skip to Main Content
28 de maio de 2020 | 04:24 am

OPINIÃO || FARÓIS EXISTEM PARA ORIENTAR

Tempo de leitura: 2 minutos

Os países que enfrentaram os picos da covid-19 são nossos faróis, servindo-nos de experiências. Ao tomar como exemplo o comportamento das populações e dos governos no exterior, seus erros e acertos, poderemos, aqui, vencer esse ciclo pandêmico com menor perda de vidas e, consequentemente, com redução dos impactos econômicos.

Rosivaldo Pinheiro || rpmvida@yahoo.com.br

É fato que há vários Brasis dentro da mesma nação nesta pandemia: existe o país da ciência e o da não-ciência; o Brasil que recebe o auxílio emergencial e o que ainda luta para recebê-lo; o que por essencialidade vai ao trabalho e o que por conta em risco circula; o que reclama do estresse causado pela pandemia e o que falta o pão de cada dia; o que se diz de direita e o da esquerda.

Fato é que estamos passando por um grave problema na saúde pública, com inevitáveis reflexos negativos na economia. Todos os países estão sendo afetados e terão desdobramentos nos PIBs (Produto Interno Bruto), que mede a atividade econômica dos países. Apesar de significar algo grave, não representa o fim do mundo, uma vez que existem mecanismos endógenos no sistema econômico que cumprirão seus papéis, fazendo a economia se recuperar aos níveis de produção e consumo e equilibrando o fluxo da geração de renda, fato já experimentando pelo sistema econômico ao longo do tempo, na ocorrência de outras crises. Porém, a preocupação maior será o tempo demandado para tal recuperação.

A polarização entre os dois Brasis que se manifestam no dia-a-dia das redes sociais – direita e esquerda, coloca em posições antagônicas os favoráveis ao isolamento social como medida mitigadora da covid-19 e os que defendem a volta a uma suposta normalidade usando como argumento a necessidade de manutenção de empregos nos múltiplos setores atingidos.

A linha que defende o retorno a essa ilusória normalidade é justificada pelo argumento da existência de cidades que mantiveram uma continuidade da atividade econômica em meio à pandemia, com a cautela de cumprir as medidas de prevenção recomendadas pelos órgãos de saúde. É importante frisar que as decisões de cada estado e ou município deverão levar em consideração as condições estruturais da saúde para garantir a atenção às suas populações, juntamente com o desempenho da taxa de contaminação do novo coronavírus (curva de transmissão).

Mantido esse entendimento, e sendo computados baixo número de casos e satisfatória disponibilidade de leitos para atendimento, é de bom senso o cumprimento dos protocolos de controle, assim como o funcionamento da atividade comercial. O que de fato precisa ser observado é a realidade de cada estado e município.

Os países que enfrentaram os picos da covid-19 são nossos faróis, servindo-nos de experiências. Ao tomar como exemplo o comportamento das populações e dos governos no exterior, seus erros e acertos, poderemos, aqui, vencer esse ciclo pandêmico com menor perda de vidas e, consequentemente, com redução dos impactos econômicos. O Brasil precisa de liderança na direção da unidade. Afinal, faróis existem para orientar e somos uma nação, não um arquipélago de ilhas ideológicas.

Rosivaldo Pinheiro é especialista em Planejamento de Cidades (Uesc) e economista.

A MÁSCARA DE REGINA DUARTE CAIU. E NEM MANOEL CARLOS CONSEGUE MAIS SEGURAR

Tempo de leitura: 2 minutos

Há muito sofrimento acontecendo no mundo para que um novo tempo comece de verdade. Um tempo baseado em clarezas, sentimentos genuínos e coletivos. Os personagens da vida real não sustentarão suas máscaras por muito tempo. 

Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br

Gosto de gente. Sempre gostei. Observar o comportamento humano sempre foi, digamos, o meu maior fetiche. Novelas, seriados, livros, filmes e as mais simples rotinas diárias, para esta publicitária que vos escreve, só tem atrativo se tiverem personagens interessantes. Interpretados ou vivenciados. Da vida real, ou não. Suas falas, gestos, emoções, reações, seus dramas, conquistas e perdas. Suas histórias. Ninguém resiste a uma boa história.

