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28 de maio de 2020 | 05:01 am

MORTO EM ACIDENTE EM CAMACAN, CLÁUDIO CHETTO SERÁ ENTERRADO EM SALVADOR

Cláudio Chetto faleceu em acidente em Camacan, hoje
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O corpo do advogado e presidente do Instituto Uiraçu, Cláudio Chetto, será velado e enterrado em Salvador, conforme nota da entidade de proteção ambiental. A data e o horário não foram informados. Cláudio faleceu em acidente ocorrido no início da manhã desta sexta (15), em um trecho da BR-101 em Camacan, no sul da Bahia.

O advogado dirigia uma picape, quando um caminhão invadiu a mão contrária e colidiu frontalmente contra o veículo no qual Cláudio estava. O advogado e dirigente da ONG faleceu no local. O acidente ainda envolveu um terceiro veículo, um Volkswagen Gol, que colidiu na traseira da picape de Cláudio.

O Instituto Uiraçu, presidido por Cláudio, é responsável pela proteção da Reserva Serra Bonita, em Camacan, município onde ocorreu o acidente. Transformada em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), a Serra Bonita é formada por um conjunto de propriedades em área total de, aproximadamente, 2,5 mil hectares, sob a gestão do Instituto Uiraçu. A entidade se pronunciou por meio de nota. Confira no “leia mais”.

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IBAMA ENCONTRA 250 HECTARES DE ÁREA DESMATADA NO SUL E EXTREMO-SUL DA BAHIA

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Destruição da Mata Atlântica|| Foto Ibama

O Ibama detectou, durante a operação Mata Viva realizada de junho a agosto, a supressão de 257,9 hectares de Mata Atlântica em municípios do sul e extremo-sul do estado. Foi constatada a eliminação de mata em 32 dos 49 polígonos com indicativos de desmatamento.
O monitoramento foi realizado nos municípios de Canavieiras, Santa Luzia, Una, no sul da Bahia; e Alcobaça, Guaratinga, Jucuruçu, Itamaraju e Medeiros Neto, no extremo-sul. De acordo com o Ibama, foi verificado que houve supressão de Mata Atlântica em diversos estágios e regeneração. Além do trabalho de campo, a destruição foi detectada via imagens de satélite do Núcleo de Geoprocessamento da Unidade Técnica do Ibama, em Eunápolis.
Durante a operação, os fiscais emitiram 21 autos de infração, que somam R$ 1,4 milhão. Além disso, foram apreendidas 32 aves, cinco carcaças de animais silvestres (tatus, porco do mato e paca).

CABRUCA E CACAU CABRUCA, MELHOR SAÍDA PARA O RURAL SUL-BAIANO

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Wallace Setenta || catongo70@gmail.com
 

O “novo preconizado” [repetindo a forma original de plantio] tinha agora como método predominante para sua expansão a “derruba total da mata nativa” para o plantio dos novos cacauais, mas numa perspectiva monocultural, produtivista e hierarquizada voltada unicamente para produção em escala [grandes volumes] visando apenas a exportação de bagas.  

 

Construímos o mundo em que vivemos durante as nossas vidas. Por sua vez, ele também nos constrói ao longo dessa viagem comum. Assim, se vivemos e nos comportamos de um modo que trona insatisfatória a nossa qualidade de vida, a responsabilidade cabe a nós. (Maturana, H. R.). 

