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7 de maio de 2021 | 04:29 am

GUINHO, O ESPORTE E A TAÇA DE VICE-PREFEITO NAS MÃOS

Tempo de leitura: 2 minutos

Eu não sei de quem foi a nobre ideia de garantir o vice-prefeito Enderson Guinho na Secretaria de Esportes, mas foi, de longe, uma das grandes decisões do governo de Augusto Castro, atual prefeito de Itabuna.

Manuela Berbert

Se a educação convencional e presencial já demonstrava falência especialmente nas comunidades carentes, a pandemia veio para fragilizá-la ainda mais. Sem a presença obrigatória na sala de aula e a falta de recursos para uma condição mínima de conhecimento, não quero nem imaginar o resultado disso tudo a médio e longo prazo. Sabemos que a preocupação é e deve estar voltada para a fome e a sobrevivência de todos, mas não precisamos ter bola de cristal para imaginarmos que a pandemia vai passar, mas muitas consequências dela serão irreversíveis.

Trago para a discussão, neste momento, a importância da valorização do esporte como alternativa não somente como qualidade de vida, mas também como entretenimento. Uma tentativa, sendo bem direta nas palavras, de salvar os jovens e as crianças do ócio, desocupação que proporciona o contato com as drogas, que empodera a criminalidade, e segue num círculo destrutivo que a gente já conhece. É triste, é lamentável e é a degradação do ser humano tanto quanto uma doença, porque também destrói famílias direta e indiretamente.

Eu não sei de quem foi a nobre ideia de garantir o vice-prefeito Enderson Guinho na Secretaria de Esportes, mas foi, de longe, uma das grandes decisões do governo de Augusto Castro, atual prefeito de Itabuna. Guinho, que passou o último mandato como vereador, foi um ferrenho combatente do governo inexpressivo de Fernando Gomes. Com muita responsabilidade, ele é perspicaz e circula muitíssimo bem em todas as classes, o que lhe garante o título de liderança de muitos e diferentes times, mas, especialmente, dos jovens.

Não precisa ser expert em política para entender que a composição de vices é, muitas vezes, jogada para tempo de TV e apoio de partidos e que muitos, após eleitos, seguem à sombra e não se destacam. Guinho, que é vice-prefeito e acumula o cargo de secretário de Esportes e Lazer, desde o primeiro momento vem circulando nos bairros almejando a reforma de quadras esportivas e, na última semana, apareceu resgatando time e estádio, num pontapé inicial que já marca espaço e avança na pontuação do seu novo mandato. Avante, capitão!

Manuela Berbert é publicitária.

POR QUE AINDA NOS INCOMODAMOS TANTO COM ESSE ASSUNTO?

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A Deus, o nosso destino. A nós, a tentativa de acolhimento de todos! Estamos juntos?

Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br

Após um período sabático, estou de volta aos artigos. Falaremos sobre a vida, cotidiano, empreendedorismo e política, sempre aos domingos. E eu pensei em começar esse texto de diversas formas ou com um título autoexplicativo, mas optei por deixar o questionamento no ar justamente para que ele não selecione, logo no comecinho, os “interessados” ou não pelo tema. Precisamos falar sobre isso, sem reservas. Todos nós!

Durante oito anos estive à frente da comunicação da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna. Pedir desligamento, no segundo semestre de 2019, foi uma das decisões mais difíceis da minha vida, e isso não é segredo para ninguém. De um lado, a vontade absurda de, enfim, tocar a minha empresa de Comunicação e Eventos. Por outro, além do medo do novo, a paixão pela gestão de Dr. Eric Júnior enquanto provedor, já que eu coordenava sua equipe de comunicação (tendo ao lado uma das maiores profissionais de produção, gestão e marketing da região, Jaqueline Simões). A inteligência dele, acima da média, rapidez de raciocínio e garra, contagiam, e sou prova viva disso. Eram 298 desafios por dia, mas que me prepararam para a independência profissional como nenhuma outra experiência! Saí, e meses depois fui (fomos) surpreendidos pela pandemia. No primeiro momento, inúmeros questionamentos. Hoje, tenho a certeza de que não tinha condições emocionais de passar por este momento ali dentro.

