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11 de julho de 2020 | 01:23 pm

LEIS QUE PEGAM, LEIS QUE NÃO; VIVA A ESBÓRNIA

Tempo de leitura: 3 minutos

Caso ouvisse meu conselho, por certo recomendaria amotinar os guardas municipais, os fiscais de posturas e, quem sabe, poderia, ainda, recrutar alguns dos fiscais do Sarney para conter os meliantes.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Confesso que estou morrendo de curiosidade – e diria até de inveja – por ainda não ter transposto, atravessado a nova ponte de Ilhéus sobre o rio Cachoeira, que recebeu a justíssima homenagem de ostentar o nome do itabunense Jorge Amado. Além dos benefícios viários para Ilhéus e região, o equipamento, por si só, é uma maravilha no centro das maravilhas compostas pela baía do Pontal e a cidade alta.

Mais que ver de perto a imponência da ponte estaiada – a primeira da Bahia, como anunciam – me apraz dar uma olhada na sinalização horizontal e vertical de trânsito, com a precípua finalidade de tirar uma dúvida. É que nos grupos de Whatsapp que participo me enviaram um vídeo com a primeira leva de privilegiados ao cruzar a ponte, assim que o Governo do Estado passou o bastão à administração municipal.

Tenho dúvidas da autenticidade do vídeo que deve ter sido uma inauguração lá pela Inglaterra, China, Índia, ou quaisquer outros países que adotaram a chamada mão inglesa, onde a mão é na pista da esquerda. Pelo que me consta, por falta de prerrogativas, Ilhéus não firmou nenhum tratado internacional com a Inglaterra para adotar esse tipo de comportamento.

Na minha científica ignorância cheguei a pensar – me perdoem se estiver errado – que tenha sido obra de algum assessor do alcaide querendo demonstrar conhecimento internacional ao justificar tal absurdo comportamento. Já perguntei a um monte de conhecidos se tal fato era verdade, mas somente sossego quando ouvir a palavra abalizada de José Nazal, pra mim a maior autoridade ilheense desta refinada ponte.

E tenho uma série de motivos para levantar minhas suspeitas. A começar pela atitude pachorrenta dos antes lépidos agentes de trânsito ilheenses, que assistem, passivamente, a tal tresloucada direção perigosa. E lá iam os ilheenses em seus veículos comemorando e filmando a travessia com aparelhos celulares. Assisti ao vídeo com bastante atenção para observar se na comitiva vip estaria meu amigo Gláucio Badaró. Decepção.

Assim que deixarem eu romper a inconstitucional barreira dita sanitária – que apenas proíbe o ir e vir – nem que seja de posse de um competente habeas corpus concedido pelo poder judiciário, garanto que também terei meu dia de glória. Antes, porém, estacionarei num posto de combustível para tomar ciência em qual pista trafegar para não infringir o Código de Trânsito Brasileiro e ter que arcar com uma pesada multa.

Quando digo que algumas leis pegam e outras vão para o ostracismo, estou cercado de razão. A todo o momento que vejo alguma lei desrespeitada me pergunto o motivo de serem consideradas chinfrim. E olha que sou um leitor compulsivo dos diários oficiais da união, estados e municípios, com medo de infringir algum artigo e tomar um esporro da autoridade: “Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”.

Hoje mesmo pela manhã resolvi tomar um sol na praia – pois soube que o covid-19 corre do astro-rei como o satanás da cruz – e aproveitar para colocar os ossos e nervos em dia voltando às caminhadas. De repente, passa por mim um cavalo selado, rodeado por um séquito composto por uma matilha de cães, como se estivessem numa estrada rural ou na grande fazenda de um político qualquer.

Como confessei ser leitor contumaz dos diários oficiais, veio imediatamente em minha lembrança um decreto aditado pelo prefeito de Canavieiras anos atrás, justamente proibindo o passeio ou desfile desses animais pela praia da Costa. Para não dizer que se tratava apenas de perseguição aos garbosos cavalos e cães, o competente decreto também proibia fazer churrascos e beber cerveja em copos de vidro e garrafas.

Aproveito esse espaço a mim concedido nesta mídia, para, em nome da defesa das leis e da população praiana, dar ciência ao prefeito para que tome providências imediatas contra o infrator, aplicando todos os rigores da lei. Justamente nesses tempos de pandemia, não poderemos nos descuidar de todas as precauções, mesmo sendo sabedores que esse vírus chinês não é transmitido por animais ditos irracionais.

