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25 de fevereiro de 2020 | 10:19 am

ITABUNA VIVE, MAS NADA RECORDA DA TRÁGICA ENCHENTE DE 1967

Tempo de leitura: 4 minutos

Luiz Conceição | jornalistaluizconceicao2@gmail.com

 

No dia seguinte, a natureza em fúria fez o rio avançar ainda mais. Desta vez pela Avenida do Cinquentenário e demais vias e praças na parte baixa do centro, inundando lojas de tecidos, sapatos e acessórios e eletrodomésticos, residências, agências bancárias, depósitos de cacau…

 

Há 50 anos o céu cinzento de dezembro era prenúncio de chuvas e de muita fartura. Fazendeiros e comerciantes estavam animados com aquele tempo, porque chuva nesta época do ano significava mais fruto de cacau na safra e mais dinheiro na caixa registradora e circulando, irrigando a economia.

A vida das famílias seguia com a expectativa das festas de fim de ano. Para alguns estudantes, era fim do ciclo primário e do ginásio, para onde muitos de nós ansiávamos chegar com o exame de admissão.

A temida prova dava acesso à 1ª série ginasial. Era ritual de passagem da infância para a adolescência. Por isso, o resultado do exame de admissão era aguardado com ansiedade e medo por toda a família e não só por nós.

À medida que se aproximava o Natal era intenso o frenesi pelos presentes nas lojas e nas casas. Nessa época, chovia abundantemente no sul da Bahia, abençoado com a rica mata atlântica, ribeirões e rios fartos e cheios de peixes. Os índices pluviométricos registram no começo de todos os verões o início da quadra chuvoso do ano.

Passou a festa natalina. As chuvas ficaram ainda mais fortes e intensas. Transbordamento de riachos, ribeirões e cursos d’água e dos tributários – Salgado e Colônia – que formam o Rio Cachoeira que corta Itabuna em direção ao mar no litoral da velha Capitania de São Jorge dos Ilhéus.

Com o volume d’água crescendo a cada hora ficaram mais encorpados. O que era alegria do povo em ver o rio cheio de suas margens, junto com crianças e adolescentes em algazarra e férias, se transformou em medo, drama e terror a partir do dia 27 de dezembro.

As águas turbulentas, escuras e sujas do Cachoeira transbordaram da calha e alcançaram as parte baixas da cidade. Burundanga, Berilo e Bairro Mangabinha, na zona oeste. Cajueiro e Fátima, ao leste, e bairro Conceição, lado oposto ao centro da cidade, tiveram famílias desalojadas e desabrigadas.

No dia seguinte, a natureza em fúria fez o rio avançar ainda mais. Desta vez pela Avenida do Cinquentenário e demais vias e praças na parte baixa do centro, inundando lojas de tecidos, sapatos e acessórios e eletrodomésticos, residências, agências bancárias, depósitos de cacau…

O que era espetáculo virou tragédia, desespero.

As águas derrubaram casas, carregaram móveis e utensílios domésticos. No comércio se perderam mercadorias nos expositores, balcões e depósitos.  Alguns comerciantes foram vítimas de saqueadores que, desavergonhadamente, furtaram-lhes mercadorias em meio ao caos.

Muitos empregados no comércio arriscaram-se em proteger e salvar lojas e bens dos patrões, inclusive com a própria vida. Não se sabe ao certo quantos morreram enfrentando a correnteza forte das águas que em alguns locais do centro comercial do centro de Itabuna alcançou 2,5 metros, derrubando a posteamento da rede de energia elétrica e sinais de trânsito, solapando marquises.

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A outrora culta e reluzente sociedade grapiúna é hoje arremedo do que foi antes da cheia desta Cachoeira que completa agora 50 anos. 

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Há todo um folclore posterior à tragédia de 1967 que, ao lado das enchentes do Rio Cachoeira em 1914 e 1947, figura com a mais espetacular e terrível de todas. Mesmo quem não se viu diretamente atingido não deixou de se condoer com parentes, amigos e vizinhos que perderam tudo.