Assisti, na última semana, a Dr. Eric Junior na TV (atualmente coordenando a UTI Covid-19) falando dos capacetes que evitam a intubação, e me emocionei vendo o quanto está visivelmente exausto! Todos os médicos estão exaustos! Os enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas e demais profissionais. Os empresários também estão exaustos! Os pais de família estão exaustos! As mães estão exaustas! Aquelas que nunca exerceram a função de professoras dos próprios filhos estão exaustas! Os professores lidando com ensino à distância também estão! Os jovens que sonharam com a vida acadêmica estão exaustos! Os adolescentes privados do convívio com os amigos estão exaustos! As crianças estão exaustas! Estamos todos! E a cobrança de ser bom, bonito e bem sucedido neste momento deixa uma poeira densa e ainda mais pesada no ar. Por isso, precisamos falar de saúde mental! Abertamente! Para nos ajudarmos a passar por esta fase tão delicada que jamais imaginamos um dia, e que não tem um fim definido. Por que ainda nos incomodamos tanto com esse assunto?

Ao mesmo tempo, diante de todo o caos, é preciso lembrar que estamos aqui! Estamos vivos! E precisamos passar por esta vida sentindo o coração pulsar de verdade, para termos a sensação de não estarmos vivendo em vão. Precisamos sonhar, embora a pandemia esteja aí nos provando que não temos o controle de nada. Que dubiedade de sentimentos! Uma loucura coletiva a qual fomos todos expostos, e que o “salve-se quem puder” não reverbera, afinal a doença é pandêmica, embora o tratamento e sintomas sejam tão individuais. A Deus, o nosso destino. A nós, a tentativa de acolhimento de todos! Estamos juntos?

Manu Berbert é publicitária!

JUDOCA DE CANAVIEIRAS CONQUISTA OURO E BRONZE NOS JOGOS DA JUVENTUDE

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A delegação baiana já conquistou 10 medalhas em Brasília|| Foto Dayse Faleta/Ascom Sudesb

O judoca Arnou Sena Netto, que estuda no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, em Canavieira, foi um dos destaques da delegação baiana que disputou a primeira etapa nacional dos Jogos Escolares da Juventude.  O evento esportivo, que está sendo realizado em Brasília, reúne atletas de 12 a 17 anos.

Os Jogos Escolares contam com a participação de mais de 2 milhões de atletas de 40 mil escolas públicas e privadas de 3.950 municípios brasileiros. As disputas por medalhas ocorrem em  14 modalidades esportivas, entre quais judô,  handebol, basquetebol, voleibol e futsal. Na primeira etapa do evento foram realizadas as modalidades individuais e os atletas da Bahia conquistaram 10 medalhas, sendo que duas com Arnou Sena Netto.

Os jovens baianos faturaram duas medalhas de ouro, uma de prata e quatro de bronze, na modalidade de judô; medalha de prata no vôlei de praia, dupla masculina; uma medalha de bronze, até então inédita, na luta olímpica (categoria por equipe mista) e mais uma de bronze no atletismo, na prova de 3.000 M. Os Jogos da Juventude  seguem até o próximo sábado (25).

CARREIRA DE PROFESSOR DESPERTA CADA VEZ MENOS O INTERESSE DE JOVENS

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Carreira de professor cada vez atrai menos jovens || Foto Gidelzo Silva

Carreira de professor cada vez atrai menos jovens || Foto Gidelzo Silva

A falta de reconhecimento e de condições de trabalho tem atraído cada vez menos alunos para uma profissão que já esteve entre as mais valorizadas no país: a de professor. O Dia do Professor é hoje, mas há motivo para comemorar?

A cada 100 jovens que ingressam nos cursos de pedagogia e licenciatura no país, apenas 51 concluem o curso. Entre os que chegam ao final do curso, só 27 manifestam interesse em seguir carreira no magistério. As informações foram levantadas pelo movimento Todos Pela Educação, com base em dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

“Temos um apagão de professores, principalmente pela desvalorização. A gente já atrai pouco e, dos que vão para a formação inicial, poucos permanecem na carreira. E não se consegue ter uma área de atuação que consiga atrair os melhores alunos do ensino médio”, diz a presidente executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz.

Na opinião de Priscila, entre as políticas de atratividade necessárias para aumentar o interesse na profissão está a melhoria dos salários. Segundo Priscila, atualmente o professor ganha metade do que os profissionais de outras áreas com ensino superior completo. “Realmente fica difícil atrair os melhores alunos do ensino médio para a carreira se a gente não conseguir fazer com que o salário melhore”, acrescenta.