A história das chamadas relações entre sociedade e natureza é, em todos os lugares habitados, a da substituição de um meio natural, dado a uma determinada sociedade, por um meio cada vez mais artificializado, isto é, sucessivamente instrumentalizado por essa mesma sociedade (Santos, M.). As modalidades dessas relações estabelecidas no sul da Bahia deram origem à CABRUCA, designação como é conhecido o Sistema Agrícola Tradicional Cabruca [SAT Cabruca], principiado e constituído há mais de 250 anos num ambiente natural de Mata Atlântica.
“Não foram os efeitos de braços estranhos, não o ouro de abastadas bolsas, não foi o amparo de governos fortes, mas a constância de modestos homens, a intrepidez do trabalhador patrício, cujo o único capital constituía nos seus braços, quem a fez triunfante”. (Bondar, G.)
Muitas outras denominações da Cabruca são habitualmente empregadas em função das especificidades locais onde se assentam: cabroca; cacau no brocado; brocado; cacau tradicional; cacau do jupará; cacau na mata; mata produtiva; agrossistema tradicional; cacau sob mata raleada, e mais recente como cacau cabruca ou como sistema agroflorestal tipo cabruca.
A evolução dinâmica desse processo de trabalho [cabruca] inovador, em permanente construção, continua sendo reinventado progressivamente frente às constantes mudanças nos contextos sociais e econômicos, técnicos e ambientais possibilitado pelo entrelaçamento harmônico em meio a cabruca [como processo trabalho]; o Bioma Mata Atlântica [meio natural]; e a sociedade local [como indutora e de forte conotação de conteúdo coletivo]. O conceito cabruca [conservação produtiva] concilia e viabiliza portanto as relações de produção, da “roça ao chocolate”, tendo como protagonista principal o produtor de cacau [como agente social] – sobre os ombros do qual a crise se avoluma.
Clique no “leia mais”, a seguir, para conferir o artigo na íntegra:

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É TEMPO DE COLHER

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rosivaldo-pinheiroRosivaldo Pinheiro | rpmvida@yahoo.com.br

 

Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.

 

Vivemos numa região que possui um dos biomas mais importantes do Brasil, a mata atlântica – muito rica em fauna e flora. Essa conservação só foi possível devido ao sistema de produção cabruca, que consiste em consorciar exploração econômica e conservação ambiental.

A produção do cacau permitiu reconhecimento social e poder político-econômico para os produtores do fruto. Se cacau era sinônimo de dinheiro, proprietário rural nessa região ganhava destaque social em qualquer lugar do país e até internacionalmente. As obras de Jorge Amado trazem esse retrato histórico.

A quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, afetou o comércio mundial e estabeleceu dificuldades na nossa economia até o final da década de 1950. Nesse período, após uma intensa luta junto aos poderes da República, a região viu nascer a Ceplac, em 1957, e recebeu uma atenção diferenciada a partir de 1961, quando foi implantada a taxa de retenção de exportação do cacau que formou o orçamento da Ceplac, o que permitiu que a instituição implantasse a extensão rural e investisse no escoamento da produção. A taxa era de 15% sobre a amêndoa e 5% sobre os derivados de cacau.

Em 1970, o cacau representou 60% da arrecadação estadual. Financiou, inclusive, a folha de pagamento do estado da Bahia e fomentou a construção do Centro Industrial de Aratu e do Polo Petroquímico de Camaçari. A partir de 1972, a taxa de retenção foi unificada em 10% – tanto amêndoas como derivados. Em 1980, uma série de fatores influenciaram negativamente na cadeia produtiva do cacau: perdemos importância na pauta de arrecadação do estado frente aos produtos de alta tecnologia produzidos no Polo Petroquímico de Camaçari, o fortalecimento da concorrência dos países africanos e nosso peso na pauta de exportação brasileira foi reduzido.

Todos esses acontecimentos propiciaram ao governo brasileiro cortar a taxa de retenção. Além disso, tivemos uma superprodução de cacau na safra 1984/1985, forçando ainda mais a queda dos preços e empurrando os produtores de cacau para a crise. Como se não bastasse tudo isso, em 1989 surgia em Uruçuca um fungo capaz de dizimar a lavoura, a vassoura-de-bruxa. Diante daquelas circunstâncias, e após muitas cobranças e críticas por parte da comunidade da região sul, o governo estadual, em resposta, criou o Instituto Biofábrica de Cacau em 1997. O IBC nasceu com o objetivo de produzir mudas melhoradas geneticamente e servir de estrutura de apoio permanente à lavoura.

