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15 de abril de 2021 | 02:09 pm

ASSAÍ ATACADISTA EM ITABUNA

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Assaí AtacadistaA propósito da polêmica em torno da área onde será construída a loja do Assaí Atacadista, do Grupo Pão de Açúcar, o fotógrafo e pesquisador José Nazal elimina a dúvida.
De acordo com a lei que definiu os novos limites territoriais de municípios baianos, a área adquirida pelo Pão de Açúcar para construir o novo atacadão, a antiga Fazenda Santo Antônio, fica em solo itabunense.
Em tempo: Nazal lança nesta quinta-feira (9), às 18h30min, no Espaço Cultural Bataclan, a terceira edição do histórico Minha Ilhéus, pela Via Litterarum. O livro é um passeio pela história recente da bela Ilhéus, recheado de fotos históricas (confira mais aqui), e também trata dos limites da antiga capitania.

NAZAL LANÇA NOVA EDIÇÃO DE "MINHA ILHÉUS"

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Minha Ilhéus - capa

Obra está na terceira edição.

Nazal: terceira edição de Minha Ilhéus.

Nazal: terceira edição de Minha Ilhéus.

Com uma edição revisada e ampliada com detalhes sobre os novos limites de Ilhéus e da área onde será instalado o Porto Sul, o fotógrafo e pesquisador José Nazal Pacheco Soub lança nesta quinta (9), às 18h30min, no Espaço Cultural Bataclan, o livro de registros históricos Minha Ilhéus, editado pela Via Litterarum.

A obra traz informações e fotografias da período de expansão econômica de Ilhéus a partir do Século XX em 268 páginas. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus, Nazal acrescenta que, nesta terceira edição, foram incluídas fotos oferecidas por pessoas que guardam objetos e registros sobre a memória da Capitania de São Jorge dos Ilhéus.
A edição também traz novo mapa que delimita os bairros da cidade, além da área da Zona de Processamento e Exportação (ZPE). Nazal ainda ilustra a obra com “fotografias dos povoados rurais que estão inseridos na área de influência direta do Porto Sul”. A obra é indispensável para quem deseja conhecer do passado e do presente de Ilhéus.

PESQUISA REVELA QUE O CACAU É AMAZÔNICO E CONSUMIDO HÁ 5,5 MIL ANOS

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Cacau é amazônico e no Brasil é produzido em maior escala no sul da Bahia.

Cacau é amazônico e no Brasil é produzido em maior escala no sul da Bahia.

Ao contrário do que se imaginava até então, o cacau é amazônico – e não centro-americano – e já era consumido há 5,5 mil anos, apontou uma pesquisa desenvolvida por vários arqueólogos equatorianos e franceses, que, por sinal, chegaram a encontrar restos de uma grande cultura no sudeste do Equador.

Este grupo encontrou evidências químicas e físicas de cacau da variedade “fino de aroma”, muito apreciada atualmente pela indústria do chocolate, nos vestígios de recipientes encontrados na província de Zamora Chinchipe, na Amazônia equatoriana.

Francisco Valdez, que dirige a missão de pesquisa na jazida Santa Ana-La Florida, no cantão Palanda de Zamora Chinchipe, declarou à Agência Efe que o cacau foi criado na alta Amazônia e de lá, de alguma forma, foi levado à América Central.

“Na realidade, o cacau não é original dessa região, da América Central, como pensávamos até agora, pois se presume que, inclusive, há 7 mil anos ele já existia na bacia alta da Amazônia”.

Seu uso social foi iniciado há 5,5 mil anos, segundo as provas de carbono 14 em que foram submetidos os vestígios encontrados na cultura Mayo-Chinchipe-Marañón, descoberta em 2002 na região e que aparentemente se estendeu pela floresta peruana até o maior afluente da parte alta do rio Amazonas.

