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A UNÇÃO DE RUI

Wagner não faz mais mistério: seu candidato, salvo mudança brusca de rota, será Rui Costa
Wagner não faz mais mistério: seu candidato, salvo mudança brusca de rota, será Rui Costa

Levi Vasconcelos | Tempo Presente (A Tarde)

O PT fará festa para anunciar o que Deus e o mundo já sabem: o ungido para tentar suceder Jaques Wagner é Rui Costa.

Ontem, na Base Aérea de Salvador, enquanto esperava o desembarque da presidente Dilma, Wagner conversava comigo e Mário Kertész (faríamos uma entrevista com Dilma para a Tudo FM/Rede Litoral e Metrópole) quando ele falou das suas conclusões sobre cada um dos quatro postulantes petistas, após ressalvar que a questão se afunilou entre o senador Walter Pinheiro e Rui Costa. Veja.

Luiz Caetano: ‘Traçou uma estratégia pensando em ser deputado federal’.

José Sérgio Gabrielli: ‘É um bom quadro, tem boas qualidades, mas passou muito tempo fora, não amassou  barro na Bahia’.

Walter Pinheiro: ‘Também é um bom quadro, mas, se deixar o Senado, o PT perderia um dos seus melhores senadores’.

Rui Costa: ‘Tem merecimentos, entre eles o de ter desembrulhado o metrô de Salvador’.

A pergunta lógica e natural:

– Mas não é um risco colocar um candidato pouco conhecido e de pouco apelo popular?

– Qualquer eleição, seja quem for o candidato, tem risco. Se formos para as pesquisas, alguns têm um pouco mais e outros um pouco menos. Se Pinheiro se elegeu senador, Rui teve mais de 200 mil votos para deputado. Vamos botar o pé na estrada e seguir.

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PRESENTE MALDITO

Política com Vatapá (A Tarde)

Conta o repórter Donaldson Gomes, presente no ato, que terça última o governador Jaques Wagner foi ao Centro de Convenções participar da abertura da Feira do Empreendedor 2013, promovida pelo Sebrae.

De repente, um dos empreendedores, dono de uma indústria de cachaça no interior, aparece querendo presenteá-lo com duas garrafas, na vista de toda a imprensa.

Nelson Simões, chefe do cerimonial do governo, barrou a pretensão:

– Amigo, se você quiser, nos entregue que faremos chegar até ele. Mas entregar a ele pessoalmente, não dá.

– Por que não?

– É inconveniente. A imprensa está toda aí. Imagine a foto do governador com duas garrafas de cachaça na mão. Vão dizer o quê?

– Mas como? Eu dei uma garrafa de presente ao presidente do Panamá na vista de todo mundo e ele aceitou. Por que o governador não pode?!

– Porque não pode.

E fez-se silêncio no recinto.

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BUERAREMA: GOVERNOS QUEREM MEDIAR CONFLITO

Governador e ministro também se reuniram com representantes de órgãos ligados à questão indígena e à área da segurança (foto Alberto Coutinho)
Governador e ministro também se reuniram com representantes de órgãos ligados à questão indígena e à área da segurança (foto Alberto Coutinho)

Cautelosamente separados, representantes de índios e produtores rurais do sul da Bahia se reuniram nesta sexta-feira (25) com o governador da Bahia, Jaques Wagner, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Foram seis horas de diálogo, primeiro com os agricultores, na Procuradoria Geral do Estado, e em seguida com lideranças indígenas, na Fundação Luís Eduardo Magalhães.

O que ficou encaminhado foi a proposta de uma mediação para facilitar a busca de entendimento na questão em torno da disputa de uma área de 47 mil hectares, que abrange fatias significativas dos municípios de Ilhéus, Buerarema e Una.

“O que garante a legalidade de qualquer ato é uma sentença do Poder Judiciário. Fora isso, só teremos a pacificação se as partes aceitarem a mediação que estamos tentando construir. O fundamental é não sacrificar as duas partes com esse ambiente de hostilidade permanente em Buerarema e esta é uma questão que o Estado brasileiro precisa resolver” – declarou Wagner.