Priscila destaca que é preciso melhorar também as condições de trabalho do professor. A proximidade dos jovens com a profissão faz com que eles vejam de perto a realidade dos professores, que nem sempre é atrativa. “O fato de o jovem verificar no seu dia a dia que os professores não são valorizados, e muitas vezes são atacados pelos próprios jovens, pelas famílias, pela sociedade, pelo governo, isso faz com que o jovem desista da profissão”, lamenta Priscila.

DESMOTIVAÇÃO

Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, a falta de políticas que valorizem os profissionais da educação desmotiva os profissionais. Segundo Heleno, existe atualmente um processo de disputa muito grande com outras profissões, que oferecem melhor remuneração.

“Até os profissionais de pedagogia estão fugindo dessa profissão, porque os salários são diferentes, e vão fazer o seu trabalho em outros espaços, que têm uma valorização maior”.

Ele ressalta que, apesar de alguns avanços nos últimos anos no processo de valorização dos profissionais da educação, como a lei do piso nacional do magistério, ainda há dificuldades, como o descumprimento, em alguns estados e municípios, da legislação que define o mínimo a ser pago a profissionais em início de carreira, além do achatamento da carreira de professor.  “Há estados que pagam o piso para o professor do nível médio e o mesmo valor para nível superior”, diz Heleno Araújo.

De acordo com a CNTE, em 2004 o salário dos professores no país representava cerca de 60% da média salarial de outras profissões – atualmente é 52% da média. “Este é o movimento inverso do Plano Nacional de Educação, que diz que, até 2020, o salário médio dos professores deve ser equiparado ao salário médio de outras profissões”, afirma.

PLANO NACIONAL

O Ministério da Educação (MEC) deve lançar nos próximos dias uma política nacional de formação de professores, já articulada à Base Nacional Comum Curricular, que vai focar na valorização dos profissionais. Segundo o MEC, está em estudo a ampliação das oportunidades das licenciaturas para a nova geração de docentes da educação básica e também para os que já estão em sala de aula.

Para o MEC, a valorização do professor é fundamental para a educação. “Existe a clareza de que o professor tem um papel central no desenvolvimento educacional de nossos estudantes e de que, para exercer essa profissão, ele precisa ser valorizado em todas as suas dimensões”, diz o ministério, em nota. Agência Brasil.

MARCOS BANDEIRA DEFENDE APERFEIÇOAMENTO DAS VARAS DA INFÂNCIA

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Bandeira, ao centro, durante evento que reuniu magistrados brasileiros (Foto Divulgação).

Bandeira, ao centro, durante evento que reuniu magistrados brasileiros (Foto Divulgação).

O aperfeiçoamento para magistrados e servidores das varas da Infância e Juventude de todo o país foi defendido pelo juiz Marcos Bandeira durante o VI Encontro de Coordenadores da Infância e Juventude dos Tribunais de Justiça, promovido no Rio de Janeiro, pela Associação Brasileira de Magistrados da Infância. O encontro, na sexta (14), no auditório do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, contou com a presença de representantes de 23 estados e do Distrito Federal.

O magistrado itabunense sustentou a programação de uma grade permanente de cursos de aperfeiçoamento para magistrados e servidores, patrocinados pela Escola da Magistratura. Tratou de vários temas da infância, como Justiça Restaurativa, família acolhedora e adoção. Bandeira sugeriu, também, que os magistrados da infância e juventude de todo o país celebrem Termo de Cooperação Técnica com as Universidades, objetivando qualificar as pessoas que participem dos projetos encampados pela Vara da Infância e Juventude.

Ao final do encontro, os magistrados brasileiros sugeriram a criação de uma Coordenadora Nacional da Infância e Juventude vinculada ao Conselho Nacional de Justiça. Outra sugestão foi o encaminhamento ao CNJ para que os Tribunais de Justiça criem em suas estruturas as equipes técnicas interdisciplinares junto as Varas especializadas da Infância e Juventude.

REPÚDIO À REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

Os magistrados repudiaram a Proposta de Emenda Constitucional que reduz a maioridade penal. Manifestaram, no entanto, adesão ao projeto que majora o prazo de internação para oito anos nos atos infracionais considerados hediondos, gradativamente, de acordo com a faixa do adolescente infrator.

Titular da Vara da Infância e Juventude de Itabuna, Marcos Bandeira, que é membro da Coordenadoria da Infância do Tribunal de Justiça da Bahia, representou o Estado. O magistrado itabunense substituiu o desembargador Salomão Resedá.

O encontro foi presidido pelo presidente do colégio de coordenadores da Infância e Juventude e atual presidente da Associação Brasileira de Magistrados da Infância-Abraminj, Renato Rodovalho Scussel. O próximo encontro está previsto para 13 de novembro, em Belo Horizonte.

