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4 de agosto de 2020 | 08:41 am

ITABUNA, 110 ANOS: ENCARAR DESAFIOS, SUPERAR CRISES E SE REINVENTAR ESTÁ NO DNA GRAPIÚNA

Itabuna completa 110 anos de emancipação com o DNA da superação || Foto José Nazal
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Daniel Thame

Itabuna chega aos 110 anos de emancipação no momento em que o mundo vive uma das piores crises sanitárias de sua história, com impactos devastadores na economia. Por causa da pandemia da Covid-19, a cidade paralisou as atividades comerciais e empresariais não essenciais por mais de cem dias e só agora inicia um processo gradual de reabertura, seguindo rígidos protocolos de segurança determinados pela Organização Mundial de Saúde.

A crise afeta diversos segmentos de Itabuna, mas a capacidade de se reinventar, superar crises e dar a volta por cima, está no DNA do itabunense, desde os pioneiros que iniciaram a transformação da então Vila de Tabocas na Itabuna com ares de metrópole, até os tempos atuais, em que o espírito empreendedor prevalece em meio a dificuldades que estão aí para serem superadas.

Fernando diz acreditar na capacidade de superação do itabunense

Itabuna atravessou as crises cíclicas do cacau, encarou a pior das crises até então, com o apocalipse gerado pela vassoura-de-bruxa e as crises econômicas nacionais. Mas sempre se superou, como vai superar os impactos ainda não mensuráveis da Covid-19 no sul da Bahia.

É assim, por exemplo, que pensa o prefeito Fernando Gomes, em seu quinto mandato à frente do município. Mesmo com foco na saúde, para preservar vidas. “Ao assumir a Prefeitura de Itabuna decidi olhar para frente e não reclamar do passado. E assim fiz e tenho feito. Confio na força de trabalho dos itabunenses, acredito na capacidade de superação e tenho confiança no futuro, porque Itabuna é uma cidade que sempre superou obstáculos para se consolidar como um dos polos da Bahia e do Nordeste” afirma.

ESPÍRITO EMPREENDEDOR

Duas gerações de empreendedores, Helenilson e o filho Manoel Chaves Neto

Implantar em Itabuna o primeiro shopping do Sul da Bahia no ano 2000, em meio a uma crise devastadora provocada pela vassoura-de-bruxa, parecia algo impensável. Não para Helenilson Chaves, visionário e empreendedor nato, um apaixonado pela cidade, que fez nascer um shopping que se transformaria num marco da consolidação da Itabuna como o maior polo comercial, prestador de serviços, lazer/entretenimento, saúde e ensino superior da região.

Jequitibá é um dos símbolos do comércio sul-baiano

Aos 20 anos, o Shopping Jequitibá, hoje dirigido por Manoel Chaves Neto, passa por um processo permanente de ampliação, modernização e ampliação do mix de produtos/serviços. Mesmo com o shopping fechado por 120 dias por causa da pandemia, Neto mantém o otimismo. “Quando ocorreu o fechamento das operações do Jequitibá por força da pandemia, decidimos encarar a avassaladora consequência da Covid-19, com foco na adequação do shopping ao novo normal, buscando alternativas e soluções para o empreendimento como um todo”.

“Reabriremos o Jequitibá com seis novos projetos sendo implementados. Essas ações são um exemplo da educação e ensinamentos de meu pai e a nossa eterna crença na capacidade de Itabuna superar crises. Continuamos e estamos convictos do potencial mercadológico de Itabuna, do sul da Bahia e por contar disto, em breve vamos anunciar relevantes novidades” ressalta Manoel Chaves Neto.

Leahy: comércio unido na travessia

A FORÇA DO COMÉRCIO

Além do comércio, Itabuna também se consolidou como polo regional de serviços na área da saúde, com centenas de leitos hospitalares, de clínicas e consultórios médicos das mais diversas especialidades, e no setor educacional, com universidades públicas e centros universitários privados. Seu raio de influência atinge 120 municípios e uma população superior a um milhão de habitantes.

