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8 de abril de 2020 | 07:23 pm

UNIVERSO PARALELO

Tempo de leitura: 4 minutos

UM AMOR COM CHORO, GRITOS E CLAMORES

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1Ilhéus

De ótimo texto sobre Ilhéus, assinado por Gerson Marques (“Oração para a bela e triste senhora do atlântico”, aqui no Pimenta na Muqueca), esta coluna reproduz um trecho: “Não existe uma só Ilhéus, existe uma Ilhéus dentro de cada um que a ama, que a conhece, que em suas fontes bebe, que em suas curvas se perde. Assim sendo, não se ama essa terra de uma única forma, ama-se por vezes chorando, clamando e gritando, ama-se na contradição, na expressão do verbo, no suor do trabalho, na tristeza do filho perdido, na dor dos sonhos fruídos, na ausência de carinho, mas também na paixão infinita”. Tem mais, a seguir.

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Restam as ruínas do passado glorioso

“Aqui, parece se odiar para amar, vê-se em seus filhos eleitos a ausência completa de amor por ti, vê-se no lixo jogado à rua, na insanidade dos mangues invadidos, nas obras tortas de mau gosto que triunfam sobre suas ruínas de passado glorioso, no desprezo das autoridades à decência de seu povo, na usura pútrida de quem imagina enganar as massas com sorrisos vazios e promessas furtivas, vê-se em verdade uma completa falta de respeito por sua feminilidade atlântica, sua essência de deusa, seu esplendor de musa, suas curvas de rainha.” Um momento feliz, uma saudação merecida a esta terra-mãe da região cacaueira, um grito contra filhos que a desmerecem.

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DE CHEIROS, SABORES E MEMÓRIAS ANTIGAS

3CheiroÀ sombra dos laranjais, último romance de Marcos Santarrita (1941-2011), ainda inédito, teve como título provisório Cheiro bom de mulher, o que me remeteu, já não digo a uma pesquisa, mas a rápida reflexão sobre o tema. Se existe um cheiro típico de mulher, e que importância tem esse cheiro foram as motivações deste “pesquisador”. Não, não saí por aí a farejar louras, morenas, negras e ruivas (quem me dera!), mas me vali de observações de terceiros e da minha própria memória olfativa (ai, meu Deus!), que está mais viva do que imaginava minha vã e pessimista filosofia.
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Mulher possui cheiro “indescritível”
Concluí que mulher possui cheiro exclusivo, capaz de ser percebido mesmo que estejamos de olhos fechados. E é tão único quanto uma impressão digital: Ana cheira diferente de Maria, que não exala o mesmo perfume de Francisca, enquanto esta tem pouco a ver com Madalena… mas todas cheiram tão bem, graças a Deus! Cheiro de mulher não se descreve. Talvez seja uma mistura de perfume propriamente dito com sabonete, creme para a pele, xampu, esmalte de unha, batom e demais ingredientes que vocês imaginem. Digo que a parte feminina mais cheirosa é o pescoço, e provo lembrando quanto pescoço vejo cheirado em público.
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5Salto altoCheiro bom montado em sapato Luiz XV

Alguém um pouquinho mais desocupado do que eu procurou saber o que nas mulheres mais atrai os homens (a pesquisa não permitia palavrões) e encontrou o cheiro na ponta da tabela. Houve respostas que tangenciaram a tara e adentraram o fetiche: existe nego vidrado em biquíni, uns se sentem atraídos por mulher burrinha, outros preferem o tipo “cabeça”, houve um cara que destacou “a capacidade de chorar”, outro se disse “fissurado em mulher que sabe… ouvir!” e por aí vai. Transportando-me para a pesquisa (nunca me ouvem nessas entrevistas!) eu apontaria nas mulheres não um atrativo, mas dois: cheiro bom e sapato alto.

 

ENTRE PARÊNTESES, OU…

Entre a moralidade e a esperteza
Aviões da FAB cruzam os céus, no afã de transportar autoridades em dolce far niente. E o presidente do STF, Joaquim Barbosa, equipara-se a Renan Calheiros e outros useiros e vezeiros em espertezas: viajou ao Rio, com dinheiro do Tribunal, para assistir ao jogo Brasil x Inglaterra. “Joaquim Barbosa?” – perguntaria a gentil e desinformada leitora. Ele mesmo, aquele que analistas apressados elevaram ao panteão dos heróis nacionais. À mente me vem uma reflexão do humorista Stanislaw Ponte Preta, cinquentenária, mas atual como se fosse nascida ontem: “Ou restaure-se a moralidade ou nos locupletemos todos.” Até tu, Quincas?