Fui uma telespectadora apaixonada pelas novelas de Manoel Carlos, e consigo ainda sentir a emoção de quando pisei pela primeira vez no Leblon, no Rio de Janeiro. As boas histórias têm esse poder: de nos entreter e nos entrelaçar ao ponto de nos apaixonarmos por algo, alguém. Ou algum lugar. Eu me apaixonei por aquele bairro boêmio, mas também cheio de cafés e livrarias. Como me apaixonei por suas Helenas, sentimento esse facilmente estendido a Regina Duarte, excelente atriz.

Faço parte da parcela brasileira que teve vergonha ao assistir “minha Helena”, ops, a (agora, ex) “Ministra” da Cultura Regina Duarte completamente desequilibrada em uma entrevista, ao vivo na CNN, desdenhar do número de mortos durante a pandemia que estamos enfrentando. O mundo todo parou, o mundo todo segue se precavendo e lamentando tudo o que estamos vivendo, e Regina, a pessoa real, nem de longe parecia aquelas personagens todas já interpretadas, coerentes e de falas tão lúcidas.

2020 chegou trazendo muitas mudanças – e muitas delas pela dor. Há muito sofrimento acontecendo no mundo para que um novo tempo comece de verdade. Um tempo baseado em clarezas, sentimentos genuínos e coletivos. Os personagens da vida real não sustentarão suas máscaras por muito tempo. A de Regina Duarte caiu, e nem Manoel Carlos consegue mais segurar!

Manuela Berbert é publicitária.

OS CASTIGOS EM NOME DA CIÊNCIA OU ESFERAS DIVINAS

Tempo de leitura: 4 minutos

Pelas notícias chegadas de Ipiaú, o vírus agiu com flagrante desrespeito ao Santo Padroeiro da cidade, São Roque, o Roque de Montpellier, protetor contra a peste e padroeiro dos inválidos e cirurgiões. Em Itabuna, terra que goza do prestígio de São José, pai do Nosso Senhor Jesus Cristo, ele também não deu a mínima e espalhou o terror nos quatro cantos da cidade.

Walmir Rosário*

Não se brinca com assunto sério! Esse ditado tem perpassado gerações e é dito geralmente quando não se admite qualquer controvérsia em relação a um tema que envolva determinado fato, que cause dor ou constrangimento. Fora disso, vem como advertência a uma determinada crítica feita por alguém do povo a ato ou fato praticado por alguém ou autoridade de escalões superiores.

O que critica, embora embasado na consagrada Carta Cidadã, como queria Ulisses Guimarães, poderá enfrentar sérios problemas de ordem legal junto ao poder judiciário, atrelado aos dissabores financeiros e outros contratempos. Ao entendimento juntam-se as famosas proibições do politicamente incorreto, hoje “legalizado” pelos ditos progressistas e o incauto cidadão estará metido em camisa de onze varas.

Se nesta terra de Santa Cruz existisse pena de morte, um desavisado qualquer estaria em maus lençóis ao propor, por exemplo, um suco de mastruz misturado com leite de vaca – tirado na hora –, para extirpar o mal dos peitos, botando para fora todo o catarro. Mas como por aqui pena de morte só é aplicada por meio da pobreza, cujo cumprimento se dá pela falta de ingestão dos alimentos, me atrevo a recomendar: Mastruz com leite (não a banda musical) para os males do Covid-19.

E posso comprovar cientificamente os benefícios medicamentosos do mastruz, do alto dos meus 70 anos, certificando, a quem interessar possa, todos os milagres desta santa plantinha, fartamente encontrada no campo e na cidade. Lembro de um vizinho que sofre daquela doença ruim que o povo tinha até medo de falar – a tuberculose – e que se curou com a ajuda providencial do mastruz com leite.

Num domingo desse vi uma reportagem na televisão que uma cidade mineira está estimulando a plantação desses remédios caseiros nos quintais das unidades de saúde, com a ajuda dos próprios pacientes, moradores das redondezas. Ao que parece está tudo indo às mil maravilhas. Só não posso dar um atestado científico de sua eficácia contra o maldito vírus de agora por falta de outra reportagem.

