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27 de janeiro de 2021 | 10:18 am

O PÊNDULO IDEOLÓGICO DA POLÍTICA

Tempo de leitura: 4 minutos

O pêndulo já se movimentou. Já está fazendo o caminho de volta. O espectro político nas eleições de 2020 mostra a convergência do eleitorado para os partidos tradicionais de centro direita, aqueles partidos oriundos da antiga ARENA – Aliança Renovadora Nacional.

José Cássio Varjão

Esse é um movimento natural na política. Sempre que o pêndulo se desloca até um extremo, o movimento de resposta é para o lado oposto. A dinâmica eleitoral ao redor do mundo faz o pêndulo global se inclinar à direita.

Entre 1945 e 2020, a alternância de poder nos Estados Unidos da América entre os Partidos Democrata e Republicano só não ocorreu em duas oportunidades. Richard Nixon (Republicano) elegeu Gerald Ford em 1974 e Ronald Reagan (Republicano) elegeu George H.W. Bush em 1989. Portanto, nos últimos 75 anos, o pêndulo da política norte-americana se manifesta a cada eleição, com exceção dos casos supracitados. Em 2016, com Donald Trump, a extrema direita chegou ao poder.

Com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética, alguns países do Leste Europeu, chamados de socialistas, começaram um movimento de distanciamento entre os dois extremos. Hungria, Polônia e República Tcheca foram da extrema esquerda para o extrema direita. Na Europa, a crise econômica e migratória, desgaste do meio político e a desconfiança nas instituições, contribuiu para o reaparecimento da direita radical e populista.

A Primavera Árabe foi uma onda de protestos e revoltas populares contra alguns governos do mundo árabe em 2011 (segundo alguns historiadores, sob influência do imperialismo estadunidense). Com o agravamento da crise econômica, elevadas taxas de desemprego, alta do custo de vida e a falta de democracia, as populações de Egito, Tunísia, Líbia, Síria, Iêmen e Barein foram às ruas e proporcionaram gigantescos levantes populares. Bashar al-Assad, Presidente da Síria, é o único que se mantem no poder.

No Brasil, vivemos alguns momentos históricos, com forte entusiasmo democrático e o avanço das liberdades individuais do cidadão. A Constituinte de 1946, foi bastante moderna para a época, consagrando as liberdades expressas na Constituinte de 1934. Foi a Carta Magna mais democrática antes da Constituinte de 1988. Interessante notificar que o nosso Jorge Amado, deputado constituinte, foi o autor da Emenda 3.218 que instituía a liberdade do culto religioso. Em 1984, o movimento das Diretas Já, levou milhões de pessoas às ruas, elites e massas se juntaram numa só voz pedindo eleições diretas no Brasil.

O tempo passa, o pêndulo se move. Uma das Leis Herméticas é a do ritmo: “tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; o ritmo é compensação; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação”. Podemos usá-la na política também.

Em 1989, com a eleição de Fernando Collor de Mello, o neoliberalismo começa a tomar corpo entre alguns setores do capital, dos políticos conservadores e da grande imprensa brasileira, ganhando espaço após anos de inflação alta e grave crise econômica. Iniciou-se o processo de privatização das estatais, abrimos a economia para o capital estrangeiro e o mercado passou a desempenhar papel preponderante na economia da nação. Fernando Henrique Cardoso segue a linha com atitudes e medidas de cunho neoliberal, como a continuidade do programa de privatização, taxa de juros excessivamente alta e a falta de medidas protecionistas à economia nacional.
O pêndulo se moveu.

Em pesquisa do Datafolha de outubro de 2002, a avaliação positiva – ótimo/bom do governo FHC era de 23%. Antes, em junho de 2002, pesquisa Ibope/CNI revelava que 52% dos entrevistados não votaria em nenhum candidato que representasse a continuidade da política econômica, apesar de algumas conquistas do governo, como a estabilidade econômica.

Veio o governo Lula, em 2002, com a manutenção da estabilidade econômica, retomada do crescimento do país, a redução da pobreza e da desigualdade social e terminou seu mandato de 8 anos com avaliação positiva de 80% da população, como 7ª economia mundial. Elegeu Dilma Rousseff como sua sucessora em 2010, sendo reeleita em 2014. Sofreu impeachment em 2016 e foi substituída por Michel Temer.

O pêndulo continuou se movimentando.

Em 2018, pela primeira vez na história, elegemos um presidente da República de extrema direita, que fez o minúsculo PSL, partido que elegeu um deputado em 2014, se tornar a segunda maior bancara da Câmara Federal, com 52 deputados. Dos 27 governadores eleitos, 15 estavam com Jair Bolsonaro no primeiro ou segundo turno.

Chegamos a 2020. A participação do Presidente da República no processo eleitoral foi pífia. Elegeu Gustavo Nunes em Ipatinga (MG) e Mão Santa em Parnaíba (PI) no primeiro turno. Capitão Wagner, em Fortaleza, e Marcelo Crivela, no Rio de Janeiro, disputaram o segundo turno e foram derrotados. Finalizando, dos 13 candidatos a prefeito que o presidente manifestou apoio em lives na internet, onze não se elegeram.

Em termos percentuais, os partidos vitoriosos nessa eleição foram o DEM, seguido por PP, PSD e Republicanos, que fazem parte do chamado Centrão. O MBD ainda mantém a maior quantidade de prefeituras no Brasil e no segundo turno o partido garantiu a vitória em onze das treze cidades em que estava na disputa, um aproveitamento de excelentes 83,33%. Se incluirmos o PSDB, que foi o maior vencedor no estado de São Paulo, com 172 prefeituras e os outros partidos menores que compõem o Centrão, juntos governarão 85% da população brasileira.

O pêndulo já se movimentou. Já está fazendo o caminho de volta. O espectro político nas eleições de 2020 mostra a convergência do eleitorado para os partidos tradicionais de centro direita, aqueles partidos oriundos da antiga ARENA – Aliança Renovadora Nacional. Magalhães Pinto, ex-governador de Minas Gerais, dizia que “a política é como uma nuvem, você olha e ela está de um jeito, olha novamente e tudo mudou”.

Certa vez perguntaram a Albert Einstein porque a mente humana conseguiu desvendar o segredo a estrutura do átomo, mas somos incapazes de desvendar os meandros da política?. E ele respondeu: É simples meu amigo. Isso ocorre porque a política é mais difícil que a física.