Carlos Leahy, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Itabuna fala do otimismo e esperança nos 110 anos do município. “Itabuna sempre foi um celeiro de grandes empresários, com um comércio de abrangência regional. Vamos atravessar juntos essa situação inesperada e unidos vamos dar a volta por cima, saindo mais fortalecidos, porque essa essas são marcas do itabunense, empreender, não desistir nunca e olhar para o futuro com otimismo”.

Margotto fala de aspirações e força do itabunense

Para Edimar Margotto Junior, advogado, empresário e agropecuarista, “a terra de Jorge Amado, de Firmino Rocha, de Candinha Doria, de Cyro de Mattos, de Zélia Lessa e de Valdirene Borges” tem tudo para surfar a onda do desenvolvimento sustentável. “Superamos a vassoura-de-bruxa e somos referência pujante em comércio e em tecnologia, a 8ª economia da Bahia, com mais de 5.000 empresas e um PIB anual superior a R$ 3 bilhões”, afirma.

Segundo Margotto, com um orçamento anual que supera os R$ 600 milhões, Itabuna pode viver dias melhores, com direito a educação de qualidade e em tempo integral, com saneamento básico e despoluição do Rio Cachoeira, com ambiente propício ao empreendedorismo, um plano de mobilidade urbana”. “Podemos vivenciar um novo momento, com uma cidade mais humana e mais justa, sobretudo para as pessoas mais necessitadas”, finaliza.

Rafael Andrade: superação e mutirão que é exemplo para o mundo

EXEMPLO DE SOLIDARIEDADE

Idealizador e coordenador do Mutirão do Diabetes de Itabuna, maior evento de prevenção e tratamento da doença no mundo, o médico oftalmologista Rafael Andrade, do Hospital Beira Rio, afirma que uma importante característica da cidade é se superar perante grandes adversidades, com o que ela tem de melhor, a sua gente. “Quantas crises passamos e quantos vezes nos levantamos, ainda mais fortes?”. “Enchentes, secas, crises da vassoura-de-bruxa, muitas crises econômicas, mesmo assim seguimos em frente com este povo de fé que não se entrega” diz.

“Minha história é a prova deste solo fértil grapiúna. Aqui nasceu, cresceu e se expandiu para todo o Brasil, o Mutirão do Diabetes, que se mistura com a história da minha vida, que começou em 2004 atendendo pouco menos de 200 pessoas, e durante 15 anos vem atendendo dezenas de milhares de pessoas.”

Julius Kaeser, ex-diretor da Nestlé em Itabuna, fala da avidez do grapiúna em aprender

HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO

Julius Kaeser, que foi diretor da Nestlé em Itabuna no período de 1985 a 1998, hoje radicado em Portugal, testemunhou a bonança provocada pela alta do cacau e também da crise gerada pela vassoura-de-bruxa. “Algo que sempre me chamou positivamente a atenção com relação a comunidade grapiúna foi a forma fraternal no tratamento com as pessoas, o espírito empreendedor. A formação profissional dos colaboradores que trabalhavam na empresa também foi surpreendente. A avidez de querer aprender cada vez mais e se superar era até comovente”, diz.

“Foi um enorme prazer poder ter tido a oportunidade de liderar um grupo de pessoas tão motivadas. Foi uma lição de vida para mim e tenho a certeza de que mais uma vez a cidade vai ser recuperar e sair ainda mais fortalecida”, ressalta.

SENAI ENTRA NA LISTA FORBES DOS 10 MAIORES DOADORES CONTRA A COVID-19

Senai recuperou mais de 200 respiradores na Bahia || Foto Seplan-BA
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O Senai aparece em oitavo lugar na lista com as 100 maiores empresas em doações no esforço contra a Covid-19 no Brasil. Iniciativas vão do conserto de respiradores à fabricação de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e ao financiamento da inovação

O Senai está entre os maiores doadores do Brasil no combate ao novo coronavírus. A instituição aparece em oitavo lugar na lista da revista Forbes com as 100 maiores empresas doadoras do país. Essa rede de solidariedade já disponibilizou mais de R$ 5,4 bi na luta contra a Covid-19.

No caso do Senai, a matéria cita a mobilização feita junto ao setor industrial, com R$ 63 milhões destinados ao combate ao vírus. A rede coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Senai mobilizou 380 indústrias de diversos portes, entidades representativas setoriais e as federações estaduais das indústrias.