SOM DE IPANEMA QUE CONQUISTOU O MUNDO

7Tom Getz Gilberto
Garota de Ipanema é canção clássica da MPB, eternizada no disco fundamental, já comentado aqui, Getz/Gilberto, fruto da implicância de João Gilberto (na foto, com Tom Jobim e Stan Getz), em 1964. É um dos temas mais gravados do mundo, tendo registros de Pery Ribeiro (o primeiro, em 1962), Astrud Gilberto (no LP referido), Frank Sinatra, Cher, João Gilberto, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Amy Winehouse, Roberto Carlos, Gal Costa, Madonna, Toquinho e outros. Até uma certa Xuxa se permitiu um atentado contra esse texto sagrado – numa novela (da Globo, é óbvio). Dizem ser a segunda gravação mais tocada do mundo, vencida somente por Yesterday, dos Beatles.
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Tom Jobim, no auge da fama, em 1967
É pouco divulgado que Vinícius titulou a canção como Menina que passa, cuja letra pouco inspirada falava de um sujeito que “vinha cansado de tudo/ de tantos caminhos/ tão sem poesia/ tão sem passarinhos…” , para descambar nesta quadra: “Eu vi a menina/ que vinha num passo/ cheio de balanço/ caminho do mar”. Tom e Vinícius não gostaram desse resultado e, mais tarde, ao ver passar o balanço de Helô Pinheiro, o poetinha fez a letra definitiva. O vídeo mostra Tom no auge da fama, ao gravar o disco Francis Albert Sinatra e Antônio Carlos Jobim, em 1967. Uma curiosidade é Tom ao violão, quando o público se habituou a vê-lo ao piano ou à flauta transversal.

(O.C.)

JOAQUIM BARBOSA DESCARTA 2014

Tempo de leitura: < 1 minuto
Barbosa rejeita ideia de disputar presidência da Repúbica.

Barbosa rejeita ideia de disputar presidência da República.

Aparecendo em pesquisas eleitorais com índices que variam de 3% a 7% das intenções de voto na sucessão presidencial de 2014, Joaquim Barbosa, ministro do Supremo Tribunal Federal, concedia entrevista há pouco. Falava do encontro que teve no Palácio do Planalto e descartou participar do processo eleitoral como candidato:
– Não tenho a menor vontade de me lançar candidato a presidente da República.
Barbosa também disse que é a favor do pacto nacional por melhorias no país, proposto pela presidente da República, Dilma Rousseff.

UNIVERSO PARALELO

Tempo de leitura: 5 minutos

“SE A MONTANHA NÃO VAI A MAOMÉ…”

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br
001BilacPor e-mail, questionam-me sobre a diferença entre plágio e citação, dúvida que para mim tem quase a idade do ovo e da galinha. Fazendo árbitro o dicionário, fica fácil: plágio é cópia ilegal, apropriação indébita da produção de outra pessoa, coisa sorrateira, sub-reptícia; já a citação exige remessa à fonte, creditando-se a autoria, tudo dito e feito às claras. Mas essa abordagem lexicográfica não satisfaz à consulente (ops!), e a mim muito menos: no escrever, é frequente a referência a outros autores, sem citação de fonte, e que não é plágio, mas homenagem. Certas expressões se tornam de domínio público, a exemplo de “ajuda luxuosa”, “se a montanha não vai a Maomé…”, “última flor do Lácio”…

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“Sou apenas um pobre homem de Itabuna”
No belo poema “Cacau, canto, clamor”, do livro Poesia reunida e inéditos, Florisvaldo Mattos escreve sobre a ascensão e queda da agricultura regional: “…livres de turbantes, burkas e sandálias,/ outros mais, mais outros, enfim dezenas,/ vieram, por desejo de erguer e construir/ o que a alma na carne gravara como dívida”.  É evidente a citação de “As pombas”, de Raimundo Correia (em itálico) – e eu, de propósito, citei Ascensão e queda do terceiro reich, de William Shirer. Hélio Pólvora, um dos poucos para quem vale o lugar-comum “dispensa apresentação”, costuma autointitular-se “apenas um pobre homem de Itabuna” – Eça de Queirós (1845-1900) se disse “apenas um pobre homem de Póvoa de Varzim”.
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Voltaire é citado em diário de Itabuna
003CândidoEm artigo recente em importante jornal diário, o autor diz que o povo de Itabuna não vive “no melhor dos mundos” – empregando, bem, uma expressão tirada de Voltaire (1694-1778), em Cândido ou O otimismo. Machado de Assis, com sua vasta cultura, usou muito a citação, às vezes em língua estrangeira: Et nunc et semper (do latim, “nunca e sempre”), no conto O anel de Polícrates, é de São Mateus, 5:9; “… como a esposa que desce do Líbano”, no conto Último capítulo, vem do Cântico dos Cânticos. E é impossível não lembrar que Hemingway tirou do livro de Salomão um dos títulos mais importantes da literatura mundial: O sol também se levanta. A citação, sobre ser prova de conhecimento e bom gosto, é homenagem ao citado e ao leitor perspicaz.
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(ENTRE PARÊNTESES)