José Cássio Varjão é graduando em Ciência Política.

MARKETING: VETERANOS EM CAMPANHAS FIZERAM A DIFERENÇA NA ELEIÇÃO DE AUGUSTO CASTRO

Tempo de leitura: 3 minutos

Fábio Santana, Ricardo Ozzy, Luciano Ferreira, Cláudio Rodrigues, Bernardo e Luiz Conceição

Veteranos em campanhas eleitorais, os profissionais que atuaram no marketing da campanha de Augusto Castro (PSD) fizeram a diferença na eleição municipal em Itabuna em 2020. Adotando linha propositiva, levantado os principais problemas da cidade e apontando soluções, a campanha de Augusto convenceu o eleitor itabunense e conseguiu vencer o pleito com mais que o dobro de votos a frente do segundo colocado, deixando para trás velhas raposas da política local. O ex-deputado foi quem melhor soube representar a mudança desejada pelo eleitorado.

Atuando como coordenador de produção e finalização dos programas, o itabunense Luciano Ferreira, radicado em Salvador, tem no currículo campanhas no Brasil e exterior, com destaque para trabalhos em Angola e Moçambique e as campanhas presidenciais no Brasil de Lula e Dilma. “Essa eleição teve um sabor diferente, pois ajudei a eleger o melhor entre os candidatos de minha cidade natal”, comemora Luciano.

Na produção de texto, a equipe de Castro contou com a bagagem de Bernardo Pinto, Luiz Conceição e Cláudio Rodrigues, todos com fortes ligações com a cidade. Natural de Itabuna e radicado há mais de 20 anos em Aracaju, o publicitário Bernardo Pinto, já participou de inúmeras campanhas nos estados de Sergipe, Ceará, Acre e Bahia.

Já Luiz Conceição, jornalista que atuou nas redações dos principais jornais do Estado e em outras campanhas políticas, foi o responsável pela cobertura do dia a dia do candidato, além de abastecer sites, jornais e demais mídias com as notícias da campanha.

Ao feirense Cláudio Rodrigues, itabunense por adoção, coube, além da produção de texto, resumir o plano de governo de Augusto, convertendo os pontos mais importantes para uma linguagem de fácil compreensão, a direção dos programas de rádio e planejar os mapas de mídia com inserções para a TV e Rádio.

“Essa foi a minha quarta campanha só aqui em Itabuna, onde residi por quase 30 anos. Vou torcer pelo sucesso da gestão de Augusto Castro, pois tenho a certeza que ele recolocará essa cidade no lugar de destaque que ela e sua gente merecem. Entre todas as campanhas em que já trabalhei, inclusive para o governo do Estado, essa foi uma das mais marcantes”, expressa Rodrigues.

GRAVAÇÕES NAS RUAS

Partiu do diretor de cena Ricardo Ozzy, em sua terceira campanha em Itabuna, a ideia de gravar o candidato nas ruas e não em estúdio. Ele trabalhou em 1992 na campanha de José Oduque Teixeira. Pela segunda vez, trabalha em campanha a prefeito para o próprio Augusto Castro, com quem esteve em 2016.

“Convenci os colegas de equipe e o próprio candidato que ele em estúdio, usando o teleprompter, ficava muito preso ao texto. Então, resolvemos discutir os temas antes e gravar nas ruas, onde ele falava de forma espontânea, com pleno conhecimento do problema e apontando as soluções a ser adotadas”, relembra Ozzy.

O diretor de fotografia e cinegrafista master Willan Costa e o editor master Fábio Santana, que também atuou nas duas campanhas de Dilma, também fizeram bonito na propaganda da coligação de Augusto. Ambos com vasto currículo em campanhas, contribuíram de forma significativa para a qualidade dos programas e inserções que foram ao ar na TV.

Além desses “dinossauros” do marketing político, a companha vitoriosa do prefeito eleito Augusto Castro contou com o talento feminino de Regina Lima, na produção e a voz marcante de Mariela Nunes, tanto na TV quanto no Rádio. A programação do rádio teve a edição de Tiago Gonçalves, outro veterano em campanhas.

Entre os marinheiros de primeira viagem da equipe, figuraram os designers Éricles Silva e Silas Lima, os editores Marcelo Santana e Álvaro Silva e os cinegrafistas Itan Viana e Ricardo Cavalheira. Já as redes sociais ficaram a cargo das jovens comunicólogas Júlia Rovena e Letícia Oliveira, enquanto a produção fotográfica teve à frente Lucas Matos.

LUIZA HELENA TRAJANO: UM EXEMPLO PARA PEQUENOS E GRANDES EMPREENDEDORES

Tempo de leitura: 2 minutos

A live foi uma palestra, com doses de entusiasmo, chamada de responsabilidade, inovação, tradição, simpatia e respeito. A fala de Luiza nos faz sair do lugar comum e avançar. Luiza é sinônimo de trabalho, adjetivo e também filosofia de vida, como disse a ela na oportunidade.

Rosivaldo Pinheiro || rpmvida@yahoo.com.br

Como já disse anteriormente, estamos observando no Brasil as vísceras e veias expostas desta nação, uma verdadeira explosão de falta de estrutura e ação vieram à tona, impulsionadas pelo novo coronavírus. O vírus fez aumentar a lente de observação dos nossos problemas seculares que havíamos conseguido reduzir a partir da eleição de Fernando Henrique Cardoso, ganhando maior celeridade com o conjunto de políticas públicas implementado nos governos Lula e Dilma. Após o impeachment, tivemos um achatamento de curva, a da atenção social. E, agora, com a expansão da curva pandêmica, essas vulnerabilidades se mostraram ainda mais explícitas.

Tive a honra de entrevistar, na última terça-feira (13), a empresária Luiza Helena Trajano, responsável pelo comando da Magazine Luiza. Uma história de sucesso. É a maior empresa do segmento varejista nacional, que se iniciou com uma lojinha em Franca, interior de São Paulo, aberta por Luiza Helena Donato, tia da atual comandante.