A bem da moralidade pública, compete à autoridade municipal reunir os meios legais que dispõe e travar uma luta sem quartel contra os desobedientes e transgressores das leis, decretos e portarias. Caso ouvisse meu conselho, por certo recomendaria amotinar os guardas municipais, os fiscais de posturas e, quem sabe, poderia, ainda, recrutar alguns dos fiscais do Sarney para conter os meliantes.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

NEM SÃO JOÃO NEM 2 DE JULHO; ADEUS NOSSA CULTURA

Tempo de leitura: 3 minutos

Vamos esquecer os pedidos e atendimentos e vamos tratar dos nossos júbilos terrestres, nossas consagradas vitórias pelos bravos combatentes baianos, especialmente os do Recôncavo, ringue das batalhas. Um mutirão daqueles de fazer inveja, com homens e mulheres – bacamartes às mãos – detonando os portugueses.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Pois é, você comprou uma mercadoria, lhe entregam outra. De uma tacada só perdemos nossos festejos juninos, o São Pedro das viúvas e o majestoso 2 de Julho. Digo perdemos – eu, você e mais alguém que tem a sagrada mania de obedecer as leis, mesmo que elas não tenham valor prático nenhum, mas por sermos legalistas.

Se fosse uma aquisição com proteção no Código de Defesa do Consumidor você poderia ir a juízo e buscar a reparação dos danos sofridos. Só que o eleitoral não lhe dá essa chance e caso você tenha juízo poderá se redimir nas eleições vindouras, desde que não caia – de novo – no “conto do vigário” da propaganda eleitoral gratuita.

Como o babado é outro, nos resta o jus sperniandi, por agora, e julgarmos nas urnas o prejuízo sofrido. E não me venham com chorumelas que a fumaça das fogueiras e dos fogos nos deixaria mais expostos à Covid-19. Essa desculpa não cola, haja vista que Bahia afora o couro comeu solto.

Não faltaram fogueiras e fogos – os permitidos ou não – nas cidades onde os festejos são mais tradicionais, bem como nos distritos e área rural, locais em que São João é mais que um simples primo de Jesus Cristo. Tem status de padroeiro, santo forte cuidador das plantações, da fartura no campo e na cidade.

Não há doença, epidemia ou pandemia que faça o coração e a mente do nordestino virar a casaca por meio de uma simples lei ou decreto, ainda mais quando se trata das coisas divinas. A quem o sofrido nordestino vai rezar e pedir senão ao Deus Senhor de todas as coisas e aos santos padroeiros?

Não há registro na história de que nossos sertanejos tenham perdido a fé, pois pode até demorar um pouquinho, mas os pedidos feitos aos céus são atendidos sem qualquer tipo de cobrança. Já não se pode dizer o mesmo em relação aos homens, mormente os que tratam da política.

Deve ser por causa das dificuldades em se encontrarem mais vezes. Esses desencontros, pelo que dizem são causados pelas péssimas condições das estradas por esse sertão, onde sobra poeira e falta água até para as necessidades mais básicas. E nem precisa levar em conta que em Salvador e Brasília têm muito trabalho pela frente.

Não é que eu queira falar mal, apenas cito as dificuldades entre os da terra – políticos – e os do reino do céu – santos – em atender nossas solicitações. Apesar de mais longe, nossos santificados padroeiros conseguem fazer com que as anotações de suas agendas não sofram qualquer tilt, como costuma acontecer a dos da terra.

Mas vamos esquecer os pedidos e atendimentos e vamos tratar dos nossos júbilos terrestres, nossas consagradas vitórias pelos bravos combatentes baianos, especialmente os do Recôncavo, ringue das batalhas. Um mutirão daqueles de fazer inveja, com homens e mulheres – bacamartes às mãos – detonando os portugueses.

É certo que naquele tempo não existiam essas descriminações de raças e gêneros, haja vista a diversidade do cortejo do 2 de Julho, onde se misturam o caboclo, o negro, o branco, o homem e a mulher. No dizer dos livros de história, os tiros que saiam do bacamarte de Maria Quitéria matavam portugueses do mesmo jeito que o índio Bartolomeu ou Agostinho Sampaio.

Juro de pés juntos que não estou reclamando a toa ou por causa dos feriados, até ter todo o tempo livre do mundo, mas como um patriota que vai às ruas homenagear nossos heróis no garboso desfile. No feriado antecipado não havia o mínimo clima para me empertigar e cantar o Hino ao 2 de Julho.