A informação oficial é de que, até a próxima semana, Governo da Bahia e Ministério da Justiça assinarão um termo de cooperação técnica para formatar uma versão do Plano de Segurança com Cidadania, especificamente voltado para comunidades indígenas. O governador e o ministro também se reuniram ontem com representantes de órgãos ligados à questão indígena e da área de segurança

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WAGNER E A SUCESSÃO

marco wense1Marco Wense

O governador não perdeu sua intuição política. Não é nenhum neófito, iniciante, marinheiro de primeira viagem, bobo e desorientado. Continua sendo o Jaques Wagner de carne e osso.

Não tenho nenhuma dúvida de que o nome do governismo para disputar o Palácio de Ondina vai sair do Partido dos Trabalhadores (PT). E nenhuma hesitação de que a escolha está entre Rui Costa e Walter Pinheiro.

Rui Costa é o chefe da Casa Civil. A seu favor o fato inquestionável de que é o candidato da preferência do governador Wagner. Do lado do senador Walter Pinheiro, as pesquisas de intenção de voto.

De fora mesmo, sem perspectiva, José Sérgio Gabrielli e Luiz Caetano, respectivamente secretário estadual de Planejamento e ex-prefeito de Camaçari.

Se não fosse o republicanismo do governador Wagner, reconhecido e enaltecido até pelos opositores, o martelo já teria sido batido: o candidato é Rui Costa e ponto final.

Na época do carlismo, sob a batuta de ACM, com o mandonismo a todo vapor, não teria nem discussão sobre a composição da chapa.

O desejo de ACM era uma ordem, o “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

Correligionários do senador Walter Pinheiro defendem as consultas populares como critério para a escolha do candidato, já que a diferença entre ele e Rui é considerável.

O governador Wagner até que concorda com a opinião de que a pesquisa pode ser um indicativo, mas faz a seguinte ressalva: “Não é para mim o critério preponderante.”

Os pretendentes da base aliada são dois: Marcelo Nilo (PDT) e a senadora Lídice da Mata (PSB). A pré-candidatura do pedetista tem a compreensão de Wagner e do PT.

O engraçado fica com Lídice. Ela quer o apoio de Wagner para o Palácio de Ondina fazendo campanha para Eduardo Campos (PSB) para o Palácio do Planalto.

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NILO DIZ QUE PODE FAZER MAIS QUE WAGNER

Nilo é reeleito presidente da Assembleia Legislativa baiana.
Deputado considera que Wagner merece “nomes melhores”

O grupo do governador Jaques Wagner deverá anunciar no próximo dia 15 quem será seu candidato à sucessão estadual e o petista Rui Costa, secretário da Casa Civil, aparece como o preferido do chefe do executivo. O PT, além disso, não abre mão de ter candidato próprio encabeçando a chapa majoritária, mas…

… A parada não é vista como definida pelo presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo, do PDT. Nesta manhã, em entrevista ao programa Balanço Geral (Rádio Sociedade), o deputado afirmou ter reunido em um almoço 64 prefeitos e 41 deputados, no mesmo dia em que a presidenta Dilma Rousseff esteve na Bahia para assinar o contrato do metrô de Salvador e entregar apartamentos em Vitória da Conquista.

“Disputei horário político com a presidente Dilma Rousseff, que tem tinta na caneta”, declarou o parlamentar, que está há quatro mandatos na presidência da Assembleia Legislativa da Bahia. Em outro momento da entrevista, concedida a Armando Mariani, Nilo declarou: “Eu teria seriedade e tranquilidade em manter tudo de positivo do governo Jaques Wagner, mas, se eu for governador da Bahia, eu farei muito mais”.

Segundo o deputado, a confiança que ele deposita em si mesmo se deve ao fato de ter observado o que o atual governo fez de positivo e de negativo. A respeito dos pré-candidatos petistas ao governo, o presidente da Assembleia deixou escapar a seguinte avaliação:

“Politicamente, o governador merecia nomes melhores”.