Na América Central, existem dados do uso do cacau, por parte da cultura Olmeca, que nos remetem há 3 mil anos, quando obteve um desenvolvimento importante e se estendeu pela Guatemala, Honduras e Nicarágua, além do México e da América do Norte.

“O cacau é amazônico e, por algum mecanismo, foi levado a esta região da América Central, onde ganhou uma importância cultural muito importante”, acrescentou Valdez, que lidera o projeto em Zamora Chinchipe, com o auspício dos institutos de Patrimônio Cultural (INPC) do Equador e de Investigação para o Desenvolvimento (IRD) da França.

Leia a íntegra na Folha

O MAIOR BAIANO

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baianos

O jornal A Tarde promove competição para descobrir quem foi, segundo a opinião popular, o maior baiano de todos os tempos.

A primeira fase da seleção colheu indicações espontâneas de notáveis, cada um indicando três nomes em ordem decrescente de relevância. Desta etapa, saiu vencedor o jurista e político Ruy Barbosa, seguido pelo poeta Castro Alves e pelo escritor Jorge Amado.

Entre os dez nomes mais lembrados, além dos três mestres acima, figuram, em ordem alfabética, ACM, Anísio Teixeira, Dorival Caymmi, Edgar Santos, Glauber Rocha, Irmã Dulce e Milton Santos.

A lista com os dez compõe agora em uma enquete, e qualquer pessoa pode votar no seu preferido. O resultado indicará o baiano “mais retado” de todos os tempos.

UNIVERSO PARALELO

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UM GRITO DE DOR NO ENGENHO DE SANTANA

1MejigãOusarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Mejigã e o contexto da escravidão (Editus/Uesc, organização de Ruy Póvoas) é um livro magnífico, desses que engrandecem a região, porque projetam e eternizam em letra impressa intelectuais que, em grande parte, estariam no anonimato, não fosse essa iniciativa. Os dez ensaístas reunidos na coletânea esbanjam erudição, sem perder o viés paradidático que nos facilita o entendimento. Mejigã… (nome africano de uma negra escravizada e trazida ao Engenho de Santana) é inquestionável contributo para percebermos o que foi a luta dos negros em Ilhéus e o que eles significam em nossa formação. Talvez fosse injusto fazer destaques, mas é justo salientar pelo menos dois nomes pouco reconhecidos fora dos muros da academia e que ganham visibilidade com o livro:

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Chicotadas como pagamento do trabalho

Marialda Jovita Silveira, que disserta com invulgar segurança sobre a oralidade como mecanismo de preservação dos valores do candomblé (Ritos da palavra, gestos da memória: a tradição oral numa casa ijexá), e Consuelo Oliveira, que explica, didaticamente, como numa sala de aula, as questões de saúde/doença/magia/terapêutica no candomblé, tendo como exemplo o terreiro onde Ruy Póvoas é babalorixá, em Itabuna (Ilê Axé Ijexá: lugar de terapia e resistência). Li Mejigã… como um livro político, uma história da resistência de um povo, seu sofrer e sua revolta – o registro a ferro e sangue de uma Ilhéus receptora de negros escravos, “dos quais ela cerceou a liberdade e cresceu pela força de seu trabalho, a troco de chicotadas”, como diz Ruy Póvoas.

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“Subalternizados, mas não subalternos”

Ou, na voz de Arléo Barbosa, “O Estado brasileiro foi edificado pelo negro, cuja presença é marcante em todos os aspectos da vida econômica, social, política, religiosa e cultural”. Ainda, de acordo com Kátia Vinhático e Flávio Gonçalves: “Eles [os escravizados] não se comportaram, não se sentiram e não se pensaram como subalternos. Subalternizados, inferiorizados, subestimados, sim. Não se pode dizer, no entanto, que foram subalternos, pois para isso seria necessária a aceitação dessa condição por parte deles”. Os demais textos de Mejigã…, todos de alta qualidade (não citados por falta de espaço), são de André Luiz Rosa Ribeiro, Ivaneilde Almeida da Silva, Mary Ann Mahony e Teresinha Marcis.

