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4 de junho de 2020 | 03:46 am

BAHIA: HOMEM É PRESO POR TORTURAR E TENTAR MATAR EX-COMPANHEIRA

Tempo de leitura: < 1 minuto

Um homem foi preso por investigadores da Delegacia de Polícia Civil em Paulo Afonso, na Bahia, por tentar assassinar a ex-companheira ao não aceitar o fim do relacionamento. O acusado também tentou torturar a ex-mulher, segundo o delegado Paulo Carlos.

Ainda segundo Paulo Carlos, o agressor manteve a vítima trancada em casa, durante a madrugada, e a esfaqueou com um punhal. A mulher conseguiu chamar a atenção dos vizinhos, que acionaram a polícia.

Ela contou que o criminoso utilizou spray de pimenta e aparelhos de choque para feri-la, além de ter os cabelos cortados com o punhal. Conduzido à delegacia, o homem acabou autuado em flagrante por tortura e tentativa de homicídio. A vítima foi socorrida para um hospital devido a gravidade dos ferimentos.

50 ANOS DE 31 DE MARÇO DE 1964 E O BRASIL DE HOJE

Tempo de leitura: 3 minutos

professor júlio c gomesJulio Cezar de Oliveira Gomes | advjuliogomes@ig.com.br

Há um Brasil que chora, cotidianamente, por um dilúvio de sangue que jorra das capitais e do interior deste país.

Para uns, golpe. Para outros, revolução. O fato é que há cinquenta anos um movimento militar arrancou o presidente João Goulart do Palácio do Planalto e impôs àquele Brasil um governo composto por uma estranha junta militar.
O resto da história, já se sabe. O regime de exceção se impôs pela força das armas e da máquina governamental por vinte e cinco longos anos, até que sob a pressão da imensa maioria dos brasileiros pelo fim da Ditadura, foi eleito, de forma indireta, um presidente civil, em 1985; e depois promulgada a Constituição de 1988, pondo fim ao Período Militar.
Entretanto, o que há de novo neste aniversário de 31 de março de 1964 não é a comemoração dos militares, que sempre a fizeram, de forma mais ou menos ostensiva, mas um clamor pela volta dos militares ao poder, que ecoou fortemente por todos os meios de comunicação.
Causa estranheza que em um Brasil muito mais desenvolvido economicamente, muito mais escolarizado e com chances de ascensão social infinitamente maior do que as que existiam na década de 1960, 70 e 80, este clamor tenha sido ouvido. Mas foi.
Penso mesmo que, se o povo não aderiu ao apelo do retorno à Ditadura, foi justamente por esta compreensão de que a vida melhorou, e muito.
Porém, o mesmo povo que se recusou a aderir à Marcha da Família também se recusa a defender o regime democrático, em uma clara demonstração de desprestígio da democracia junto àqueles que mais deveriam defendê-la: o povo.
Observo, especialmente, que o discurso de que a Ditadura assassinou cruelmente seus opositores – e assassinou de fato – não comove mais às pessoas. Por que será?

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HOMEM É PRESO APÓS TORTURAR E VIOLENTAR EX-COMPANHEIRA

Tempo de leitura: 2 minutos

Alean Rodrigues | A Tarde

Deleon torturou e violentou companheira (Foto Luiz Tito/Ag. A Tarde).

Deleon torturou e violentou companheira (Foto Luiz Tito/Ag. A Tarde).

O torneiro repuxador Deleon Vitória de Santana, de 32 anos, foi preso na noite de segunda-feira, 17, sob suspeita de torturar, violentar e manter a ex-companheira em cárcere privado em Feira de Santana. A violência contra Renata da Silva Bezerra, 26 anos, grávida de 7 meses, durou quatro meses até que ela teve coragem para fugir e denunciar o caso à polícia. Deleon foi preso em flagrante por ameaça já que, no momento em que a polícia se dirigia à residência dele, o mesmo telefonou inúmeras vezes para a vítima ameaçando-a de morte.
“Ele disse a ela que iria cegá-la totalmente e matá-la, e que ela pensasse duas vezes antes de procurar a polícia, mas nós estávamos ao lado da vítima e o prendemos em flagrante”, informou a delegada Clécia Vasconcelos, titular da Delegacia Especial de Atendimento a Mulher (DEAM).
As sessões de torturas e agressões duraram quatro meses, até que na última quinta-feira (13), Renata tomou coragem e fugiu, procurando abrigo na casa de uma amiga, mas só denunciou o fato na DEAM na tarde de segunda-feira. A jovem perdeu a visão do olho esquerdo que era constantemente perfurado com um garfo, pelo acusado. Além disto, ele arrancou e quebrou os dentes dela com um alicate, cortou o cabelo e o rosto com uma faca e ateou fogo na sua cabeça.
Leia matéria na íntegra

UNIVERSO PARALELO

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LUIZ GONZAGA FAZIA ACORDES, NÃO VERSOS

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br
1Asa BrancaFindo 2012, quando foi comemorado o centenário de Luiz Gonzaga, saltou-me aos olhos certo equívoco, perpetrado pela mídia. No afã de prestigiar o Rei, salientaram-lhe qualidades que ele nunca teve. Numa muito criativa matéria de tevê (creio que na Globo) esmiuçou-se a asa branca (uma espécie de pomba, em extinção) e que deu título à música famosa. Lá pras tantas, a repórter danou-se a louvar a “literatura” de Luiz Gonzaga, os “poderosos versos” sobre o sertão, o nordestino, o vaqueiro, a seca e por aí vai, esbanjando um desconhecimento que não se permite a nenhum profissional do gênero: para ser grande (e por ser grande), o Rei nunca se apropriou da qualidade de seus letristas. Ele não fazia “literatura”, fazia acordes.