Mas voltando a um passado mais ou menos recente, me salta aos olhos as tristes visões dos amigos e vizinhos acometidos de doenças “brabas” como sarampo, catapora, papeira e até varíola, a pior de todas. Todas elas curadas com plantas cultivadas nas casas vizinhas e que eram tiro e queda: um bom banho de sabugueiro para fechar as feridas, um chá de pitanga para acalmar a febre e uns caroços de milho em baixo da cama.

Além de não custar um centavo, bastava apenas ser amigo dos cultivadores dessas plantas e um muito obrigado. Já a papeira, ou caxumba, requeria outros cuidados significativos, principalmente nos homens. Caso fossem bem cuidados e os pacientes não fizessem nenhuma estripulia durante a recuperação, estava sarado para o resto da vida; do contrário, a inflamação desceria para os testículos e o dito cujo ficaria estéril.

Um corte mais ou menos profundo merecia um tratamento de certa forma mais simples, como uma pequena porção de pó de café para estancar o sangue; caso o estrago fosse maior, o pó de café estancaria o sangue até chegar ao hospital. Uma picada de cascavel lá pelas caatingas bastaria uma incisão de canivete junto à marca dos dentes da danada e um pouco de querosene, o cabra estava novinho em folha. Melhor ainda se fosse em local que desse para sugar o sangue e cuspi-lo fora.

Não sei como explicar, mas as doenças daquela época pareciam menos perigosas, bastando um remédio caseiro e um meio dia de descanso, já as de hoje se sofisticaram e ficaram metidas a besta. Qual o filho de Deus que imaginaria algum dia ver, com os olhos que a terra há de comer, as manias dessas doenças de hoje, que não precisam ficar vagando a esmo por aí e têm até horário e local de acometer o coitado.

Pelo que fui informado, o vírus tem hábitos noturnos em algumas cidades e se recusam a dar o ar da graça em supermercados (deve ser com receio dos preços altos), agências lotéricas, bancos e farmácias. Também não gosta de andar (fuxicando) em casa alheia e tampouco se apavora com leis e decretos de autoridades. Quanto mais o povo se esconde, o danado do Covid-19 fica amuado e não respeita qualquer isolamento.

Pelas notícias chegadas de Ipiaú, o vírus agiu com flagrante desrespeito ao Santo Padroeiro da cidade, São Roque, o Roque de Montpellier, protetor contra a peste e padroeiro dos inválidos e cirurgiões. Em Itabuna, terra que goza do prestígio de São José, pai do Nosso Senhor Jesus Cristo, ele também não deu a mínima e espalhou o terror nos quatro cantos da cidade.

Dentre todas as possibilidades que engendrei, tirando fora o mastruz com leite, a hidroxicloroquina, a ivermectina e a azitromicina, vistas até então como coisa sem importância pela ciência, só resta ao povo apelar para outras esferas divinas. Como disse nosso colega baiano, radialista e compositor da música Súplica Cearense: “Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe, / Eu acho que a culpa foi / Desse pobre que nem sabe fazer oração / Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água / E ter-lhe pedido cheiinho de mágoa…”

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

DOS VELHOS CARNAVAIS AO COVID-19, UM BAILE DE MÁSCARAS

Tempo de leitura: 3 minutos

De pronto, garanto que não sou orgulhoso, mas me senti o máximo ao adentrar pela porta giratória do banco com minha máscara fabricada em tecido jeans sem ser importunado pelo segurança de olhar vigilante.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Que eu me lembre mesmo, as máscaras eram vestimentas de bandidos que procuravam esconder o rosto para não serem reconhecidos nos assaltos, conforme víamos todos os domingos nos velhos filmes de faroeste. A maioria dos assaltantes usavam as de cor preta, ou negra, como queira, embora alguns mais refinados exibiam as coloridas, estampadas, em tecido de seda. Um luxo só!

E não é que as máscaras voltaram à moda e qualquer cidadão que se preze usa a sua para as famosas saidinhas, as escapadas de casa, um simples bordejo pelas ruas para verificar se ainda existe vida fora do ambiente doméstico. Acredito que muitas dessas pessoas são da minha idade e assistiram aos mesmos filmes americanos que eu, ainda nos saudosos bons tempos.

Como não gosto de bisbilhotar a vida dos outros, fiquei com receio de perguntar em quais artistas se espelharam ou se existe um costureiro, modelista – me desculpem pela deselegância – ou personal stylist que o orientam. Pelo que notei, a moda mudou de lado e passou a compor os mocinhos e mocinhas, ao contrário dos malfeitores que assaltavam bancos e diligências.

