skip to Main Content
31 de maio de 2020 | 05:14 am

ENTRE A LIBERDADE E A TOLERÂNCIA

Tempo de leitura: 3 minutos

Jackson LessaJackson Lessa | jacksonslessa@hotmail.com

A Europa está “grávida de acontecimentos”. Poderemos ter novos tiroteios, novas explosões, perseguições aos muçulmanos, intensificação da Islamofobia. Não será esse o desejo dos radicais? Provocar uma verdadeira guerra de civilizações?

O recente ataque à sede de uma revista francesa será mais um sintoma do chamado choque de Civilizações? Não podemos nos dar ao luxo de restringir a discussão em torno apenas da liberdade de expressão. Os meios de comunicação parecem se incomodar mais com o fato de ter sido um veículo de imprensa do que o fato de terem sido vidas humanas.

Na verdade, torna-se necessário compreender as possíveis causas desse ataque. Apesar de injustificável, ele é resultado de uma política de intolerância, que não se limita ao estilo jornalístico da revista e, sim, ao comportamento de grande parte da sociedade europeia, e até mesmo ocidental, em relação aos muçulmanos.

Vale lembrar que alguns fundamentalistas não representam a totalidade dos seguidores da religião. Esse evento francês envolve várias esferas, diferindo-se do 11 de setembro, nos EUA, principalmente por ter ocorrido na Europa, e em um momento em que o continente está em convulsão política e econômica.

Historicamente, a Europa ocidental sempre encarou outros continentes e outras religiões com preconceito. Em inúmeras ocasiões, os europeus olharam o diferente como divergente, e acharam essa diferença ameaçadora, quase uma maldição.

Após os ataques à Revista Charlie Hebdo a palavra mais utilizada foi DEMOCRACIA. Mas podemos falar realmente em democracia quando imigrantes são considerados invasores, além de difundir-se uma espécie de islamofobia?

Dois dias antes do referido crime, na Alemanha, várias pessoas foram às ruas protestar contra o que eles chamavam de islamização do país, dando sinais claros de preconceito religioso e xenofobia, fazendo com que a chanceler, Ângela Merkel, tivesse que se pronunciar oficialmente contra esse movimento.

Pesquisas apontam que 57% dos alemães consideram o islamismo uma ameaça, e 60% acham que a religião é incompatível com o Ocidente. A palavra-chave para esse lamentável acontecimento é TOLERÂNCIA. Entretanto, para quem faltou tolerância? Os fundamentalistas que não aceitaram críticas satirizadas ou os jornalistas que atingiram a imagem do islamismo?

A situação é complexa. Autoridades do mundo inteiro, entre eles Obama e Dilma, falaram que é inadmissível atingir valores democráticos como uma instituição da imprensa. Verdade, a imprensa deve ser a porta-voz da sociedade e por isso podemos, sim, considerar que a sociedade democrática foi atingida, de forma covarde, e isso precisa de punição. Porém, é admissível atingir valores sagrados da religião alheia?

Uma das grandes características da modernidade é a multiplicidade religiosa, o que exige de todos, independente do credo, a prática da tolerância, que seria a capacidade de aceitar o diferente, “o que não é espelho”. Relembrando Frei Betto: “das intolerâncias, a mais repugnante é a religiosa, pois divide o que Deus uniu, incentiva disputas e guerras, dissemina ódio em vez de amor”.

Não podemos ver apenas a árvore, precisamos perceber a floresta. Os próximos dias e meses poderão ser muito complicados. A Europa está “grávida de acontecimentos”. Poderemos ter novos tiroteios, novas explosões, perseguições aos muçulmanos, intensificação da Islamofobia. Não será esse o desejo dos radicais? Provocar uma verdadeira guerra de civilizações? E agora? Será que veremos liberdade e tolerância?

Jackson Lessa é professor de Geografia e Atualidades em escolas e cursos pré-vestibulares de Itabuna e região.