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Os grandes letristas quase esquecidos

“Era excelente musicista”, atesta o respeitável especialista em Direito Municipal (e ex-roqueiro de igual respeito) Adylson Machado. As comemorações deixaram Humberto Teixeira em quase completo esquecimento, o que me pareceu grande injustiça com quem escreveu um monte de “clássicos” cantados pelo Rei. Cito de memória (além de Asa branca) várias outras, algumas delas obras-primas do gênero, no meu modesto entender: Juazeiro, Qui nem jiló, Estrada de Canindé, Paraíba, Assum preto, Respeita Januário, Mangaratiba, No meu pé de serra, Lorota boa… De Zé Dantas falei em outras colunas: Vozes da seca, A volta da asa branca, Letra i, Riacho do Navio, Cintura fina, Paulo Afonso. A ignorância vigente na mídia é de espantar.
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SEM MISÉRIA, NÃO HÁ JAZZ “DE VERDADE”

3Doris DayPromessa é dívida. Voltamos aos best-sellers do jazz, em que seus integrantes, tal qual os escritores, são acusados de vender muito e… ganhar dinheiro. As listas que todos conhecem são integradas por meia dúzia de grandes artistas negros, mas não incluem Nat King Cole, Frank Sinatra, Doris Day, Fred Astaire. Óbvio: além de serem quase todos brancos, esses venderam muito e, consequentemente, fizeram “concessões”, ficando marcados como “comerciais”.  O senso comum diz que lhes falta desgraça e miséria suficientes para sentir o blues na própria pele – sem o que não se canta o jazz autêntico. Quem é jazzman (ou jazzwoman) de verdade morre com o estômago pregado às costas, mas concessões ao mercado, jamais.

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“Num quarto sujo, cheio de percevejos”

Este raciocínio, segundo Ruy Castro (no livro Tempestade de ritmos), foi montado pelos franceses, lá pelos anos trinta/quarenta, e de forma eficiente, “porque até hoje há quem acredite nele”. A teoria tenta preservar o músico de jazz como o tipo “bom selvagem” de Rousseau: negro, pobre, injustiçado, escravo do jazz, do álcool e da heroína, mas firme e incorruptível. Diante das “concessões” que levam à boa vida, escolhe vegetar num quarto sujo, cheio de percevejos (vide os filmes ´Round midnight e Bird, já referidos nesta coluna). “Duke Ellington, a caminho do seu alfaiate, tremia de medo dessa teoria”, ironiza Ruy Castro. Confesso que esse tipo me fascina – creio que fui formado nessa escola romântica.
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5Cole EspanholNo fim, boleros derramados, em espanhol

Para ficar apenas num nome (que o espaço é tão pequeno para tanto amor), citemos o velho Nathaniel Adams Coles (1919-1965): pianista, tornou clássica a formação piano-guitarra-baixo, era cultuado pelo seu trio de jazz “autêntico”. Foi assim até resolver cantar canções “comerciais”, quando passou a ser execrado pela crítica. Esta jamais o perdoou por gravar e vender Mona Lisa, Unforgettable, Blue Gardenia e (aí nem eu aguentei!) uma enxurrada de boleros derramados, em espanhol. De ternos bem cortados, e dono de muitos dólares, Nat King Cole era discriminado no bairro rico onde residia. A gorda conta bancária não foi bastante para ofuscar o racismo, contra o qual ele era combatente.
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(ENTRE PARÊNTESES)

Quase destruída física e moralmente, Itabuna aguarda ansiosa as ações do seu novo Messias. Nunca se viu um prefeito com tantas sugestões de nomes. Seu sobrenome é Renascer, mas ele poderia, sem desdouro, chamar-se Reconstruir, Reformar, Refazer, Remontar, Recuperar, tais são as expectativas criadas. É aceitável também, Salvador da Pátria, Fada Madrinha, Salvação da Lavoura, Houdini, Magoo e, se queremos algo mais abrangente, Panaceia. Mas que não seja o Mágico de Oz, pois de impostores já andamos cheios. A frase batida (do filme O fabuloso destino de Amélie Poulain) cabe aqui: “São tempos difíceis para os sonhadores”.
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EU VOLTAREI TÃO LOGO A NOITE ACABE

