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4 de julho de 2020 | 02:17 am

A QUARENTENA E O ISOLAMENTO TÊM LÁ SUAS VANTAGENS

Tempo de leitura: 3 minutos

Um amigo meu, cabra bem-sabido, já vendeu uma descoberta sua para uma governadora e um prefeito e descolou uma grana legal com o distanciamento dos carros no estacionamento. O prefeito gostou tanto que mandou interditar uma rua inteira.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Confesso que estou ainda muito confuso, mas não posso me queixar de tudo nesses dias quarentena, embora já passamos cerca de 60 dias engaiolados em casa – com exceção dos teimosos fujões – “debaixo de ordens”, como diz meu amigo Valdemar Broxinha. Às vezes chego a pensar que não “ando bem das bolas” ouvindo os poderosos da política e da imprensa afirmarem que preciso continuar no isolamento social.

Aqui pra nós, acredito que eles querem apenas me confundir. Sempre aprendi que quarentena é um período de 40 dias, mas esses dias Alberto Fiscal me disse que tem uma lei nova, feita pelo demitido Mandetta, estabelecendo que quarentena é pelo período que ele quiser. E essa tal de lei 13.979/20, que teima mandar na gente, também diz que o isolamento depende do tempo que coronavírus cismar de infectar.

Li tanto a lei que já sei de cor e salteado, mas não consegui enxergar em lugar alguns que  o Aurélio [o dicionário] tivesse sido revogado. Quem sabe nossos ministros do STF tenham dado uma canetada e inserido os costumes e tradições no nosso direito? Mas vamos ao que nos interessa, que é distinguir o joio do trigo, saber onde está a verdade: realmente estamos em quarentena e isolamento?

Nem um nem outro, pelo que observo. Em quarentena, impossível, pois não carrego comigo nenhuma presunção de contaminação, o que me deixa feliz estar acima de qualquer suspeita. Muito menos isolado, pois não convivo com nenhuma pessoa portadora do vírus. Sem esperar, o jornalista inativo Tyrone Perrucho me faz um alerta: “Ouvi o ministro falar que estamos em isolamento social” argumentou.

Grande coisa! Não vai ser um ministro qualquer que vai mandar nos meus relacionamentos sociais, já não bastam o prefeito de Canavieiras me proibir de sair da cidade, enquanto os de Ilhéus e Itabuna dizem que serei desconvidado em suas cidades. Nunca imaginei ser persona non grata nessas plagas da Nação Grapiúna, ainda mais quando estou respaldado pelo direito de ir e vir garantido por Ulysses Guimarães em nossa Carta Magna.

Pelo sim pelo não, preferi não empreender aventuras tais, dado o meu estado de quase senilidade, já quase sem forças para trocar uns bons catiripapos com esses prefeitos que confundem limites de municípios com fronteiras entre países. Daí, então, que resolvi me aquietar em casa e passar a utilizar os recursos tecnológicos que disponho para me conectar ao mundo.

Portais, blogs, facebook, twitter, whatsapp, instagram, e-mails e o telefone passaram a ser minha praia e desde que acordo já estou conectado com o mundo. Duvido até que o Google, que sempre foi metido a sabe-tudo esteja afiado como eu. Desde cedo já dou um passeio geral em tudo que é informação, classificando as melhores para repartir com os amigos de isolamento social.

Nesses dias já aprendi que se não tivermos cuidado poderemos ter outra pandemia ainda pior, que é reeleger os prefeitos, atuais por falta de candidatos. Numa pesquisa realizada por Tyrone fiquei sabendo que os egípcios foram os primeiros a colocar prostitutas sob o mesmo teto e que coube aos gregos, cinco séculos antes de Cristo, se tornarem pioneiros na fundação de bordeis, com preços e procedimentos regulamentados pelo governo.

Já gravei todas as passagens da vida da deputada Joyce, dos governadores João Dória, Wilson Witzel, dos ministros do STF, sem falar em Rodrigo Maia e Alcolumbre, Ronaldo Caiado e Rui Costa. Há, se fosse nos meus tempos de menino me candidataria ao Programa o Céu é o Limite, para responder sobre a vida de qualquer um deles. Num piscar de olhos tomaria aquele um milhão de Jota Silvestre.