Luiza nos contou que a empresa nasceu do espírito empreendedor da tia e que, inicialmente, ela só queria gerar emprego para a família. Hoje, a Magalu emprega mais de 40 mil funcionários, diretamente, e outros milhares de forma indireta, sendo a empresa de maior valor do setor no Brasil. O valor de mercado da Magalu é de R$ 110,7 bilhões (Ibovespa, maio de 2020).

O que mais me impressionou nesse papo empreendedor foi observar aquela mulher humana, sensível, compromissada com o país, com o trabalho e sabedora das suas qualidades e limitações. Mas, acima e apesar de tudo, com a alma e o coração imersos na humildade. Foi uma verdadeira aula de sabedoria e valor de cidadania. Apesar de ocupar um espaço de poder, algo que pode envaidecer muitos que não são pé no chão, não deixou aflorar o ego.

Concluo dizendo que a live – confira no vídeo abaixo –  foi uma palestra, com doses de entusiasmo, chamada de responsabilidade, inovação, tradição, simpatia e respeito. A fala de Luiza nos faz sair do lugar comum e avançar. Luiza é sinônimo de trabalho, adjetivo e também filosofia de vida, como disse a ela na oportunidade. E serve de inspiração para mulheres e homens que querem revolucionar os seus olhares e ações na construção de uma sociedade menos desigual, onde os nossos papéis sociais possam ser exercidos buscando construir pontes em prol de uma sociedade mais harmônica e feliz.

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc).

AZEVEDO DIZ QUE VAIDADE DENTRO DA EQUIPE PROVOCOU DERROTA ELEITORAL EM 2012

Tempo de leitura: 9 minutos

Capitão Azevedo durante entrevista em que falou de passado e alianças para 2020

O ex-prefeito Capitão Azevedo diz que a disputa entre as áreas de marketing e de coordenação de campanha, por vaidade, causou a sua derrota em 2012, quando tentou a reeleição. Azevedo perdeu para Claudevane Leite (Vane do Renascer) por uma diferença de 1.107 votos (45.623 a 44.516). Pré-candidato pelo PL, Azevedo concedeu entrevista ao PIMENTA e diz que errou ao não adotar critério técnico na formação da equipe de governo em 2009, quando assumiu a Prefeitura de Itabuna.

Hoje, Azevedo diz ter um grupo novo e que governará ouvindo todos os setores da sociedade. Para ele, a vitória em 2008 oxigenou a política de Itabuna ao interromper a polarização entre os grupos de Fernando Gomes e de Geraldo Simões. Atribui a si o título de recordista na captação de recursos e execução de grandes obras, embora fosse de um partido de oposição aos governos estadual e federal à época.

Na última semana, parte da entrevista já havia sido publicada, quando Azevedo respondia se aceitaria ser vice de Fernando Gomes. Diz que sua condição não será outra que não a cabeça de chapa. Também fala que, se eleito, vai “destravar a cidade” apostando em mobilidade urbana. E diz ter sido frustrado pelo ex-governador Jaques Wagner, que prometeu duplicar o trecho da BR-415 que vai da Nova Itabuna até Ferradas. Abaixo, confira a íntegra da entrevista que abre a série com pré-candidatos.

Blog Pimenta – O senhor terminou a disputa de 2016 em 4º lugar. Por que a decisão de se candidatar novamente a prefeito?

Capitão Azevedo – Agora ficou mais claro para a população que os meus sucessores [Vane do Renascer e Fernando Gomes] não tiveram a mesma capacidade para captar recursos e executar obras. Sem apoio político, nós captamos R$ 98 milhões e executamos grandes obras, como a cobertura do Canal Lava-Pés, na Avenida Amélia Amado. Lembra como era aquilo quando chovia? Demos outra cara àquela região. Ali passam 90% dos ônibus de Itabuna.

Pimenta – Essa seria a razão principal?

Azevedo – Olha, nós trabalhamos nos bairros direitinho, fazendo esgotamento sanitário, asfaltando, construindo casas dignas. São Pedro, Manoel Leão, Santa Clara, Maria Pinheiro, Zizo, Daniel Gomes, Pedro Jerônimo. No Maria Pinheiro, existia uma rua que chamavam de Rua da Bosta. Esse era o nome real. O esgoto corria pela rua. Hoje isso é passado. Bairros que não eram vistos pelo poder público. Atacamos a infraestrutura, investimos nas pessoas.

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Existiam ali, [na eleição de 2012], a equipe de marketing e a coordenação, que estavam tendo desentendimentos e aquilo prejudicou. Foi vaidade. Cada um querendo ser melhor que o outro.

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Pimenta – O senhor diz que fez captação recorde de recursos, executou grandes obras. A que o senhor atribui a não reeleição?

Azevedo – Eu atribuo a erros dentro da equipe. Na véspera do pleito, no sábado, fizemos a maior caminhada da história de Itabuna. Os adversários filmaram tudo e tomaram providência para agir na virada da noite, foram para o voto útil. Veja só: perdi a eleição de forma apertada, por 1.107 votos.

Pimenta – E o “racha” interno…

Azevedo – Exatamente. Existiam ali a equipe de marketing e a coordenação, que estavam tendo desentendimentos e aquilo prejudicou. Foi vaidade. Cada um querendo ser melhor que o outro. Isso, realmente, cria embaraços, é até comprometedor.

Pimenta – O que o senhor não repetiria em um eventual governo?

Azevedo – Não repetiria o critério de formação da equipe. Hoje, temos que ter técnicos para dar os resultados que a sociedade precisa. Estamos buscando a inteligência das universidades daqui, ouvindo todos os setores. Vamos ouvir o empresariado, trazer grandes investimentos para gerar emprego que é o que nossa juventude precisa.

Pimenta – Com quem o senhor está conversando em relação a alianças?

Azevedo – Estamos conversando com todo mundo. Temos que sair dessa briga ideológica, partidária. Só traz atrasos. A cidade vem perdendo terrivelmente competitividade. O momento exige alguém sem barreiras ideológicas, partidárias, que seja suprapartidário. Quando prefeito, nós quebramos a polarização que existia em Itabuna. A cidade respirou.

Pimenta – O senhor disse que está aberto, vai procurar todo mundo. O senhor procuraria o prefeito para novamente formar chapa?

Azevedo – Eu nem sei se o prefeito é candidato. Isso é lá na frente que vai se ver. Eu estou decidido. Não abro mão da cabeça de chapa.