Embora a cidadã ainda viva, não tem nenhuma memória da mais famosa enchente de sua história que não foi fato isolado. Houve rumores do estrondo de uma barragem numa fazenda de criação de gado nas bandas de Santa Cruz da Vitória, então 36, fato noticiado de forma acanhada pela imprensa de então.

Há imagens de ruas e avenidas alagadas dos fotógrafos Newton Maxwell (Buião), Sabino Primitivo Cerqueira e Emerson Trindade Carregosa (Foto Emerson), dentre outros, ainda preservados em sites na Internet. A outrora culta e reluzente sociedade grapiúna é hoje arremedo do que foi antes da cheia desta Cachoeira que completa agora 50 anos.

As águas levaram consigo o balcão frigorífico, cadeiras e mesas do Vagão, bar e restaurante à cabeceira da Ponte do Marabá, margem direita do rio. Lá se reunia a intelectualidade e a promissora juventude da época de ouro do cacau para sorvetes, cuba libre ou hi-fi e bebidas diversas após sessões de cinema.

Janeiro chegou e com ele o socorro pelos Governos federal e estadual às vítimas, inclusive com a criação do atual bairro Lomanto e vacinações. O comércio teve pouca ajuda que se iniciou com caminhões de guarnições do Corpo de Bombeiros de Salvador lavando as avenidas, ruas e praças do centro.

Itabuna vive, mas nada recorda da trágica enchente de 1967. Além de destruir a dignidade das pessoas, bens e mercadorias, certamente a cheia lavou tudo, incluindo o amor à cidade e sua gente, além do que restou de nossa pouca memória que um dia nos faltará muita, mas muita falta. E não é porque não haja dinheiro para estudos e pesquisa sobre sua própria história.

Luiz Conceição é jornalista.

PLANO DE REVITALIZAÇÃO DA BACIA DO RIO CACHOEIRA SERÁ APRESENTADO AMANHÃ

Tempo de leitura: 2 minutos
Plano de revitalização Cachoeira será apresentado nesta quarta-feira

Plano de revitalização do Cachoeira será apresentado nesta quarta-feira|| Foto Maurício Maron

O Plano Estratégico de Revitalização da Bacia do Rio Cachoeira será apresentado para prefeituras dos municípios da bacia e parceiros nesta quarta-feira (25), às 9h, na Câmara de Vereadores de Ibicaraí. Participam do evento lideranças e beneficiários da região, prefeitos e representantes de instituições e entidades parceiras, como Ceplac, Comitê da Bacia Hidrográfica do Leste, Colegiado Territorial Litoral Sul

Coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema), o Plano Estratégico contempla uma visão de curto, médio e longo prazos, traduzida em três fases de implementação, que contemplam o Plano de Governança, as áreas e estratégias prioritárias de ações de conservação, restauração, manejo florestal, manejo de solo, controle de erosão mudança de uso do solo.

Prevê também a requalificação de malha viária (vias e vicinais), remoção de sedimentos, esgotamento sanitário, contenção de encostas e margens, monitoramento hidrológico. O estudo inclui ainda o planejamento de diversos projetos-pilotos dessas estratégias, para serem implementados nas áreas prioritárias para revitalização.

ESTÃO PREVISTOS R$ 4 MILHÕES EM INVESTIMENTOS

O Plano Estratégico é uma das etapas do Projeto Cachoeira, inserido no Programa de Desenvolvimento Ambiental (PDA – Bahia), realizado pela Sema e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O investido no Plano é de R$ 1, 4 milhão, sendo que o valor total do Projeto Cachoeira é da ordem de R$ 4 milhões.