Chegamos a 1990, década em que a região cacaueira conheceu a sua maior queda econômica: mergulhamos num estado de penúria, o que gerou o quase abandono das propriedades por parte dos fazendeiros e demissão em massa dos trabalhadores rurais. Estima-se que mais de 250 mil trabalhadores trocaram o campo pelas cidades. Um grande contingente de homens, mulheres e crianças chegaram sem perspectivas às cidades, buscando sobreviver àquele estado de caos social. As cidades não estavam preparadas, principalmente Itabuna, Ilhéus e Porto Seguro: saúde, educação, segurança, mobilidade e urbanização foram afetados.

Não existia capacidade de atendimento do fluxo, nem capacidade financeira para prover ações de acolhimento para essas pessoas. Esse contingente humano ficou à margem e teve que se estabelecer nas periferias das cidades. Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.

Nos últimos anos, uma articulação dos governos estadual e federal trouxe a esperança de entrarmos num novo ciclo econômico. A construção da barragem do Rio Colônia, um novo hospital regional, prestes a ser inaugurado, a Ferrovia Oeste-Leste, que está parada com quase 70% concluída, o Porto Sul – ainda travado por questões burocráticas, um novo aeroporto, que está para ter obras iniciadas, uma universidade federal já em funcionamento e a duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna, cuja ordem de serviço será assinada na próxima segunda-feira pelo governador Rui Costa, um sonho que a região espera há quase 50 anos. O governo Rui vem se esforçando e realizando as obras que estavam na expectativa da região.

Como tudo na vida, a crise, apesar de negativa, também deixou legados importantes: uma região mais forte para enfrentar as turbulências, a estadualização da UESC – sem a crise econômica o estado não absorveria a instituição no seu orçamento, e o acesso à terra, algo antes difícil e que trouxe à tona o movimento da agricultura familiar nessa região. A produção de chocolate surge como um novo pensar, fruto da chegada de novos agricultores para a cadeia do cacau, o incremento de novos modos de produção e beneficiamento do cacau, e o uso de tecnologias através do melhoramento genético fazem parte dessa mudança.

Precisamos estruturar novas lutas: ampliar e melhorar a nossa representação política em nível estadual e federal, fortalecer a Ceplac, fazer o governo do estado dotar a Biofábrica de condições financeiras para a manutenção do seu quadro técnico e do cumprimento do seu papel de fortalecimento da agropecuária do Sul e Extremo Sul da Bahia. Um novo ciclo está por vir, dele, depende a nossa energia e luta. Nossa região irá se superar e os seus filhos vencerão o dilema identificado pelo saudoso professor Selem Rachid: “a pobre região rica”. Avante!

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.

MUNICÍPIOS DO SUL DA BAHIA LIDERAM DESMATAMENTO NA MATA ATLÂNTICA

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Municípios sul-baianos lideram desmatamento na Mata Atlântica (Arquivo Agência Brasil).

Municípios sul-baianos lideram desmatamento na Mata Atlântica (Arquivo Agência Brasil).

– ILHÉUS E PORTO ESTÃO ENTRE LÍDERES DE DESMATAMENTO

O desmatamento na Mata Atlântica cresceu 57,7% em um ano, entre 2015 e 2016, quando o bioma perdeu 29.075 hectares, o equivalente a mais de 29 mil campos de futebol. O número foi apresentado nesta segunda (29) pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).

No período anterior (2014-2015), o desmate no bioma havia sido de 18.433 hectares. Segundo a diretora executiva da SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, há 10 anos a área, que se espalha por 17 estados, não registrava um desmatamento dessas proporções.

– O que mais impressionou foi o enorme aumento no desmatamento no último período. Tivemos um retrocesso muito grande, com índices comparáveis aos de 2005 – disse.

No período de 2005 a 2008, a Mata Atlântica perdeu 102.938 hectares de floresta, ou seja, média anual de 34.313 hectares a menos.

BAHIA LIDERA DESMATAMENTO

Em 2015-2016, a Bahia foi o estado onde houve mais desmatamento, com 12.288 hectares desmatados, 207% a mais que no período anterior, quando foram destruídos 3.997 hectares de vegetação nativa.

