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15 de abril de 2021 | 03:10 pm

ITABUNA: CASARÃO HISTÓRICO DESABA

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Casarão do coronel Tertuliano Guedes virou pó ante o descaso.

Casarão desaba e leva parte da história de Itabuna.

O descaso com o patrimônio histórico em Itabuna fez mais uma vítima neste final de semana. O casarão que pertenceu ao coronel Tertuliano Guedes de Pinho desabou neste final de semana, levando consigo mais uma parte da história do município. Localizado na região da Mangabinha, o casarão ficou parcialmente destruído após incêndio ocorrido em maio de 2010.

Havia projeto de tombamento do imóvel situado na antiga Fazenda Valparaíso e no alto de um condomínio residencial para onde foram transferidos moradores da Bananeira.

A pretensão do ex-presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), Cyro de Mattos, era garantir o tombamento do casarão, transformando-o em museu. Cyro foi exonerado da fundação e o projeto não saiu do papel.

Agora, tudo virou um misto de cinzas, poeira e desrespeito à história.

Cyro de Mattos, ex-presidente da FICC, durante vistoria do Iphan ao casarão.

“NÃO DEIXE A PRINCESINHA MORRER”

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Estudantes e funcionários da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) iniciaram campanha pela restauração da “Princesinha”. O veículo está abandonado em frente a um dos pavilhões da universidade.

A campanha virtual cobra da reitora da Uesc, Adélia Pinheiro, mais atenção ao patrimônio – histórico – da instituição. A comunidade universitária agradece. A fubica é do tempo em que a Uesc era chamada de Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna (Fespi).

90 ANOS DA AREÓPAGO ITABUNENSE

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A Loja Maçônica Areópago Itabunense, a mais tradicional da cidade, comemora nove décadas de existência com uma exposição fotográfica no Jequitibá Plaza Shopping.
A mostra, que apresenta os principais momentos e fatos históricos relacionados à Areópago, fica aberta à visitação até esta terça-feira, dia 7.

IMAGENS DE "OUTRA" ILHÉUS

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Não se sabe se José Nazal é mais apaixonado por Ilhéus ou pela fotografia, mas o fato é que ele soube unir com êxito as duas paixões no livro “Minha Ilhéus”, que conta a história de uma das mais belas cidades do Estado em imagens que emanam saudade e nostalgia.
Uma edição revista e ampliada do livro será lançada no próximo dia 23, às 18 horas, na sede da Academia de Letras de Ilhéus, e já desperta a curiosidade de quem entende a importância de olhar o passado para entender o futuro.
A expansão da cidade, em alguns casos agressiva (como na invasão do manguezal onde atualmente está o bairro Teotônio Vilela), merece destaque no livro.
A editora é a Via Litterarum.

Uma panorâmica de Ilhéus em 1965. Em quase meio século, muita coisa mudou

UM RETRATO ABANDONADO NUM CORREDOR

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Daniel Thame

Quando ainda nem se falava em responsabilidade social, Manoel Chaves financiou através de suas empresas cursos de nível superior para funcionários e seus filhos