Pelo que li num grande portal, a máscara se tornou uma indumentária obrigatória, como o chapéu ou o paletó antigamente. Algumas são concebidas em Paris e Milão embora não deixem de ser copiadas por aqui, numa obediência aos padrões chineses de desrespeito à propriedade intelectual. São tecidos dos mais diversos preços, de bolinhas, cores psicodélicas, no estilo jeans e até mesmo com a imagem do herói preferido.

Na minha leitura sobre o uso das máscaras não chegou a se esmerar no estilo, mas traçou alguns conceitos de proteção que, infelizmente, não agradou em cheio a alguns descolados ou teimosos. Hoje é mais que corriqueiro vermos máscaras que não protegem o nariz e nem mesmo a boca, deve ser algum look nostálgico de Woodstock revelando toda a sua rebeldia.

Como ensinava o Abelardo Chacrinha, nada se cria tudo se copia. Como bom observador, fico cá pensando se esse Covid-19 teimar em ficar mais uns anos por aqui, reeditaremos as máscaras de todos os saudosos carnavais, quiçá não buscaremos inspiração no antigo Egito e passaremos a desfilar de múmias dos faraós, ou quem sabe as orientais para nos afastar dos maus espíritos.

Quem sabe daremos uma passadinha pela Grécia e reeditaremos o famoso teatro grego como se estivéssemos interpretando dramas e tragédias. Essas máscaras vestiriam muito bem o personagem representativo da tragédia pandêmica que estamos vivendo e sem hora marcada para a peça acabar. Para os mais refinados, nada como o tradicional estilo Bal Masqué para extravasar os seus impulsos reprimidos e libertadores.

Os que preferem segurança 100% por certo adotarão a máscara no estilo protetor facial móvel, fabricada em acetato, de fácil higienização, protegendo a máscara tradicional. Acabada a pandemia, os mais criativos poderiam participar de programas de televisão e ainda ganharia alguns milhões desfiliando nas passarelas de Faustão, Sílvio Santos e Luciano Hulk mostrando seus modelitos.

A criatividade do homem não tem limites e o que foi concebido como uma simples e eficiente proteção contra os vírus se tornaram objeto de ostentação, enfeites e adorno da face humana. Fácil mesmo seria para nossos marqueteiros reviverem fantásticas peças comerciais baianos produzidos pelas Ótica Ernesto, jornal A Tarde, Tio Correia e Supermercados Unimar, lembrando as máscaras carnavalescas de Clóvis Bornay e Evandro Castro Lima.

No campo jurídico, as máscaras desfrutaram de notoriedade nacional ao ser questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) se poderia ou não vestir (ou esconder) os rostos nos carnavais, manifestações e protestos. Discussões constitucionais à parte, sei que os temidos grupos de black blocs não deram a mínima para as proibições, no que foram seguidos pelos carnavalescos. A máscara acima da lei!

Saudosista que sou, confesso que nunca liguei muito para as máscaras, a não ser nos tempos em que ainda menino lá no bairro Conceição, em Itabuna, quando resolvíamos brincar de cowboy, em que tínhamos que atirar nos mascarados. Fora disso, ainda recordando, àquela época, pra nós, mascarados de verdade eram aqueles colegas arrogantes, “metidos a besta”, que comiam cuscuz e arrotavam caviar.

De pronto, garanto que não sou orgulhoso, mas me senti o máximo ao adentrar pela porta giratória do banco com minha máscara fabricada em tecido jeans sem ser importunado pelo segurança de olhar vigilante. Só me faltou mesmo uma cartucheira com dois revólveres Colt 45 niquelados e, tal e qual um artista de Hollywood, ordenar em alto de bom som: “Mãos ao alto”! Seria a glória pros meus tempos de menino.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

CONFIRA CALENDÁRIO DE PAGAMENTO E SAQUES DA 2ª PARCELA DO AUXÍLIO EMERGENCIAL

Tempo de leitura: 2 minutos

O Ministério da Cidadania divulgou, hoje (15), o calendário de pagamento e saques da segunda parcela de R$ 600 do auxílio emergencial, pago em três parcelas, destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados que perderam renda por causa da pandemia do novo coronavírus (covid-19). A portaria com as datas foi publicada no Diário Oficial da União.