É impenetrável o raciocínio da chamada nova direita brasileira: enquanto cerca de 96% dos crimes são cometidos por bandidos adultos, ela se preocupa com o potencial de 3-4% representado pelos menores. Daí, prega que, ao reduzir a maioridade penal (e fechar os olhos aos criminosos engravatados, fardados, togados, nomeados ou concursados), reduz a criminalidade. Combater o crime tornando adultos os marginais infanto-juvenis me lembra a anedota sobre o cara que encontrou a mulher (lá dele!) no sofá, em intimidades com Ricardão. A gentil leitora e o atento leitor sabem como ele resolveu o problema: vendeu o sofá.

ALIENAÇÃO E CONCEITOS POR EMPRÉSTIMO

005VenezuelaNo ano passado, um deputado inglês, em palestra na Universidade de Oxford, chamou a atenção sobre “como ter pouco conhecimento é perigoso”. Isto não quer dizer que nos devemos transformar todos em sábios, como num passe de mágica, o que seria impossível; mas que precisamos aprofundar um pouco mais nossas informações, se queremos sair por aí dando opinião. Sobre Hugo Chávez, por exemplo (o tema da palestra do parlamentar), se um indivíduo disser  “não sei quem foi”, será um alienado; se disser “foi um ditador da Venezuela”, entrará para a lista dos que alardeiam conceitos tomados de empréstimo, talvez ouvidos em algum telejornal.
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Como o “inocente útil” se faz perigoso

O alienado não influi nem contribui, é um inocente inútil; o outro, também inocente (mas útil), é perigoso, pois anda a espalhar “verdades” sob encomenda. É por esse caminho do “pouco conhecimento” que elegemos candidatos inadequados (para empregar um eufemismo) ou transformamos em herói qualquer pessoa que, a exemplo do jurista Joaquim Barbosa, desempenhe razoavelmente bem suas funções. Tentei evitar Brecht, mas não pude: “Triste do povo que precisa de heróis”. A ideia de fazer de JB presidente da República seria hilariante, se não fosse infeliz. Mas eu confesso que gostei quando ele disse que os três maiores jornais brasileiros são “mais ou menos” de direita. É óbvio, mas me fez bem ouvir.

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A MELHOR “CAIPIRA” DE TODOS OS TEMPOS

007Jeca TatuNenhuma lista (relação, antologia ou coisa que o valha) é inquestionável, pois sempre reflete a opinião de quem a fez. Mas isto nunca foi obstáculo para quem gosta de listar os “melhores” (ou “maiores”) de qualquer coisa. Veículos de imprensa do mundo inteiro andam, às vezes, por esse caminho, e eu, confesso, gosto de ler tais seleções – que me dão o pensamento médio dos outros. Em 2009, a Folha de S. Paulo reuniu dezesseis críticos, pesquisadores e compositores, para escolher as melhores músicas caipiras de todos os tempos. No topo da lista, como melhor de todas, ficou Tristeza do Jeca, de Angelino de Oliveira (1888-1964) – compositor paulista nascido em Itaporanga.
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Com 95 anos, parece novinha em folha

Tristeza no Jeca nasceu a 24 de maio de 1918, cantada em público pela primeira vez, pelo autor. Conta, portanto, 95 anos, e parece novinha em folha. Teve gravações de diversos artistas, antigos e novos, caipiras e “caipiras”, mas o registro fundamental é da dupla Tonico e Tinoco. A canção se baseia no livro de Monteiro Lobato, Urupês, que deu vida longa a Jeca Tatu, o tipo rural infeliz e doente, típico brasileiro excluído, morador dos grotões da Pátria. Aqui, a interpretação de Paula Fernandes, ao lado de Sérgio Reis e Renato Teixeira. A gentil leitora, exigente, questionará se a bela Paula já cursou ao menos um semestre de violão; o leitor, de olho rútilo, não questionará nada.

(O.C.)