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QUEDA DE BRAÇO

Wagner confirma fábrica em Itororó (Foto Pimenta).
Foto Pimenta

Coluna Radar (Veja)

Por pouco a Bahia não perdeu o sorteio da Copa do Mundo, marcado para dezembro. A Fifa queria 15 milhões de reais do governo baiano para realizar o evento, m as conseguiu arrancar apenas 6,4 milhões de reais de Jaques Wagner. A Fifa ameaçou com um plano B, mas recuou.

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LÍDICE E NILO

lidnilo

Ao mesmo tempo em que tenta conseguir o que é praticamente impossível: ser a candidata de Wagner para encabeçar a chapa majoritária em 2014, a senadora Lídice da Mata (PSB) opera em outra frente. A estratégia é atrair o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo (PDT), para sua chapa. No caso, Nilo seria o candidato a vice.

Em tempo: o deputado ainda tenta, assim como a senadora, obter as bênçãos do governador para uma sonhada candidatura ao principal cargo político do Estado. Caso não consiga, a união com o PSB poderá se tornar uma opção.

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QUEM NÃO É VISTO…

Rui Costa: cada vez mais candidato

Há uma máxima em política segundo a qual “quem não é visto não é lembrado”. Ontem (15), na assinatura do contrato das obras do metrô de Salvador pela presidenta Dilma Rousseff e o governador Jaques Wagner, modificaram o ditado, já que as ausências de pré-candidatos petistas ao governo acabaram chamando atenção.

De acordo com sites da capital, o senador Walter Pinheiro e o secretário estadual de Planejamento José Sérgio Gabrielli não deram as caras na cerimônia. O ex-prefeito de Camaçari, Luiz Caetano, apareceu, mas não ficou até o final.

Quem “passeou” livre, leve e solto foi o secretário da Casa Civil, Rui Costa, aquele que as bolsas de apostas têm como o nome da preferência do governador Jaques Wagner, embora este negue, sem convencer, ter predileções.

Na real, os pré-candidatos que não foram vistos ontem podem ter sido lembrados. Mas é  pouco provável que, no próximo dia 15 de novembro (data marcada para a definição) um deles seja escolhido para a disputa.

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DILMA ASSINA CONTRATO DO METRÔ DE SALVADOR E ENTREGA CASAS EM CONQUISTA

Wagner e Dilma assinam contrato de obra do metrô. Previsão é de que primeiro trecho esteja operando em junho do ano que vem (foto Alberto Coutinho/Secom)
Wagner e Dilma assinam contrato de obra do metrô. Previsão é de que primeiro trecho esteja operando em junho do ano que vem (foto Alberto Coutinho/Secom)

A presidenta Dilma Rousseff e o governador da Bahia, Jaques Wagner, participam nesta terça-feira, 15, em Salvador, da assinatura do contrato de concessão do Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas. No mesmo dia, os dois entregam 1.740 residências do programa “Minha Casa, Minha Vida” em Vitória da Conquista.

A cerimônia em Salvador será realizada às 9h30, no Gran Hotel Stella Maris. O contrato de Parceria Público-Privada (PPP), a ser assinado com a Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), prevê a conclusão da Linha 1 e implantação da Linha 2 do metrô. De acordo com os prazos estabelecidos na concessão, o trecho da estação Lapa até a estação Retiro entrará em funcionamento em junho de 2014; já a operação comercial no trecho Lapa – Pirajá está prevista para começar em janeiro de 2014. A concessão terá duração de 30 anos.

A CCR venceu o leilão do metrô em agosto, com proposta que prevê contrapartida anual de R$ 127,6 milhões do Estado. O valor representa um deságio de 5,05% em relação ao teto do edital, que era de R$ 136 milhões.