“Meu amor, eu não esqueço,/ não se esqueça, por favor,/ que eu voltarei depressa,/ tão logo a noite acabe,/ tão logo esse tempo passe,/para beijar você” – são versos de Para um amor no Recife, de Paulinho da Viola. A música foi feita para Dedé (Maria José Aureliano), uma professora pernambucana que hospedou Paulinho no Recife em 1971, quando ele foi lá apresentar-se durante três dias e ficou (graças à acolhida calorosa) quase um mês. No fim, Dedé chamava o cantor de filho (para isso, pedira e obtivera “autorização” da verdadeira mãe dele, no Rio). Mas Para um amor…, um grito contra a ditadura militar, esconde outra história menos “família”, menos lírica, menos divulgada.
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Feridas abertas e sangue derramado

Em A vida quer é coragem (do jornalista Ricardo Amaral), biografia da presidenta Dilma, surge a uruguaia Maria Cristina no capítulo intitulado “Tão logo a noite acabe”. Amaral conta que Cristina ligou-se à guerrilha no Brasil, devido à paixão que tinha pelo militante Tarzan de Castro, do PCdoB, preso em 1969, e amigo do ex-marido de Dilma, Carlos Araújo. As duas dividiram a mesma cela, em São Paulo, por oito meses. Quando a uruguaia, levada para as sessões de tortura, retornava, Dilma tratava das dores e lhe chamava a atenção para a letra de Paulinho, como uma espécie de bálsamo, ao cantar “Fechar a ferida e estancar o sangue”. Sentiam-se menos sós e desamparadas: lá fora, uma voz lírica dizia que a iniquidade não era eterna.

(O.C.)

WAGNER RECEBERÁ A MÃE DE SANTO VÍTIMA DE AGRESSÃO

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A mãe de santo Bernardete Souza Ferreira dos Santos, que afirma ter sofrido agressão de policiais militares (leia nota abaixo) será recebida na próxima quarta-feira, 10, em Salvador, pelo governador Jaques Wagner. Segundo informações, o governador exigiu apuração rigorosa do caso que teria ocorrido no último dia 23, no assentamento Dom Helder Câmara, na zona rural de Ilhéus.
Bernardete também está sendo acompanhada pela OAB. Há pouco, o Pimenta conversou com a presidente da Comissão de Direitos Humanos da subseção baiana da Ordem, a advogada Sara Mercês. Ela confirmou que a instituição designou um profissional para prestar assistência jurídica à mãe de santo, que teria sido vítima de tortura e intolerância religiosa.
“Um fato como esse não pode acontecer em hipótese alguma. Vamos, inclusive, verificar junto à polícia se há uma preocupação de incluir o respeito aos direitos humanos de maneira efetiva no currículo dos integrantes da corporação”, afirmou a presidente da CDH.
Na terça-feira, 09, Bernardete será ouvida pelo Ministério Público em Ilhéus, já contando com o acompanhamento da OAB.

MÃE DE SANTO ACUSA PM DE AGRESSÃO A OXÓSSI

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Bernardete conta ter sido vítima de tortura e discriminação de ordem religiosa (foto Correio)

A mãe de santo Bernardete Souza Ferreira dos Santos, de 42 anos, diz ter sido vítima de uma sessão de tortura cometida por oito policiais militares. O fato teria ocorrido no dia 23 de outubro, no assentamento Dom Helder Câmara, situado no distrito de Banco do Pedro, em Ilhéus.
Bernardete conta que estava em sua casa no assentamento, em companhia do marido, o professor de Filosofia Moacir Pinho de Jesus. Foi quando chegaram os policiais, com um jovem algemado. O casal indagou sobre o motivo da presença dos PMs na área e se eles tinham mandado judicial. Não houve resposta.
Em seguida, os policiais adentraram à sede da associação de pequenos produtores e a mãe de santo resolveu ser mais incisiva. “É melhor vocês se retirarem. Isso aqui é uma área privada, um assentamento. Vocês podem entrar nas casas de quem não conhece as leis, mas aqui nós não somos abestalhados”.
Nesse momento, o PM  que comandava a operação, identificado como Adjailson, ordenou a prisão da mãe de santo por desacato. A partir daí, o inusitado tomou conta do assentamento.
Bernardete conta que incorporou seu orixá, Oxóssi, e não tem mais consciência do que veio a ocorrer, somente pelo que lhe foi relatado por outros dez moradores do assentamento que assistiram à cena. “Quando pegaram o meu cabelo, o orixá chegou. A partir daí, só o relato das pessoas. O pessoal disse que gritava: ‘solta que é Oxóssi, é o orixá que está aí’. As crianças começaram a gritar, um desespero. Pegaram Oxóssi, pisaram no pescoço dele e jogaram em cima de um formigueiro. Aí disseram: só assim para o demônio sair”.
É nas pernas de Bernardete que aparecem as marcas mais visíveis da agressão sofrida por Oxóssi. O caso foi parar na corregedoria da PM, que designou um oficial para vir a Ilhéus investigar a má-conduta dos policiais. A secretária da Promoção da Igualdade do Estado da Bahia, Luiza Barros, exigiu apuração rigorosa e o governador Jaques Wagner ficou – segundo palavras da secretária – “absolutamente indignado”.
Informações do Correio da Bahia

As marcas da tortura: "jogaram Oxóssi no formigueiro" (foto Correio)


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