Pelos meus cálculos, estou pronto para ser aprovado com distinção e louvor em qualquer doutorado ou pós-doutorado de medicina, mais precisamente na especialidade de infectologia, de tando conhecimento acumulado nesses dias. Em geografia já me falaram que sou PhD, pois sei explicar sem recorrer a livros ou ao Google os países acometidos pelo Covid-19, bem como conheço a China na palma de minha mão.

Com todo esse conhecimento adquirido nesses tempos de pandemia só me falta atualizar minha agenda de contatos para tratar diretamente com ministros, governadores e prefeitos. Um amigo meu, cabra bem-sabido, já vendeu uma descoberta sua para uma governadora e um prefeito e descolou uma grana legal com o distanciamento dos carros no estacionamento. O prefeito gostou tanto que mandou interditar uma rua inteira.

Se não me der sono antes da meia-noite, amanhã levantarei todo o imbróglio da deputada Joice Hasselman e seu ex-assessor, o pedreiro da Juju, e as gravações telefônicas de Sérgio Moro desde que deixou o ministério. Mas antes preciso de uma orientação de especialista sobre os feriados que estamos perdendo em casa e serão repostos depois da epidemia.

Essa vida e isolamento social me cansa.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

CEPLAC 62 X 61 INSTITUTO DE CACAU

Tempo de leitura: 2 minutos

Tyrone Perrucho

 

Hoje, quando a Ceplac ultrapassa em um ano a idade com que foi sepultado o coirmão Instituto de Cacau, estaria ela em vias de desencarnar, vítima de falência múltipla em seu já debilitado corpo?

 

 

Outrora um órgão moderno e pujante, a esvaziada Ceplac dos últimos tempos carrega nas costas, já cambaleante, o peso dos seus 62 anos de vida, criada que foi em 1957.

Criado em 1931, o Instituto de Cacau da Bahia foi também, em seus primeiros tempos, um eficiente órgão prestador de serviços à região, e que terminou extinto em 1992, aos 61 anos de existência.

Então, ao tempo em que vivenciamos os 62 anos da Ceplac, vêm à memória lembranças do falecido Instituto de Cacau, sepultado aos 61 anos. Vem daí, o título deste artiguete.

Pode ele ser tomado como um textinho insólito, ou descabido, mas que não passa em verdade de uma simplista elucubração sobre os dois instrumentos de governo que permearam os últimos 88 anos desta região (1931-2019).

Quando se emitiu o atestado de óbito do Instituto de Cacau em 1992, ele já era, há tempos, uma espécie de zumbi, um organismo morto com a aparência de vivo, sinais vitais irremediavelmente comprometidos.

Hoje, quando a Ceplac ultrapassa em um ano a idade com que foi sepultado o coirmão Instituto de Cacau, estaria ela em vias de desencarnar, vítima de falência múltipla em seu já debilitado corpo?

Sei de ceplaqueanos que já lavaram as mãos, dizendo-se desiludidos com o rumo das coisas. Sei também de outros que, ainda na ativa, têm esperanças de reversão dessa marcha batida para o fim.

Num e noutro grupo há gente capacitada para conceber uma nova Ceplac, afinada aos novos tempos. Mas seria mesmo o caso, nesses tempos bicudos de hoje, de se propor uma nova Ceplac? Ou de se fazer o que já se fez com boa parte de seu quadro de pessoal, acoplá-lo a outros órgãos? E aí esses outros órgãos, que já atuam Brasil afora, incorporariam nossa região às suas jurisdições?

Por que vejo hoje a Ceplac capengando nos seus 62 anos é que me ocorre que foi, aos 61 anos, que se fez o funeral do saudoso Instituto de Cacau.

Uma coisa tem a ver com a outra? Ou não tem?

Em tempo: Me desliguei da Ceplac por aposentadoria após 30 anos de trabalho. Isso já faz 25 anos e até hoje, não poderia ser diferente, ela está presente em mim. Confesso que sinto saudades daquele tempo e abatimento com o que vejo, sinto e sofro hoje.