NOVOS GESTORES DO ROTARACT TOMAM POSSE NO SÁBADO

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Os novos gestores do Rotaract Itabuna Sul tomam posse neste sábado (25).

Os novos gestores do Rotaract Itabuna Sul tomam posse neste sábado (25).

Os novos gestores do Rotaract Itabuna Sul tomam posse em solenidade, neste sábado (25), a partir das 19h, no Grapiúna Tênis Clube. Washington Alves assume o comando da entidade que segue o lema do Rotary Internacional: “Seja um Presente para o Mundo”.

O evento terá a presença de várias entidades beneficentes que são acompanhadas pelo Rotaract Itabuna Sul. Haverá, também, homenagem a personalidades como a reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Adélia Pinheiro. Os homenageados receberão a Comenda Paul Harris, fundador do Rotary Club International.

O Rotaract Itabuna Sul é um clube de serviço voluntário, composto de jovens de 18 a 30 anos. Os associados se reúnem duas vezes por mês para trocar ideias, socializar e planejar atividades e projetos de cunho social. A sede do clube está situada na Rua Lafaiete Borborema, 18, no centro de Itabuna.

De acordo com os dirigentes, o jovem poderá, no Rotaract, “participar de projetos voluntários, fazer parte de uma rede internacional de jovens e encontrar oportunidades de desenvolvimento profissional.

A MISSÃO DE CADA UM DE NÓS

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Marcos-BandeiraMarcos Bandeira | marcos.bandeira@hotmail.com

Ele me passou a mensagem deixando à mostra minha missão terrena: nunca desistir das crianças, perseverar e lutar pelos seus direitos. Só assim poderemos sonhar com um amanhã promissor.

Ouvindo prazerosamente a boa música de João Nogueira intitulada Além do espelho,  paro e fixo-me no seu refrão: “A vida é mesmo uma missão, a morte é ilusão, só sabe quem viveu, pois quando o espelho é bom, ninguém jamais morreu”. Assim, me ponho a refletir na nossa condição humana de seres inacabados e imperfeitos nessa jornada transitória aqui na terra. Afinal, o questionamento é inevitável: qual será a nossa grande missão nesta vida?  Qual a razão pela qual estamos no mundo?  As respostas variam, pois somos seres singulares e cada um constrói a sua própria história e tem a sua própria missão.
No meu caso em particular, tenho uma inclinação, diria até uma identificação muito grande com os direitos das crianças, esses seres vulneráveis na condição peculiar de desenvolvimento. Muitos deles vivem em situação de dificuldade, sem lar, sem escola, sem pais, vítimas de violações de seus direitos pela família, pela sociedade e pelo próprio Estado. Muitos são incompreendidos pelos adultos que não toleram a sua nefasta presença. Numa sociedade capitalista e consumista como a nossa, são seres invisíveis, inúteis e descartáveis. Só são notados quando cometem um ato criminoso ou quando são trancafiados num orfanato, longe de nossos olhos. Parece até que alguns adultos esquecem que um dia também foram crianças.
A história de *Rodrigo retrata a vida de uma criança que aos seis anos de idade foi castigado cruelmente pelos seus genitores e retirado abruptamente do convívio com seus dois irmãos. O Juiz da localidade onde morava, decretou a perda do poder familiar dos genitores de Rodrigo e determinou a separação dos irmãos. Um dos irmãos de Rodrigo foi adotado por uma família no sertão, enquanto Rodrigo e sua irmã mais velha vieram para serem acolhidos no SOS Canto da Criança em Itabuna. Um trauma terrível em sua vida.
Quando Rodrigo chegou, era franzino e diabético, sendo obrigado a tomar medicamentos todos os dias para controlar sua enfermidade. A irmã de Rodrigo, apesar de ter tido várias oportunidades de ser acolhida por uma família através da adoção, demonstrou possuir uma personalidade deformada e dissimulada.
O tempo passou, a irmã mais velha completou 13 anos e foi transferida para um abrigo em Salvador, onde fugiu e ingressou no mundo da criminalidade e das drogas. Rodrigo permaneceu no SOS canto da Criança. Em alguns momentos de crise, chegou a quebrar os móveis e utensílios do abrigo e a bater em outros meninos mais novos. Essa foi a forma encontrada para protestar, para ser notado e ouvido, para reivindicar uma família.
Todas as vezes que me dirigia ao SOS Canto da Criança para realizar audiências concentradas e verificar junto com o Ministério Público e a Defensoria Pública a situação de cada criança acolhida naquela instituição, era sempre procurado por Rodrigo, que me suplicava impacientemente:
– Doutor Marcos, por favor, eu preciso de uma família. Normalmente, eu respondia um tanto preocupado:
–  Rodrigo, o tempo está passando, mas estou lutando por você. Tenha paciência que o seu dia vai chegar.
Felizmente, o dia de Rodrigo chegou: depois de permanecer por mais de 2 anos no Cadastro Nacional de Adoção, um casal de Curitiba o adotou. Foi amor à primeira vista e a vida de Rodrigo até então sem grandes perspectivas, agora se transformou. Finalmente, aos 8 anos de idade, foi adotado por uma família estruturada e está muito feliz.
Ontem, recebi uma carta de Rodrigo encaminhado pelo pai que o adotou e que me emocionou bastante. Não pude conter as lágrimas. Eis a íntegra da carta de Rodrigo ipsis litteris:
“Olá Dotor Marcos
Aqui é Rodrigo escrevo essa carta para li agradescer pela a minha nova família
Eu tou na escola e já fiz duas provas
Jogo futebol no Coxa e tenho novos amigo
Fique com Deus
Quando eu crescer eu quero ser Juiz para ajudar as crianças como você”
Por favor, não repare o vernáculo nem a pontuação, pois trata-se de uma carta elaborada por um menino sobrevivente que viveu boa parte de sua vida dentro de um orfanato sem ter alguém que pudesse guiar o seu caminho e muito menos ensinar o bom português. O que me importa é o seu conteúdo, a mensagem que ele passou para mim. Rodrigo, certamente, caso não fosse adotado por uma família, seria mais um a engrossar a fileira da criminalidade.
O homem vive de escolhas e oportunidades. Rodrigo teve a paciência de esperar e escolheu com o auxílio da graça de Deus de que nos fala Santo Agostinho, o caminho do bem. Deus criou as condições e a oportunidade surgiu na sua vida. Ele me passou a mensagem deixando à mostra minha missão terrena: nunca desistir das crianças, perseverar e lutar pelos seus direitos. Só assim poderemos sonhar com um amanhã promissor.
*Nome fictício da criança.
Marcos Bandeira é juiz de Direito Titular da Vara da Infância e Juventude de Itabuna, professor de Direito da Uesc e membro da Academia de Letras de Itabuna.

EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E LIMITES

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Professora Maria EfigêniaMaria Efigênia Oliveira | ambiente_educar@hotmail.com

Estas confusões estão atrapalhando o processo ensino/aprendizagem e a aquisição da verdadeira autonomia do indivíduo que, por sua vez, confunde Independência e liberdade com licenciosidade, o que é muito perigoso.

Quem assina contra o projeto do deputado Bacelar (veja aqui), passa distante de imaginar o que é uma sala de aula. A situação é, no mínimo, surreal. De tal forma que quando nos ausentamos do ambiente, esquecemos o constrangimento pelo qual passa o docente interditado de exercer seu trabalho pelos constantes ruídos praticados pelos próprios destinatários.

A meninada hoje em dia, a maioria, tem experiências de adultos sem estar psicologicamente preparada para tal. Pelo celular recebem mensagens totalmente adversas ao que se passa no ambiente reservado ao desenvolvimento de atividades cognitivas. Essas experiências também conferem ao educando a falsa ideia de poder desautorizar o trabalho do professor, que para ele em nada contribui para suas preferências.

O celular será muito útil ao trabalho pedagógico quando todos possuírem maturidade e aparelhos com dispositivos adequados para o compartilhamento de atividades que o professor recomendar, de forma que todos interajam com objetivo comum.

Muita gente que recomenda o uso do celular livremente em sala de aula confunde habilidade da meninada em utilizá-lo para ouvir ruídos sonoros, passar e receber mensagens, fotografar e jogar na rede, inclusive sem a mínima responsabilidade com o conteúdo, tampouco respeito pelos colegas e professores.

Já virou moda alunos utilizarem fotos nas redes sociais para a prática do bullying com a intenção de denegrir e depreciar alguém que imaginam estar no caminho deles – inclusive professores que pedem licença para passar a aula com bom aproveitamento.

Isso demonstra a falta de competência para fazer uso das TIs (Tecnologias de Informação), uma vez que o ambiente escolar é destinado para vivenciar saberes que não se vivenciam em casa, pois professor (a) não dá aula de Português, Matemática ou outras disciplinas nas reuniões de família, portanto, o tempo que se passa na escola tem que ser bem utilizado.