Num de seus mais belos poemas, Carlos Drummond de Andrade, ao relembrar a cidade de sua infância, escreveu, num misto de saudade e melancolia, que Itabira era apenas um retrato amarelado na parede.
Em Itabuna, cidade que não tem entre suas virtudes preservar a memória de personagens que foram protagonistas de sua história, um de seus maiores empreendedores tornou-se um retrato abandonado num corredor obscuro.
Manoel Chaves foi um empreendedor no sentido exato da palavra. A partir de um pequeno negócio, à custa de muito trabalho e com visão de futuro, montou um império que se estendeu pelos ramos de produção, comercialização e industrialização de cacau, setor imobiliário, comércio, construção civil e telecomunicações.
Manoel Chaves, numa época em que muitos transformavam as riquezas do cacau em apartamentos de luxo em Salvador, Rio de Janeiro e na Europa, investiu na modernização de uma cidade que ele adotou como sua. Plantou prédios, lojas, indústrias e semeou desenvolvimento.
Quando ainda nem se falava em responsabilidade social, Manoel Chaves financiou através de suas empresas cursos de nível superior para funcionários e seus filhos e ofereceu-lhes condições para que pudessem melhorar de vida, apoiou artistas de muito talento e poucos recursos, manteve creches e colaborou com instituições beneficentes. Além disso, concedia aos colaboradores de suas empresas vantagens que iam além das leis trabalhistas. Tudo isso sem fazer alarde ou marketing pessoal.
Manoel Chaves é, seguramente, um dos principais personagens de Itabuna nesse seu primeiro século de vida. Se algum reconhecimento público ganhou, foi o nome de uma avenida no bairro São Caetano, que muitos ainda chamam pelo nome anterior, presidente Kennedy.
Merecia mais, muito mais.
Não o teve em vida porque sempre foi uma figura discreta, de mais ação e menos exposição.
Não o tem depois que faleceu, pela falta de memória da cidade.
Gente como Manoel Chaves, e também Firmino Alves, José Soares Pinheiro, JJ Seabra e outros personagens marcantes de Itabuna, deveriam merecer bustos em praças públicas, darem nome a escolas e serem lembrados às novas gerações como exemplos para uma cidade que, a despeito de todas as crises por que passou e passa, é capaz de se redescobrir e dar a volta por cima, justamente por conta dessa chama empreendedora, dessa força atávica de superar desafios.
Uma chama que Manoel Chaves simbolizou como poucos.
Manoel Chaves não merece ser apenas um retrato amarelado na parede da memória itabunense.
E, menos ainda, ser um retrato abandonado num corredor de um dos prédios que ele construiu como mostra a foto que ilustra esse texto.
Daniel Thame é jornalista, blogueiro e autor do livro Vassoura.

FERRADAS COMEMORA 195 ANOS

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Antigo ponto de parada de tropeiros que se deslocavam entre o sul e o sudoeste da Bahia, o bairro itabunense de Ferradas está completando 195 anos de história. Para marcar o aniversário, uma interessante programação cultural foi montada pela Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania. As atividades acontecem de 15 a 19 deste mês.
Constam na programação a apresentação de fanfarras, desfile temático, mostra de cinema, lançamento de livros, ruas de lazer, tarde recreativa e participação de artistas regionais. Na mostra de cinema, um dos destaques da agenda, serão exibidos 15 filmes produzidos na Bahia.
Os produtores culturais Eva Lima e Ari Rodrigues coordenam os eventos.

COLÉGIO DIVINA PROVIDÊNCIA, SÍMBOLO DE ITABUNA?

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Allah Góes | allah.goes@gmail.com
A nossa cidade é realmente bastante estranha, pois nem bem completamos 100 anos, oportunidade em que poderíamos festejar a data relembrando os feitos daqueles que desbravaram esta terra e fizeram de Itabuna uma das maiores cidades de nosso Estado, constatamos que, por aqui, não se respeita o nosso passado e se destrói o nosso futuro.
Sim, pois nesta cidade, que hoje se vangloria de ser o berço de Jorge Amado, onde se exalta a herança recebida das raças que compõem a “nação grapiúna”, se vem, bem devagarzinho, esquecendo-se dos símbolos que tornam Itabuna tão diferente e ao mesmo tempo especial.
Em Itabuna, por ser grande a memória afetiva, mesmo possuindo mais de 200 mil habitantes, ainda se tem o costume de: tomar um “café da manhã” no Tico-tico ou um mingau nas imediações da Rodoviária; de se refrescar na “Danúbio Azul” ou bebericar um “mate com limão” no, hoje recém-salvo, Café Pomar, e de, mesmo com a modernidade, ainda poder se sentar com alguma segurança nas praças, à sombra das árvores.

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CAFÉ POMAR: 67 ANOS DE HISTÓRIA PRESERVADOS

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Coube a uma mineira de nascimento e baiana de coração resgatar um pedaço da história de Itabuna. A empresária Dalva Dantas conseguiu convencer a Família Mariano. Ela vai tocar o empreendimento que chegou aos 67 anos em 2010 e cerrou as portas no último dia 1º, o Café Pomar.