Conquista – A entrega de apartamentos em Conquista está programada para as 11h30, no bairro Senhoria Cairo. Serão entregues os residenciais Jequitibá, com 500 unidades, Ipê (366), Pau Brasil (374) e Acácia (500). De acordo com o governo baiano, o empreendimento do “Minha Casa, Minha Vida” beneficiará 7 mil pessoas.

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PROJETO QUE ATENDE PESCADORES TEM LANÇAMENTO ADIADO EM ILHÉUS

Em novembro de 2012, Wagner não escondeu sua frustração com a obra do Terminal Pesqueiro (foto Pimenta)

Seria lançado nesta sexta-feira, 11, em Ilhéus, o programa “Ação Cidadã Pescando o Futuro”, que tem como proposta a inclusão social de pescadores, marisqueiras e caranguejeiros.  O lançamento ocorreria no Terminal Pesqueiro da cidade e contaria com as presenças do governador Jaques Wagner; do ministro da Pesca, Marcelo Crivella; e do presidente da Bahia Pesca, Cássio Peixoto.

Ontem, dia 10, a Prefeitura de Ilhéus anunciou que o evento fora adiado. Segundo a Bahia Pesca, o motivo do adiamento seria um conflito de agenda do governador.

Em Ilhéus, porém, o tal conflito é visto por alguns como pretexto. A verdadeira razão seria o descontentamento de Wagner com o resultado ainda não percebido do investimento de R$ 13 milhões na instalação do Terminal Pesqueiro de Ilhéus. Uma insatisfação que o governador demonstrou já no dia da inauguração do equipamento.

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MINISTRO QUER CONVERSAR COM ÍNDIOS E PRODUTORES RURAIS EM BUERAREMA

Wagner e Cardozo conversaram sobre o conflito em Buerarema
Wagner e Cardozo conversaram sobre o conflito em Buerarema

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, recebeu nesta terça-feira, 8, em Brasília, o governador da Bahia, Jaques Wagner. O assunto tratado pelos dois foi o conflito entre índios e pequenos produtores rurais no sul da Bahia, principalmente em Buerarema.

Cardozo defendeu uma solução dialogada e se comprometeu a visitar a região, sinalizando como data provável da visita o dia 25 de outubro. A intenção do ministro é ouvir ambos os lados envolvidos no conflito, o que foi confirmado por Wagner.

Segundo o governador, a agenda do ministro da Justiça no sul da Bahia “será elaborada de forma que possa ter contato com os índios e com os produtores rurais”.  Wagner elogiou a decisão de Cardozo de verificar a situação pessoalmente.

A audiência em Brasília contou também com a presença do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra.

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DEZ SECRETÁRIOS DO GOVERNO WAGNER DEVEM DISPUTAR ELEIÇÕES EM 2014

Robinson confirmou desejo de disputar vaga à Câmara Federal.
Robinson confirmou desejo de disputar vaga à Câmara Federal.

Pelo menos dez dos 26 secretários estaduais devem deixar os seus respectivos cargos até dezembro deste ano para disputar as eleições de 2014. O prazo de desincompatibilização vence em 5 de abril do próximo ano, mas o governador Jaques Wagner alertou a quem deseja participar do pleito eleitoral a necessidade de sair até dezembro.

De acordo com matéria d´A Tarde, a fila de secretários-candidatos tem Eduardo Salles (PP), da Agricultura; Wilson Brito (PP), da Integração e Desenvolvimento Regional;  e Paulo Câmera (PDT), da Ciência e Tecnologia. Dois nomes certos na disputa por vaga na Câmara dos Deputados são Jorge Solla (Saúde) e Robinson Almeida (Comunicação Social).

A lista é completada por Moema Gramacho (PT), do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza; Domingos Leonelli (PSB), secretário do Turismo. Outros nomes são tidos como potenciais candidatos: Cícero Monteiro, do Desenvolvimento Urbano; Almiro Sena (PRB), da Justiça; Ney Campello (PCdoB), da Secopa; e Elias Sampaio (PT), da Promoção da Igualdade.