O grande público precisa aderir urgentemente aos ideais de formação de nossos jovens, pois sem isso estamos formando gerações sem limites em casa e na escola, porque na rua e nas “tribos” ninguém suporta a arrogância e a ditadura que praticam na escola, pessoas que julgam a vida pelos próprios critérios, haja vista a insuportabilidade que provoca a matança dos jovens por eles próprios.

É interessante compreender o que significa habilidade e o que significa competência. A primeira pode ser a prática sem o devido critério e está relacionada à informação pura e simples; a segunda está relacionada ao fazer criterioso, tem a ver com conhecimento, o que, aliás, a maioria confunde e descarta, apenas por achar que já sabe o que viu aleatoriamente.

Estas confusões estão atrapalhando o processo ensino/aprendizagem e a aquisição da verdadeira autonomia do indivíduo que, por sua vez, confunde Independência e liberdade com licenciosidade, o que é muito perigoso.

Este é um dos fatores que dão origem à violência escolar, motivo pelo qual, o pelo vereador Júnior Brandão reservou a próxima terça-feira, 17/09, às 19 horas, para tratar do problema e encontrar soluções junto aos pais, professores e autoridades competentes que já foram devidamente convidadas para o evento na Câmara Municipal de Itabuna.

Vale lembrar que o momento não é para tratar de abusos da escola, mas para cuidar das feridas de nossa sociedade, para cuidar da autonomia de nossa numerosa prole atingida pelo que se supõe progresso. Se não apelarmos para nossa responsabilidade de “educar a criança, estaremos punindo o homem”, que é nada menos que uma enorme exclusão e injustiça social.

Maria Efigênia Oliveira é educadora.

JOVENS DE 96 CIDADES PARTICIPAM DE ENCONTRO EM ITABUNA

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encontrojuventude

Jovens de 96 cidades participam, em Itabuna, do 3º Encontro Baiano de Conselhos e Gestores de Políticas Públicas da Juventude. O evento começou hoje (26) e será concluído nesta terça-feira, 26, no Centro de Cultura Adonias Filho.

No primeiro dia, houve debate sobre política nacional e política estadual da juventude, territorialização dos espaços de participação e linha de crédito e financiamento do empreendedorismo juvenil.

Segundo o coordenador de políticas de juventude da Secretaria Estadual de Relações Institucionais (Serin) do Governo da Bahia, Vladimir Costa, um dos objetivos do encontro é fortalecer a integração das políticas federal, estadual e municipais focadas no jovem.

O evento é o primeiro realizado no interior do Estado. De acordo com o coordenador da Serin, existe o objetivo de “interiorizar estes espaços de discussão com a juventude”.

O primeiro dia do encontro foi marcado pelo lançamento da cartilha “Quer um conselho?”, que incentiva a criação de conselhos municipais da juventude.

ESTATUTO DA JUVENTUDE SANCIONADO COM 2 VETOS

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juventudeHeloísa Cristaldo e Luana Lourenço | Agência Brasil

O Estatuto da Juventude, que estabelece direitos para jovens entre 15 e 29 anos, recebeu vetos ao ser sancionado nesta segunda-feira, 5, pela presidenta Dilma Rousseff. O artigo que previa meia passagem em transporte interestadual para todos os estudantes com até 29 anos, independentemente da finalidade da viagem, foi retirado. No entanto, a presidenta manteve a reserva de duas cadeiras gratuitas e de duas meia passagens para jovens de baixa renda em ônibus interestaduais, conforme ordem de chegada.

“A meia passagem para jovens de baixa renda foi uma grande conquista. Nós temos um conjunto de jovens no Brasil que ainda não conseguem conciliar trabalho com educação e eles estavam desistindo de ir à escola por causa disso. A regra para esses jovens de baixa renda são as mesmas dos outros programas do governo”, disse a secretária nacional da Juventude, Severine Macedo.

A presidenta vetou também o segundo parágrafo do Artigo 45º do Estatuto, que se refere aos recursos extraorçamentários necessários ao funcionamento do Conselho de Juventude, criado pela nova legislação para ouvir os jovens.

