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15 de maio de 2021 | 11:51 pm

ESTUDANTES DE ITABUNA SÃO APROVADOS EM UNIVERSIDADES DE VÁRIOS ESTADOS

Tempo de leitura: 3 minutos

Estudantes da rede estadual de educação em Itabuna não foram aprovados somente em universidades públicas no estado. Muitos alunos obtiveram notas para ingressar no ensino superior em, pelo menos, outros seis estados e optaram pela graduação distante do sul da Bahia.

Este é o caso do estudante Ygor Simões, aprovado no curso de Engenharia da Computação na Universidade do Estado de Minas Gerais. Simões está entre os alunos que concluíram o ensino médio no Complexo Integrado de Itabuna.

Ygor Simões sempre foi curioso e apaixonado pela área de tecnologia. Criado pelos tios, quem os considera como seus pais, Ygor conta que cresceu acompanhando tio-pai abrindo computadores e já entrou no ensino médio decidido a fazer uma graduação na área de tecnologia.

Autodidata, desde cedo começou a prestar serviços na área de segurança da informação. “Já atuo como freelancer para empresas que buscam profissionais para descobrir falhas em seus sistemas ”, diz. O jovem aprendeu os conceitos com os livros da área de tecnologia, quase todos em inglês, comprados com dinheiro dado pelos seus pais (tio-tia). “Eles sempre investiram em mim. Nunca faltou nada”, diz, reconhecendo o esforço da família.

Natan passou na UPS e UFSCAR; Emanuel Valença vai cursar Cinema em Sergipe e Ygor Simões, Engenharia Minas Gerais

Um contador de histórias desde criança. Estamos falando de Emanuel José Valença, aprovado no curso de Cinema da Universidade Federal de Sergipe (UFS). O estudante, que concluiu o Ensino Médio no Complexo Integrado de Educação, está indo em busca da realização de um sonho de criança. Como não tem o curso na região, escolheu Sergipe.

Valença, que já está em Aracaju esperando o semestre começar, contou ao PIMENTA que gosta de contar histórias desde criança. “Meus pais perceberam que eu gostava de historinhas. Eles compravam quadrinhos e me incentivavam. Então, desde cedo tive essa paixão pela leitura e por escrever histórias e estórias. Eu só poderia cursar Cinema”, disse.

UM APROVADO EM DOIS CURSOS

Quem também decidiu por uma graduação em outro estado foi o estudante Natan Marques Menezes, que cursou o Ensino Médio no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães em Itabuna. Ele poderá escolher entre duas opções. O jovem foi aprovado em Biomedicina, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e em Biotecnologia, na Universidade de São Paulo.

Já Taynara Sousa, de 17 anos, optou por estudar Engenharia Química na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). Ela sempre gostou das Ciências da Natureza e decidiu pesquisar sobre as graduações com as quais mais se identificaria para optar com segurança. “Fiz uma escolha bem pensada”.

Estudantes do Colégio Modelo de Itabuna foram aprovados em várias universidades

A jovem será a primeira da família em um curso superior. Filha de uma auxiliar de produção de uma fábrica em Itabuna e um mecânico, que mora em São Paulo, ela obteve 920 pontos na redação logo no primeiro Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A jovem fez o Ensino Médio no Complexo Integrado de Itabuna.

Outra com passagem pela rede pública que conseguiu aprovação foi a jovem Camila Ribeiro Rocha, do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães em Itabuna. Ela foi selecionada para o curso de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Passei por causa do conteúdo dado na sala de aula. Nem parei para estudar em casa. Apenas prestei atenção nas aulas, assimilei os assuntos”.

Camila decidiu não se matricular porque o sonho é a carreira de aeromoça e até já começou a fazer o curso. “É um sonho que tenho desde criança. Quero muito trabalhar na área. Mas pretendo fazer, mais adiante, um curso superior. Ainda tenho tempo”, conta.

Mas outros colegas de escola de Camila já estão se preparando para começar a graduação, a exemplo de Mayara Jesus (Geografia),  João Vitor  (Administração), Flávia Jesus (Geografia), Wenddel Coelho (Física), Larissa Cruz (Letras), Janine Dias (Ciências Econômicas),  Maria Eduarda Gonzaga e Amada Santos (Medicina Veterinária). Todos na Uesc. Na Universidade Federal do Sul da Bahia, deverão estudar Tamara Paula (Interdisciplinar em Ciências), e Melissa Rocha (Artes).

A UFSB E OS COMPLEXOS INTEGRADOS DE EDUCAÇÃO

Tempo de leitura: 2 minutos

Álamo-PimentelÁlamo Pimentel

 

O que se apresenta é apenas o início de uma transformação há muito reivindicada mas, até o momento, bloqueada pela ausência de projetos capazes de articular de forma orgânica e eficaz diferentes esferas do poder público na implantação de políticas educacionais.

 

A integração dos Sistemas de Ensino no Brasil constitui um dos mais importantes desafios para as políticas educacionais nacionais nos últimos anos. É preciso superar os obstáculos que hoje separam as esferas municipal, estadual e federal e geram desigualdades nos processos e estruturas de gestão na educação pública.

A Universidade Federal do Sul da Bahia – UFSB, em cooperação com a Secretaria Estadual de Educação, adianta-se no cumprimento desta importante missão histórica e inicia neste fevereiro de 2016 a implantação dos Complexos Integrados de Educação (CIEs) da rede estadual de ensino médio do Sul da Bahia.

Essa iniciativa implica profunda transformação dos modelos escolares que até então conhecemos. As escolas que aderirem ao projeto CIE passam de turno único para turno integral (manhã e tarde), implantando o conceito de Educação Integral. Para tanto, a UFSB assume a coordenação pedagógica das escolas, tornando-as campo de práticas para que os estudantes das Licenciaturas Interdisciplinares possam qualificar seus conhecimentos no convívio com os cotidianos e práticas escolares, oferecendo residências pedagógicas articuladas a programas de formação continuada dos profissionais da educação e produzindo inovações curriculares capazes de enfrentar os desafios do mundo contemporâneo.

Os primeiros CIEs instalam-se nos municípios de Itabuna, Porto Seguro e Itamaraju. A previsão é que, nos próximos anos, novos CIEs sejam criados com efetiva ampliação da participação de outras instituições. Ao articular ensino superior e educação básica, historicamente apartados, o projeto CIE busca, também, consolidar a qualificação do trabalho docente desenvolvido nas escolas. Assim, a formação de futuros profissionais da educação se dará em diálogo amplo e profundo com o contexto real das escolas e da região em que cada escola se localiza. Acrescente-se a este aspecto o trabalho incessante na busca por inovações pedagógicas em consonância com o que hoje preconizam os Planos Nacional e Estadual de Educação.

O que se apresenta é apenas o início de uma transformação há muito reivindicada mas, até o momento, bloqueada pela ausência de projetos capazes de articular de forma orgânica e eficaz diferentes esferas do poder público na implantação de políticas educacionais. Assim, a UFSB busca um novo modo de ver, fazer e sentir a escola e a educação. Acreditamos na transformação do presente visando à construção de um futuro viável para a elevação da qualidade da educação pública na Bahia, e, quem sabe, no Brasil.

Álamo Pimentel é diretor de ensino-aprendizagem da Pró-Reitoria de Gestão Acadêmica da UFSB.

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