Os municípios baianos de Santa Cruz Cabrália e Belmonte lideram a lista dos maiores desmatadores com 3.058 hectares e 2.119 hectares, respectivamente. Se somados aos desmatamentos identificados em outras cidades do Sul da Bahia, como Porto Seguro e Ilhéus, cerca de 30% da destruição do bioma no período ocorreu nesta região.

“Essa região é a mais rica do Brasil em biodiversidade e tem grande potencial para o turismo. Nós estamos destruindo um patrimônio que poderia gerar desenvolvimento, trabalho e renda para o estado”, avaliou Marcia.

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INOVAÇÃO NO CACAU DA MATA ATLÂNTICA

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Eduardo AthaydeEduardo Athayde | eduathayde@gmail.com

 

A Fazenda Futuro, localizada em Buerarema, base das pesquisas do WWI no final do século passado – e agora cliente do CIC -, está sendo usada por pesquisadores parceiros do WWI, da floresta urbana de Nova Iorque e do Smithsonian Institute como referência para um projeto piloto de fazenda do futuro, conectado com universidades e centros de pesquisas do mundo.

Quando o WWI-Worldwatch Institute, na virada do milênio, publicou internacionalmente estudo sobre a mata atlântica da região cacaueira da Bahia, batizando-a de “Floresta de Chocolate”, única no mundo, onde a matéria prima do chocolate é produzida com recordes de biodiversidade no planeta, registrado pelo Jardim Botânico de Nova Iorque, a prefeitura nova-iorquina iniciava o levantamento de cada uma das suas 683.113 árvores.

Hoje, os cidadãos de Nova Iorque conhecem o valor econômico individual das suas árvores, sabem que cada uma reduz a temperatura sob sua copa em cinco graus centígrados, joga no ar 150 mil litros de água por ano e produzem serviços anuais avaliados em US$111 bilhões [tree-map.nycgovparks.org]; um padrão que está sendo seguido por várias cidades do mundo que plantam florestas urbanas visando a melhoria do ar, do clima local e da qualidade de vida dos seus cidadãos.

Com a força das redes sociais, o mundo parece ter ficado pequeno e a biodiversa Mata Atlântica, antes pouco percebida (ainda não valorada), vem recebendo influência direta dessas inovações. O Centro de Inovação do Cacau (CIC), por exemplo, que será inaugurado [hoje] na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus, é a parte concreta do projeto do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia, idealizado conjuntamente pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Ceplac, Uesc, Secti, Instituto Arapiaú e outras instituições.

Focando a cadeia produtiva do cacau e a economia florestal, o CIC, formado por acadêmicos e empresários, analisará propriedades físico-químicas do cacau e do chocolate, a qualidade de sementes e mudas das biofábricas de essências da mata atlântica, fomentando a indústria do reflorestamento que, cobiçada por investidores, floresce impulsionada pelo robusto mercado financeiro internacional interessado em ativos florestais.

Na era da “eco-nomia”, oficializada pelo Acordo de Paris e já legalmente adotada pelo Brasil, a preservação, além de uma imperiosa necessidade, passou a ser analisada também por parâmetros econométricos da precificação e monetização (restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030 – bit.ly/2cHvxT8). Observando o senso de oportunidade, o CIC nasce como elo local desta inovadora rede global, posicionando-se, com linguagem nova, como uma espécie de “porta USB” de alta velocidade aberta a conexões de pesquisa, geração de conhecimento e econegócios.

Integrado a iniciativas como a Plataforma Brasileira sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (bpbes.net.br), que tem a missão de produzir conhecimento científico e saberes tradicionais sobre biodiversidade e serviços ecossistêmicos – onde o cacau se inclui -, o CIC nasce como parceiro natural do Programa Fapesp de Pesquisa em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA-FAPESP), apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e alinhado com a
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que lançou a Campanha da Fraternidade 2017 com o tema “Biomas Brasileiros e a Defesa da Vida”.