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O PERIGO DA DESMOTIVAÇÃO DOS JOVENS

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Da Agência Brasil
O aumento da criminalidade nas cidades, a migração de áreas rurais para urbanas e a escassez de mão de obra no futuro podem ser algumas consequências da incidência do desemprego sobre os jovens, avalia o diretor adjunto de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Carlos Henrique Leite Corseuil.
De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 12,6% das pessoas entre 15 e 24 anos no mundo estavam sem emprego em 2012, o que corresponde a cerca de 74 milhões de pessoas.
“Estudos mostram que no Brasil, e também em outros lugares do mundo, um cenário mais apertado no mercado de trabalho urbano pode desmotivar a busca dos jovens por um emprego e fazer com que tentem a vida de outras formas. Na maioria dos casos, em atividades ilegais”, disse Corseuil à Agência Brasil.
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VIOLÊNCIA SEM FREIO EM ITABUNA

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O mês de dezembro segue como um dos mais violentos do ano em Itabuna, com o registro de cinco homicídios desde a última sexta-feira, 7. Duas das vítimas tinham menos de 15 anos de idade, porém ambas com histórico de envolvimento com o crime.

O caso mais recente ocorreu na tarde desta segunda-feira, 10, de acordo com o site Radar. Caíque Henrique da Silva, de 14 anos, foi morto a tiros na Rua Bela Vista, bairro Santa Inês. A própria mãe do jovem declarou que ele traficava drogas.

A carta de Gabriele Santos Barbosa, 14 anos, menina grapiúna

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Daniel Thame |danielthame@gmail.com

 

A carta que Gabriele Santos Barbosa, de 14 anos, assassinada após uma discussão banal com uma colega de classe numa escola pública em Itabuna, não escreveu, é um libelo contra a bestialidade coletiva que transforma a vida em algo absolutamente sem valor.

 

“Meu nome é Gabriele Santos Barbosa, eu tenho 14 anos, morei na Espanha, falo dois idiomas e poderia estar vivendo na Europa, com a minha mãe.

Lá é muito bonito, as pessoas se tratam com respeito, mas eu preferi morar em Itabuna, pra ficar perto da minha avó e dos meus parentes.

Meu bairro é muito carente, mas é nele que vivem meus amigos. Minha escola é pública e nem se compara com a que eu estudava na Espanha.

As salas de aula são apertadas, tem alunos demais, o material didático é precário e sinto que os professores estão desmotivados. Não tenho condições de estudar em escola particular. Meu avô foi vereador em Itabuna, secretário de Esportes, mas ao contrário de um monte de políticos que a gente vê por ai, continua pobre.

Eu tenho orgulho dele. É honesto, isso eu sei que ele é.

Tenho um tio-avô que trabalha na televisão. Ele faz um programa policial, o Alerta Total, que todo mundo assiste. Meu tio é muito engraçado, magro, narigudo, desengonçado, mas as pessoas gostam dele. Eu também gosto, mas vejo pouco o programa.

Tenho pavor de violência. Na minha escola, que fica num bairro carente, a gente sente essa violência de perto. No meio de tanta gente boa, que quer estudar e crescer na vida, tem gente que já se envolve com drogas, com assaltos. Que fala cada palavrão que a gente morre de vergonha.

Tem uma menina, era até minha amiga, novinha como eu, que namora um cara envolvido com o crime, um tal de Rodrigo. Imagina que outro dia ela veio me dizer que eu estava dando em cima do namorado dela, que eu mal conheço.

A única coisa que eu consegui responder foi algo do tipo ´fique com esse traste para você´, essas coisas que a gente diz meio sem pensar. Não quis ofender a minha amiga, ela que viva a vida dela. Mas eu acho que ela se chateou, ficou de cara amarrada e deixou de falar comigo.

Isso passa, também sou adolescente e sei como é. Amanhã ela esquece essa briga boba.

Todas as pessoas gostam de mim aqui na escola e no bairro. Os professores me adoram e dizem que sou uma garota de muito futuro. Sabe que eu ainda não parei pra pensar no futuro? Só sei que terei que lutar muito pra vencer na vida, não sou de família rica, mas deixa eu viver minha adolescência, minha juventude.

Gosto de música, de ir ao shopping e à praia com meus amigos. Adoro ficar no Facebook, onde tenho um monte de gente pra trocar ideias. Tem umas fotos minhas lá. Falam que sou linda. Quem não gosta que achem você bonita? Mas não me acho tão bonita assim.

Gosto de Itabuna, gosto das pessoas daqui, amo minha família e meus amigos. Gosto de viver.

Nem sei por que estou escrevendo tudo isso. Parece até que minha professora de português pediu uma redação e eu danei a escrever.