O objetivo do Projeto Cachoeira é a recuperação e preservação da Bacia do Rio Cachoeira, por meio de ações que promovem a proteção de nascentes e cursos d’água. Além do Plano Estratégico, realiza o Diagnóstico Ambiental Local, Restauração Florestal de 150 hectares de matas ciliares e o cadastramento de pequenas propriedades da agricultura familiar Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais (Cefir).

Na programação do evento, serão apresentados os resultados já alcançados pelo projeto e as ações ainda em andamento, a exemplo do Cefir para pequenos proprietários no entorno da Bacia do Rio Cachoeira, que vai contemplar os municípios de Buararema, Ilhéus, Itabuna, Arataca, Barro Preto, Caatiba, Firmino Alves, Floresta Azul, Ibicaraí, Itajú Colônia, Itambé, Itapé, Itapetinga, Itororó, Jussari, São José da Vitória e Santa Cruz da Vitória.

MEU RIO CACHOEIRA DE ANTIGAMENTE

Tempo de leitura: 3 minutos

walmirWalmir Rosário | wallaw2008@gmail.com

 

Sem medo de errar ou ser interpretado como politicamente incorreto, até as enchentes do rio Cachoeira eram de encher os olhos e correr o mundo com as notícias da invasão das águas na pujante Itabuna. E olhe que naquela época não existia internet ou redes sociais.

 

Confesso que sou um pouco saudosista, mas quem há de resistir àquelas boas lembranças dos tempos de criança e adolescente? Poucos insensíveis, diria eu, recordando a belezas e a funcionalidade do rio Cachoeira dos anos 1950/60. A beleza plástica está quase toda registrada nas telas dos nossos artistas plásticos, com suas pedras à mostra, às vezes nem tanto, pois também serviam de “coarador” para as centenas de lavadeiras de ganho, ou de casa, que utilizavam as abundantes águas.

Labutavam, ainda, nas águas do velho Cachoeira pescadores – alguns especializados – de pitus, calambaus e camarões; peixes das mais variadas espécies, em sua maioria nobre, a exemplo de robalos, jundiás, tucunarés; os areeiros, que retiravam a areia para as construções com suas canoas e transportadas nos jegues; tipo de transporte também utilizados para levar água (de gasto) às residências que não dispunham de água encanada, artigo (melhor, serviço) raro à época.

Com poucos esgotos in natura (tratamento também não existia) despejando no nosso rio, era o local da higiene corporal de muitos moradores, alguns que se exibiam com saltos e braçadas durante a natação num simples banho. As águas límpidas – embora salobra – era um convite, inclusive durante à noite quando alguns se aventuravam a mergulhar e nadar sorrateiramente para furtar os peixes capturados nas grozeiras e outras armadilhas colocadas em frente às residências.

Os donos sabiam quem eram os larápios, mas nada de chegar às vias de fato, bastava uma simples censura, como geralmente assim fazia Pepê, hoje o advogado Pedro Carlos Nunes de Almeida, que tinha suas armadilhas ali na rua da Jaqueira, hoje avenida Fernando Cordier. Nos tempos atuais, mesmo com os parcos recursos, poucos se aventurariam a entrar nas águas superpoluídas do nosso velho rio, ainda mais com peixes suscetíveis a todos os tipos de doenças.

Sem medo de errar ou ser interpretado como politicamente incorreto, até as enchentes do rio Cachoeira eram de encher os olhos e correr o mundo com as notícias da invasão das águas na pujante Itabuna. E olhe que naquela época não existia internet ou redes sociais, ganhava o mundo através dos jornais, telégrafo e dos microfones das rádios Clube, Difusora e Jornal, já que os serviços de altofalante Tabu (bairro Conceição) e a Voz da Cidade não tinham longo alcance.

Passada a refrega, o comércio contabilizava seu prejuízo, refazia seus planos e tudo voltava à normalidade. A economia cacaueira dava o seu ar da graça e todos voltavam a ser o grapiúna de sempre, rico mesmo sem ter dinheiro no bolso, mas com muito crédito na praça. Nenhuma cidade do porte de Itabuna possuía o número de agências bancárias numa mesma avenida, a Cinquentenário, e todas funcionando, emprestando dinheiro e recebendo aplicações da venda do cacau.

