skip to Main Content
17 de janeiro de 2021 | 09:53 pm

E LÁ SE VAI ODILON PINTO FORA DO COMBINADO

O professor e comunicador Odilon Pinto e dois de seus filhos
Tempo de leitura: 4 minutos

Aos 72 anos, com a diabetes aperreando, morreu vítima de infarto, deixando um legado importante para a comunicação e a educação do Sul da Bahia. Mais um exemplo de vida que nos deixa fora do combinado.

 

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Até parece que foi combinado: Na terça-feira (12) o jornalista Tyrone Perrucho nos deixa aqui neste mundo, e na quarta-feira (13), sem qualquer aviso-prévio, toma o mesmo caminho o radialista, jornalista e professor Odilon Pinto. Além da tristeza e saudade, passo a me considerar um estranho obituarista – função que existe numa redação – essencial para informar os que partem.

Mas como dizia Odilon Pinto: “Rosário, o jornalista é o grande secretário da sociedade, o encarregado de lavrar a ata dos feitos deste mundo, sejam eles bons ou ruins, não importam, têm que ser anotados”. Há alguns anos que não via e nem tinha notícia de Odilon, que há muito se transformou numa pessoa caseira, com o ofício de cuidar da diabetes que lhe acometia e da Língua Portuguesa.

Odilon Pinto era uma artista nato, um homem show, que dedilhava o violão, tocava “sanfona” ou outro tipo de instrumento, amparado por sua voz a cantar músicas de todos gêneros, como já fizera em bandas regionais. A partir dos anos 70, se dedicou às músicas para o homem do campo, como uma extensão do programa De Fazenda em Fazenda, produzido pela Divisão de Comunicação da Ceplac (Dicom).

Narrar, em poucas palavras, a que se prestava o De Fazenda em Fazenda é essencial para conhecermos mais Odilon e sua atuação para agregar todo o pacote tecnológico da Ceplac às fazendas de cacau, convencendo produtores e trabalhadores rurais. Era a comunicação de apoio dos extensionistas, com uma linguagem apropriada para que as práticas agrícolas fossem feitas em sua plenitude. Esse era o nosso mister.

E Odilon chegou à Ceplac com uma bagagem importante: saber se comunicar de forma simples, direta, de igual para igual com os homens que permaneciam no campo e aqueles que se mudaram para a cidade. Esse traquejo vinha da sua larga militância no PCdoB, o que lhe rendeu, além de um grande conhecimento sociológico e antropológico, alguns dissabores, a exemplo do convívio no xadrez por ordem das autoridades militares.

E a necessidade da Ceplac – ainda nos anos de chumbo – e o cabedal de conhecimento de Odilon casaram-se perfeitamente. Com o programa radiofônico em alta, foram aparecendo seus subprodutos, como o “Forró do Mata o Veio” e o programa radiofônico Namoro no Rádio, que encantava a todos. Lembro bem que recebíamos até 700 cartas por semana, correspondências estas enviadas das roças por pessoas pouco alfabetizadas.

E a finalização do De Fazenda em Fazenda era a apoteose com o quadro “Vida na Roça”, tirado das singelas cartas, com toda a verve de Odilon, fazendo com que muitos chorassem. Chegaram as mudanças políticas em nível nacional, eis que a nova direção da Ceplac resolve trocar a veiculação do programa, tirando-o da Rádio Jornal de Itabuna e levando-o para a Rádio Difusora de Itabuna.

Nadando contra a correnteza, Odilon se nega a apresentar o programa na nova emissora e cria o programa Na Fazenda do Odilon, continuando na Rádio Jornal, apesar da ameaça do desemprego. Enquanto isso, continua dando suas aulas de português em diversos colégios de Itabuna, na atual Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). Odilon era diplomado em Letras e mestre e doutor em Literatura e Linguística.

Sem perder a simplicidade, continuou apresentando seu programa das 4 às 6h40min, dando aulas nos colégios e universidade, por muitas vezes fazendo esse périplo a pé e de ônibus, numa demonstração de como administrar seu tempo. Volta e meia a diabetes lhe consumia, e ele resolvia tocar o barco pra frente, com mais uma atividade, a exemplo de uma assessoria de comunicação e até ingressar na política.