Agora a pouco eu saí da escola e estava indo pra assa, mas uma amiga da menina que eu discuti por causa do namorado disse que ela estava me chamando. Era pra acabar com essa briga e fazer as pazes.

Ainda bem. Acho que a amizade está acima de tudo. Estou indo lá agora, dar um abraço nela…

Rodrigo?

(um tiro)

Não Rodrigo, não,

(mais um tiro)

Não, Rodrigo, nããão…

(cinco tiros)”

——–

Uma menina de 14 anos está morta. E essa é a carta que ela poderia ter escrito e não escreveu, porque as páginas do livro de sua vida foram manchadas de sangue. O sangue de uma violência brutal, irracional e sem limites.

A carta que Gabriele Santos Barbosa, de 14 anos, assassinada após uma discussão banal com uma colega de classe numa escola pública em Itabuna, não escreveu, é um libelo contra a bestialidade coletiva que transforma a vida em algo absolutamente sem valor.

Um hino à vida, num cenário de morte.

Daniel Thame é jornalista e escritor.

MAPA DA VIOLÊNCIA: ITABUNA É 4º MAIS VIOLENTO PARA JOVENS NO BRASIL

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O Mapa da Violência divulgado ontem pelo Instituto Sangari e Ministério da Justiça mostra Itabuna entre os quatro municípios mais violentos para jovens de até 19 anos em todo o País.

O levantamento utiliza dados de 2010 e o município sul-baiano aparece com taxa de 85,7 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. A divulgação dos dados por faixa etária ocorreu na véspera da Caminhada pela Paz em Itabuna, que ocorre nesta manhã, com saída do Jardim do Ó, às 11h.

Outro município baiano, Simões Filho, é o campeão em violência nesta faixa etária. Situado na Região Metropolitana de Salvador, Simões Filho apresenta taxa de 134,4 homicídios para cada 100 mil habitantes. O estado tem 17 municípios entre os mais violentos para os jovens no País.

A DOR DE UMA MÃE!

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Manuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br

A procriação é algo tão perfeito que oferece a ela exatos nove meses para que se adeque, que se acostume e arrume a vida até o grande dia do nascimento.

Algumas religiões tentam explicar a morte e torná-la menos dolorosa, especialmente para quem fica. Acho extremamente válido e inteligente, inclusive. Admiro quem consegue lidar com tudo isso com muita sabedoria, calma e paz no coração. Eu, sinceramente, não faço parte desse time.

Nós, seres humanos, não sabemos e nem gostamos de perder. Não sabemos aceitar o fim de um relacionamento, mesmo quando temos a plena consciência de que ele está fadado ao insucesso; não sabemos lidar com a falência de uma empresa à qual demos o nosso suor e depositamos as nossas expectativas; não aceitamos, muitas vezes, nos desfazer de roupas e sapatos usados, abarrotando gavetas com coisas velhas. Somos apegados. Acho que essa é a palavra mais adequada. Somos apegados ao que julgamos ser nosso, e dar adeus ao que queremos bem é algo bastante doloroso.

Vejo nas manchetes dos jornais um número cada vez maior de jovens partindo antes da hora. Sim, os jovens estão partindo antes da hora, deixando para trás vidas cheias de sonhos, expectativas e conquistas. Deixando para trás a possibilidade de ficar velhinho e sentar na varanda de casa, de pijama, e contar aos netos tudo o que a vida lhe ensinou. A sensação que tenho, diante dessa loucura que é a morte prematura, é de piedade, de compaixão. Dos jovens que se privam da vida, mas, especialmente, das mães que ficam.

Eu não sou mãe. Mas imagino que a chegada de um filho mude a vida, a rotina e os sentimentos de uma mulher para sempre. Porém, a procriação é algo tão perfeito que oferece a ela exatos nove meses para que se adeque, que se acostume e arrume a vida até o grande dia do nascimento. Na morte prematura, não. Elas são pegas de surpresa, muitas vezes no aconchego dos seus lares, sonhando com o sorriso dele, que não mais verá.

Não diminuo aqui a dor de um pai, de um irmão, de uma esposa ou de um amigo. Mas acredito que o amor de uma mãe é algo maior que ela mesma. O amor de uma mãe é semeado na gestação, na delicadeza do aleitamento, no instinto, no íntimo da mulher. E se o amor de uma mãe é assim, incomensurável, sua dor é algo que me corta o coração só de imaginar…

Manuela Berbert é jornalista e colunista da Contudo.

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