Voltando ao comércio, a Cinquentenário e adjacentes se impunham com a galhardia de seus luminosos, confeccionados em gás neon, apagando e acendendo em intervalos diferentes, como só se viam nas grandes metrópoles pelo mundo afora. E os visitantes ficavam de “queixo caído” com nossa beleza feérica, tanto assim que muitos anos depois um conhecido biólogo da capital fluminense (à época Niterói), José Zambrotti, enchia os pulmões para nominar Itabuna como a Broadway brasileira.

Nem parecia que meses atrás tinha sofrido a grande catástrofe e, assim como no comércio, indústria e serviços maiores, a vida do rio voltava ao normal, com todos utilizando o que as águas produziam e permitiam que fosse retirado para o bem do homem. Até as pontes voltavam ao normal. Me refiro às pontes do Tororó (conhecida como dos Velhacos), estreita, baixa e somente para pedestres, e a do Marabá, cujo nome, Miguel Calmon, ainda é desconhecido da maioria da população, que eram interditadas.

Hoje maltratado, o rio Cachoeira ainda tenta sobreviver, mesmo contra a falta de vontade dos nossos governantes, que pela importância dos rios, já poderia merecer tratamento diferenciado, com um projeto de despoluição desde sua nascente até o chamado “mar de Ilhéus”, onde deságua. Atualmente, nenhum artista plástico dedicaria parte do seu tempo para retratar seu leito tomado pelas baronesas, criadouro do mosquito da dengue, ou as águas fétidas e de cor encardida pelo caldo derramado pelos esgotos.

Mesmo assim, ainda tenho a esperança de vê-lo, se não como o de antigamente, mas um rio importante na nossa vida e na socioeconomia do itabunense, do grapiúna. Gostaria de, em cima das pontes atuais e das que serão construídas, poder apreciar o Cachoeira revitalizado na Itabuna altaneira que sempre acostumamos a ver. Espero um dia possa ter essa oportunidade, assim como todos os itabunenses – daqui e de fora – que aprenderam a amar essa terra.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

O RIO GRITA

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Parte central de Itabuna com destaque para o Rio Cachoeira tomado pelas baronesas. A foto é de Robenilson Torres.

Parte central de Itabuna com destaque para o Rio Cachoeira tomado pelas baronesas. Também chamadas de aguapés, elas refletem o nível de poluição da água. Quanto mais poluído for o leito, maior será a presença de baronesas, que têm grande facilidade de proliferação. Esta é uma realidade que permeia não apenas o trecho itabunense do Rio. Desde os seus afluentes, o rio já surge gritando por cuidados. O problema surge rio acima e aqui se agrava. A foto é de Robenilson Torres.

BARONESAS NO CENÁRIO

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Cenário da bela Baía do Pontal foi modificado pelas baronesas.

Cenário da bela Baía do Pontal foi modificado pelas baronesas.

A chuva dos últimos dias na região sul modificou o cenário de uma das mais belas paisagens de Ilhéus, a Baía do Pontal. Toneladas de baronesas foram levadas para a baía com a cheia do Rio Cachoeira. A chuva deu uma paradinha, porém o grande volume de água tem carreado ainda mais material orgânico para Ilhéus. Já em Itabuna, um grande tapete verde se formou na Ponte do Marabá, como quase sempre ocorre a cada cheia do rio que corta a cidade e desemboca no município vizinho. A foto é de Luiz Fernandes Ferreira.

O QUE FIZEMOS COM O CACHOEIRA…

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Situação do Rio Cachoeira numa área onde a Emasa consegue captar água a cada 12 horas, em Nova Ferradas.

Situação do Rio Cachoeira em trecho a 300 metros da estação de captação de Nova Ferradas.