DIRIGENTE DA ABI RELEMBRA ASSASSINATOS DE JORNALISTAS NA DÉCADA DE 90

Tempo de leitura: 2 minutos
Leal foi morto a tiros quando chegava em casa, perto do Batalhão da PM e do Complexo Policial.

Leal foi morto na porta de casa, perto do Batalhão da PM e do Complexo Policial.

A morte de onze profissionais de imprensa na década de 90 foi lembrada pelo vice-presidente da Associação Baiana de Imprensa (ABI), Ernesto Marques. “Foi um período sombrio para os jornalistas e radialistas da Bahia”, diz, enfatizando que o tema violência vem sendo largamente explorado pelo DEM na campanha de Paulo Souto. A Bahia era governada pelo falecido senador ACM e Paulo Souto no período dos crimes.
Dentre os casos mais nebulosos não esclarecidos pela polícia está o do jornalista e proprietário do Jornal A Região, Manoel Leal, em 14 de janeiro de 1998. Apesar de todas as evidências deixadas pelos criminosos, a polícia não foi capaz de prender aos mandantes. O assassinato ocorreu em uma noite numa rua entre o Batalhão da Polícia Militar e o Complexo Policial de Itabuna.
A maioria dos crimes contra profissionais de imprensa foi de mando, ressalta Ernesto. Os assassinatos ocorreram quando o radialista ou jornalista fazia denúncias de corrupção envolvendo políticos ligados ao carlismo.
Além de Leal, Ernesto cita os crimes cometidos contra os radialistas Ivan Rocha, em Teixeira de Freitas, e Ronaldo Santana, em Eunápolis.
– O corpo de Ivan Rocha não foi encontrado até hoje e nos casos de Ronaldo Santana e Manuel Leal investigações mal feitas impediram que se chegassem aos mandantes, porque a regra era a impunidade – diz Ernesto.
Entidades como o Comitê de Proteção aos Jornalistas (EUA) , Sociedade Interamericana de Imprensa (EUA) e Repórteres Sem Fronteiras (França) cobraram oficialmente a apuração dos crimes, mas o governo carlista ignorou os pedidos.
– A liberdade de expressão inexistia e quem se atrevia a denunciar sofria ameaças e em alguns casos pagava com a vida. Não podemos retroceder diante dos avanços que conquistamos com Wagner. Hoje a Bahia tem uma imprensa livre e o direito de opinião é respeitado – afirma Ernesto Marques.

DE RATOS DE REDAÇÃO A CARRASCOS DA IMPRENSA

Tempo de leitura: 8 minutos

walmir rosárioWalmir Rosário | wallaw1111@gmail.com

Às antigas práticas stalinistas foram somadas as nazistas e um exemplo é o projeto de Lei do Marco Regulatório da Imprensa (lei da mordaça). Só nos resta pedir clemência a Deus e votar corretamente nas próximas eleições.