A segunda parcela começará a ser creditada na segunda-feira (18), conforme adiantou o presidente da Caixa Econômica federal, Pedro Guimarães, durante a live semanal do presidente Jair Bolsonaro, no início da noite de ontem (14).

Ao todo, cerca de 50 milhões de pessoas estão inscritas no programa. O benefício é pago para trabalhadores informais e pessoas de baixa renda, inscritos do cadastro social do governo e no Bolsa Família.

O calendário publicado nesta sexta-feira vale para as pessoas que receberam a primeira parcela até o dia de 30 de abril de 2020. Na tarde de hoje, está prevista entrevista coletiva, no Palácio do Planalto, para detalhar como será o pagamento. Confira o calendário no “leia mais”, abaixo.

Leia Mais

PLANOS DE SAÚDE REJEITAM ACORDO DE R$ 15 BILHÕES E DEIXAM INADIMPLENTES SEM ATENDIMENTO

Planos de saúde rejeitam acordo com ANS para atender inadimplentes
Tempo de leitura: 2 minutos

Após duas semanas de tratativas, operadoras de planos de saúde decidiram não assinar o termo de compromisso proposto pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A agência reguladora havia proposto a manutenção da assistência médica aos beneficiários inadimplentes durante a pandemia do novo coronavírus (covid-19).

Em contrapartida, a ANS liberaria R$ 15 bilhões de um fundo de reserva do setor para garantir a continuidade dos serviços médicos diante da falta de pagamento das mensalidades.

a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que representa 16 grupos de operadoras de seguros e planos de assistência à saúde privados, informou que empregou seus melhores esforços, mas não foi possível tornar viável a proposta de utilização de parte das reservas e provisões mantidas pelas associadas para fazer frente a situações de excepcionalidade como a que estamos vivendo.

A FenaSaúde disse reconhecer “a dedicação e o empenho” da ANS “na busca por alternativas para conciliar a adequada manutenção da solvência das operadoras que atuam no setor com as demandas que a pandemia causada pelo novo coronavírus exige”. Porém, disse que a proposta para as contrapartidas inviabilizou o acesso ao fundo, que é formado com recursos das próprias empresas.

Segundo a FenaSaúde, as informações divulgadas pela ANS dão a “falsa impressão” de que os R$ 15 bilhões já estariam liberados para uso imediato pelas operadoras.

Leia Mais

QUANDO VAMOS ABRIR O COMÉRCIO?

Tempo de leitura: 3 minutos

Um bom termômetro para saber a hora de abrir o comércio e medir a confiança das pessoas, um método bastante eficiente, seria perguntando aos pais: “Se as escolas abrissem hoje, você mandaria seus filhos as aulas?”.

Gerson Marques || gersonlgmarques@gmail.com

A vontade dos comerciantes de abrirem suas lojas é uma legítima. A vontade dos ambulantes irem às ruas venderem seus produtos, idem. O medo dos trabalhadores perderem empregos com as empresas fechadas, também. Estes sentimentos não podem ser desprezados nem varridos para o campo ideológico.

Não é factível três, quatro, cinco meses de vidas paradas, isolados, nem econômica, social ou fisicamente. As consequências são inúmeras e as econômicas são só parte do problema.

Dito isso, reafirmo: Nada é mais legítimo que a vida, o direito de viver, e o direito de não perder a vida. Esta legitimidade se sobrepõe às demais.

A pandemia é uma força da natureza, de origem mais poderosa que a capacidade humana de se defender, ainda que consigamos uma defesa parcial. Assim como uma tsunami, um terremoto ou acontecimentos ainda maiores como um choque com meteoritos, cuja evidências dizem sobre a extinção de grande parte da vida no planeta em outras eras, uma pandemia tem uma lógica imprevisível – e só por isso se torna uma ameaça existencial, um infausto.

E se o vírus passar por uma mutação e adquirir características ainda mais agressiva? E se o simples fato de tê-lo mesmo que assintomático não nós imunizar? E se a vacina ou terapias não forem encontradas? Existem diversas doenças sem cura, não é mesmo? E qual será o custo humano até circular por todo planeta? Não temos respostas para isso.