 

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VANDALISMO: “A DESTRUIÇÃO DO NOTÁVEL”

Com os protestos de rua em moda no Brasil democrático, abusa-se do termo “vândalo”, para caracterizar o bandido travestido de manifestante. O termo remonta a um povo do século V, que tomou e saqueou Roma, destruindo muitas obras de arte. Isto ocorreu no mês de junho, à semelhança das nossas manifestações. Por certo, a palavra “vandalismo” viria daí (“Destruição ou mutilação do que é notável pelo seu valor artístico ou tradicional”, segundo o Priberam). Nada errado em chamar esses marginais de “vândalos”, salvo a repetição exaustiva do termo, o que atesta a já sabida indigência vocabular da mídia, particularmente da tevê.
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5MonalisaNapoleão e os especialistas em saque

Os dicionários apontam alternativas para vândalo: bárbaro, selvagem, destruidor, grosseiro, violento, bruto, truculento, iconoclasta e outros. Para manter a linguagem jornalística distante das escolhas sofisticadas (comme il fault), eu empregaria para o indivíduo desse comportamento a boa e sonora palavra “bandido”. É tempo de lembrar outra curiosidade: Roma teve, em 1798, novo saque de obras de arte, desta vez por Napoleão, cujo exército tinha um grupo “especialista” em… roubar. Só os nazistas pilharam mais do que o velho Bonaparte. Mas não foi ele quem levou a Monalisa pro Museu do Louvre, como dizem as más línguas.

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DE ERROS “HISTÓRICOS” E “OCASIONAIS”

3AracyPra não dizer que só falo de espinhos
Com (talvez) irritante frequência tem esta coluna se referido a erros perpetrados contra a canção brasileira. Parece que não há exceção: de Nelson Gonçalves a Maria Betânia, de Alcione a Ângela Maria, novos e velhos vocalistas decidem alterar as letras e o fazem impunemente, como se tivessem tal direito. Há erros “históricos”, como o de Aracy de Almeida em Último desejo e Gastão Formenti em De papo pro ar (dois deslizes que foram repetidos tempos afora por outros cantores), e há os equívocos ocasionais, aqueles “próprios” de um vocalista, mas que outros não copiam. É o caso de Marisa Monte.
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7GibãoA garota não quer mais vestir “gibão”

Há dias, postamos aqui um vídeo em que ela canta O xote das meninas (Luiz Gonzaga – Zé Dantas), com uma derrapada das mais escabrosas da MPB. “Meia comprida, não quer mais sapato baixo, vestido bem cintado, não quer mais vestir timão”, diz a letra, mostrando o estado de espírito da menininha que vira moça e quer namorar. Pois a bela Marisa, sabe-se lá o motivo, canta “… não quer mais vestir gibão” – e não houve no estúdio um filho de Deus que atentasse para esta barbaridade. Timão é uma espécie de camisola; gibão até seria defensável em outro lugar, não no Nordeste): além de ser vestimenta de vaqueiro, não está no texto original. Menina vestindo gibão só mesmo na cabeça dessa gente tonta.

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QUE A SIGLA SEJA MENOR DO QUE A OBRA

Todos metem sua colher, também vou meter a minha… Calma. Invoco essa paródia de Casemiro de Abreu, que ninguém mais lê, apenas para introduzir minha escolha sobre a sigla da Universidade Federal do Sul da Bahia. É que o tema, bem ao nosso estilo de trocar o atacado pelo varejo, caminha para se tornar mais substantivo do que a própria escola. Dito o que, informo aos que desta coluna tomarem conhecimento que minha preferência não é Ufesba, Ufsulba, UFSB ou UFSBA, mas um acrônimo ainda não sugerido: UFESB. Mas, quero deixar claro, pouco importa por qual sopa de letrinhas será identificada a Escola – ela é que nos importa – mesmo chamada por qualquer nome exótico. Para ficar coerente, vamos de Alobêned, que esta coluna disse (e repete!) ser “um furacão negro, uma monarca africana”.