A imaginação é mais importante que o conhecimento, afirmava Albert Einstein. Nesta linha, a Fazenda Futuro, localizada em Buerarema, base das pesquisas do WWI no final do século passado – e agora cliente do CIC -, está sendo usada por pesquisadores parceiros do WWI, da floresta urbana de Nova Iorque e do Smithsonian Institute como referência para um projeto piloto de fazenda do futuro, conectado com universidades e centros de pesquisas do mundo.

Com a quebra de fronteiras e os espaços abertos pelas redes sociais, a região cacaueira, imaginada como Floresta de Chocolate, vive um momento de mudanças intensas observadas na metáfora da crisálida, quando a lagarta não mais existe, e a borboleta ainda não nasceu.

Eduardo Athayde é diretor do WWI-Worldwatch Institute.

ARTIGO DE PROFESSORES DA UESC É CAPA DA REVISTA “ECOLOGY”

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Deborah e José Carlos desenvolveram estudo sobre mata atlântica (Fotomontagem Pimenta).

Deborah e José Carlos desenvolveram estudo sobre mata atlântica (Fotomontagem Pimenta).

Um estudo desenvolvido pelos professores José Carlos Morante Filho e Deborah Faria, ambos doutores e membros do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), foi capa da Ecology, edição de dezembro. A publicação é das revistas mais prestigiadas na área de ecologia em todo o mundo. José Carlos e Deborah são pesquisadores do Laboratório de Ecologia Aplicada à Conservação (LEAC) da universidade pública sul-baiana.

O trabalho dos pesquisadores mostra, através da construção e teste de um complexo modelo de interações ecológicas, que o desmatamento da Mata Atlântica leva a um aumento no dano foliar causado por insetos”, opina a professora Fernanda Gaiotto. De acordo com os autores do estudo, esse efeito ocorre porque, quando uma determinada região é desmatada, a floresta que resta sofre profundas modificações em consequência da perda de árvores grandes e altas.

Os professores José Carlos Morante Filho e Deborah Faria assinalam que “em particular, a floresta se torna mais fina, mais baixa e mais rala, e este novo ambiente favorece a proliferação de populações de insetos herbívoros que consequentemente aumentam o consumo de plantas”. O trabalho mostra, com clareza, a maneira pela qual o desmatamento modifica determinados processos ecológicos que são importantes para o funcionamento das florestas tropicais.

Neste estudo, o aumento do dano foliar causado pelos insetos herbívoros pode ainda influenciar a regeneração das populações de plantas e de toda a floresta, uma vez que, para crescerem e reporem os adultos, estas plantas terão que vencer a pressão de consumo imposta pelos insetos.

Esta pesquisa foi desenvolvida dentro da Sisbiota, uma rede de pesquisa financiada pelo CNPq e coordenada pela doutora Deborah Faria, e contou com a colaboração de pesquisadores de universidades do México, Holanda e Alemanha.

São coautores do trabalho, publicado no volume 97 da revista Ecology , de 12 de Dezembro de 2016, nas páginas 3315 a 3325, os doutores Víctor Arroyo-Rodríguez, do Instituto de Investigaciones en Ecosistemas y Sustentabilidad, Universidad Nacional Autónoma de México, Morelia, Michoacán, México; Madelon Lohbeck, do Floresta Ecologia e Grupo de Gestão Florestal, Universidade de Wageningen, Países Baixos e Teja Tscharntke, do Agroecologia, Georg-August-Universidade de Göttingen, Alemanha.

ALUNO DA UESC É PREMIADO COM TRABALHO SOBRE PERDA DE CARBONO NA MATA ATLÂNTICA

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Ramiris, à esquerda, teve trabalho premiado em evento internacional.

Ramiris, à esquerda, teve trabalho premiado em evento internacional.

