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9 de agosto de 2020 | 11:26 pm

INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO MÉDIO LEVA ESTUDANTES A IREM ALÉM DA SALA DE AULA

Tempo de leitura: 6 minutos

Alunos do Programa de Iniciação Científica em Tecnologias Verdes da Escola SESI Djalma Pessoa || Fotos Gilberto Jr/Copeprhoto/Sistema Fieb

Experiência do SESI Bahia com pesquisa no ensino médio, iniciada em 2012, vem colecionando resultados e premiações em competições científicas pré-universitárias do Brasil e do mundo

À vontade entre reagentes, tubos de ensaios e microscópios, eles estão buscando compreender os fenômenos naturais e sociais e encontrar soluções que extrapolam as experiências de sala de aula. Estamos falando de estudantes com idades entre 15 e 18 anos que têm em comum o gosto pela ciência e encontraram nas escolas da Rede SESI de Educação na Bahia o ambiente propício para desenvolver estas habilidades, seja nas ciências exatas, humanas ou em linguagens.

Tudo começou a ganhar forma a partir de 2012. Neste ano, o laboratório deixou de ser apenas um espaço de atividades complementares às aulas de química, física e biologia para funcionar como um espaço de produção de ciência, dando origem ao Programa de Iniciação Científica da Rede SESI. Desde então, de lá saíram projetos como a telha ecológica, feita com o reaproveitamento de resíduos da casca de coco, uma pesquisa com microalgas, que reduz a concentração de CO2 no ambiente, do bioplástico produzido a partir da fécula de mandioca e uso da casca de laranja como catalisador para a indústria de fármacos. Ou ainda, na área de humanas, pesquisa sobre as subjetividades em sala de aula, lançando um olhar sobre a mulher professora na Escola SESI, e desenvolvimento de um software para gerenciar o percurso formativo dos estudantes.

Laboratório da escola SESI Djalma Pessoa é dedicado à pesquisa em Tecnologias Verdes || Foto Gilberto Jr./Coperphoto/Sistema FIEB

Atualmente, o programa tem mais de 200 estudantes inscritos de todas as sete escolas da capital e interior e, em 2020, este número irá chegar a 500 alunos. A principal novidade é que o SESI Bahia passará a oferecer aos seus estudantes bolsas de iniciação científica.  “A bolsa não é o fim, mas um meio de fomentar ainda mais o engajamento dos estudantes que também precisam ser desafiados a gerir recursos para colocar em prática suas ideias”, explica a gerente de Educação e Cultura do SESI Bahia, Cléssia Lobo.

Coordenador do Programa de Iniciação Científica da Rede SESI, o professor Fernando Moutinho explica que o espaço do laboratório é usado para desenvolver competências e habilidades que vão além de experiências científicas. “O programa de iniciação científica e a inserção do estudante no desenvolvimento soluções para aplicações reais permitem que a gente trabalhe inovação e empreendedorismo – no sentido da capacidade de mobilizar recursos e pessoas para atingir um objetivo e colocar as hipóteses em prática”, detalha Moutinho. Para ele, neste ambiente, o estudante desenvolve capacidades socioemocionais, aprende a gerir conflitos, improvisar materiais e métodos, a lidar com a diversidade, além de exercitar a proatividade, o trabalho em equipe e habilidades técnico-científicas.

PIONERISMO LEVA ESCOLA BAIANA A COLECIONAR
PRÊMIOS NACIONAIS E INTERNACIONAIS

Nicole (esquerda) e Yasmin foram premiadas no final de outubro com pesquisa com microalga, voltada para a produção agrícola || Foto Gilberto Jr./Coperphoto/Sistema FIEB

A Escola SESI Djalma Pessoa, de ensino médio, foi responsável por desenvolver a experiência da iniciação científica na Rede SESI, colecionando importantes resultados. O principal deles foi a conquista, em 2018, de uma premiação internacional, quando três alunos da escola foram selecionados para participar da Intel-ISEF, maior feira pré-universitária internacional de ciências, que reúne estudantes de vários países nos Estados Unidos. Um deles, Gabriel Negrão, voltou de lá com uma premiação: o 3º lugar no Prêmio Especial da Sociedade de Espectroscopia de Pittsbourgh e menção honrosa da American Chemical Society dos Estados Unidos.

Pesquisa que criou um biofilme para ajudar na germinação de grãos conquistou o 3º lugar na categoria Bioquímica e Química na Mostratec 2019 || Foto Gilberto Jr./Coperphoto/Sistema FIEB

Em 2019, a escola voltou a se destacar com uma pesquisa que desenvolveu um biofilme a partir da biomassa de microalga que ajuda a potencializar a germinação de sementes. A pesquisa conquistou o 3º lugar na categoria Bioquímica e Química na Mostratec 2019, realizada no final do mês de outubro. A Mostratec é uma das mais importantes feiras de ciências realizadas no Brasil e uma das portas de entrada para a Intel-ISEF. Na defesa do projeto estavam as estudantes Yasmin Teles Fonseca e Nicole Melo de Almeida que são orientadas pelo professor Fernando Moutinho e co-orientadas pela professora Jamile da Cruz Caldas.

Nicole de Almeida conta como foi gratificante participar de todo o processo, desde a elaboração da pesquisa, passando pela aceitação do projeto pela Mostratec e a participação do evento em si. “A experiência foi completa. Entendemos como funciona uma grande feira de ciência e tivemos a oportunidade de estar em contato com pessoas que debatem o tema que a gente estuda. Se fosse resumir o processo inteiro até a premiação, a palavra que mais representa é amadurecimento”, resume a estudante.