 (O.C.)

O HOMEM QUE CONTRATOU PELÉ PARA O BAHIA

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Alexandre Lyrio | Correio

A Bahia esportiva engasgou com o almoço naquele dia. O radialista França Teixeira, que morreu ontem aos 69 anos, abriu o programa com uma bomba. O ano era 1971 e o Bahia estava contratando Pelé. O próprio “Negão”, assim o Brasil chamava o Rei, confirmava no ar. Como bem assinalou o colega Hailton Andrade, era como se hoje o principal programa de esportes na TV anunciasse a chegada de Messi para fazer dupla com Fernandão no tricolor. Tudo armação.

“E o negão disse que tava já mantendo as negociações com Osório (Vilas Boas, ex-presidente do Bahia). A gente armou tudo com ele”, confessou Teixeira. “Foi uma brincadeira que fizemos, porque eu estava sempre na Bahia nessa época”, lembrou o próprio Pelé. Mais difícil que o Bahia contratar Pelé, dizem os mais antigos, era encontrar um aparelho de rádio na cidade que, na Resenha do Meio-Dia, não estivesse sintonizada nos quilohertz da Rádio Cultura da Bahia.

Da rua, a partir das janelas dos casarões e prédios sem garagem, na Salvador do final dos anos 60 e início de 70, era possível ouvir quase em eco o vozeirão com o seu mais célebre bordão: “É ferro na boneca, minha cara e nobre família baiana”, largava França, cheio de gosto, antes de falar de esporte e depois de colocar o Hino ao Senhor do Bonfim. Nos casos que marcaram sua carreira, muita polêmica e, principalmente, irreverência.

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ARQUIVO PÚBLICO EXPÕE IMAGENS HISTÓRICAS

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Ponte

Fotos dos desbravadores que subiram o Rio Cachoeira no século XIX até chegar ao local onde surgiria o povoamento que deu origem à cidade de Itabuna, imagens de velhos chefes políticos, além das enchentes que causaram muita destruição em 1914 e 1967 e muitos outros momentos históricos.

Tudo isso faz parte da mostra que o Arquivo Público Municipal abre na próxima segunda-feira, 22, às 14 horas, prosseguindo até o dia 26, no andar térreo do Espaço Cultural Josué Brandão. A exposição faz parte das comemorações dos 103 anos de emancipação de Itabuna.

Na agenda da mostra, também está incluído o lançamento da segunda edição da “Indexação das Leis e Atos Oficiais do Município de Itabuna – 1932 a 2013”. A compilação foi realizada pelo técnico em arquivologia Sílvio Carvalho.

TEATRO POPULAR APRESENTA "1789"

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Espetáculo lembra a revolta dos escravos no Engenho de Santana (foto Felipe de Paula)

Espetáculo lembra a revolta dos escravos no Engenho de Santana (foto Felipe de Paula)

Num momento em que o Brasil é palco de um levante das massas, o Teatro Popular de Ilhéus volta ao século XVIII para contar a história da revolta dos escravos do Engenho de Santana, ocorrida em Ilhéus entre os anos de 1789 e 1791. Episódio emblemático na reação do povo negro contra o trabalho escravo e as condições desumanas a que era submetido, a rebelião será encenada no palco por um elenco formado por 20 componentes, entre atores, atrizes e músicos do TPI, ao lado de membros do terreiro Matamba Tombenci Neto.
A estreia  de 1789 acontece no dia 2 de julho, data da Independência da Bahia, com apresentação às 20 horas na Tenda do TPI, na Avenida Soares Lopes, e a montagem fica em cartaz até o final de julho, de quarta a sábado, no mesmo horário . Os ingressos podem ser adquiridos no local, a R$ 20 e R$ 10 (meia entrada).
O espetáculo é assinado por Romualdo Lisboa, que também responde pela direção geral. A direção musical é de Elielton Cabeça e a produção, de Pawlo Cidade. 1789 foi um dos contemplados pelo edital setorial de teatro do Fundo de Cultura da Bahia