Jonildo Glória

O estudante Ramiris Moraes, do doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), teve seu trabalho premiado na primeira edição da School of Advanced Science on Nitrogen Cycling, em São Paulo. Em seu trabalho, Ramiris discutiu como a perda de floresta pode alterar a dinâmica de nutrientes na Mata Atlântica.

O pôster apresentado sugere que a porcentagem de floresta numa determinada área é um forte descritor das mudanças no estoque de carbono. O doutorando apontou que as áreas com elevado índice de desmatamento perderam aproximadamente 80% dos seus estoques de carbono, se comparadas com áreas mais conservadas.

O trabalho ainda alertou para a possibilidade de essa alteração afetar o carbono do solo, o que seria mais um fator de emissão de CO2 para a atmosfera. Durante o evento, foram apresentados 105 trabalhos de estudantes de vários países, dentre os quais apenas seis receberam o referido prêmio.

FOGO AMEAÇA MAIS DE 2 MIL HECTARES DE MATA ATLÂNTICA EM ILHÉUS

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Bombeiro combate foco de incêndio em área de Mata Atlântica.

Bombeiro combate foco de incêndio em área de Mata Atlântica.

Do Blog do Gusmão

O Sul da Bahia passa por um período de seca. O baixo nível dos rios e reservatórios pode causar colapso no abastecimento de água em Itabuna. Apesar desses problemas, as autoridades do governo do estado ainda não perceberam a gravidade do incêndio que acontece há 15 dias em áreas conservadas de Mata Atlântica, no litoral norte de Ilhéus.

O Inema ainda não se posicionou e o secretário estadual de meio ambiente, Eugênio Spengler, adotou a “lei do menor esforço”.

Dois mil hectares de floresta e área considerável de restinga previstos para compor o Parque Estadual da Ponta da Tulha estão ameaçados.

Até o momento o governo só disponibilizou 25 bombeiros que com muito esforço tentam impedir o alastramento do fogo por toda a área.

Apesar da importante contribuição dada pelos bombeiros, são necessárias mais pessoas, pois há focos de incêndio espalhados da Lagoa Encantada a Ponta da Tulha.

O combate também é feito por voluntários que, com recursos próprios, decidiram enfrentar as chamas. Há pessoas abnegadas que estão ajudando, mas precisam de equipamentos e alimentação.

Os voluntários pedem que o governo do estado aumente o efetivo, acione a brigada anti-incêndio do Ibama que atua na reserva ecológica de Una e acelere os processos de reintegração de posse.

Há indícios de que invasores sejam responsáveis pelo fogo. Há suspeitas de que ainda estejam incendiando a mata. O objetivo é destruir para ocupar.
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Fogo avança sobre vegetação rasteira e ameaça mata atlântica.

Fogo avança sobre vegetação rasteira e ameaça mata atlântica.

PRODUTORES LANÇAM PERFUME DE CHOCOLATE

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Heitor e Alexandre lançam perfume a base de chocolate (Foto Mercado do Cacau).

Heitor e Alexandre lançam perfume a base de chocolate (Foto Mercado do Cacau).

perfume chocolateDo Mercado do Cacau
Dois produtores sul-baianos desenvolveram um perfume de chocolate. A inovação partiu dos cacauicultores baianos Heitor Drummond e Alexandre Gedeon que produzem o fruto do cacau à sombra da Mata Atlântica nas regiões de Ilhéus e Uruçuca, sul da Bahia, e para agregar valor ao produto investiram no cheiro do chocolate.
– Todo mundo ama o chocolate, é atraído pelo aroma do doce, então, porque não ter também o cheiro do chocolate? – questiona Heitor, justificando a iniciativa.
O processo de fabricação da Phyla perfumes e cosméticos com aroma de chocolate é mantido em segredo, mas os produtores afirmam que para chegar à essência final do produto, foram necessários vários meses de pesquisa.
– Nós testamos várias amêndoas, buscamos o auxílio de perfumistas, químicos e pesquisadores para chegarmos a esse perfume que, de fato, lembra ao chocolate, afim de, fazer um produto agradável ao olfato e de ótima fixação – conta Alexandre.
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