Esse seu conceito e densidade eleitoral chega aos ouvidos do então candidato a governador Pedro Irujo, que o filia ao PRN e o faz candidato a deputado estadual, com a possibilidade de estar entre os mais votados, conforme as pesquisas. Como não poderia apresentar seus dois programas, substituo-o, mantendo o mesmo estilo, enquanto ele viajava dia e noite para manter o contato com os eleitores.

Disparado nas pesquisas, Odilon comete o pecado de não planejar a famosa boca de urna, e no dia da eleição sai de casa apenas para votar e aguardar a apuração. O resultado não poderia ser dos piores, todas as suas intenções de voto foram providencialmente trocadas nas entradas das cidades, comandadas pelos prefeitos e seus cabos eleitorais, com polpudas ofertas em dinheiro ou outros bens de consumo.

A fragorosa derrota não abalou Odilon, que continuou seu labor no rádio e nas salas de aula. Anos depois, retorna ao seu antigo partido, o PCdoB, porém não se aventura a outra candidatura. E assim esse piauiense tocava sua vida, sem reclamar da sorte, nem mesmo dos períodos em que passou fugitivo trabalhando na zona rural, ou na prisão, onde sofreu todos os tipos de tortura.

Assim como o colega Tyrone Perrucho, Odilon Pinto de Mesquita Filho era agnóstico, mas convivia com as crenças. Sonhava com o delta do Parnaíba, no qual passou parte de sua vida, que levava na esportiva. Numa das nossas muitas viagens, uma delas à Amazônia, não perdia a fleuma em nos acompanhar – a mim e ao fotógrafo Águido Ferreira – nas incursões aos bares e restaurantes, mesmo que tivesse de tomar duas doses de insulina.

Com o tempo, passou a apresentação do programa na Fazenda do Odilon para o filho Rivamar e se dedicou exclusivamente à educação, aos livros e aos artigos que escrevia para o Diário Bahia. Aos 72 anos, com a diabetes aperreando, morreu vítima de infarto, deixando um legado importante para a comunicação e a educação do Sul da Bahia. Mais um exemplo de vida que nos deixa fora do combinado.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e mantém o blog walmirrosario.blogspot.com.br

ESCRITORA ITABUNENSE RENATA ETTINGER LANÇA “GRITO – SILÊNCIOS ECOANDO EM MINHA VOZ”

Renata lança obra poética neste domingo || Foto Diego Orge
Tempo de leitura: 2 minutos

Lu Amâncio

Convidar o leitor para um mergulho em silêncios que proporcionam a descoberta e autonomia de uma voz. Um grito palpável. Palavra que pulsa na página e se faz poesia. Essa é a essência de GRITO – silêncios ecoando em minha voz, novo livro da escritora baiana Renata Ettinger que traz 45 poemasem uma sequência temática que funciona como guia para o processo de desenvolvimento da arte de se expressar buscada pela autora. O lançamento oficial da obra acontece no próximo domingo, dia 06, às 18h, com um bate-papo online – pela plataforma Zoom – com a escritora e leitura de poemas.

GRITO é meu segundo livro de poesia, que nasceu depois de um silêncio de quase 20 anos e de um último poema que dizia “Não vou mais cantar”. Foi preciso tempo para maturar minha palavra. Para “ser corpo/ e casa/ e melhor morada/ para minha própria/palavra”. Para me entender uma voz. Uma voz que não tem medo de ser ouvida. Por isso, GRITO”, explica a autora, em tom de poesia.

As pessoas interessadas em adquirir a obra ou saber mais informações devem visitar o site www.renataettinger.com.br. O link para participar do evento será disponibilizado no dia do lançamento, no Instagram @renataettinger.

A AUTORA

Baiana de Itabuna, Renata Ettinger é poeta e dizedora de versos, publicitária e arteterapeuta junguiana. Seu primeiro livro, Um eu in verso, foi publicado em 2002 e, há dois anos, participou da coletânea “Oito Polegadas”, junto com Mário Garcia Jr., Nalini Vasconcelos e Ricardo Guedeville.