UNIVERSO PARALELO

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O RISO E O CÔMICO NA LINGUAGEM DE JCC

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br
1 O coronelAs críticas favoráveis a O coronel e o lobisomem são muitas, disponíveis na internet. Por isso, cito especialmente uma, por ser difícil de encontrar. Trata-se do ensaio Língua hílare língua (1999), do professor, poeta e músico José Afonso de Sousa Camboim, da Universidade de Brasília. Com rara erudição, mas sem chatice, Camboim disserta sobre o riso e o cômico na obra de José Cândido de Carvalho, sobretudo em O coronel… É livro importante para o completo entendimento e a total fruição da linguagem do autor fluminense – até mesmo com aproximações de Machado de Assis (Memórias póstumas de Brás Cubas): o ensaísta chama a atenção para a possível morte do Coronel Ponciano – sem que este evento interrompa a narrativa.

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2Rachel de QueirósPalavras usadas com sentido imprevisto

Assim falou Rachel de Queirós: “Não sei de ninguém, no momento, que renove o idioma como o renova ele. Vira e revira a língua, arrevesa as palavras, bota-lhes rabo e chifre de sufixos e prefixos, todos funcionando para uma complementação especial de sentidos, sendo, porém, que nenhuma provém de fonte erudita, ou não falada: nenhuma é pedante ou difícil, tudo correntio, tudo gostoso, nascido de parto natural, diferente só para maior boniteza ou acuidade específica. No léxico de Zé Cândido não aparece uma palavra que não seja possível; se ela não havia até aqui, estava fazendo falta. No mais, o que ele faz principalmente é usar a palavra no sentido novo, ou imprevisto, ou desacostumado”.
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Lobisomem mordendo os autos do fórum

De O coronel… : “Jogaram os fundilhos de um suspeitoso no banco dos réus. A demanda do julgamento, é-lobisomem, não-é-lobisomem, afundou pela noite, que era sexta-feira. Pois foi a lua aparecer na vidraça da casa do Fórum e o tal suspeitoso soltar aquele ganido de cachorro acuado, num desrespeito nunca visto em recinto de lei. E sem pedir licença, como é dever em tais ocasiões, o suspeitado largou o dente na peça dos autos e demais papéis adjuntos. Sobreveio então um corre-corre de arruaça. Caiu desembargador, caiu mesa, caiu cadeira e cadeirinha. E o lobisomem, dono da sala, fuçando as gavetas e tudo mais que calhou de encontrar no caminho. E, no deboche, bebeu a tinta toda dos tinteiros e borrifou com ela portas e paredes”.

À BEIRA DE UM ATAQUE DE… URTICÁRIA

Leio, em texto da prefeitura de Ilhéus, que “Prazo para renovação de alvará de casas comerciais encerra 31 de janeiro” – e quase tenho um ataque de urticária. É que ainda não me convenci (graças ao bom Deus!) dessa acepção estranha em que empregam o verbo encerrar. Fui ao Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, meu preferido, e achei nada menos do que 11 sentidos para este verbo, alguns desconhecidos para mim. Em ordem alfabética: abrigar, compreender, conter, encobrir, fechar, guardar, incluir, lacrar, limitar, rematar e resumir – mas nenhum que sirva ao caso em tela. Por quê? Porque encerrar, como posto acima, é pronominal. E escrever “encerra 31 de janeiro” é ir do erro ao abuso.
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5BovespaA vaca ainda não está, de todo, atolada

O mesmo Priberam traz os vários sentidos desse verbo, na forma pronominal – é claro que alguns deles me escapam. Uma vista d´olhos na internet mostra que a vaca ainda não está inteiramente no brejo: “MPE encerra inscrições no dia 31”, “Bovespa encerra dia em queda”, “Wall Street encerra dia no verde” – são formas corretas do verbo encerrar, na sua regência de transitivo direto. Na mesma busca, encontro esta joia da G1 (globo.com): “Encerra dia 31 de janeiro o prazo para os sindicatos ficarem em dia com as contribuições” – uma espécie de disputa com o texto oficial acima referido. Mas a prefeitura de Ilhéus ganha, devido ao seu encerra 31 – não a 31 (ou dia 31), como seria em português.