Tyrone Perrucho é ceplaqueano e jornalista aposentado.

ELEITO VEREADOR, COSME ANÃO PENSA EM PROJETOS PARA OS PEQUENOS

Tempo de leitura: 3 minutos
Cosme (Foto Tyrone Perrucho).

Cosme foi o oitavo mais votado para uma das 11 vagas em Canavieiras (Foto Tyrone Perrucho).

Tyrone Perrucho

Aos 53 anos de idade, solteiro e apreciador da literatura de cordel, Cosme Costa dos Santos, o Cosme Anão, acaba de ser eleito vereador em Canavieiras com 461 votos.

Cosme Anão viveu largado no mundo até uns cinco anos atrás, conforme ele mesmo conta. Foi quando tomou a decisão de parar de beber, começar a estudar e curvar-se aos ensinamentos do Cristo, ingressando numa igreja evangélica

Daí para cá ele cresceu aos olhos das pessoas que até então o viam apenas como uma miniatura de gente, exótica e engraçada, pelos seus exíguos 0,84 centímetros de estatura com fisionomia e modos de homem feito.

A consagração veio neste 2 de outubro, quando Cosme Anão saiu das urnas como um pequeno gigante, com votação bem maior que a de outras 114 pessoas que concorriam a uma vaga na Câmara Municipal de Canavieiras. Ele nem ficou tão distante assim dos candidatos mais votados, Ricardo Dantas, 561 votos, e Tiago Medrado, 637 votos.

“Um dia ele apareceu aqui dizendo que, com o estudo que estava fazendo, pensava em deixar de ser trabalhador rural e procurar um emprego de escritório”, recorda Talmo de Roxinho, mecânico de automóveis da Oficina Esperança.

O projeto ganhava corpo entre os amigos quando o próprio Cosme, ao ir votar em eleição passada, pensou que ele próprio poderia se candidatar um dia a alguma coisa e sair pedindo que votassem nele, quem sabe daria certo.

A professora Flávia Modesto da Silva afirma que Cosme Anão foi um dos mais dedicados alunos do Projeto de Alfabetização Mova Brasil, que é patrocinado pelo Instituto Paulo Freire e Petrobras, e que funcionou em Canavieiras até o ano passado.

“Ele foi um dos 12 aprovados de uma turma de 18 alunos”, informa professora Flávia. “Cosme fez comigo da 1ª à 4ª série, já sabe ler, escrever e interpretar um texto razoavelmente. As naturais dificuldades serão superadas com a continuidade do estudo, sobretudo com o exercício da leitura”.

VOTO DE PROTESTO – E DE GRATIDÃO

Catalisador do voto de protesto de uns, Cosme Anão ganhou também muitos votos de reconhecimento e gratidão, de eleitores que viram nele um humilde brasileiro lutando pela sobrevivência e merecedor de apoio.

Para Cosme, valeu muito o incentivo que teve dos amigos, como Sargento Vitorino, candidato a vereador que ficou como suplente, com 423 votos, e Edmar Luz, 2º colocado na eleição de prefeito, com 5.509 votos. Vários outros amigos e familiares também colaboraram, seja com o material de propaganda e estratégias de campanha, seja para seus discursos em palanque e visita aos eleitores.

Nos últimos dias, Cosme Anão está se familiarizando com o Regimento Interno da Câmara, lendo-o com alguma dificuldade, mas com gosto, o mesmo gosto com que já vinha lendo livros que, nos últimos tempos, retirava por empréstimo na Biblioteca Pública Afrânio Peixoto. Ele tem pensado também em projetos que poderá apresentar na Câmara, sempre preocupado em “incentivar os pequenos e fracos, que nem eu, a melhorar de vida”.

TERNO DA POSSE

Preocupação adicional, por exigência do protocolo, tem sido com a confecção, sob medida, do terno da posse, prometido por um amigo. Ele quer que paletó, calça, camisa, gravata e sapatos sejam sem muito aperto. “Sofro de pressão alta e sou muito calorento, e parece que o calor faz subir ainda mais minha pressão”, explica.

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