Pimenta – O senhor não aceitaria composição sendo vice?

Azevedo – Em hipótese alguma. Isso está descartado. O projeto nasceu, está aqui na minha mente. Vamos colocar nossa proposta para a sociedade, com um novo modelo. A gente realmente reconhece os erros que tivemos no governo e eles devem ser corrigidos. Além do lado da resposta do desenvolvimento socioeconômico da cidade, temos que buscar respostas para cuidar da dignidade humana.

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A gente não pode aceitar que uma mãe não possa ser atendida na hora do parto, tendo que se deslocar pra Ilhéus, Jequié ou outra cidade para ter filho, criança morrendo em porta de hospital.

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Pimenta – O senhor tem sido cuidadoso nas críticas ao governo de Fernando. Isso se deve a quê? É pensando em aliança?

Azevedo – Nós temos que respeitar as pessoas. Sou amigo de Fernando, mas quando chega na questão administrativa, a gente não pode aceitar que uma mãe não possa ser atendida na hora do parto, se deslocando pra Ilhéus, Jequié ou outra cidade para ter filho. Criança morrendo em porta de hospital. A gente não pode aceitar isso. Veja, faço crítica construtiva, para melhorar.

Pimenta – O senhor faria composição com o prefeito Fernando Gomes?

Azevedo – Fernando Gomes tem a linha dele e eu tenho a minha. Eu estou decidido a ser cabeça de chapa e ir até o final… Agora, não podemos rejeitar apoios. Quem quiser me seguir…

Pimenta – E partido, o senhor vai para a disputa no PL mesmo?

Azevedo – Pelo PL, 22.

Pimenta – Está fechado?

Azevedo – (risos) Está, e com garantia.

Pimenta – Com a garantia de quem?

Azevedo – Do presidente, José Carlos Araújo.

Pimenta – E essa disputa de Araújo com o João Bacelar, que é ligado a Fernando Gomes, não pode deixar o senhor sem legenda?

Azevedo – O presidente me garantiu. Confio na palavra dele. Ele disse “eu sou homem e enfrentei o maior chefe de quadrilha desse país, o Eduardo Cunha. Eu garanto o partido”. Ali, ele demonstrou o perfil de homem determinado…

Pimenta – O PL é da base. O senhor buscará os partidos da base do governo estadual?

Azevedo – Eu não tenho restrições. Hoje a nossa base é Itabuna. Queremos criar o momento. Quando o político se elege, ele tem que procurar o governador, o presidente. A gente não tem como fugir disso aí. Eu era prefeito pelo Democratas e consegui recursos no Estado e na União em governos que eram do PT, com [Jaques] Wagner e Lula. Quebramos esse paradigma. Agora, eu tive sanções, né? Na saúde, a gente não recuperou a gestão plena [perdida no governo de Fernando Gomes, em novembro de 2008, e só recuperada em 2013, com Vane do Renascer].

 

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Olha, no meu governo só foram dois secretários de saúde. Quanto mais muda de secretário. Complica. E os efeitos são terríveis para a sociedade, para quem mais precisa.

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Pimenta – O senhor acha que escolheu os melhores quadros para a Saúde?

Azevedo – Olha, a saúde é uma pasta complicada. Dr. Antônio Vieira contribuiu bastante. Depois, entendemos que deveríamos ter um alinhamento político, havia boicote em algumas áreas, e nomeamos um outro secretário, [Geraldo Magela, hoje secretário de Ilhéus]. Olha, no meu governo só foram dois secretários de saúde.

Pimenta – É uma crítica indireta a Fernando Gomes, que está no sexto secretário de Saúde desde 2017?

Azevedo – É dizer que é uma área complicada e só foram dois, né? Acho que quanto mais muda de secretário há solução de continuidade. Complica. E os efeitos são terríveis para a sociedade, para quem mais precisa.

Pimenta – Com quem o senhor já conversou? Com quais partidos está fechado?

Azevedo – Esse é o momento da busca, do namoro. Hoje, tem o aspecto da proporcional [vereadores], que não tem mais coligação. Cada partido quer candidato a prefeito forte para fazer vereador. Nós estamos com o PL e dialogando com os demais, de centro, de direita, de esquerda.

Pimenta – Como o senhor vai trabalhar para atingir as várias faixas e perfis do eleitorado, da direita à esquerda, e não apenas os mais pobres, foco na campanha de 2016?

Azevedo – Você observa que eu falo o pensar Itabuna livre. É para termos liberdade e melhor forma de agregar esse eleitorado. Nós temos que buscar esse universo, buscar quem pensa Itabuna, livre dessas amarras ideológicas e pensando no desenvolvimento da cidade. Temos que apresentar plano de governo para a sociedade itabunense. Sinto que podemos conquistar o maior universo de eleitores.

 

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Nós vamos destravar a cidade, destravar Itabuna. Vamos criar a maior política de mobilidade da história de Itabuna.

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Pimenta – O senhor vai para a terceira disputa a prefeito. É bem conhecido do eleitorado. O que levará de diferente para conquistá-lo?

Azevedo – Começa pela formação da equipe. Estamos vivendo outro momento, outra equipe planejando a cidade. Não são planos mirabolantes. Você tem que rasgar grande avenidas. Eu tenho uma queixa de [Jaques] Wagner, que garantiu na TV que duplicaria aquele trecho da Nova Itabuna até Ferradas da BR-415. Prometeu. Não saiu. Olha, isso seria um vetor de desenvolvimento. Feira e Conquista se desenvolveram porque pensaram. Estão no topo.

Pimenta – E Itabuna?

Azevedo – Nós vamos destravar a cidade, destravar Itabuna. Vamos criar a maior política de mobilidade da história de Itabuna. Vamos construir um trevo em cima dessa rótula do São Caetano, tirar aquela complexidade de trânsito que é a Manoel Chaves com a Princesa Isabel.

Pimenta – Há um gargalo naquela região, que é a rótula da ponte do São Caetano. Qual seria a solução?

Azevedo – Ali, podemos construir um viaduto para melhorar o sistema viário.

Pimenta – Na campanha, o senhor chegou a mostrar projeto de ponte estaiada, ligando a Amélia Amado com o Conceição. Sairia mesmo ou era apenas factoide de campanha?