ROMANTISMO, CIVILIDADE E HISTÓRIA

6RousseauEscritores, pintores, músicos, artistas em geral, todos passaram por Paris. Nas ruas, aspira-se romantismo, civilidade, história. Perrault, Michelet, Voltaire, Hugo, Richelieu, Molière, Coligny, Bréton, saltam das placas de ruas e instituições, como a nos saudar. É impossível “flanar” por Paris, sem sofrer a emoção de estar num dos berços do mundo, da cultura e da arte, palco de alguns dos maiores eventos da humanidade, lugar onde viveram mentes ilustres e questionadoras da presença do homem sobre a terra. Aqui se fez a Revolução Francesa, aquela que cortou cabeças coroadas e mudou o mundo. Mas não falo das ruas de Paris, o que já foi (bem) feito por grande nomes, até Voltaire – também porque isto aqui não é guia turístico.
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O dia em que Napoleão empenhou o chapéu

Para os do ramo etílico-poético, é imperioso visitar o café mais antigo do mundo, o Le Procope, muito chique e muito caro, como tudo em Paris. Mas se não der pra beber uma coisinha, sempre se pode tirar foto, que o pessoal permite. Reza a lenda que certa vez Napoleão deixou lá empenhado seu chapéu de dois bicos, pois não tinha luíses bastantes para pagar a conta. O lugar foi frequentado também por Diderot, Verlaine, Rousseau, Voltaire e Benjamin Franklin. Situado na rua da Antiga Comédia (rue de l´Éncienne Comédie), o restaurante dá fundos para a sede do jornal O amigo do povo (L´amie du peuple), com que Marat infernizava a vida dos inimigos da Revolução (isto não está nos guias). Mais histórico, impossível.
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Saxofonista e professor universitário

Archie Shepp (1937…) é um dos músicos de melhor formação intelectual da história do jazz. Além de saxofonista e cantor, é professor e dramaturgo, com estudos de literatura dramática na Faculdade de Goddard, na Califórnia. Começou no sax-alto, em bandas de segunda expressão, em New York; depois, sob a influência de John Coltrane, assumiu o sax tenor, passando a tocá-lo em vários grupos. Shepp foi professor de faculdade em Buffalo, no departamento de estudos sobre os negros, e depois na Universidade de Massachusetts. Na sua formação, além de Coltrane, está Duke Ellington. Apesar da reconhecida “erudição”, Shepp nunca desdenhou as canções simples. Dito o que, vamos a seu solo de Sob o céu de Paris.

(O.C.)

RARIDADES DA VELHA (E AMADA) SALVADOR

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Imagem da Fonte Nova e o Dique do Tororó ao fundo, na década de 70 (Foto "Minha Salador/Fbook).

Imagem da Fonte Nova com o Dique do Tororó ao fundo, na década de 70 (Salvador/Fbook).

Um passeio pela Salvador de 40, 80 anos atrás, do tempo em que os Filhos de Gandy iam para a avenida de bondinho. Ou a visão panorâmica da Casa da Alfândega, construída em 1860, e que depois deu lugar ao Mercado Modelo. Raridades assim estão reunidas na fanpage Fotos Antigas de Salvador no Facebook.
Criada em outubro do ano passado, a página traz “o lado belo e antigo” de Salvador e já reúne 280 fotos e dezenas de vídeos. A página no Facebook possui mais de 4,8 mil fãs.
Outra raridade: Filhos de Gandy não perdem o bonde quando o assunto é carnaval.