Tristeza é o sentimento de quem vê a situação do Rio Cachoeira, em Itabuna, nas imediações da unidade de captação de Nova Ferradas. Onde antes se captava, em média, 250 litros por segundo, hoje é possível retirar não mais que 60 litros por segundo, por 12 horas, e com igual intervalo.

O trecho está praticamente seco, com pequenos poços de onde a Emasa ainda retira água (por meio de transposição) para abastecer bairros da zona oeste do município. Não se sabe até quando vai dar…

Com a seca de mais de nove meses, a região perdeu 80% de sua reserva de água. Além de Itabuna, outros municípios, como Itajuípe, Camacan e Ilhéus também enfrentam racionamento. No curto prazo, não há muito o que fazer, além de esperar a chuva.

Infelizmente, em vários trechos o velho Cachoeira vai ficando cada vez menos parecido com um rio. Para quem o conheceu em outros tempos, é realmente de chorar.

SECA: GOVERNO DO ESTADO LIBERA R$ 3,8 MILHÕES PARA ITABUNA

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Nível do Rio Cachoeira voltou a cair, após nova estiagem (Foto Martone Badaró).

Nível do Rio Cachoeira voltou a cair, após nova estiagem (Foto Martone Badaró).

Após decreto em que reconhece a situação de emergência em Itabuna, o governo baiano anunciou hoje (10) a liberação de R$ 3,8 milhões para ações de enfrentamento à seca no município. Itabuna é dos mais castigados pela estiagem de mais de 180 dias na região sul do Estado.

“Há 15 dias estive com o governador Rui Costa e o secretário Cássio Peixoto, que não mediram esforços em nos ajudar a enfrentar a crise hídrica”, disse o prefeito Claudevane Leite. O dinheiro ajudará a ampliar de 48 para 100 litros por segundo a vazão no Rio Cachoeira, um dos mananciais do sistema de abastecimento de água em Itabuna. O sistema é municipalizado e está sob a responsabilidade da Emasa.

Há mais de 20 dias, o itabunense voltou a receber água salgada nas torneiras. Isso, porque a maior parte da água captada pela Emasa vem do Rio Almada, mas o ponto do manancial que não sofre o efeito da maré, em Rio do Braço (Ilhéus), a vazão é mínima. A Emasa retornou a captação em Castelo Novo, onde a água tem alto teor de cloreto, deixando-a salgada.

Além de obras para transferir o ponto de captação de água no Cachoeira, os mais de R$ 3,8 milhões também serão aplicados em ações emergenciais, como a contratação de mais carros-pipas. “Também vai nos dar a condição de retirada de baronesas e melhorar a qualidade da água fornecida para a cidade”, afirma Vane, que agradeceu o empenho do governador Rui Costa e do secretário de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS).

RETIRADA DE BARONESAS DO LEITO DO CACHOEIRA PODE LEVAR 30 DIAS

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Homens retiram garrafas plásticas e objetos que possam servir de criadouro do mosquito (Foto Pedro Augusto).

Homens recolhem garrafas plásticas e objetos que possam servir de criadouro do mosquito (Foto Pedro Augusto).

Pode levar até 30 dias a operação de retirada da baronesas do leito do Rio Cachoeira em Itabuna, segundo estimativa da Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Itabuna. A prefeitura divulgou que 12 homens estão trabalhando no processo de corte em camadas e secagem da vegetação, que é retirada das margens do rio por uma retroescavadeira.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano, Marcos Monteiro, a secagem às margens do rio não facilita a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor de enfermidades como dengue, zika e chikungunya. O risco era o grande volume de garrafas plásticas e objetos lançados ao longo do rio encalhado acima da Ponte do Marabá, na região central de Itabuna. Homens começaram a recolher estes detritos (reveja matéria aqui).