Portanto, estamos enfrentando uma situação colocada em um patamar acima da lógica da vida. Pelo menos, das nossas vidas, e com isso não sabemos lidar adequadamente, apesar de não ser a primeira vez que ocorre na história da civilização humana.

Buscar respostas nas ideologias é como buscar respostas nas religiões. Conforta, mas não resolve. Simplesmente, elas não respondem racionalmente, porque estes acontecimentos estão fora da dinâmica existencial e fora da lógica temporal, histórica e sociológica de nossa existência.

Acho muito ignorante a politização da doença, do vírus, de suas consequências, mas não posso dizer o mesmo sobre a politização do debate sobre as formas de enfrentar, sobre as políticas de governo para proteger a população ou não, e suas ações para resolver a questão central e suas consequências. Aí, sim, é legítimo o debate político, no campo social e econômico, na construção das saídas.

Por isso, é muito ruim quando os comerciantes defendem seu legítimo sentimento de abrir o comércio usando um discurso ideológico, baseado no negacionismo, ou na relativização do que se vê em outros países, e dos parâmetros científicos.

Quem perde com esta linha de defesa são os próprios comerciantes, que assustam a população ao demostrar os interesses financeiros acima da vida, inclusive de seus funcionários e clientes, também por não entenderem que a questão básica, mesmo depois de terminada a fase do distanciamento social, se chama confiança. Sem esta, sem segurança de não se contaminar, de pouco adianta a loja estar aberta. Ninguém terá coragem de brigar de esconde-esconde com um vírus de comportamento desconhecido e agressivo e medicação inexistente.

Um bom termômetro para saber a hora de abrir o comércio e medir a confiança das pessoas, um método bastante eficiente, seria perguntando aos pais: “Se as escolas abrissem hoje, você mandaria seus filhos as aulas?”.  Faça essa pergunta a você mesmo e veja o grau de confiança. E olhe que as crianças, teoricamente, ressalto, só “teoricamente”, não são do grupo de risco. Quando a resposta for sim, tá na hora de reabrir o comércio.

E as questões econômicas? Vejam como as outras nações estão resolvendo. É o estado. É pra isso que existem os estados: amparar, subsidiar, alimentar, isentar, oferecer, liberar, ajudar, minimizar, combater… Existem dezenas de verbos tipicamente estatais. É aí que está a política, é neste ambiente que cabe a opinião, a ideia, o protesto, a pressão…

Na pandemia, no vírus, na UTI, na terapia, nos procedimentos preventivos, não. A única autoridade aí é a ciência e ciência não se faz com palpites. Muito menos palpites ideológicos.

Gerson Marques é produtor de cacau e chocolate.

COMÉRCIO DE ITABUNA VAI PERMANECER FECHADO POR TEMPO INDETERMINADO

Comércio de Itabuna ficará fechado, parcialmente, por tempo indeterminado
Tempo de leitura: < 1 minuto

O prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, assinou decreto estabelecendo o fechamento do comércio local por tempo indeterminado. Publicada na edição do Diário Oficial desta sexta-feira (17), a decisão levou em consideração ao número de casos confirmados do novo coronavírus no município, que tem infectados em todas as regiões da zona urbana. Até a manhã d hoje eram 16 bairros com pessoas infectadas.

De acordo com a Prefeitura de Itabuna, os efeitos dos de sete decretos publicados até agora – sobre estado calamidade, emergência e funcionamento do comércio e transporte coletivo – estão prorrogados enquanto perdurar a situação de pandemia do novo coronavírus. O decreto anterior tinha validade até domingo (19).

O decreto foi publicado no diário Oficial nesta sexta-feira

LEIA O DECRETO NA ÍNTEGRA

 

Pandemias

Tempo de leitura: 2 minutos

É hora de esquecermos nossas diferenças e reforçarmos nossas semelhanças em favor da vida e do país. Que as nossas ideologias sejam colocadas em prática em outro momento da luta democrática e não agora.

Rosivaldo Pinheiro || rpmvida@yahoo.com.br

Estamos num momento de extrema dificuldade, enfrentando duas pandemias – uma na saúde e outra nas redes sociais devido a uma série de desinformações baseadas nos achismos e ou nas maldades produzidas deliberadamente com o propósito de incentivar o obscurantismo. As redes sociais acabam potencializadas pelo comportamento do presidente da República, que persiste em se contrapor à ciência.