Durante o período de isolamento social, realizou o projeto Quarentena com Poema (QCP)”, quando compartilhou diariamente poemas em áudio com amigos e interessados em poesia. Foram 215 dias consecutivos de poesia para ouvir e sentir, com mais de 70 autores contemplados. O projeto, inclusive, já pode ser conferido nas principais plataformas de streaming (Spotify, Deezer, Google Podcasts, entre outras), assim como o “Trago Poemas”, sua mais nova empreitada que tem um formato semelhante ao QCP, mas com uma periodicidade menor (2 ou 3 vezes por semana). Além disso, a escritora também compartilha seus poemas através do https://complexodefenix.wordpress.com/https://complexodefenix.wordpress.com/ .

ESCRITOR CYRO DE MATTOS RECEBE A MEDALHA ZUMBI DOS PALMARES

Cyro, no destaque, e o autor da homenagem, Edvaldo Brito
Tempo de leitura: 2 minutos

O escritor itabunense Cyro de Mattos foi agraciado ontem à noite (3) com a medalha Zumbi dos Palmares pelo conjunto da sua obra, que destaca a cultura negra e a luta contra os preconceitos. Proposta do vereador Edvaldo Brito (PSD) e aprovada por unanimidade, pela primeira vez na Câmara Municipal, a entrega da comenda foi feita durante sessão solene virtual. O evento reuniu dezenas de convidados numa plataforma de videoconferência, entre eles o desembargador João Augusto Pinto, representando o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), o reitor da UFBA, João Carlos Salles e colegas do homenageado das Academias de Letras da Bahia, Ilhéus e Itabuna.

A saudação foi feita pelo vereador Everaldo Brito, que destacou que “o afetivo é o efetivo da vida” e abordou a carreira do escritor e advogado com mais de 50 livros publicados no Brasil e em vários países. “Pela grande importância no mundo das letras e cultura, ao longo de mais de sessenta anos, pelos relevantes serviços produzidos para a valorização do negro afrodescendente, por seu discurso literário que contribui para ampliar uma visão mais justa sobre esse valoroso elemento formador do Brasil, para o qual temos uma dívida impagável, é justo que se conceda a Medalha Zumbi dos Palmares a Cyro de Mattos, um dos autores mais traduzido e publicado no exterior, entre os escritores vivos da Bahia”.

Emocionado, Cyro agradeceu a homenagem ao seu colega de turma na Faculdade de Direito e também agora na Academia de Letras da Bahia, e leu um poema onde a tônica foi o sofrimento dos escravos e a luta pela liberdade: “Muito obrigado a você, Brito, e a todos os que me incentivaram nesta minha caminhada de escritor, principalmente à minha esposa Mariza e meus familiares, e é uma honra ser lembrado com a medalha que neste mês destaca um dos maiores heróis nacionais”.

ROTARY CLUB DE ITABUNA PLANEJA EDIÇÃO 2020 DO CONCURSO LITERÁRIO ADELINDO KFOURY

Reunião para discutir planejamento do concurso literário organizado pelo Rotary Club Itabuna
Tempo de leitura: < 1 minuto

O Rotary Club de Itabuna realizou a primeira reunião presencial de planejamento do Concurso Literário Adelindo Kfoury Silveira, evento que conta com o apoio da Secretaria de Educação do Município. Com a participação da secretária de Educação, Nilmecy Santos Gonçalves, da assessora de Direção, Shirlene Silva Alves, e dos representantes do Rotary Club de Itabuna, Elias Veloso, coordenador da Comissão de Projetos Humanitários, e Gersolita Dagorete, coordenadora responsável pela Comissão da Juventude, o encontro ocorreu na Prefeitura de Itabuna.

Em virtude da suspensão das aulas devido à pandemia da Covid-19, houve atraso no calendário e a realização do concurso foi adiada. Essa semana, com o retorno das aulas para os alunos do 9º ano, público que participa do concurso, foi retomado o planejamento do projeto, cujo lançamento será feito em breve.

Segundo a rotariana Gersolita Dagorete, o encontro presencial teve o objetivo de verificar qual a melhor forma, diante do atual cenário, de realizar todo o projeto. “Estamos discutindo como será feito o lançamento, as orientações que serão passadas aos jovens e qual será o formato do projeto, tendo que se adaptar ao novo contexto, para que possamos em breve publicar o regulamento e revelar o tema das redações”, explicou.