Atualmente, o apoio do setor industrial contra o novo coronavírus já passa dos R$ 336 mi. São ações que vão do conserto de respiradores mecânicos à produção de testes rápidos e à doação de insumos essenciais ao sistema de saúde e seus profissionais.

Conheça as 10 maiores doadoras, segundo a lista da Forbes

1º – Itaú Unibanco: R$ 1 bilhão
2º – Vale: R$ 500 milhões
3º – JBS: R$ 400 milhões
4º – Ambev: R$ 110 milhões
5º – Rede D’Or: R$ 110 milhões
6º – Bradesco: R$ 99 milhoes
7º – Caoa Chery: R$ 74 milhões
8º – SENAI: R$ 63 milhões
9º – Nestlé: R$ 55 milhões
10º – BRF: R$ 50 milhões

REAGE, ITABUNA. VAI QUE DÁ!

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Manoel Chaves Neto

 

 

Não minimizo a importância do setor industrial. Pelo contrário, vejo como uma grande oportunidade de crescimento, através de objetivos estratégicos para que Itabuna e região se tornem um ambiente atrativo para o setor industrial.

 

Nestlé, vai fechar… Morte anunciada já há muito tempo… Perda lastimável para nossa cidade e região. Lá se vão 240 empregos diretos, um canal de vendas para escoamento do cacau, uma perda para os steakholders e uma boa referência, quando falamos de Itabuna, num grande centro: “Lá em Itabuna, tem a fábrica da Nestlé”.

Não é consolo, mas o setor industrial em Itabuna representa 11% da locação da mão de obra municipal, enquanto os setores do Comércio e de Serviços representam acima de 70%, onde, na sua maioria, são gerados por empreendedores e empresários locais que não têm incentivos, regalias e pagam todos os tributos federais, estaduais e municipais.

Vamos nos aguerrir, unir e focar pelo melhoramento da estrutura do nosso comércio, através de uma boa segurança, iluminação, monitoramento CFTV, serviços públicos, pelo aeroporto, novo teatro, hospitais, shopping, policlínicas, faculdades e – o essencial – elevação do nível do nosso time, através cursos técnicos, treinamentos, treinamentos e muitos treinamentos para nossos vendedores, taxistas, agentes públicos, etc… tendo como objetivo, tornar Itabuna cada vez mais forte na sua principal característica de cidade comercial e prestadora de serviço.

Precisamos comunicar melhor Itabuna, torná-la atrativa.

Não minimizo a importância do setor industrial. Pelo contrário, vejo como uma grande oportunidade de crescimento, através de objetivos estratégicos para que Itabuna e região se tornem um ambiente atrativo para o setor industrial. Por fim, peço desculpa pela minha ausência e omissão nas reuniões da ACI, MESB, etc…. Procurarei remediar, me tornando mais presente junto com vocês para discutir e agir Itabuna!!!

Enquanto escrevi, vejo que já tem interessados para a área da Nestlé.

Manoel Chaves Neto é diretor-presidente do Grupo Chaves.

NESTLÉ CONFIRMA AO GOVERNO QUE PODE FECHAR FÁBRICA EM ITABUNA

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Multinacional emprega 240 funcionários em Itabuna, onde está há 35 anos

Andreyver Lima

A Nestlé confirmou que estuda fechar sua unidade em Itabuna. A informação foi postada na rede social pelo Governo da Bahia, após um seguidor cobrar explicações sobre uma suposta saída da empresa da cidade. Os planos de encerrar as atividades deixaria 240 desempregados.

A possível desativação da fábrica já foi pauta de debate na Câmara de Itabuna em 2015, com presença de membros do legislativo, representantes da Prefeitura, pecuaristas e sindicalistas. Na época a Nestlé emitiu nota negando as intenções de encerramento das atividades.

Como justificativa para seu novo posicionamento, a empresa diz que está fazendo novos investimentos na ampliação de sua unidade em Feira de Santana, responsável pelo abastecimento da região Nordeste.
O Governo se comprometeu em fazer uma reunião com a direção da empresa, para tratar da situação de Itabuna, mas afirma que a fábrica não deixará o Estado.