A notícia do fechamento no início do mês pegou Dalva de surpresa. E a comoveu. “O chá-mate, o bolinho de aipim, o bombocado, o cafezinho… Vamos manter essa tradição de mais de meio século”. Dalva diz que soube do fechamento do café ainda no dia 1º.
Estava ela no centro, em um supermercado, quando um amigo, “Seu Almir”, lamentava o fim do Café pelo qual passaram alguns dos principais nomes da cidade e do estado e sempre foi um lugar para manter a prosa em dia. “Seu Almir lamentava e dizia que, infelizmente, naquele dia havia bebido o último cafezinho no Pomar”.
Dalva conversou com a família Mariano e no dia 26 um dos pontos mais tradicionais do comércio central de Itabuna estará de volta. “O que vai mudar é o nosso toque feminino que chega”, diz, reforçando que o gostinho do bom café, do Bombocado e dos chás será o mesmo. Dona Vera, funcionária da casa, será convencida a lhe fazer companhia na empreitada. Acompanhe o papo-rápido com a mineirinha que se preocupa com a nossa história.
Negócio fechado?
Fechadíssimo. É oficial, agora.
O que muda no Café Pomar, “sob nova direção”?
Como mudar uma coisa que tinha um ser como Seu Mariano na direção? Temos que respeitar essa tradição, a história. A minha ideia é não modificar a estrutura do Café. Terá um toque feminino, com a característica de atendimento dele, do bom papo. Faremos uma reforminha para a abertura.
E as especialidades da casa?

O chá, o bolinho de aipim, o bombocado, tá tudo mantido. Vamos agregar também produtos da culinária mineira e portuguesa, além do delicioso pastel de Belém.
E Seu Mariano?
Ah, vai ser o nosso cliente especial.
O nome do negócio vai ser mantido?
Quer saber? Esse foi um presente de Seu Mariano pra gente. O Café Pomar continua. E os funcionários… Ainda não conversei com os funcionários. Tem Dona Vera, que está se aposentando. A prioridade é para elas.
O Café tem 67 anos de história. Foi essa tradição que a levou a assumir o negócio?

Olha, eu tenho o Café com Net, na Beira-Rio. Mas quanto ao Pomar, naquele dia (do fechamento), ouvi de Seu Almir, que tem um mercadinho aqui no centro: “Hoje eu tomei o último café na companhia de Seu Mariano”. Tava triste. Aí eu perguntei a ele se iam mesmo fechar o ponto. “Sim”, respondeu. Aquilo causou tristeza, sabe? Lá em Minas, na nossa família, há muito essa coisa de preservar a história. Isso vem de família, do meu pai. Vim, conversei… Minha alegria maior será levar essa tradição adiante.
E agora, quando é que sai aquele chá mate, geladinho?
Dia 26 de julho. Veja que maravilha: na semana de aniversário da cidade, história preservada, tradição mantida. Agora, deixa eu passar o telefone para o Sena, ele tá pedindo.
[O Sena citado por Dalva é o ex-vereador Luís Sena, que no dia 1º foi um dos últimos a sair do Café Pomar, lamentando o fechamento. Nesta segunda, o cururu estava numa alegria só. Alegria mais do que justificada: além da preocupação com a história, ele voltará a ter seu espaço para tomar o chá e até o cafezinho quando Sra. Sena estiver, digamos, indisposta para preparar a primeira refeição do dia…].

CAFÉ POMAR REABRE DIA 26

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Café passa por reforma e reabre dia 26 (Foto Pimenta).


O gostinho do bom café, do chá mate com limão geladinho e do bolinho Bombocado, e a boa prosa em Itabuna serão preservados.
A família Mariano aceitou a proposta da empresária Dalva Dantas e o Café Pomar será reaberto no próximo dia 26. O café é o mais antigo da cidade.
Ela confirmou há pouco a negociação, numa prova de que nem tudo em Itabuna está perdido. O Pimenta conversou com Dalva. Um papo rápido, que publicaremos ainda hoje.