Uma das imagens mais vistas nas redações brasileiras no período da ditadura militar – e até hoje – eram alguns personagens chamados naturalmente de “ratos-de-redação”, “chatos-de-galocha” ou outros adjetivos que o valham. Essas peregrinações diárias tinham como objetivo conseguir nos veículos de comunicação – órgãos capachos do capitalismo, segundo eles – alguns espaços para divulgarem, em muitos casos, material de origem duvidosa.
E traziam material para as possíveis notícias nas várias editorias. Cultura, esportes, reclamações e denúncias diversas e até política. De início, a política sindical; depois partidária. Antes de mostrar o que tinha ido ali fazer, gastava uns 10 tostões de prosa tentando agradar, entrava na seara das dificuldades econômicas, cuspia fogo na tirania da inflação, creditando tudo às mazelas do maldito capitalismo.
Entregavam o material, o repórter lia, faziam algumas perguntas para complementar as lacunas, respondidas prontamente quando eram do interesse partidário. Quando não, geralmente o repórter ouvia alguns impropérios do tipo “é mais um burguesinho, um bajulador dos patrões da grande imprensa que vive cerceando os interesses dos trabalhadores”…e ia embora. De qualquer forma a notícia, quando boa, era publicada.
Outros, de forma dissimulada, chegavam às redações justamente no horário do fechamento, quando somente estavam sendo elaboradas a primeira página e a página da editoria de polícia, e avisavam que tinham a maior notícia do mundo. Quando ouviam que todas as páginas já tinham sido fechadas, retrucavam com a maior cara-de-pau: “Não tem um espaço nem na primeira página?”, perguntavam virando o rosto com vergonha.
Mas nem tudo continua com dantes, eis que esses rapazes e moças chegaram ao poder junto com o Partido dos Trabalhadores e seu leque de satélites, que incluem os PCs, PSB, dentre outros menos votados. Já em 1993, com a chegada desses partidos ao poder em Itabuna, a mudança foi de 180 graus, e as visitas às redações foram escasseando, mas as cobranças, não. Agora eram feitas por telefone, em formas de ameaças.
E essa prática continuou se acentuando com mais vigor após a posse de Lula no Palácio do Planalto. Mutatis mutandis (ou no velho português de guerra, mudando o que tem de mudar), o comportamento acompanhou o surrado brocardo romano. Ao invés de chegarem pisando macio, como antes, brandiam as folhas dos jornais com ameaças da pior espécie: “Nosso governo não admite isso não” e prometiam retirar até mesmo a publicidade do jornal.

Leia Mais

CALARAM AZEVEDO?

Tempo de leitura: < 1 minuto

Do Trombone

Estranho, mesmo, é o silêncio do prefeito Capitão Azevedo em relação ao mal-feito do seu secretário de Indústria e Comércio, Carlos Leahy. Como se sabe, Leahy assediou o repórter Luiz Conceição, do Pimenta,  e, sob coação, tomou-lhe um equipamento de trabalho, um gravador, que continha entrevista do próprio Azevedo, na manhã de sábado (14), na avenida do Cinquentenário, em Itabuna.

Azevedo se calou. Embora capitão PM – supõe-se, com isso, que preze pela correção de seus comandados – preferiu nada dizer, nada fazer em relação ao gritante desrespeito à liberdade de imprensa. Pior, para o comandante, é o fato de que no tal gravador havia uma entrevista que ele concedera minutos antes, sem nenhuma coação ou assédio, e que, por isso, pressupunha-se, era de sua vontade ver publicada. Quem manda na vontade do capitão?

Hoje, o prefeito capitão enviou dezenas de pedidos de amizades pelo Facebook – ele volta à rede social após deixar o site escondendo-se por ofensa a um dos então pré-candidatos, seu concorrente. Aceitaria seu pedido de amizade se soubesse, antes, qual será sua atitude em relação ao ocorrido.

Prefeito, diga algo. Nem que seja para dizer que nada irá dizer. Aí, poderemos saber, de fato se o senhor estará preparado, quem sabe, para enfrentar um debate no rádio ou na TV, sem que seus colaboradores por lá apareçam portando peixeiras…

Confira mais n´O Trombone

A VOLTA DA CENSURA

Tempo de leitura: 2 minutos

O secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Itabuna, Carlos Veloso Leahy, promoveu cena das mais lamentáveis deste início de campanha eleitoral. Por volta das 13h, insatisfeito com o conteúdo de entrevista concedida pelo prefeito Capitão Azevedo ao PIMENTA, Leahy partiu para a censura contra um dos jornalistas deste blog.

Fez pior.

Extremamente nervoso e aproveitando-se da vantagem física, forçou o profissional a lhe entregar a gravação. A entrevista apenas abordava os pedidos de impugnação sofridos pela candidatura de Azevedo.