JOAQUIM BARBOSA ENTRE 100 MAIS INFLUENTES DO MUNDO NA LISTA DA "TIME"

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Ministro Joaquim Barbosa preside o STF (Foto Fellipe Sampaio).

Ministro Joaquim Barbosa preside o STF (Foto Fellipe Sampaio).

Da Folha
O ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), entrou para a lista das cem pessoas mais influentes do mundo em 2013, publicada pela revista americana Time. Outro brasileiro incluído na lista é o chef Alex Atala.
Para revista, o presidente do Supremo “simboliza a promessa de um novo Brasil” comprometido com a diversidade cultural e com a igualdade.
A revista menciona o fato de Barbosa ser o primeiro negro a chegar a presidência da mais alta Corte e destaca a importância de sua atuação no cargo.
A “Time” cita também o fato de Barbosa ter sido nomeado por Luiz Inácio Lula da Silva em 2003 para STF e que, para a revista, demonstrar ser um juiz independente, pois participou da condenação de políticos próximos ao ex-presidente no ano passado, referindo-se a José Dirceu e outros petistas, réus no escândalo do mensalão.
Leia a íntegra

DATAFOLHA: DILMA VENCERIA NO 1º TURNO

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Datafolha aponta reeleição de Dilma em 1º turno.

Datafolha aponta reeleição de Dilma em 1º turno.

A um ano e meio da eleição presidencial, nova pesquisa Datafolha traz a presidente Dilma Rousseff em “fase de crescimento”. A petista cresceu 4 pontos percentuais em relação à pesquisa de dezembro e bateria todos os adversários e venceria a eleição em primeiro turno com 58% das intenções de voto ante 16% de Marina Silva (Rede).
Aécio Neves (PSDB) atinge 10% e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), aparece com 6%. Feita nos dias 20 e 21 de março, a pesquisa ouviu 2.653 pessoas nos dias 20 e 21 últimos em 166 municípios. Enquanto Dilma cresceu 4 pontos, os demais oscilaram dentro da margem de erro. Marina caiu de 18% para 16%, Aécio foi de 12% a 10% e Campos passou de 4% a 6%.
A pesquisa também apontou cenário com o ex-presidente Lula, que alcança 60% das intenções de voto, contra 16% de Marina, 10% de Aécio e 4% de Eduardo Campos. Em dois cenários, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, aparece com 7%.

JOAQUIM BARBOSA "CHUTA O BALDE" AO FALAR DE CORRUPÇÃO NO JUDICIÁRIO

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Confira comentário, em vídeo, do jornalista Bob Fernandes sobre o comentário do ministro Joaquim Barbosa relativo à corrupção no judiciário brasileiro. Fernandes toca em outro ponto quando o tema é corrupção no Brasil: fala-se muito dos corruptos, mas são “esquecidos” os corruptores.

NILO ASSUME RESPONSABILIDADE POR “RECUSA” DE TÍTULO A BARBOSA

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Biaggio Talento | A Tarde

Joaquim Barbosa, presidente do STF.

Joaquim Barbosa, presidente do STF.

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Marcelo Nilo (PDT) assumiu nessa sexta, 28, a responsabilidade pela não inclusão do nome do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, na lista de personalidades que a Casa concedeu o título de “cidadão baiano” na última sessão do Legislativo, quarta à noite. No entanto, fez questão de esclarecer que a não-concessão deveu-se a um problema “técnico”, nada relacionado a eventual “vingança” contra a figura de Barbosa, relator do processo do mensalão.

Segundo Nilo, os deputados elaboram, por acordo, a lista das pessoas a ser submetida a votação secreta na Casa para a distribuição dos títulos. “Eu já estava apurando os votos das nove personalidades que os parlamentares propuseram para receber o título (entre os quais o deputado Ronaldo Caiado o o ex-jogador do Flamengo e Vitória Petkovic) quando apareceu o deputado Luciano Simões (PMDB) pedindo para incluir o nome do ministro Barbosa. Ai eu disse que não era mais possível”, explicou o presidente da Assembleia.

Leia a íntegra n´A Tarde

 

“JOAQUIM BARBOSA 2014”

Tempo de leitura: < 1 minuto

Veículos já circulam por Itabuna com adesivo “Joaquim Presidente” (Foto Pimenta).

O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), já ganhou campanha espontânea para que se candidate à presidência da República em 2014 depois do seu desempenho como relator do “Mensalão do PT”.