Numa rede social, governo confirmou plano da Nestlé para Itabuna

SINDICATO PROMETE MOVIMENTO

Ativa há mais de 35 anos, a unidade em Itabuna produz a linha Nescau, Nesquik e Farinha láctea de 200ml.
Na tentativa de evitar o fechamento, o SindAlimentação, movimento sindical que representa os trabalhadores, promete fazer mobilizações no sentido de chamar a atenção do Governo.

“Estamos chamando a atenção dos vereadores, prefeito e governo do estado. Tudo indica que vai ser fechada, vamos organizar e fazer movimento de trabalhadores na Câmara. Itabuna não pode perder essa fábrica”, disse um dos diretores do SindAlimentação.

SEMINÁRIO DISCUTE O FUTURO DO TRABALHO E OS DESAFIOS DO PROFISSIONAL DE RH

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Caroline Magno, Shirlene Magalhães e Wladimir Martins participam do seminário

O presidente da seção Bahia da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Wladimir Martins, será o conferencista do seminário que debaterá o futuro do trabalho e os desafios do profissional de RH. O evento ocorrerá neste sábado (8), a partir das 9h, no auditório do curso de Direito da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), na Rodovia Ilhéus-Itabuna (BR-415).

Além da palestra de Wladimir, o seminário terá painel com a gerente de RH da Nestlé em Itabuna e Feira de Santana, Caroline Magno, e a gerente de RH da Barry Callebaut (Negócio Cacau), Shirlene Magalhães. As inscrições para o evento são gratuitas e podem ser feitas pelo site https://www.abrhba.org.br/nucleosul ou pelo telefone (71) 3341-0877.

De acordo com Tamires Prado, da delegacia regional da ABRH-BA, o evento é uma comemoração ao Dia do Profissional de RH. “A palestra e o painel possibilitam a ampliação da consciência e a mudança de mindset, entendendo que para moldarmos o futuro com sucesso, nesse ambiente de grande complexidade e incertezas, é preciso que exista uma verdadeira parceria entre a alta direção e a área de Recursos Humanos”, afirma.

NESTLÉ DESATIVA LINHA DE PRODUÇÃO E DEMITE MAIS 28 FUNCIONÁRIOS EM ITABUNA

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Nestlé desativa mais uma linha de produção em Itabuna e demite 28 funcionários

Nestlé desativa mais uma linha de produção em Itabuna e demite 28 funcionários

A unidade da Nestlé em Itabuna desativou uma das três linhas de produção do achocolatado Nescau e demitiu 28 trabalhadores, no início da noite de ontem (31). A linha de alta performance produzia, por hora, 24 mil litros de Nescau líquido em caixinha. A empresa alegou ter sido afetada pela queda no consumo em todo o país.

A notícia levou preocupação a vários setores da economia. Já em 2014, a multinacional de alimentos encerrou a produção de leite em pó Ninho em Itabuna, que produzia média de 60 mil litros de leite em pó, diariamente. A unidade foi transferindo para Minas Gerais. A multinacional demitiu 180 funcionários nos últimos quatro anos em Itabuna, conforme o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação (SindAlimentação).

O diretor regional da entidade, Eduardo Sodré, cobra maior envolvimento dos governos estadual e municipal para evitar que a unidade itabunense “feche de vez”. Desde 2014, a partir das pressões do sindicato e dos funcionários, foram realizadas audiências públicas e reuniões no Governo da Bahia. “Sem a mobilização dos governos, Itabuna perderá de vez a unidade da Nestlé”, afirmou Sodré em entrevista ao PIMENTA.

Trabalhadores reunidos em assembleia na manhã desta terça (1º).

Trabalhadores reunidos em assembleia na manhã desta terça (1º).

Com o desmanche da linha de produção itabunense, diz Sodré, fica difícil não pensar no pior. O dirigente sindical lembra ter buscado apoio governamental e político para tentar frear as demissões na unidade, mas critica prefeitura e governo do estado pela falta de empenho. E alerta: “Se não houver interesse público em todas as esferas, a fábrica não levará muito tempo para o desfecho final”, lamenta.

As demissões ocorrem mesmo com a unidade contando com vários incentivos governamentais. Um dos incentivos é o desconto de 75% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

De acordo com Sodré, a unidade da multinacional contava com 343 trabalhadores, quantidade que caiu para menos de 170 com as demissões registradas ao final de ontem.