De acordo com o calendário rotário, setembro é o mês que simboliza a educação básica e alfabetização, e o projeto, que tem o objetivo de estimular a leitura e produção literária entre o público jovem, consiste na elaboração de redações por estudantes do ensino público municipal, que são escolhidas por uma comissão e as três melhores são premiadas em noite festiva com participação das famílias e professores dos alunos que se destacam.

SUL DA BAHIA PROMOVE FESTIVAL LITERÁRIO COM PROGRAMAÇÃO ONLINE

Tempo de leitura: 3 minutos

Começa no próximo dia 24 o Festival Literário Sul-Bahia (Flisba), com o tema Primavera Literária e totalmente online. O evento, que se propõe a ser um espaço de intercâmbio para a promoção da literatura e dos processos criativos dos escritores regionais do sul da Bahia, é uma ação cultural que busca a difusão das artes literárias a partir de uma homenagem a Clarisse Lispector e João Cabral de Melo Neto pelo centenários de nascimento, além de resgate das obras Jorge Amado e Adonias Filho, pilares da literatura cacaueira.

“O Flisba busca vistas a estimular a leitura, difundir os escritores regionais, desenvolver a aproximação dos agentes culturais do campo da literatura e promover atividades que exercitem reflexões sobre a cultura, questões ambientais, questões ligadas à à diversidade de gênero, uso das redes sociais e tecnologias”, afirma Efson Lima.

As mesas literárias vão ocorrer pelas tardes e noites. A transmissão das mesas do evento será pelo Youtube, que será retransmitida para o Facebook. Já as Oficinas Literárias vão ocorrer no turno da manhã pela plataforma Zoom e terão suas inscrições realizadas de forma antecipada pelo Sympla com datas a serem divulgadas nas redes sociais do evento.

As pessoas que vão acompanhar as mesas online e possuem interesse em receber certificação poderão fazer a inscrição pela plataforma Sympla pelo link https://www.sympla.com.br/festival-literario-sul-bahia—-flisba__969831

O Festival Literário Sul-Bahia terá um Slam, Slam Sul Bahia, que também vai receber inscrições. O Edital e o link para as inscrições podem ser conferidos na página https://www.sympla.com.br/slam-sul-bahia—flisba__969859. Os vencedores vão receber brindes. As inscrições são gratuitas. Os participantes serão certificados pela participação no Slam.

Leia Mais

NA DINAMARCA, ESCRITORA AMANDA MARON LANÇA “UM POEMA PRA CADA DOR”

“Um poema pra cada dor” será lançado durante live neste final de semana
Tempo de leitura: 2 minutos

Um poema pra cada dor é o livro que será lançado na Dinamarca, neste final de semana, pela comunicóloga Amanda Maron. Ilheense de nascimento, formada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e com MBA em Marketing Digital, Amanda mora há quatro anos na Dinamarca, onde faz mestrado em Cognição e Comunicação, na Universidade de Copenhague.

A publicação é independente e pode ser adquirida pelo valor promocional de R$47,90 (frete incluído) até domingo, através de pedidos pelo email amandamaron@gmail.com. Numa live neste domingo (21), às 14 horas (horário de Brasília), a autora falará sobre a obra, com apresentação de poemas, todos musicados pela artista baiana Lígia Callaz. A transmissão ocorrerá pelo instagram da autora.

O prefácio do livro é assinado pelo professor Luiz Felipe Souza Coelho, Doutor em Física, professor do IF-URFJ, poeta e historiador. O professor escreve: “O fato é que açúcar dos sonhos corre nas veias da poeta, a menina que cria universos onde o infinito brilha no olhar. (Brilhará também no olhar do outro, do amor que talvez tenha sido em parte criado por ela mesma? Será relevante para um Deus saber se as criaturas do Mundo que criou o amam? Quem sabe?)”.

“Escrevi meu primeiro poema aos 13 anos. Nessa fase difícil, em que eu descobria o amor e suas dores, minha poesia era a minha forma de me curar. Esse livro é uma coletânea de dores e amores e amantes. E com minhas rimas eu divido com o público um pouco de mim”, destaca a autora. “Desde pequena, desde aqueles dias em que eu passava por fachadas dentro do carro e tentava ler todas elas em voz alta enquanto descobria o sentido das sílabas, desde os dias em que, nervosa para entender, tentava ler os artigos do meu pai no jornal, eu sonhava em palavras”, completa. Amanda é filha do jornalista Maurício Maron.