Azevedo – Nós tínhamos R$ 90 milhões para aquela ponte, lá no Ministério das Cidades.

Pimenta – Esse projeto seria factível hoje?

Azevedo – Sim, tranquilo. Vamos apresentar à União. Projeto que não tem malandragem, os técnicos analisam e dão resposta.

 

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Iremos fomentar não apenas o Interbairros [de Futebol]. Nós vamos fomentar os jogos estudantis, outras modalidades esportivas. O basquete, o vôlei, futebol, vôlei, futsal… Praticamente, o esporte foi extinto do planejamento do poder público em Itabuna.

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Pimenta – O senhor tem falado em recriar a Secretaria de Esporte. Vai ter verba para várias modalidades ou só futebol?

Azevedo – Nós temos que resgatar o esporte e envolver esses jovens, que são mais vulneráveis à violência. A partir do momento que a gente oferece infraestrutura, campos, quadras, Vila Olímpica, estádio, com auxílio para quem não tem condições de comprar chuteira, tênis, uniforme, a gente estimula esses jovens, coloca num bom caminho. E vamos fomentar não apenas o Interbairros [de Futebol]. Nós vamos fomentar os jogos estudantis, outras modalidades. O basquete, o vôlei, futebol, vôlei, futsal… Praticamente, o esporte foi extinto do planejamento do poder público em Itabuna.

Pimenta – O que o senhor pensa em relação à área social?

Azevedo – Nós fizemos, com recursos próprios, o Bolsa-Renda. Nós realmente tiramos os barracos de madeira, construímos casa com quarto, sala, cozinha… Olha, eu fui rápido e enxerguei que tinha o Minha Casa Minha Vida. As empresas começaram a aparecer querendo áreas para construir casas. Vi que precisavam de incentivo e que ia contemplar famílias de 0 a 3 salários mínimos. Fiz anteprojeto de lei e dei incentivo às empresas para construir.

Pimenta – Quais incentivos?

Azevedo – Isentei as empresas de pagar ISS [Imposto sobre Serviços]. Com a isenção de 5%, foram R$ 100 milhões para construir esses apartamentos, com Pedro Fontes I e II, Jardim América I e II, o Itabuna Parque, o Vida Nova, Gabriela, Jubiabá e São José. São fruto da política pública que eu crie. Isso, realmente, atrai as empresas a fim de construir esses apartamentos e tiramos esse déficit terrível. Todas essas pessoas que moram nesses apartamentos sabem que foi Capitão Azevedo que criou essa lei.

Pimenta – Os condomínios enfrentam problemas de segurança, com a presença e controle do tráfico. Como muda isso?

Azevedo – Você sabe que alguém fala em polícia. Sim, é válido. Mas temos que criar programas sociais, trabalhar pesado o social, com esporte, lazer, cultura. Eu pretendo criar um grande empreendimento na área da formação técnica profissional, com a realização de cursos para motos, caminhões…

 

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No planejamento, se houver ingerência política, joga-se tudo por água abaixo. Tanto que, seja na União, Estados ou municípios, há carência terrível de planejamento.

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Pimenta – Quem o senhor tem como referência em gestão pública no Brasil?

Azevedo – Jaime Lerner, de Curitiba, que foi vereador, prefeito, governador. Em 2012, estivemos lá para conhecer o que foi feito, e como foi feito, por Lerner. Cidade planejada que tem perspectiva de desenvolvimento, mobilidade urbana… Curitiba, com Lerner, virou referência. Ele planejou, executou.

Pimenta – Planejamento é um desafio na gestão pública, que se torna ainda maior quanto menor é o município. Como mudar essa mentalidade?

Azevedo – No planejamento, se houver ingerência política, joga-se tudo por água abaixo. Tanto que, seja na União, Estados ou municípios, há carência terrível de planejamento. Interesse político era para construir quadra. Aí vem o político e diz “não, aquela quadra, não. Quero campo do lado de lá.”. Por interesse político, vai e cede para atender corrente. Você tem que estudar de forma científica os anseios da população. Por exemplo, hoje, o que é que a população mais precisa? Saúde, emprego, segurança pública. Para termos estes dados, precisamos pesquisar, pesquisar a real da situação, saber o que está acontecendo. Nosso planejamento vai cuidar disso aí. Saber o desejo da comunidade. Na medida que consulta toda a sociedade, tem um diagnóstico mais perfeito.

RUI COSTA PASSARÁ O RÉVEILLON EM ITACARÉ

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Rui, à direita, acompanhado de Tonho de Anízio (centro) e o deputado Rosemberg Pinto

Itacaré espera receber cerca de 250 mil turistas nesta virada de ano. O governador Rui Costa está entre as autoridades que devem entrar 2020 num dos principais destinos turísticos do Estado.

O município é administrado pelo único prefeito do PT do no sul da Bahia, Tonho de Anízio, que tem gestão bem avaliada e é considerado, até aqui, o favorito para a disputa de 2020 no município.

Rui teria a companhia de Lula em Itacaré, porém o ex-presidente desistiu da viagem ao sul do Estado. Segundo apurou o PIMENTA, a desistência estaria relacionada a questões de segurança.

MAIOR RÉVEILLON DO BRASIL

Itacaré promoverá uma grande Festa da Virada na orla da cidade e ainda terá uma das principais festas de réveillon do Brasil, o Réveillon Número 1, promovido pela Holding Clube, do empresário Victor Oliva.

“LULA JÁ É UMA CARTA FORA DO BARALHO”, AFIRMA BOLSONARO

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A Fernando Rodrigues, Bolsonaro diz que Lula é carta fora do baralho

O presidente Jair Bolsonaro disse em entrevista ao programa Poder em Foco, do SBT, nesta madrugada de segunda (23), que o ex-presidente Lula “já é carta fora do baralho” para a disputa de 2020. “Agora, o Lula nas suas poucas andanças é criticado e vaiado. Eu acredito que o Lula já é uma carta fora do baralho”, disse Bolsonaro.

O petista, observou, está em liberdade, porém sofreu condenação em segunda instância, o que o impede de disputar o pleito de 2022. “Ele não é cabo eleitoral para mais ninguém”

REFORMA E REELEIÇÃO

Bolsonaro também comentou sofre reformas no país, principalmente a tributária. Ao apresentador Fernando Rodrigues, disse ter recomendado ao ministro da Economia, Paulo Guedes, não falar em “reforma”, mas em “simplificação tributária”. O presidente da República sinaliza que disputará a reeleição. “Se eu estiver bem, eu disputo”.