O prefeito tratou do assunto sem objeções e foi respeitoso com a nossa equipe. Nada justificava a atitude arrogante e prepotente do senhor Carlos Leahy, que reduziu a própria biografia de empresário e secretário a leão de chácara sem causa.

Após tomar o aparelho do jornalista, Leahy sumiu e somente entregou o equipamento por volta das 18h30min, depois de várias ligações da direção do blog.

Ele foi além da intimidação física e a pressão psicológica praticada contra um profissional com mais de 30 anos de estrada e respeitado. Com o gravador em mãos, Leahy simplesmente deletou a entrevista. Após a devolução, o secretário saiu em disparada quando constatamos que o conteúdo havia sido apagado.

A ação de Leahy, que também se apresentou como coordenador do comitê eleitoral da campanha, é incompatível com os novos tempos democráticos. Incompatível, inconcebível e inaceitável para quem é homem público e diretor comercial e sócio de uma emissora de rádio em Itabuna.

A atitude descabida do secretário-coordenador de comitê exige da campanha do prefeito um posicionamento público firme quanto ao ocorrido. Ou corre-se o risco de manchar a candidatura e um nome que – até onde sabemos – sempre respeitou a liberdade de imprensa.

Carlos Leahy, no círculo, coagiu repórter e deletou entrevista de prefeito (Foto Pimenta).

A DEMISSÃO DE AGUIRRE PEIXOTO

Tempo de leitura: < 1 minuto

Ontem, o jornal A Tarde demitiu um de seus melhores repórteres, Aguirre Peixoto, por pressão de representantes do mercado imobiliário. O fato ganhou destaque nas redes sociais e no microblog Twitter, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) emitiu nota condenando a atitude do veículo impresso mais tradicional do estado e os colegas do diário soteropolitano reagiram. Farão uma assembleia nesta quarta, às 14h, para tratar do assunto.

Uma reportagem de Aguirre Peixoto em dezembro do ano passado contrariou interesses do mercado imobiliário ao denunciar irregularidades e agressões ambientais na obra de construção do Parque Tecnológico da Bahia (Tecnovia), obra executada por um grupo de construtoras e pelo governo baiano. Um dos diretores d´A Tarde entregou o cargo após o episódio.

A direção do diário de Ernesto Simões Filho ficou mal na fita ao fraquejar diante das pressões – e da pior maneira, oferecendo a cabeça do repórter como prêmio aos algozes.

ROBINSON ALMEIDA DESCARTA "CONTROLE DA MÍDIA"

Tempo de leitura: < 1 minuto

(Foto Vaner Casaes).

A Folha, edição de hoje, incluiu a Bahia dentre os estados brasileiros que pretendem exercer o controle da mídia. O assessor geral de Comunicação da Bahia, Robinson Almeida, rebate. Segundo ele, o conselho foi criado pela Constituição Estadual de 1989, nada tem a ver com o debate que hoje é travado no Brasil e possui mero caráter consultivo. “Sua missão é melhorar e aperfeiçoar a área de comunicação social no Estado. Tem caráter consultivo, sem ensejar qualquer controle sobre os conteúdos produzidos pela mídia”, esclarece.
Por fim, Robinson ressalta o “caráter democrático” do governo Wagner, defensor da “liberdade de expressão e de imprensa”. Jaques Wagner, aliás, foi dos primeiros a se insurgir contra a crescente crítica, em nível federal, contra os veículos de comunicação e a cobertura das eleições 2010.

JOSÉ DIRCEU ATACOU MESMO A IMPRENSA?

Tempo de leitura: < 1 minuto

O repórter Vitor Rocha, d´A Tarde, já havia chamado atenção para o fato de que, numa palestra a petroleiros na Bahia, o ex-ministro José Dirceu em nenhum momento havia feito ataques à imprensa ou dito que há “excesso de liberdade” para os veículos de comunicação no Brasil. O vídeo abaixo ajuda a dirimir dúvidas.

Back To Top