ESCRITA CRIATIVA

Paralelamente ao lançamento da obra, a comunicóloga também está apresentando o site da sua nova empresa de escrita criativa (www.amandamaron.com) na Dinamarca, com tradução em português e inglês. “Escrever é a minha paixão e eu faço disso o meu trabalho e o meu hobby. Criar essa empresa é a realização de finalmente trabalhar com aquilo que eu amo e não sentir que estou trabalhando”, define o novo projeto.

Com mais de cinco anos de experiência em escrita criativa, edição de livros, direito autoral, e mídias sociais, Amanda também é autora e vende títulos neste site. Em ‘Serviços’, você vai encontrar uma seleção de serviços de comunicação, revisão de textos, edição e criação de texto, assim como voiceover, narração, storytelling e outros.

PADURA NO “TVE ENTREVISTA ESPECIAL”, NESTA QUARTA

Tempo de leitura: < 1 minuto

Padura fala de romances e Brasil em entrevista na TVE

Romancista, roteirista de cinema e jornalista, Leonardo Padura é o convidado de Bob Fernandes no TVE Entrevista Especial desta quarta-feira (4), às 21h30min, na TVE Bahia. Reconhecido internacionalmente, o escritor é autor da série de romances Estações em Havana, publicada em mais de 15 países. Em conversa descontraída, Padura fala de literatura, dupla nacionalidade e seu olhar sobre o Brasil.

Premiado escritor cubano, Padura é autor do livro O homem que amava os cachorros, considerada sua obra máxima, em 2013. Questionado sobre seu processo de escrita, ele diz ser um mistério, entretanto fala sobre os caminhos de criação dos seus romances. Na entrevista, ele comenta da importância da comunicação com os leitores. “Não acredito na literatura que se auto consome ou que escreva para si mesmo”, opina.

Convidado a falar sobre o Brasil, Leonardo destaca a cultura literária, musical e do futebol. Diz acompanhar com interesse as notícias do país e comenta o cancelamento do programa Mais Médicos que, na sua opinião, prejudicou pessoas muito pobres e marginalizadas. “Tiveram, graças aos médicos cubanos, uma atenção em saúde de primeiro nível”, ressalta.

O TVE Entrevista Especial com Leonardo Padura será exibido em horário alternativo no sábado (7), às 15h, e no domingo (8), às 19h. Além da TV, a entrevista poderá ser acompanhada também no Portal www.tve.ba.gov.br/tveonline.

OBRA DE EFSON LIMA, “TEXTOS PARTICULARES” SERÁ LANÇADO EM SALVADOR NA SEXTA (4)

Tempo de leitura: 2 minutos

Efson lançará Textos Particulares em sessão de autógrafos nesta sexta (4) || Foto Divulgação

Com sessão de autógrafos, o escritor, professor e advogado Efson Lima lançará a obra Textos Particulares na próxima sexta-feira (4), às 18h, na Livraria LDM, do Glauber Rocha, na Praça Castro Alves, em Salvador. O evento terá pocket show e recital de poemas do livro.

O livro Textos Particulares está sendo lançado pela Editora Cogito e conta com apresentação do doutorando em Ciência da Informação Bruno Almeida e prefácio do vice-presidente da Academia de Letras da Bahia (ALB), Nelson Cerqueira, além de posfácio do poeta Geraldo Lavigne de Lemos, da Academia de Letras de Ilhéus. O texto de orelha é do escritor e membro da ALB, Marcos Vinicius Rodrigues.

A OBRA

O livro tangencia a vida do autor, mas se engana quem o toma numa perspectiva individualista. Os poemas refletem o cotidiano das pessoas, da sociedade e das circunstâncias do nosso tempo e das questões que afligem o caminhar humano. São problemas concretos que o autor reclama solução e insiste em denunciar.