EX-MINISTRO JOSÉ DIRCEU LANÇA LIVRO “MEMÓRIAS…” NESTA QUINTA, EM ITABUNA

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Ex-ministro Zé Dirceu lançará obra em Itabuna nesta quinta (19)

Figura fundamental na fundação e consolidação do PT, o ex-ministro José Dirceu estará em Itabuna para o lançamento do livro Zé Dirceu – Memórias – Volume I, nesta quinta-feira (19). O evento será às 18 horas, no Plenário da Câmara de Vereadores de Itabuna. O lançamento da obra contará com a participação de autoridades regionais e dirigentes de partidos de esquerda, além do novo presidente do PT Itabuna, Jackson Moreira.

A obra Zé Dirceu – Memórias… foi escrita pelo ex-presidente nacional do PT e ex-ministro no período em que esteve na prisão. Nela, conta os bastidores inéditos da militância estudantil nos anos 1960, o exílio e o treinamento para ser guerrilheiro em Cuba e detalhes como a cirurgia plástica para mudar o rosto, além da vida clandestina no país nos anos 1970.

Na volta à legalidade, Dirceu conta a saga para fundar o Partido dos Trabalhadores (PT), do qual veio a se tornar presidente e os períodos dos governos Lula e Dilma Rousseff, que representam a chegada do maior partido de esquerda do Brasil ao poder central.

A obra traz segredos da política interna do PT e dos governos Lula e Dilma Rousseff, além de sua passagem pela Casa Civil do primeiro Governo Lula. Dirceu ainda aborda luta contra a ditadura militar, a redemocratização, a queda de Fernando Collor e a oposição ao Governo FHC. Dirceu também aborda um dos períodos mais duros para ele e PT, o julgamento do “Mensalão”.

A REBELDIA DE RUI COSTA

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Marco Wense

São outros tempos no ambiente do Partido dos Trabalhadores. O governador da Bahia, Rui Costa, vem protagonizando essa mudança, hasteando a bandeira de que o PT precisa fazer uma urgente e profunda reflexão.

 

 

Em nova entrevista, agora na Folha de São Paulo, edição de ontem, sábado (14), o morador mais ilustre do Palácio de Ondina mostrou mais uma vez sua insatisfação com o PT, principalmente com o lulopetismo.

Rui já tinha deixado o ex-presidente Lula irritado quando disse que a defesa do movimento “Lula Livre” não poderia condicionar as alianças com outras legendas. O senador Jaques Wagner impediu uma tomada de posição mais dura da cúpula nacional do petismo, tendo na linha de frente a incendiária Gleisi Hoffamann. Até um possível pedido de expulsão foi ventilado.

O mandatário-mor do quarto colégio eleitoral do Brasil, que se reelegeu no primeiro turno com mais de 75% dos votos válidos, diz que Lula “precisa pregar a pacificação do país”, que o partido “deve ajustar o discurso”, que “a radicalização é um mal”, que os petistas erram ao “condenar investimento privado na área social”. Como não bastasse, Rui joga parte da culpa pela situação econômica no colo da ex-presidente Dilma Rousseff. “É evidente que estamos vindo de cinco anos de recessão”, diz o rebelde governador.

Pois é. Enquanto Rui conquistou o segundo mandato consecutivo com uma invejável votação, Fernando Haddad sequer foi para o segundo turno na tentativa de continuar no cargo de prefeito de São Paulo. O preferido de Lula, chamado de “poste” na última eleição presidencial, perdeu em todas as urnas.

Rui faz também uma crítica a Lula quando deixa claro que o PT deve apoiar candidatos da base aliada que estejam melhor colocados nas pesquisas de intenções de voto nas sucessões municipais, dando assim um chega pra lá na soberba lulista. “O PT não é partido de apoio”, disse Lula quando saiu da cadeia.

É evidente que a legítima pretensão de Rui de ser o candidato do PT à presidência da República ficou mais complicada. Nos bastidores da alta cúpula petista, o que se comenta é que o ex-presidente ficou retado da vida com o “companheiro”. Já é a terceira vez que o governador da Bahia faz declarações que terminam deixando Lula irritado.

Os meios de comunicação ligados ao ex-presidente saíram em sua defesa. O blog Cidadania, por exemplo, estampou a seguinte manchete: “RUI COSTA ACHA QUE PODE DAR LIÇÃO A LULA”.

Toda vez que tem esse pega-pega do governador da Bahia com o comando nacional da legenda, vem à tona a conversa de que Rui Costa pode deixar o PT, que seu destino seria o PSB. Há quem diga que essa articulação vem sendo trabalhada, costurada em doses homeopáticas. Nem a deputada federal Lídice da Mata, presidente estadual do Partido Socialista Brasileiro, tem conhecimento.

Qual será a próxima rebeldia de Rui Costa? Essa é a pergunta que mais se ouve no lulopetismo.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

LULA LIVRE MUDA O PRESENTE E DEIXA O FUTURO COMO UM PAPEL EM BRANCO

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Jerberson Josué

 

O tempo dirá se Lula triunfará diante das tentativas de seus opositores de tentar mudar o Código Penal brasileiro para usar politicamente, ou se a direita se recuperando abate novamente a maior liderança popular política do mundo.

 

 

Após a saída do ex-presidente Lula da prisão, o cenário político brasileiro muda completamente. Primeiro, o governo Bolsonaro agora tem um adversário com vasta experiência em fazer oposição e com uma militância aguerrida para fazer repercutir suas vontades e estratégias políticas.

Já no primeiro discurso, Lula mostrou um pequeno arsenal em forma de oratória e críticas aos atos do governo e de parte da imprensa. Só em anunciar que iria rodar o Brasil, já deixou a esquerda – e em especial o PT – eufórica. E a direita, o governo e quem o odeia, em estado de apreensão. Sentiram o golpe ao correrem ao Congresso na tentativa de tirar da gaveta velhos projetos que tentam mudar o Código Penal e até a Constituição, essa última menos provável.

Parte da imprensa tentar construir uma narrativa que jogue a sociedade contra o Congresso tentando pressioná-los a aceitar uma mudança rápida. O motivo é puramente político e nada tem a ver com corrupção ou justiça.