A campanha pela candidatura está na internet e começou a ganhar as ruas. Em Itabuna, sul da Bahia, já é possível ver veículos circulando com adesivos da campanha do “Negão e Herói”, como vem sendo chamado nas redes sociais.

O site pela candidatura de Barbosa traz a biografia do ministro, fotos, charges, depoimentos e um link para que cada cidadão possa baixar arquivo com o adesivo pedindo a candidatura do “presidenciável”.

A página na internet (joaquimbarbosapresidente.com.br) traz o slogan da campanha (“Somos brasileiros que acreditam que o Brasil só achará seu caminho com um presidente sério”).

Site defende candidatura a presidente do ministro do STF (Reprodução Pimenta).

HERÓI NEGÃO PINTA O BRASIL COM AS CORES DA JUSTIÇA

Tempo de leitura: 3 minutos

Celina Santos | celinasantos2@gmail.com

Lamenta-se apenas que só agora um escândalo de corrupção seja, efetivamente, punido. Porque as mazelas decorrentes da indignidade dos homens públicos não datam da atualidade. Falando, porém, dos fatos mais recentes, cogita-se que o próprio instituto da reeleição tenha custado milhões ao nosso bolso

Peço licença para iniciar esse texto parafraseando o jornalista Arnaldo Jabor, que joga com maestria ao usar as palavras: “Por ironia do destino, o ministro Joaquim Barbosa, bisneto de escravos, é quem liberta o Brasil da impunidade”. Neste ano de 2012, todos nós, brasileiros, vemos brilhar na televisão um homem negro, do tipo que não teria espaço para ser protagonista da novela das 9. Mas é o personagem principal de uma real e contemporânea novela: O Julgamento do Mensalão.

O hoje ministro Joaquim Barbosa, filho de pedreiro e dona-de-casa, que estudou em escola pública, foi alvo de “n” piadas racistas na escola e nas festas de aniversário a que ia quando menino. Mas eis que surge gigante na sala de nossas casas. É grandioso porque não se curva diante da corrupção, é firme em seus princípios e faz uma leitura tão sensata dos fatos que não deixa alternativa aos seus pares, a não ser votar pela condenação dos réus.

Joaquim, que tem nome, aparência e origem comuns à maior parte dos brasileiros, enche de orgulho essa nação tão massacrada pelos escândalos protagonizados por nossos “representantes”. Ele é digno de aplausos até mesmo quando recusou todos os convites para jogar futebol junto a políticos no Palácio da Alvorada. Simplesmente, não queria suposições maldosas maculando a imagem dele.

O nobre ministro, o primeiro negro a ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) e o primeiro a chegar à presidência da suprema corte da Justiça brasileira, torna-se referência para outros negros. Muito mais do que isso: virou ícone para todos os homens e mulheres, crianças e adultos, brancos e negros que primem pela dignidade acima de tudo.

Barbosa, com a coragem de dizer “basta” à impunidade, inaugura uma nova era no Brasil. Chegou a hora de os corruptos pensarem duas vezes antes de desviar milhões dos cofres públicos, comprometendo saúde, educação, saneamento e tantos outros setores que levariam à tão sonhada – e muitas vezes distante – qualidade de vida para a população.

Lamenta-se apenas que só agora um escândalo de corrupção seja, efetivamente, punido. Porque as mazelas decorrentes da indignidade dos homens públicos não datam da atualidade. Falando, porém, dos fatos mais recentes, cogita-se que o próprio instituto da reeleição tenha custado milhões ao nosso bolso, já achacado pelas maiores taxas de impostos do mundo. Àquele momento, nada denunciado nem punido. Passou.

Mas jamais passou nem passará nossa indignação com as tentativas de se burlar a lei e a responsabilidade com a coisa pública. Estaremos sempre à espera de alguém que seja nossa voz e faça valer os “direitos iguais” previstos em nossa bela legislação. E veio o também nosso Joaquim Barbosa. Como diz uma hilária postagem no Facebook, “Batman é para os fracos; o meu herói é negão!”.

Se essa negona aqui tivesse a chance de ficar frente a frente com Joaquim Barbosa, certamente iria beijar-lhe a mão. Não porque se trata de um Excelentíssimo Senhor Ministro do Supremo Tribunal Federal. Mas, sobretudo, porque é um homem cuja direção aponta para a retidão de caráter. Por isso, pode impor respeito aonde quer que vá. Esse Negão (assim mesmo, como letra maiúscula) acrescentou à bandeira do Brasil a cintilante cor da Justiça. Com toda reverência que ele merece, dá-lhe Joaquim Barbosa!

Celina Santos é chefe de redação do Diário Bahia.

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