Os textos refletem as vivências do interior da Bahia, especialmente, das cidades de Itapé e Ilhéus, respectivamente, a cidade natal do autor e sua cidade adotiva, onde chegou aos 11 anos de idade. Ambas nutrem o sujeito e oferecem predicados. A civilização grapiúna, o chão de cacau e as vivências universitárias em Salvador são apresentados em poemas curtos, mas com certa intensidade.

O AUTOR

Doutor em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Efson Lima é mestre e graduado em Direito (UFBA), além de professor e coordenador geral da Pós-graduação, Pesquisa e Extensão da Faculdade 2 de Julho (F2J). Foi um dos criadores do Projeto Conviver e um dos membros organizadores, publicando seis livros. Três destes literários. Ele também é coordenador de Assistência Técnica e Inclusão Sócioprodutiva na Setre-BA, acompanhando os Centros Públicos de Economia Solidária (Cesol) do Estado da Bahia.

SERVIÇO
Lançamento do livro Textos Particulares
Quando: 4 de outubro de 2019, às 18h
Onde: Livraria Leitura LDM do Glauber Rocha – Praça Castro Alves
Valor do Livro: R$ 25,00

CONSELHEIRO FERNANDO VITA LANÇA “REPÚBLICA DOS MENTECAPTOS” EM SALVADOR

Tempo de leitura: 5 minutos

Fernando Vita lança nova obra nesta quinta, em Salvador || Foto Divulgação

Demóstenes Teixeira

República dos Mentecaptos, uma hilariante história de mandriões, cortesãs, espertalhões e certos valdevinos de modo geral é o mais novo livro do jornalista,  escritor e conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, Fernando Vita. A obra será lançada, nesta quinta-feira (12), na Livraria Saraiva do Shopping Salvador.

Assim como em suas duas últimas obras, Cartas Anônimas (2011) e O Avião de Noé (2016), também lançados pela Geração Editorial, a história se passa em Todavia, cidade imaginária situada no recôncavo baiano, e conta as aventuras do prefeito Augusto Magalhães Braga, o AMB, um devotado “carlista” que quer fazer seu ídolo, o então governador Antonio Carlos Magalhães, “Presidente da República da Bahia”, e ele próprio, de quebra, governador de Todavia – seu município – agora transformado em estado

Desta vez, o livro conta com elementos de uma autoficção, já que o autor-personagem conduz a narrativa e conta a história do transloucado prefeito – de quem acabou sendo nomeado assessor, por recomendação de Antonio Carlos Magalhães, que providenciou a sinecura para mantê-lo fora da Cidade da Bahia nos anos mais duros da “gloriosa revolução democrática de 1964”. Isto para evitar que levasse uns tabefes dos milicos depois que o dito cujo foi acusado de ter um viés comunista.

Refugiado em Todavia, passa a conviver com malucos, malandros, espertalhões e mulheres – da vida ou não -, entre outros personagens da província, e a viver os dramas do cotidiano do poder municipal, das disputas políticas, das traições, dos conchavos. Participa e tenta até mesmo consolar o prefeito atingido por um infausto episódio de traição conjugal – não por parte da mulher, mas da amante, o que é pior.

Para ajudar a polir os cornos, por recomendação de ACM, guia o prefeito AMB por um tour no Primeiro Mundo, por Paris, Roma e Lisboa  em busca de experiências administrativas exitosas a serem implementadas em sua Todavia e até mesmo, falsamente justifica, de recursos  fartos de organismos financeiros internacionais para custeá-las.

O problema é que o prefeito AMB não tira da cabeça o plano maluco de transformar a Bahia numa República, para que seu líder, ACM, possa exibir a faixa de presidente no peito. E ele próprio, o título de governador, já que todos os muitos municípios seriam transformados em estados, distritos em municípios, vilas em distritos, paróquias em dioceses e por aí vai, numa louca revolução sem outra arma que não a caneta do poderoso caudilho baiano e que não deixaria de atingir nem mesmo a justiça, com simples comarcas virando tribunais de justiça e tribunais de todas as bitolas ganhando estágio bem superior, de supremos seriam chamados.