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ARGÔLO QUER SDD COM O PT

Argôlo e Paulinho em audiência com Ideli Salvati
Argôlo e Paulinho em audiência com Ideli Salvati

O partido Solidariedade, identificado pela sigla SDD, tem posições conflitantes na esfera nacional e, no caso da Bahia, na estadual. Em Brasília, o SDD se alinha com a oposição ao governo Dilma e deve apoiar ou Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB) na sucessão presidencial.

Esse, no entanto, não é o desejo de todos os filiados à nova legenda.

O deputado federal Luiz Argôlo, por exemplo, que deixou o PP para entrar nas fileiras do SDD, defende que o partido apoie a reeleição de Dilma, posição que manifestou na noite desta terça-feira, 1º, em audiência com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvati. Do lado do SDD, o grupo era encabeçado pelo seu presidente, Paulo Pereira da Silva, o “Paulinho da Força Sindical”.

Não se sabe se o apoio à Dilma será concretizado, mas na Bahia Argôlo diz que está firme e forte ao lado do candidato de Wagner à sucessão. Ontem, inclusive, o deputado teve boas conversas com o secretário da Casa Civil do governo baiano, e “governadorável”, Rui Costa.

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ERNESTO MARQUES: “O PT PRECISA REDESCOBRIR SUA MATRIZ ORIGINAL”

Ernesto diz que o PT precisa restabelecer o diálogo com os movimentos sociais (foto Pimenta)
Ernesto diz que o PT precisa restabelecer o diálogo com os movimentos sociais (foto Pimenta)

O jornalista Ernesto Marques, vice-presidente da Associação Baiana de Imprensa, tem consciência de que trava uma luta desigual, mas diz que representa a voz da “planície” na disputa pela presidência do PT na Bahia. Segundo ele, o partido se burocratizou, seus dirigentes se encastelaram nas instituições e perderam as linhas de comunicação com os movimentos sociais.

Ernesto prega que é preciso “acordar um certo tipo de dirigente petista que, como diz o presidente Lula, se acostumou a ficar com a bunda na cadeira e se esqueceu de que a obrigação de todo petista é estar o tempo inteiro com um pé na institucionalidade, mas o outro na vida real, na rua”.

O petista, que enfrentará no Processo de Eleição Direita (PED) a poderosa chapa encabeçada por Everaldo Anunciação, secretário estadual de Organização do PT, discorda dos “companheiros” que classificaram as manifestações de junho como orquestrações da direita e afirma que os brasileiros finalmente aprenderam que a democracia funciona.

Em tempo: as eleições dos novos diretórios petistas em todo o País serão realizadas no dia 10 de novembro.

 

PIMENTA – Para começar, como o senhor avalia essa situação ma disputa pelo diretório de Salvador, onde o secretário Rui Costa teria incentivado a formação uma chapa para combater Marta Rodrigues, liderança ligada a Walter Pinheiro. Já temos aí uma prévia da disputa de 2014?

Ernesto Marques – O que está em vias de se configurar em Salvador é mais ou menos o que a gente observava no começo do ano, como aglutinação de campos divergentes dentro do partido. Nós criamos um campo chamado “PT Mais Forte”, que deu origem à nossa chapa e tinha basicamente as mesmas forças que hoje estão se aglutinando em torno de Marta (Rodrigues). É claro que para nós já estava evidente, desde aquele primeiro momento, onde se encontram as contradições. Não era à toa que nós constituíamos esse campo, exatamente na expectativa de ter um espaço para debate sobre 2014, mas também sobre 2013.

PIMENTA – Onde estão as contradições?

EM – Primeiro você estrutura um partido, prepara esse partido do ponto de vista organizativo, para que então você tenha melhor condição de enfrentar a batalha eleitoral. Os argumentos do agrupamento majoritário foram suficientes para quebrar a unidade do campo, mas não para nos submeter a ponto de aderir à ideia do “chapão”.  Decidimos manter a postulação que já apresentávamos antes, de que esse agrupamento tinha consistência e força política para disputar e vencer as eleições internas do partido. Como houve algumas defecções, inclusive da própria EDP (Esquerda Democrática Popular), liderada pelo deputado (Nelson) Pelegrino, nós mantivemos a nossa “levada” e estamos cada vez mais convencidos do acerto da nossa posição.