A Prefeitura não divulgou o custo total desta operação dos 20 mil metros cúbicos das baronesas encalhadas na Ponte do Marabá desde a cheia do Cachoeira em 23 de janeiro passado. Parte da vegetação foi desembaraçada e levada pela correnteza. O restante, que ficou mais acima e longe do alcance da máquina usada na operação, está sendo retirado agora.

ACÚMULO DE BARONESAS GERA TRANSTORNOS E RISCO DE PROLIFERAÇÃO DO AEDES AEGYPTI

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Grande volume de baronesa continua acumulado no trecho urbano do Rio Cachoeira (Foto Pimenta).

Grande volume de baronesa continua acumulado no trecho urbano do Rio Cachoeira (Foto Pimenta).

Baronesas continuam acumuladas na Ponte do Marabá, em Itabuna, quase um mês depois da forte chuva registrada no final de janeiro no sul da Bahia. A prefeitura retirou apenas parte da vegetação em janeiro e o que ficou vem causando mau cheiro e o acúmulo de insetos.

Outro problema foi o acúmulo de vasilhames que podem servir de criadouro para o mosquito transmissor de dengue, chikungunya e zika. E o risco está a não mais que 400 metros do chamado QG de Combate ao Aedes aegypti, unidade especializada no atendimento às vítimas das viroses transmitidas pelo mosquito.

Há mais de duas semanas, técnicos da prefeitura disseram que seria necessário o auxílio de máquinas de grande porte para concluir a retirada da baronesa. Até o início da semana, a tentativa de dispersar as baronesas era feita por dois homens em um barco, tentando arrastar a vegetação, liberando-as pelo próprio fluxo do rio.

Garrafas pet e objetos podem servir de criadouros do mosquito no leito do rio (Foto Pimenta).

Garrafas pet e objetos podem servir de criadouros do mosquito no leito do rio (Foto Pimenta).

NAZAL LEVANTA SUSPEITA SOBRE DECRETO DE CRIAÇÃO DE ÁREA INDUSTRIAL EM ILHÉUS

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Nazal levanta problemas e soluções em discussão sobre Ilhéus.

Nazal levanta problemas e soluções em discussão sobre Ilhéus.

Um dos mais profundos estudiosos de Ilhéus, José Nazal concedeu entrevista ao Tabuleiro (Conquista FM), na qual abordou temas caros ao sul da Bahia, a exemplo do Porto Sul e o projeto da nova estrada que liga Ilhéus-Itabuna, na margem oposta à rodovia atual. São 30 minutos de bate-papo com o apresentador Vila Nova. Nazal também falou do decreto do prefeito Jabes Ribeiro, que criou nova área industrial em Ilhéus, à margem do Rio Cachoeira, na ligação do município com Itabuna.

– O Estatuto (da Cidade) diz que toda mudança tem que ser discutida com a população. Ali é como área de expansão urbana. É bairro. Tem uma coisa misteriosa no ar, mas não dá para suspeitar de outra coisa a não ser interesse obscuro, escuso [com a criação da área industrial]. O MP [Ministério Público estadual] já está tomando providência – disse Nazal.

Diante da observação de que Jabes argumentou ter criado a área industrial na rodovia por causa do Porto Sul, Nazal esclareceu que a área de logística do complexo intermodal será em Itabuna, à margem da BR-101, entre o município e Itajuípe. “Não há nenhuma lógica na área. A estrada virou uma avenida”, observou, pontuando a necessidade da gestão explicar o “que se quer fazer ali”.

Nazal é pré-candidato a prefeito de Ilhéus pelo PTB e lamentou que a cidade tenha tido, nos últimos 100 anos, cinco planos diretores, mas sempre não colocados em prática. Ele faz parte de um grupo nacional que estuda o desenvolvimento de dez cidades brasileiras, dentre elas Ilhéus. Nazal cita Maringá (PR). O município paranaense já está discutindo, há algum tempo, a Maringá de 2047. Confira a íntegra da entrevista no vídeo abaixo.

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