Os opositores de Lula sabem que o poder de convencimento e sedução do ex-presidente Lula é eficiente e encontra terreno fértil diante de argumentos sobre suas ações e situação que pegou e deixou o país ao sair da presidência após 8 anos de governo com 90% de aprovação e tantos êxitos na economia e em projetos de transferência de rede.

Lula, de forma assertiva, inicia pelo Nordeste sua caravana. E já pela Bahia, onde tem maiores níveis de aprovação e onde o PT governa há 13 anos e com exitoso projeto com eleições e reeleições de Wagner e Rui. O último com 75% dos votos válidos na disputa. A avaliação do governador Rui Costa bate a casa dos 80%. O agora senador Wagner, teve a maior votação da história de um senador no norte Nordeste brasileiro. Ou seja, o time de Lula na Bahia é implacável com os adversários nas disputas estaduais. Até aqui.

Lula chega na Bahia com um clima positivo e enche de força sua militância, a esquerda e o PT. As suas andanças podem fortalecer projetos eleitorais da esquerda e do PT, onde quer que ele passe, já para a eleição de prefeito em 2020.

Em Ilhéus e Itabuna, um caso aparte. Uma relação pessoal do ex-prefeito Geraldo Simões, que sonha em voltar a dirigir o município grapiúna, com o ex-presidente pode ser fundamental na garantia de boa disputa. Em Ilhéus, o empresário Nilton Cruz é o pré-candidato do PT na eleição a prefeito em 2020. E também tem laços íntimos com Lula e a cúpula nacional do partido.

Em Salvador, os petistas também já se movimentam no intuito de ter uma candidatura na cidade onde Lula é altamente popular e seria uma cabo eleitoral fantástico. Em centenas de cidades do Brasil, a esquerda e o PT podem virar o jogo diante da derrota no pleito nacional de 2018 e eleger prefeitos nas principais cidades do Brasil, em especial no Norte e no Nordeste.

Voltando ao Lula, um incrível poder de aglutinação em torno de sua figura causa frio na barriga dos adversários e arrasta multidões apaixonadas em sua volta. Para 2022 ainda é cedo para se cogitar algo. Mas, para as eleições de prefeitos e na reorganização das oposições, é um fato consumado dizer que Lula mudou TUDO.

O tempo dirá se Lula triunfará diante das tentativas de seus opositores de tentar mudar o Código Penal brasileiro para usar politicamente, ou se a direita se recuperando abate novamente a maior liderança popular política do mundo.

Importante ficar atento aos resultados da economia. Isso será fundamental para qualquer projeção de qualquer grupo político. Lulismo e antilulismo terão reflexos nos resultados da economia. Conta contra o governo Bolsonaro as peripécias da Família Bolsonaro. Lula livre traz, inegavelmente, uma influência na política brasileira.

Jerberson Josué se define como um estudante na escola da vida.

LULA EM SALVADOR NA QUINTA

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Ex-presidente deverá participar de evento do PT em Salvador

Libertado depois de 580 dias preso em uma sala na PF de Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve desembarcar em Salvador na próxima semana para a reunião da Executiva Nacional do PT, marcada para quinta-feira que vem. A informação foi antecipada na tarde de ontem à Coluna Satélite por parlamentares e líderes do partido.

De acordo com as fontes, a vinda de Lula estava fora do roteiro, já que o encontro havia sido agendado há oito dias, antes que o Supremo derrubasse a prisão de condenados em segunda instância. Agora, afirmam, a presença do petista é dada como certa. Logo após a Justiça determinar a soltura do ex-presidente, a cúpula do PT começou a articular a participação dele no evento.

RUI DEFENDE O “LULA LIVRE” E AFIRMA QUE ATAQUES VÊM DE QUEM NÃO LEU ENTREVISTA

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Rui diz que defende o Lula Livre e vê ataques até de quem não leu entrevista

O governador Rui Costa usou as redes sociais, na manhã deste domingo (15), para se posicionar sobre a entrevista que concedeu à Veja, publicada neste fim de semana. No texto, intitulado “LULA LIVRE, SIM. Qual é mesmo a dúvida?”, o governador baiano relata que tem sido atacado por quem, segundo ele, nem leu a entrevista. “Quero manifestar minha indignação quanto à manipulação das minhas declarações”, afirmou Rui.

O governador também lembrou da última visita que fez ao presidente Lula, em Curitiba. “Se alguns não defendem o Lula Livre, não tem problema. O mais importante é salvar nosso País do desmonte”, disse o ex-presidente na oportunidade, de acordo com a publicação de Rui no Facebook. Abaixo, a íntegra do texto do governador baiano.

LULA LIVRE, SIM. Qual é mesmo a dúvida?

Quem conhece minha história de vida sabe que o motor que me levou à luta social e política foi o combate a qualquer tipo de injustiça, de discriminação, de preconceito, de exclusão social. Enfim, foi o desejo de uma sociedade justa, e de absoluto respeito aos direitos do ser humano.

Desde a entrevista à Veja tenho sido atacado por gente que sequer leu a revista. Democracia é respeitar o contrário, mas é preciso refletir sobre a verdade. Quero manifestar minha indignação quanto à manipulação das minhas declarações.

Na última visita que fiz ao Presidente Lula, em Curitiba, acompanhado do governador Wellington Dias, ele como grande Estadista que sempre foi, disse: “Vocês têm muito o que mostrar. Falem, mobilizem, ajudem a mobilizar a juventude a barrar o desmonte da Educação; ajudem a mobilizar os trabalhadores contra a retirada de direitos e o desemprego; ajudem a mobilizar os brasileiros pela soberania do nosso País. Se alguns não defendem o Lula Livre, não tem problema. O mais importante é salvar nosso País do desmonte. Nós vamos provar esta farsa que foi o meu julgamento”. Também ouvi dele neste dia: “Solidariedade é algo que não se impõe, é algo voluntário”.