OUTRO LADO

A Nestlé Brasil confirmou ao PIMENTA a desativação da linha de produção do achocolatado, “para adequar o volume de produção à atual demanda do mercado”. A desativação, reforça, é por tempo indeterminado. Porém, negou que haja intenção de encerrar as atividades em Itabuna.

Ainda segundo a empresa, “a decisão foi tomada em função da consistente retração da categoria de Achocolatados Líquidos que, nos últimos 3 anos, apresenta retração acima de 15%, de acordo com dados apurados pela Nielsen no Brasil. A diminuição das vendas desse tipo de produto tem sido ainda mais relevante no Norte e Nordeste, impactando diretamente a unidade de Itabuna, responsável pelo abastecimento dessas duas regiões”.

A Nestlé disse que cumprirá com todas a suas obrigações com os colaboradores e familaires e “oferecerá suporte e pacotes com benefícios adicionais” aos demitidos.

NESTLÉ ANUNCIA FÉRIAS COLETIVAS EM ITABUNA; SINDICATO TEME DEMISSÕES

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Nestlé concederá férias coletivas a trabalhadores em Itabuna.

Nestlé concederá férias coletivas a trabalhadores em Itabuna.

A Nestlé anunciou a concessão de férias coletivas aos trabalhadores da fábrica de Itabuna. A medida atingirá a produção de achocolatado Nescau e começará a valer a partir do dia 19 de dezembro. A unidade tem 216 funcionários.

Sodré, do Sindalimentação.

Sodré teme desemprego e desativação de fábrica.

Serão 15 dias de férias coletivas, período em que apenas os setores administrativo e de vendas funcionarão, segundo o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Alimentação (Sindalimentação), Eduardo Sodré. A empresa teria alegado aos funcionários, segundo o sindicalista, uma retração do mercado causada pela crise econômica. As férias seriam medidas de ajuste entre produção e demanda.

Sodré teme nova onda de demissões na fábrica. A unidade de Itabuna tinha 343 funcionários até o ano passado. O corte de vagas ocorreu com a desativação da linha de leite em pó. Parte dos trabalhadores foi transferida para a unidade de Feira de Santana e quase 100 foram demitidos.

MAQUINÁRIO LOCADO

O dirigente diz temer, também, a desativação da linha de produção em Itabuna. “O maquinário utilizado em Itabuna é locado pela Nestlé [pertence à Tetra Pak]”, disse o sindicalista ao PIMENTA.

Demonstrando preocupação com o cenário local, Sodré disse ser necessário envolvimento efetivo da Câmara e do município para evitar demissões e desativação da unidade itabunense. “Vamos acionar os governos municipal e estadual. Já perdemos a linha de produção de leite em pó”, diz, acrescentando que a empresa não descarta medidas mais duras no município sul-baiano.

A Nestlé instalou-se no Centro Industrial de Itabuna, na BR-415, há mais de 30 anos. Durante este período, sempre esteve entre os maiores geradores de receita oriunda do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

 

NESTLÉ ASSEGURA OPERAÇÕES DE LEITE SÓ ATÉ DEZEMBRO EM ITABUNA

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Reunião tratou da situação de funcionários da Nestlé em Itabuna.

Reunião tratou da situação de funcionários da Nestlé em Itabuna.

O clima é de apreensão entre os funcionários da Nestlé em Itabuna. Desde o início do ano, mais de 40 demissões foram registradas na área de produção de leite em pó, após a desativação da linha Ideal, um dos produtos comercializados pela multinacional de alimentos.

Dirigentes do SindAlimentação se reuniram com dirigentes nacionais da Nestlé e deles obtiveram resposta nada alentadora. De acordo com Eduardo Sodré, da base do Sindalimentação em Itabuna, a garantia da Nestlé é de que as operações serão mantidas até dezembro deste ano.

Sodré e dirigentes do Federação Latino-Americana dos Trabalhadores da Nestlé (Felatran) se reuniram com o diretores da Nestlé nas áreas de Recursos Humanos (Luiz Fruet) e de Relações Trabalhistas Marcos Baccarin). Os dois diretores informaram que o programa de produção de leite está mantido até dezembro.