Outra raridade: Filhos de Gandy não perdem o bonde quando o assunto é carnaval.

HÁ 15 ANOS, MORRIA MANUEL LEAL

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Há exatos 15 anos, em uma noite lamentável para os que lutam pela liberdade de imprensa, seis tiros covardes mataram numa emboscada o fundador do semanário A Região, Manuel Leal. Ele foi vítima de um típico crime de mando, como lembra o jornalista Daniel Thame, que durante mais de uma década trabalhou com o dono do jornal que fez fama de combativo e polêmico.
Thame observa que, dos acusados de participar do homicídio, apenas o ex-policial Mozart Brasil foi condenado. E aponta que “as investigações, propositalmente capengas, nunca chegaram nem perto dos mandantes”.
“Enquanto a impunidade permanecer e não houver justiça, Manuel Leal será uma amarga lembrança para os que, como este blogueiro, tiveram a oportunidade de conviver com alguém demasiadamente humano, nas virtudes e nos defeitos”, escreveu o jornalista (confira aqui).

HISTÓRIA: O CONFLITO ITABUNA X BAHIA

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veja 69

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Essa garimpagem é do advogado Edgard Freitas. Fuçando velhas edições da revista Veja, ele encontrou nota referente a uma briga daquelas, envolvendo os times de futebol do Bahia e do Itabuna, pelos idos de 1969.
Segundo o texto da revista, a briga começou quando Amorim, meia do Bahia, desferiu um soco no atacante Santa Cruz, do Itabuna. A partir daí, houve troca de murros e chutes envolvendo todos os 22 jogadores que se encontravam em campo, os reservas, a polícia e torcedores.
A confusão acontecem durante um amistoso, realizado em Itabuna dois dias antes de uma partida oficial, válida pelo campeonato baiano. Após a briga, a equipe do Bahia seguiu para o Hotel Suez,  na Avenida Inácio Tosta Filho, onde alguns jogadores resolveram aparecer na sacada – de frente para a rua – apenas enrolados em toalhas ou nem isso. Mais bafafá: a vizinhança protestou e a polícia pediu gentilmente que o time da capital deixasse a cidade.
Diante de tal cenário, o jogo oficial foi cancelado e houve ameaça de o caso ser levado até ao presidente da república.

A REDESCOBERTA DE INTELECTUAIS NEGROS

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Eduardo Estevam

 

Enquanto Nabuco preconizava mudanças dentro da ordem, dentro do espaço jurídico e político formal, Luiz Gama, apresentava uma postura mais radical.

 

Vários intelectuais desenvolveram um projeto político para o Brasil no século XIX, em meio às lutas e disputas políticas pela afirmação e estabilização do Estado-nação, cada um alinhando suas práticas sociais as suas concepções políticas e ideológicas. Dois intelectuais entrecruzaram-se em virtude do processo abolicionista. São eles: Joaquim Nabuco (1849-1910) e Luiz Gama (1830-1882).

O primeiro, branco, pernambucano, filho de uma família letrada e escravocrata, historiador, jurista, fez carreira política nacional (deputado) e internacional (diplomata), abolicionista, republicano e defensor de um projeto de Brasil democrático. O segundo, negro, baiano, filho de escrava e escravizado até os 17 anos, advogado, jornalista, editor (fundou em 1864 o primeiro jornal caricaturado, o Diabo Coxo), poeta, orador, abolicionista, republicano e defensor de um projeto de Brasil democrático e pluriétnico.

Nabuco desenvolveu um pensamento crítico com bastante rigor político sobre o problema da escravidão. Conjecturava uma sociedade democrática republicana que “integrasse” o negro ao universo da diversidade existente, ou seja, no mundo dos brancos. Seu projeto de modernização do sistema político e social consistia numa integração étnica hierarquizada e subalterna, onde os valores da cultura branca estariam a preponderar. Nabuco, teorizou a escravidão, jamais sobre o sujeito negro.