O conflito de posicionamento entre ele e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, por exemplo, serve de adubo e frutifica as contrainformações, as fake news. Os mensageiros de boas novas e do apocalipse fazem os seus plantios nesse terreno fértil e disponível à reprodução do ódio presente em grande parte das postagens e dos diálogos no mundo virtual. Importante destacar que essa ferramenta está ainda mais potencializada durante o período de confinamento social.

Essas narrativas em nada contribuem para o enfrentamento ao vírus. É necessário termos compreensão do momento vivido e que este exige união de todos e respeito às orientações das autoridades de saúde do Brasil e internacionais. Precisamos ter atenção com o comportamento social e as medidas adotadas na saúde e na economia e os resultados alcançados por países que já atingiram ou estão no pico da Covid-19. Essas experiências servem de parâmetros para nosso discernimento e mitigação das dificuldades.

Partidarizar o debate, por mais justo que pareça, acaba sendo um atestado de falta de consciência individual e de cidadania. Até o uso de uma medicação passou a seguir a politização e a polarização, mesmo diante do constante chamamento dos pesquisadores e dos médicos, que, em grande maioria, não negam que esse e outros remédios fazem parte das tentativas de enfrentamento ao novo vírus para recuperação dos pacientes da Covid-19.

As medicações em uso estão sendo estudadas em laboratórios e novas fórmulas podem surgir na perspectiva de tratamento da doença. Compreendamos que toda medicação deve ser prescrita pelos médicos aos pacientes, evitando desdobramentos que prejudiquem a saúde dos mesmos ou que os levem à morte.

Esperamos que haja um pacto em favor da vida. Que as autoridades possam, a partir dos seus papéis constitucionais e científicos, ajudar no esforço por meio da formulação de políticas públicas que garantam a saúde e a manutenção da economia, se necessário, abrindo mão das metas fiscais e usando as reservas internacionais. Estamos diante de uma guerra, portanto, precisamos agir dentro dessa perspectiva. É hora de esquecermos nossas diferenças e reforçarmos nossas semelhanças em favor da vida e do país. Que as nossas ideologias sejam colocadas em prática em outro momento da luta democrática e não agora.

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades.

MEC AUTORIZA ANO LETIVO COM MENOS DE 200 DIAS

Ano letivo deve ser menor
Tempo de leitura: 2 minutos

O Governo Federal decidiu que as escolas da educação básica e as instituições de ensino superior poderão distribuir a carga horária em um período diferente aos 200 dias letivos previstos em lei. Adotada por conta da pandemia do novo coronavírus, a medida tem caráter excepcional e valerá enquanto durar a situação de emergência da saúde pública.

A autorização consta na Medida Provisória 934, publicada em edição extra desta quarta-feira (1º) de abril, do Diário Oficial da União.

Para a educação básica, isso significa que as 800 horas da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio poderão ser distribuídas em um período diferente aos 200 dias letivos. A carga horária é definida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

“Essa flexibilização é autorizativa em caráter excepcional e vale tão e somente em função das medidas para enfrentamento da emergência na saúde pública decretadas pelo Congresso Nacional”, observou o secretário de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Janio Macedo. “A flexibilização deverá observar as normas dos respectivos sistemas de ensino”, explica.

A educação superior também conta com 200 dias letivos obrigatórios previstos na lei. A carga horária se aplica de acordo com as diretrizes curriculares dos cursos. A flexibilização deverá seguir as normas dos respectivos sistemas de ensino.

CURSOS NA ÁREA DE SAÚDE PODEM TER CONCLUSÃO ANTECIPADA

“A principal mudança é para alguns cursos da área de Saúde, que poderão ter a conclusão antecipada. No caso de Medicina, pode haver abreviação do internato. Para Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia, do estágio curricular obrigatório”, disse o secretário de Educação Superior do MEC, Wagner Vilas Boas de Souza.

As instituições de educação superior poderão antecipar a conclusão do curso dos estudantes que tiverem cumprido 75% do internato em Medicina. Para Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia, no caso dos alunos que já passaram por 75% do estágio curricular obrigatório. O internato é praticado nos últimos dois anos de curso; o estágio curricular obrigatório, no último.

Back To Top