 

PIMENTA – Mas há um tensionamento no PT na capital…

EM –  O tensionamento em Salvador recoloca exatamente o confronto, no bom sentido, como nós estamos acostumados no PT, entre dois campos que têm visões não exatamente opostas, mas em alguns pontos divergentes em relação à condução que deve dar ao partido aqui na Bahia, assim como com relação às questões nacionais. Há uma tentativa de antecipar as coisas em relação a 2016, o que talvez seja um pretexto para se aglutinar um bloco com a intenção –  segundo se diz na imprensa, mas não ouvi isso de nenhuma liderança – de isolar o deputado Nelson Pelegrino dentro da sua principal base, que é Salvador e a Região Metropolitana. É difícil fazer isso porque qualquer pessoa pode contestar a trajetória do companheiro Pelegrino, mas ninguém pode negar a liderança que ele é e o papel que exerceu na construção do partido em Salvador. A capital hoje é o berço do que antes a gente chamava de carlismo e nós não temos nenhuma dúvida de que precisamos fazer uma oposição muito séria, consistente e contundente à Prefeitura, e isso não se confunde com fazer oposição à cidade, são coisas muito diferentes. Temos visões muito diferentes sobre como tratar os problemas de Salvador.

PIMENTA – O senhor faz uma crítica à forma como o PT fez oposição a João Henrique e propõe uma atuação diferenciada agora com ACM Neto. Em que pontos devem se estabelecer as diferenças?

EM – Há uma coisa muito estranha quando o prefeito propõe o aumento do IPTU e cinco dos sete vereadores do PT aprovam esse aumento. É um sinal muito preocupante de que o partido não está conseguindo tratar as matérias adequadamente e esgotar o debate interno antes de ir para as votações na Câmara. Segundo o tributarista e também vereador Edvaldo Brito (PTB), é um aumento que pode chegar a 35% e ainda restabelecer a tributação em cascata, que é uma coisa que o Brasil já tinha abolido há muito tempo. O vereador Waldir Pires (PT) também já apontava sérios vícios de inconstitucionalidade na reforma tributária. Essas questões estão sendo tratadas como se cada vereador fosse dono do seu mandato, mas na verdade os mandatos pertencem ao partido, e este faz oposição ao prefeito ACM Neto. No fundo, o que está em jogo é qual a qualidade da oposição que vamos fazer. Será uma oposição low profile, de baixa intensidade, ou faremos uma oposição sistemática, que, repito, não se confunde com oposição à cidade, mas deixa muito claro qual é o entendimento nosso sobre política urbana, habitação popular, transporte público, movimentos sociais e mais uma série de questões que nos diferenciam bastante. E não dá para misturar água com óleo.

PIMENTA – O senhor discorda da política de “boa vizinhança” entre o PT e ACM Neto?

EM – Essa tentativa de isolar Pelegrino talvez seja exatamente pelo desejo de fazer uma oposição de baixo perfil, o que, no caso do prefeito João Henrique, gerou para nós uma conta muito grande a pagar. Inclusive porque uma parte da população de Salvador não identificava os investimentos do Estado, vendo-os como obras do ex-prefeito João Henrique, a exemplo da Via Expressa. O fato de termos apoiado João Henrique no segundo turno de 2004 e termos participado de seu primeiro governo deixou essa coisa mal resolvida, porque o PT não apresentou claramente para a cidade se era oposição ou se era situação no governo João Henrique. Neste atual governo, não pode haver qualquer margem de dúvida, até porque o prefeito ACM Neto, com toda justiça, personifica o outro campo da política baiana, contra o qual nós sempre nos opusemos. Não há porque mudar de posição, tendo em vista que o prefeito ACM Neto continua fiel ao seu berço político e nós também não mudamos. Pelo menos uma parte do PT.