O HISTÓRICO CAFÉ POMAR BAIXA AS PORTAS. PELA ÚLTIMA VEZ

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PORTAS CERRADAS: Café Pomar fecha às vésperas do centenário de Itabuna (Foto Pimenta).

Foram 67 anos de história. Passava um pouco das 18 horas desta terça-feira, dia 30 de junho de 2010, quando o Café Pomar, um dos estabelecimentos comerciais mais emblemáticos de Itabuna, fechou as portas. Pela última vez.

O café foi inaugurado em 1943, pelo comerciante Bartolomeu Mariano, e desde 1959 é administrado por Roberto Mariano, filho de “Bartô”, como o fundador era conhecido. Ao longo de quase sete décadas, o local se tornou ponto de encontro de figuras como o saudoso jornalista Ariston Caldas, o sindicalista e ex-vereador Luís Sena, o músico Davi da Silva e muitos outros.

Sena e Davi relembram histórias no Café Pomar (Foto Pimenta).

Frequentadores habituais compareceram hoje ao café, para se despedir. Seu Mariano não assistiu ao fechamento, preferiu ficar longe, em Salvador. Entre a freguesia, lembranças e uma certa tristeza, mas sem perder o humor.

O velho músico Davi lamentava perder não somente o café e o mate gelado com limão, mas também outras peculiaridades do lugar. “Amigo, aqui se contava cada mentira que você nem pode imaginar… Vou sentir falta”, suspirava. Sena, no mesmo espírito, manifestava preocupação com o café-da-manhã dos maridos em conflito doméstico. “Onde é que esse pessoal vai tomar café quando brigar com a patroa?”, indagava, emendando que em Itabuna existem outros cafés, mas nenhum com “a alma” do Pomar.

O café de Seu Mariano se identifica com boa parte da história de Itabuna, o que torna dolorosa essa perda, principalmente no momento em que a cidade está às vésperas do centenário. Com o fechamento do Pomar, a cidade morre um pouco, fica um sentimento de perda, ausência e saudade de um tempo que também vai morrendo.

Rosilene atende clientes na despedida do café do Seu Mariano.

Rosilene Ferreira  Mariano, a neta de “Seu Bartô”, foi quem dirigiu o último ato do Café Pomar. Ao Pimenta, ela explicou que o negócio já não era viável, as despesas estavam maiores que as receitas.

Alguns acham que a tradição era o charme do estabelecimento. Outros acreditam que a empresa ficou velha e muitos dos fregueses antigos se foram, sem que tenha ocorrido renovação da clientela.

A neta do patriarca não escondia o lamento, ao sepultar uma parte significativa da história grapiúna. Mas, encarando a realidade em toda a sua dureza, disse-nos: “infelizmente, tradição não paga as contas”. E Itabuna, quando quitará a enorme dívida que acumula com a sua memória? Talvez nunca…

O CABOCLO MARCELINO

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Publicação da década de 30 traz imagem do Caboclo Marcelino

Publicação da década de 30 traz imagem do Caboclo Marcelino

Caboclo Marcelino é um personagem pouco conhecido na embaçada história regional, mas na década de 30 ele se destacou  no sul da Bahia. Em Olivença, sua terra natal, era um defensor ativo da ideia de que aquele chão pertencia aos seus ancestrais indígenas.

Por conta dessa “heresia” e por ser considerado um comunista numa região de coronéis e simpatizantes do integralismo (versão verde-e-amarela do nazi-fascismo), o Caboclo Marcelino foi demonizado e perseguido. Atribuíram-lhe crimes como estupro e assassinato e negaram sua condição de indígena, porque sabia ler e escrever e não se parecia com os índios do tempo de Cabral.

A vida do caboclo e o contexto político em que ele viveu serão tema do II Seminário de História Indígnena, a ser realizado na Uesc, nos dias 24 e 25 de setembro. O evento é uma iniciativa do Centro Acadêmico de História, além do colegiado deste curso e do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas.

A abordagem do tema será do professor Marcelo Lins,  autor de pesquisas que desmistificam a história regional. No seminário, ele vai contar com a colaboração do também professor, e historiador, Arléo  Barbosa.

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