A escravidão foi seu objeto de análise e a base para construção de todo o seu edifício teórico-crítico. Em sua campanha abolicionista, discursou veementemente sobre os malefícios e os problemas (vícios) morais e sociais oriundos da escravidão, mas sem jamais ter discursado para negros ou diante de um público negro. Para Nabuco, arregimentar negros e insulfra-los diretamente para uma campanha anti-escravidão era perigoso, pois poderia provocar uma haitinização, ou seja, uma revolução negra.

Luiz Gama desenvolveu seu pensamento por meio da poesia satírica, textos jornalísticos e discursos político (oratória). A produção cultural de Gama situa-se num espaço construído pela diáspora e na contracultura da modernidade. Gama pretendia afirmar a contribuição africana no Brasil, justamente no momento da consolidação da identidade da nação brasileira. Sua posição era de que existia uma africanidade dentro do modelo de brasilidade construído socialmente.

Enquanto Nabuco preconizava mudanças dentro da ordem, dentro do espaço jurídico e político formal, Luiz Gama, apresentava uma postura mais radical: “o escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata sempre em legítima defesa”. O projeto de Gama para o Brasil era a construção de uma nação heterogênea em que os grupos étnicos estivessem numa condição relacional e sem privilégios.

A historiografia notabilizou e cristalizou Joaquim Nabuco, canonizando-o e ao mesmo tempo silenciando e subalternizando a produção social de Luiz Gama. Com a emergência dos estudos culturais com foco numa história vista de baixo, nas margens da cultura ou nas histórias diaspóricas jamais documentadas, redimensiona-se o lugar social da produção de Luiz Gama, consequentemente desestabiliza-se os vultos da intelectualidade brasileira.

Eduardo Estevam faz Pós-Graduação (doutorado) em História Social pela PUC-SP.

Artigo publicado originalmente no blog Tempo Presente

FUTEBOL E HISTÓRIA NO CINECLUBE

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A incrível façanha da Seleção de Futebol de Itabuna, que conquistou o hexacampeonato baiano entre 1957 e 1966, é contada no curta-metragem “Do goleiro ao ponta-esquerda”, de Leandro Guimarães, em exibição nesta terça-feira, a partir das 19 horas, no Cineclube Équio Reis (Casa dos Artistas de Ilhéus).

Também será apresentado na mesma sessão o filme “Do 50 ao Centenário”, um documentário sobre a evolução da principal avenida de Itabuna e sua importância econômica e social para a cidade. O curta foi produzido por Ana Luísa Coimbra, Leonardo Bião e Polliana Alves.

O cineclube destaca até fevereiro do ano que vem a produção audiovisual de acadêmicos da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). Após os filmes, há sempre um debate sobre assunto relativo ao que foi exibido. Nesta terça, a discussão será acerca do tema “A importância do registro histórico regional”.

A HISTÓRIA DE ILHÉUS EM DEBATE

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Um dos episódios mais fortes da história de Ilhéus no período colonial segue como objetivo de um interessante debate dentro do projeto Improviso, Oxente!, do Teatro Popular. Nesta quinta-feira, 29, a partir das 19 horas, na Casa dos Artistas, as discussões sobre a revolta dos escravos do Engenho de Santana, ocorrida em 1789, terão a participação do professor Marcelo Henrique Dias.

O Improviso irá analisar a carta de reivindicações escrita pelos escravos naquela rebelião, que reagia à opressão e às terríveis condições de trabalho no engenho.

As discussões sobre esse tema servirão como base na construção da peça 1789 – Rio do Engenho – Uma revolução histórica.  Escrita e dirigida por Romualdo Lisboa, a montagem contará a história da revolta de escravos que é considerada a primeira “greve” do Brasil. A estreia do espetáculo está prevista para março de 2013.

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