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MARIA GADÚ DEFENDE “LULA LIVRE” EM SHOW NO FESTIVAL GASTRONÔMICO DE ITACARÉ

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Maria Gadu durante show defendeu liberdade de Lula || Reprodução

A cantora Maria Gadú, um dos maiores nomes da nova geração da MPB, causou frisson em Itacaré ao defender a liberdade do ex-presidente Lula, preso desde abril do ano passado em Curitiba (PR) depois de condenado em investigações da Operação Lava Jato. A artista se apresentava em show gratuito na orla do município sul-baiano, durante o Festival Gastronômico de Itacaré, quando soltou o grito por”Lula Livreeê”.

“Em nome do nosso direito de comer, de plantar, de cultivar, de votar, de parir, de cuidar, de votar, de odiar, manifestar, de se arrepender… Em nome do nosso direito de se arrepender, em nome do nosso divino direito de amar, Lula livreeeê”, soltou a cantora durante apresentação na orla urbana. A cantora foi ovacionada.

Um dos principais destinos turísticos do Nordeste brasileiro, Itacaré realiza anualmente o festival gastronômico, atraindo nativos e turistas e mobilizando mais de 40 bares e restaurantes. Maria Gadú foi a principal atração musical deste ano, com show público. Confira o vídeo abaixo.

STF ADIA JULGAMENTO DE HABEAS CORPUS DO EX-PRESIDENTE LULA

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Lula: pedido de liberdade deve ser julgado em agosto ou setembro

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retirou da pauta de julgamentos um habeas corpus (HC) em que a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pede que seja declarada a suspeição do então juiz Sergio Moro no julgamento do caso do triplex no Guarujá (SP). O adiamento foi a pedido do ministro Gilmar Mendes, que alegou haver outros 11 processos de notável relevância na pauta e não teria tempo para julgar o HC do ex-presidente.

O caso estava previsto para ser julgado na sessão de amanhã (25), última sessão antes do recesso de julho na Corte. Com o adiamento, o processo só deverá voltar à pauta do colegiado em agosto, quando o tribunal voltar ao trabalho.

No andamento do processo, não foi publicado o motivo do adiamento, somente a seguinte decisão. “De ordem, certificamos que o processo foi retirado do calendário de julgamento do dia 25.6.2019”.

O processo começou a ser julgado na Segunda Turma em dezembro de 2018, quando o relator ministro Edson Fachin e a ministra Cármen Lúcia votaram contra o pedido de suspeição. O julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, que devolveu o HC para ser julgado nesta terça. Compõem o colegiado ainda os ministros Ricardo Lewandowski e Celso de Mello.

No início da tarde, a defesa de Lula pediu ao STF que a data do julgamento seja mantida. A defesa argumentou que o habeas corpus foi protocolado em novembro de 2018 para que seja reconhecida a suspeição do então juiz Sergio Moro para processar e julgar o ex-presidente e, consequentemente, reconhecimento da nulidade de todos os atos praticados por ele na ação penal do tríplex, além de soltura do ex-presidente.

De acordo com Cristiano Zanin, advogado do ex-presidente, Lula está preso há 443 dias e os processos envolvendo réus presos têm prioridade de julgamento.

“Assim, diante de reportagens jornalísticas publicadas nesta data sobre eventual adiamento, requer-se sejam observadas as disposições legais e regimentais acima referidas, de modo a assegurar que o julgamento do habeas corpus em questão seja retomado amanhã, 25/6 – última sessão do primeiro semestre -, como medida de Direito e de Justiça”, pediu a defesa.

O argumento central da defesa é o fato de Moro ter aceitado o convite para o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Jair Bolsonaro. Quando foi impetrado no ano passado, e não trazia em seus argumentos as supostas trocas de mensagens entre o então juiz e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, no Paraná, divulgadas pelo site The Intercept Brasil. Na semana passada, os advogados pediram que os “fatos públicos e notórios” sejam levados em conta pelo STF.

Desde a publicação das supostas mensagens, o ministro Sergio Moro não reconhece a autenticidade dos diálogos e diz que as mensagens podem ter sido “editadas e manipuladas” por meio de ataques de hackers.

Lula está preso desde 7 de abril do ano passado na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, após ter sua condenação confirmada pelo Tribunal Regional Federal 4ª Região (TRF4), que impôs pena de 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP). Com informações da Agência Brasil.

 

LAVA JATO: “É MUITO GRAVE”, AFIRMA RUI COSTA SOBRE REVELAÇÕES DO “THE INTERCEPT”

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Rui Costa considera muito graves revelações trazidas pelo “The Intercept”

Rui Costa, governador da Bahia, se pronunciou, há pouco, quanto às revelações de diálogos do ex-juiz, hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro, com procuradores da Lava Jato (confira em nota abaixo). “O que o site The Intercept divulgou é muito grave. Provoca profunda indignação. É fundamental que todo o conteúdo seja esclarecido”, escreveu Rui em sua conta no microblog Twitter.

Segundo ele, o país “precisa saber de toda a verdade”. E continua: “Caso contrário o País continuará sem oferecer segurança Jurídico Institucional, Credibilidade e Confiança”. Apoiador do ex-presidente Lula, um dos alvos da Lava Jato e preso desde abril de 2018 depois de ser condenado pelo então juiz Moro e ter sentença confirmada em segunda instância, Rui Costa emenda com uma alfinetada:

– Chega de mentir e perseguir. Chega de mentir e perseguir. É preciso retomar a credibilidade em nossas instituições.

“THE INTERCEPT” REVELA CONVERSAS DE MORO COM PROCURADORES DA LAVA JATO

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Conversas de Moro (foto) com procuradores da Lava Jato é revelada por site

O clima na República deve esquentar, nesta segunda-feira (10), após a revelação, pelo site The Intercept, de conversas em chats privados do ex-juiz da Lava Jato e hoje ministro da Justiça, Sergio Moro, com procuradores da Operação, dentre eles Deltan Dallagnol.

Os conteúdos das conversas foram divulgados nesta noite de domingo e geraram reações de políticos e de procuradores, além do ministro. A matéria do The Intercept foi repercutida por alguns dos principais veículos do país, entre jornais, redes de TV e sites.

Algumas das conversas revelam antecipação de operações da Lava Jato e supostas combinações entre procuradores e o ex-juiz. Num dos diálogos, o procurador Deltan Dallagnol tinha dúvidas quanto à solidez das provas contra o ex-presidente Lula, condenado e preso desde abril do ano passado. Todo o conteúdo da matéria do The Intercept pode ser acessado aqui.

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