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Não há porque mudar de posição, tendo em vista que o prefeito ACM Neto continua fiel ao seu berço político e nós também não mudamos. Pelo menos uma parte do PT.

 

PIMENTA – Esses conflitos do PT não decorrem da opção que o partido fez pela política de alianças para alcançar resultados eleitorais? Ou seja, não é uma consequência do pragmatismo do partido?

EM – O PT vive problemas que são naturais em um partido que tem 33 anos de idade, embora não seja um dos partidos mais velhos do país. Nesse tempo, nós deixamos de ser um partido pequeno, de gueto, para progressivamente conquistar cadeiras nos parlamentos em todos os níveis: prefeituras, governos estaduais, até o governo federal. A gente vive as dores de um partido que já tem um bom tempo no governo e este exercício naturalmente expõe as nossas contradições, o que inclusive é muito salutar, principalmente se a gente entende a contradição como uma coisa natural da democracia, a ser enfrentada sem muito receio.

PIMENTA – Seria o lado positivo da crise?

EM – Essa é a parte da crise que eu acho natural e a gente tem que conviver com ela, discuti-la exaustiva e permanentemente, para encontrar as saídas sem perda de consistência política. Em relação a alianças, a história mostra que ninguém ganhou sozinho. Nem nas revoluções armadas, nem nos processos democráticos. Sempre é necessário se fazer alianças e na democracia ganha mais quem agrega mais. O governador Jaques Wagner ensina isso e reafirma a todo tempo. Fazer alianças não é problema e isso o PT já tem resolvido há muito tempo. Você pode questionar a qualidade das alianças e a gestão dessas alianças após as eleições. Nós podemos observar que é difícil constituir e manter uma aliança que seja muito ampla no espectro ideológico e no aspecto numérico.

PIMENTA – Não é esse o caso da aliança “super ampla” em torno do governo Wagner?

EM – Gerir uma base com cerca de 50 parlamentares em 63 é de fato uma engenharia política extremamente complexa. Aquela lógica que a gente aprende em casa, de ceder sempre o  lugar para a visita, é mais ou menos assim que acontece na política. Para acomodar os aliados, é natural que o partido que é o centro da aliança seja mais generoso na abertura de espaços para acomodar os aliados. O problema é exatamente a gestão desses espaços e nos parece que houve equívocos graves na direção partidária, na hora de gerir as alianças, seja na distribuição dos espaços no governo, seja no posicionamento na hora das coligações. Ter ex-carlistas no governo também não representa nenhuma dificuldade porque comunistas trabalharam nos governos carlistas o tempo inteiro, ou sendo servidores de carreira, e portanto cumprindo sua obrigação como servidor público, ou em alguns casos porque atenderam convites profissionais e tiveram também que de alguma maneira cumprir uma tarefa política. E eu não me lembro de um governo carlista ter virado comunista por causa disso.

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GEDDEL COM AÉCIO

Geddel: irregularidades em convênios (foto Bah

O governador Jaques Wagner há muito tempo anda queixoso por causa da estranha condição do peemedebista Geddel Vieira Lima, que, apesar de ocupar cargo de confiança no Governo Federal – é vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica -, vive dando estocadas no PT.

As queixas de Wagner devem aumentar, agora que Geddel está de affair  com o senador Aécio Neves, pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB. Manifestações de carinho recíproco ocorreram na última sexta-feira, 20, quando da visita do tucano a Salvador.

Diante de um elogio de Aécio, Geddel afirmou que não tem a menor dificuldade em conversar (leia-se “apoiar”) o senador para a sucessão de Dilma, acrescentando que este poderá ser o caminho natural, dadas as relações do PMDB da Bahia, onde tem se alinhado com DEM e PSDB e combatido o governo do petista Wagner.

Aliás, Geddel declarou não apenas a facilidade de diálogo com Aécio, mas também com Eduardo Campos e Marina Silva, outros dois presidenciáveis.

Pelo visto, há dificuldade apenas com Dilma.