A história é contada por Fernando Vita em seu estilo único na literatura brasileira, já consolidado nas obras anteriores, como Tirem a doidinha da sala que vai começar a novela (Casa de Palavras, Fundação Casa de Jorge Amado, 2006), Cartas Anônimas – Uma hilariante história de intrigas, paixão e morte (Geração Editorial, 2011) e O avião de Noé – Uma hilariante história de inventores, impostores, escritores e outros malucos de modo geral (Geração Editorial, 2016). Isto é, num texto falado, cujo ritmo envolve o leitor na trama e o faz “se embolar de rir” – como se diz na Bahia.

Leia Mais

JORGE AMADO: UM ETERNO IMORTAL PARA ALÉM DE SUL-BAIANO

Tempo de leitura: 3 minutos

Efson Lima || efsonlima@gmail.com

 

 

 

O escritor pertence ao mundo. É símbolo de nossa terra, nascido em Ferradas, em Itabuna, não só se imortalizou, mas imortalizou-nos na literatura universal.

 

O nosso autor sul-baiano mais destacado da literatura nacional completou 107 anos em 10 de agosto de 2019. Imortalizado na Academia de Letras de Ilhéus, Academia de Letras da Bahia e Academia Brasileira de Letras permanece vivo. Certamente continuará povoando nossas cabeças, nosso imaginário e seduzindo milhares de pessoas para a literatura, assim como eu fui atraído por Capitães da Areia e Gabriela, Cravo e Canela, entre outros clássicos. Em Ilhéus. Somou-se a Abel Pereira e a Nelson Schaun, Wilde Oliveira Lima e Plínio de Almeida, os quatro últimos membros da Comissão de Iniciativa, para fundar a Academia de Letras de Ilhéus, em 1959, que vivencia o ano diamante.

Na Academia de Letras de Ilhéus pertenceu a cadeira de n° 13, cujo patrono, Castro Alves, o influenciou na produção de suas obras. Por sinal, neste ano, a Literária Internacional do Pelourinho homenageou o poeta abolicionista, cuja FliPelô, organizada pela Fundação Jorge Amado, presta homenagem ao escritor das terras do cacau, terras essas que conferem identidade à Nação Grapiúna e ao seu povo. A cadeira de n° 13 acolheu sua esposa, Zélia Gattai, e, agora, acolhe nosso escritor Pawlo Cidade, que tem prestado significativos serviços ao campo da gestão cultural no Estado da Bahia, assim como tem construído significativamente uma vasta obra literária, cuja preocupação ambiental aparece em seus livros. Tema que se tornou hodiernamente tão emblemático, especialmente com a atual gestão federal no país, que parece não ter preocupação com as gerações do presente e muito menos com as futuras.

Na Academia Brasileira de Letras, foi eleito, em 6 de abril de 1961, para a cadeira n° 23, que tem como patrono José de Alencar e por primeiro ocupante, Machado de Assis. Jorge Amado, um crítico das academias, na fase adulta, reverá seus posicionamentos, como assinalou em seu discurso de posse na ABL: “Chego à vossa ilustre companhia com a tranquila satisfação de ter sido intransigente adversário dessa instituição, naquela fase da vida, um que devemos ser, necessária e obrigatoriamente, contra o assentado e o definitivo, quando a nossa ânsia de construir encontra sua melhor aplicação na tentativa de liquidar, sem dó nem piedade, o que as gerações anteriores conceberam e construíram.” O tempo é senhor de nossas razões. E como é!

No início deste texto, disse “nosso autor”, só mesmo para ressaltar a origem. O escritor pertence ao mundo. É símbolo de nossa terra, nascido em Ferradas, em Itabuna, não só se imortalizou, mas imortalizou-nos na literatura universal. As suas obras de cunho regionalista conseguiram ter sentido no Chile, na França, em Portugal, na Itália, na antiga URSS. Conseguiu-nos orgulhar. Jorge Amado, que recebeu diversas críticas, marginalizado pela crítica do sul, continua vivo em nossas memórias e provocando críticas de diversos movimentos. Sempre que posso, pergunto-me: será que o escritor deve agradar ao seu leitor? Eu, como sou aprendiz, ainda não consigo ter clareza, mas o tempo será senhor das futuras razões.

Efson Lima é doutor em Direito pela UFBA, coordenador-geral da Pós-graduação, Pesquisa e Extensão da Faculdade 2 de Julho, das terras de Itapé (BA) e eterno ilheense adotivo.

Back To Top