ESCOLA BAIANA É A FINALISTA DO PAÍS EM
PRÊMIO INTERNACIONAL VOLTADO PARA EDUCAÇÃO

Estudantes têm à disposição uma estrutura equipada para desenvolver experimentos e suas pesquisas || Foto Gilberto Jr./Coperphoto/Sistema FIEB

A pesquisa que desenvolveu um biofilme para ajudar na germinação de sementes e foi premiada na Mostratec 2019 faz parte da linha de pesquisa em Tecnologias Verdes do laboratório de ciências da Escola SESI Djalma Pessoa. Além desta pesquisa, o laboratório desenvolve outros experimentos. Um deles é voltado para a absorção de metais pesados no descarte de pilhas usando a quitosana.

Outras duas pesquisas tratam do uso das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC’s) no combate à proliferação das larvas do mosquito Aedes Aegypti, através do tensoativo obtido do extrato da folha de araçá (Psidium Cattleianum) e um protótipo sistemático de reutilização da água que é descartada no processo de destilação.

Com o capital intelectual acumulado desde 2012, a Escola SESI Djalma Pessoa foi a única de ensino médio do Brasil selecionada entre os finalistas do Prêmio Zayed de Sustentabilidade. A instituição baiana concorre com representantes do México e da Colômbia.

Os alunos do programa de Iniciação Científica têm a oportunidade de vivenciar na prática a rotina de laboratório || Foto Gilberto Jr./Coperphoto/Sistema FIEB

O projeto inscrito pelo SESI Bahia é bastante ambicioso e visa ampliar o Programa de Iniciação Científica em Tecnologias Verdes. A ideia é proporcionar aos estudantes da escola a construção de conhecimento em educação ambiental a partir da experimentação prática e prototipagem de projetos autorais de pesquisa e engenharia aplicada em tecnologias sustentáveis. Outro viés é contribuir também para a formação de professores para desenvolver o ensino da iniciação científica no ensino médio.  A proposta também prevê oferecer às escolas da rede pública, situadas no entorno da Escola SESI Djalma Pessoa, a oportunidade de inserir os estudantes em um programa de iniciação científica.

Espaço do laboratório da Escola SESI Djalma Pessoa abriga diversas pesquisas e tem atualmente 30 estudantes inscritos || Foto Gilberto Jr./Coperphoto/Sistema FIEB

O resultado do Prêmio Zayed será conhecido no dia 13 de janeiro de 2020 e se o SESI for vencedor será premiado com o valor de US$ 100 mil para investir no programa de pesquisa da escola. “Nosso objetivo é impulsionar ainda mais o trabalho de iniciação científica na escola e tornar o SESI uma referência na formação de estudantes e capacitação de professores nesta área”, destaca a gerente Cléssia Lobo. Este ano, em seu décimo segundo ciclo anual de premiação, o Prêmio recebeu um recorde de 2.373 inscrições de 129 países.

Para o professor Fernando Moutinho, que elaborou o projeto que concorre ao Prêmio Zayed, estar entre os 30 projetos finalistas é uma realização. De acordo com o professor, a Fundação Zayed é uma instituição conhecida mundialmente pelo engajamento ambiental e por reconhecer iniciativas de educação para os objetivos do desenvolvimento sustentável. “A educação do SESI Bahia estar inserida neste ambiente da indústria, posiciona a Rede SESI de Educação com viés tecnológico e inovador, dialogando com a sustentabilidade. Participar de um grupo tão seleto de projetos finalistas, com uma relevância mundial na área de educação científica em  que sempre busquei trabalhar, é uma realização”, diz Moutinho.

Experiência de fazer parte do programa de pesquisa inclui criar protótipos e usar ferramentas de mensuração || Foto Gilberto Jr./Coperphoto/Sistema FIEB

O Prêmio Zayed de Sustentabilidade foi lançado em 2008 com o nome Prêmio Zayed Future Energy por iniciativa de líderes dos Emirados Árabes com o objetivo de incentivar e fortalecer a inovação em energias renováveis e homenagear o fundador da premiação, o xeique Zayed bin Sultan Al Nahyan.

ELEIÇÃO CONFIRMA ALBAN NA FIEB ATÉ 2022

Tempo de leitura: < 1 minuto
Ricardo Alban é mantido na presidência da Fieb por mais 4 anos

Ricardo Alban é mantido na presidência da Fieb por mais 4 anos

O empresário Ricardo Alban será reconduzido à presidência da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) depois de vencer eleição, nesta segunda (2), em chapa única. Alban será mantido no comando da Fieb até 2022, após obter 40 dos 42 votos possíveis no pleito.

O industrial enumerou quais serão as prioridades estratégias do Sistema Fieb pelos próximos quatro anos. Alban apontou o estímulo à inovação e o apoio à interiorização industrial e às pequenas e médias indústrias. O empresário chegou à presidência da Fieb no final de 2014, com a morte de Carlos Gilberto Farias, do qual era vice.

Com Alban na presidência, a nova diretoria será composta pelos vice-presidentes Alexi Pelágio, Angelo Calmon de Sá Jr., Carlos Henrique Passos, Eduardo Catharino Gordilho, João Baptista Ferreira, Josair Bastos, Juan Lorenzo e Sergio Pedreira de Oliveira. Há, ainda, os diretores titulares e suplentes, membros do Conselho Fiscal e delegados junto ao Conselho de Representantes da Confederação Nacional da Indústria.

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