A Nestlé deverá definir, até a segunda quinzena de outubro, um dirigente para conversar com os trabalhadores da unidade em Itabuna. “O clima de terror (na empresa) vem aumentando a cada dia devido ao não esclarecimento por parte da Nestlé”, diz Sodré.

A Associação dos Agropecuaristas do Sul da Bahia (Adasb) já havia alertado para os prejuízos com as mudanças nas operações da multinacional de alimentos no sul da Bahia. Além de reduzir o valor pago pelo litro do leite (de R$ 1,15 para R$ 0,85), a Nestlé também diminuiu para 100 quilômetros o raio de captação do produto in natura. Sodré, do Sindalimentação, diz que o risco é de mais 100 demissões na unidade de Itabuna.

PRODUTORES DE LEITE QUEREM RESPOSTAS DA NESTLÉ

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Dirigentes da Adasb, Edimar e Elder querem explicações da Nestlé (Foto Reprodução).

Dirigentes da Adasb, Edimar e Elder querem explicações da Nestlé (Foto Reprodução).

Um total clima de incerteza e insegurança tem feito parte da rotina dos produtores de leite do Sul da Bahia desde que surgiram os primeiros sinais de que a Linha de Processamento de Leite da Nestlé encerraria suas atividades em Itabuna. A multinacional, que até então mantinha uma relação de parceria “saudável” com os produtores de leite, repentinamente reduziu a captação em volume, o preço pago por litro de leite e encurtou o raio de captação.

Reconhecendo que se trata de uma atividade agropecuária com maior capacidade de geração de emprego e renda, e temendo os possíveis efeitos sociais na Bacia Leiteira local decorrentes do fechamento da fábrica, a Associação dos Agropecuaristas do Sul da Bahia (Adasb) pressiona a multinacional. “Queremos saber os motivos que levaram a Nestlé à adoção dessas medidas e se essa política é transitória ou se a captação voltará ao normal”, explica o presidente da Adasb, Elder Fontes.

IMPORTAÇÃO DE LEITE

Produtores locais afirmam que após essa nova política a Nestlé reduziu o preço pago pelo litro de leite de aproximadamente R$ 1,15 para R$ 0,85, encurtou o raio de captação para área inferior a 100 km da fábrica, além da quantidade captada. Informações ainda dão conta de que a multinacional tem importado leite desidratado de países do Mercosul, em detrimento da bacia leiteira local.

“Merece reprovação a postura da multinacional que, embora goze de benefícios fiscais e de incentivos tributários para operar na região Nordeste, mais precisamente em Itabuna, decida por preterir a produção de leite local para importá-lo de outros Estados ou, ainda pior, do exterior”, frisa o vice-presidente Edimar Margotto Jr.

PREJUÍZOS E INSEGURANÇA

Os dirigentes da Adasb lembram que produtores realizaram altos investimentos – com recursos próprios ou mediante financiamentos obtidos junto aos agentes fomentadores do agronegócio – a fim de submeter suas propriedades às exigências fitossanitárias exigidas pela Nestlé.

“A sensação de insegurança e de desamparo é muito grande. Muitos produtores fizeram investimentos de monta, seja na aquisição de equipamentos, seja na modernização de pastagem, adubação, aquisição de matrizes, e precisam no mínimo, de um esclarecimento sobre o que está acontecendo”, finalizou o presidente Elder Fontes.

PREOCUPAÇÃO ENTRE PRODUTORES DE LEITE

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Elder FontesA Nestlé negou que vá fechar a unidade de secamento em Itabuna, mas a preocupação é grande entre produtores de leite do centro-sul da Bahia. Elder Fontes, presidente da Associação dos Agropecuaristas do Sul da Bahia (Adasb), revela que, além de reduzir o volume de captação de leite na região, a multinacional de alimentos baixou o preço pago pelo litro do produto no sul da Bahia.

A Adasb começa a se movimentar em busca de apoio político para tentar sensibilizar a Nestlé. Há, ainda, outro ponto de preocupação para a bacia leiteira regional: a empresa reduziu o raio de captação, o que significa que muitos produtores foram cortados da relação de fornecedores, embora com leite disponível.

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