de março, a Defensoria Pública em Ilhéus participará de uma roda de conversa com estudantes de ensino médio de um colégio particular no município. Serão abordados temas relacionados à situação de mulheres em vulnerabilidade que enfrentam casos de violência doméstica e institucional. Além disso, embora sem data e local ainda definidos, já está programado uma roda de conversa sobre temas correspondentes no município de Itacaré.

MULHER!

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Jaciara Santos PrimoreJaciara Santos | jaciarasantos@primoreconsultoria.com.br

 

Imediatamente as lágrimas vieram aos meus olhos e fiquei ali observando uma amiga dar força à outra e, instantaneamente, aquelas duas amigas se abraçaram e compartilharam tamanha cumplicidade que me fez indagar uma vez mais: “De onde vem tanta força?”.

 

Ao longo dos anos, a mulher conseguiu novos direitos. Refiro-me mais especificamente às conquistas pelos direitos trabalhistas e pelas leis de proteção à mulher, que ganha notoriedade a cada dia.

Porém, falo hoje do espaço que nós mulheres estamos ganhando no mercado de trabalho, nas faculdades, no caminho em busca de maior aprendizado para evoluirmos em nossas carreiras e vidas. A mulher busca qualificar-se melhor e aprender mais, mesmo com todos os desafios e dificuldades.

Enfrentamos a vida com muito amor e bom humor. Ao mesmo tempo em que lidamos com uma jornada de trabalho às vezes fatigante e desafiadora, chegamos a casa para cuidar de nossa família.

Muitas vezes observo o exemplo de algumas mulheres e penso… “De onde vem tanta força”?

Em uma de minhas caminhadas pela cidade, encontrei duas senhoras conversando e compartilhando suas experiências… Reparei quando uma disse a outra: “Não desista, se a vida te enche de desafios é porque, com certeza, com a força que você tem irá superá-los. O que é um câncer para te derrubar?”

Imediatamente as lágrimas vieram aos meus olhos e fiquei ali observando uma amiga dar força à outra e, instantaneamente, aquelas duas amigas se abraçaram e compartilharam tamanha cumplicidade que me fez indagar uma vez mais: “De onde vem tanta força?”.

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EU RECEBO FLORES, MAS CONTINUO INVISÍVEL

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Valéria Ettinger1Valéria Ettinger | lelamettinger@gmail.com

Enquanto “houver uma mulher em condições não dignas, isso irá repercutir em todas as mulheres” e, assim, todas nós estaremos aprisionadas, sendo conduzidas pelos valores machistas.

Eu recebo flores, mas preciso lutar por igualdade;

Eu recebo flores, mas meu salário é menor que o dos homens;

Eu recebo flores, mas tenho dificuldade de conseguir emprego por causa da maternidade;

Eu recebo flores, mas não tenho o direito de usar a roupa que quero porque sou estigmatizada;

Eu recebo flores, mas dizem que tenho culpa se sou violentada;

Eu recebo flores, mas não existem políticas públicas para a minha saúde enquanto mulher trabalhadora urbana, rural, das florestas e ou do mar;

Eu recebo flores, mas ainda sou tratada como objeto a ser consumido;

Eu recebo flores, mas meu corpo é tratado como uma propriedade privada;

Eu recebo flores, mas dizem que se sou do lar não faço nada e se sou mulher trabalhadora tenho que enfrentar jornadas triplas, sem ajuda e sem reconhecimento;

Eu recebo flores, mas as instituições ainda me tratam com indiferença, escárnio ou dúvida;

Eu recebo flores, mas a CPMI da Violência contra a Mulher ressaltou o assassinato de 43,7 mil mulheres no País entre 2000 e 2010, 41% delas mortas em suas próprias casas, muitas por companheiros ou ex-companheiros;

Eu recebo flores, mas a cultura machista me prendeu em uma identidade de submissão e fraqueza;

Eu recebo flores, mas dizem se sou independente e tenho um bom salário sou uma ameaça aos homens;

Eu recebo flores, mas não posso deixar de enfrentar ou me permitir ser maltratada;

Eu recebo flores, mas ninguém pode me condenar se eu resolver praticar um aborto. As consequências são minhas;

Eu recebo flores, mas gostaria que as mulheres não criassem seus filhos no padrão da cultura machista;

Eu recebo flores e continuarei lutando para que outras mulheres não sofrerem estupros sejam eles individuais ou coletivos;

Eu recebo flores, mas ainda preciso de uma lei que puna severamente os crimes contra a minha integridade física e moral;

Eu recebo flores e gostaria de ver todas as mulheres estudando e trabalhando;

Eu recebo flores e todos os anos, no Dia Internacional da Mulher, lembrarei que nós, mulheres, precisamos nos reconhecer enquanto sujeitos de direitos, nos unirmos em favor de outras mulheres em estado de vulnerabilidade e jamais nos julgarmos por nossas atitudes. Devemos minar cotidianamente todos os espaços de discriminação, romper com os estereótipos, não aceitar e nem reproduzir atitudes sexistas. E, sobretudo, tomar muito cuidado com a criação das filhas e (dos filhos), rejeitar os modelos de feminilidade, desobedecer os códigos de conduta impostos pela divisão sexual do trabalho: mulher não ri assim, não sente e anda assim, não faz, não pode. O feminismo é política e teoria, mas é também um estilo de vida, uma forma de estar no mundo. Trata-se da politização da experiência pessoal (GOMES, 2012, p. 29), pois enquanto “houver uma mulher em condições não dignas, isso irá repercutir em todas as mulheres” (TELES, 2012, p.29) e, assim, todas nós estaremos aprisionadas sendo conduzidas pelos valores machistas.

Valéria Ettinger é professora universitária e assessora do TJ-BA.

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PROGRAMAÇÃO PARA O DIA DA MULHER

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Intervenções teatrais, panfletagem, mesa redonda e exposições sobre violência contra a mulher farão parte da programação que os coletivos Marcha das Vadias,  LGBT Uesc, Feminista Maria Quitéria e o Ciclo de Encontros das Margaridas prepararam para o Dia Internacional da Mulher, 8 de março.
As intervenções, seguidas de panfletagem, ocorrerão em diversos bairros de Itabuna, nos horários das 7h às 8h e das 11h às 14h, contando com a participação de militantes e artistas.
Na Uesc, uma programação com mesa redonda e exposições será desenvolvida ao longo de todo o dia.

ALÔ, DILMA: VERBA DE COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER CAI 23%

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Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Mas, infelizmente, os números da violência contra o chamado “sexo frágil” ainda são preocupantes. Segundo pesquisa realizada no ano passado em 25 estados do país pela fundação Perseu Abramo, em parceria com o SESC, a cada dois minutos cinco mulheres são agredidas fisicamente.

E, mesmo com o aumento de 13% das verbas da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), o valor liberado para o principal programa da pasta caiu 22% em relação ao que foi efetivamente gasto no ano passado (veja tabela).

Em 2010, o programa de “combate à violência contra as mulheres” foi o mais bem executado pela secretaria. Foram gastos R$ 45,7 milhões, incluindo os “restos a pagar”, dívidas acumuladas em anos anteriores que foram pagas no ano passado. Para 2011, somente R$ 36,9 milhões foram autorizados para serem gastos em projetos de ampliação e consolidação da rede de serviços especializados de atendimento às mulheres em situação de violência. Leia mais no Contas Abertas.

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