“Nasce o sol a 2 de julho / Brilha mais que no primeiro / É sinal que neste dia / Até o sol, até o sol é brasileiro”. Já na introdução essa brilhante letra de Ladislau dos Santos Titara e música de José dos Santos Barreto inflama nossos corações por lembrarmos de ter expulsado os invasores vencidos em 1822 e teimosos por não aceitar nossa vitória.

E jamais poderemos nos descuidar do final do hino, compostos com o mesmo poder de uma cláusula pétrea da nossa Constituição: “Nunca mais, nunca mais o despotismo/ Regerá, regerá nossas ações, / Com tiranos não combinam / Brasileiros, brasileiros corações / Com tiranos não combinam / Brasileiros, brasileiros corações”.

Quero a minha cultura de volta.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

COMO UMA FÊNIX, ITABUNA SABERÁ RENASCER DAS CINZAS

Tempo de leitura: 3 minutos

Itabuna chora, mas não se queda. O itabunense forjado na imensa nação grapiúna, mesmo inconformado, sabe que é o momento de recolher os cacos, mas sem entregar os pontos, até que cheguem os tempos de bonança.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

De cara, quero me desculpar por escrever sobre um tema que não tenho o menor conhecimento científico, daí espero ganhar o perdão antecipado. É que sou curioso e não posso deixar passar uma oportunidade como essa, na qual a palavra crise é a mais ouvida, rivalizando apenas com a palavra da moda: pandemia do Coronavírus, transformada em sucesso internacional.

Não represento médicos, por não ser formado em medicina; não represento os biólogos, por razões óbvias, mas para facilitar a compreensão, represento a mim mesmo pela quantidade de anos e experiência acumulada. Prometo não dissecar o vírus, pois nem o ex-ministro Mandeta também o sabia, mas preciso falar de vida, as que ficaram no meio do caminho e as que teimam em seguir.

Por ser itabunense por adoção – com Título de Cidadão pregado na parede –, tomo a devida licença para as devidas comparações, mesmo sem ter vivido a famigerada Gripe Espanhola ou outras tais, pois ainda não fazia parte deste mundo. No máximo, acompanhava – por ouvir dizer e, alguns casos conhecer – alguns personagens que morreram de doenças à época incuráveis. Velório, muito choro, enterro e vida que segue.

Lembro-me bem, entretanto, das grandes enchentes, que matavam muitas pessoas e deixavam outras tantas desabrigadas – eram os sem casa, sem mobiliário, sem alimentação. Chamávamos de desabrigados e eram acomodados, ou acolhidos, melhor dizendo, em escolas e demais prédios públicos, até que as águas baixassem e a prefeitura providenciasse novas casas ou terrenos para que trocassem de endereço.

Uma grande comoção! Como tal, a providencial solidariedade se fazia presente em doações das mais diversas, entregues pelos próprios doadores, em visitas engrossadas pelos curiosos. Assim que o rio Cachoeira voltava ao normal, os pescadores voltavam a pescar e vender os peixes, camarões e pitus, o comércio às margens do rio abria as portas, os que se mudaram voltavam às casas que não tinham sido levadas.

Era a hora da reconstrução! E o itabunense – nato ou por adoção – esquecia rapidamente os problemas sofridos e voltava ao trabalho com mais afinco. Para uns, teriam sido os castigos divinos, pois Deus já não suportava a ganância e a luxúria, além de outros tipos de pecados cometidos; outros criticavam a teimosia do homem em querer ser maior que Deus; outros poucos assentiam que se tratava apenas de fenômenos naturais.

Em uma semana – no mais tardar 15 dias – o estoque do comércio reposto, os bancos funcionando, o comércio de cacau e a pecuária a pleno vapor e Itabuna voltava a ser a capital regional do Sul da Bahia. Hoje o rio Cachoeira não representa mais esse perigo pela diminuição das águas que passam no seu leito, engrossado pelos esgotos in natura despejados pelas cidades onde banha.

Mas como miséria pouca é bobagem, atualmente Itabuna sofre de outro mal maior, conhecido como pandemia do Coronavírus, na sua última versão: o Covid-19, que tira as pessoas de suas casas e os transferem para os hospitais e os cemitérios. Se antes as forças da natureza fechava as portas das atividades comerciais com base na área geográfica de sua influência, agora são os governantes numa só canetada.

Se antes a volúpia das águas era quem decidia o prazo, hoje são as leis, decretos e portarias os sentenciadores da permissão a quem deve trabalhar. Pelo que ouvi dizer, o Covid-19 não tem predileção pelo tipo de atividade tal e qual consta nas definições dos códigos tributários, por não ter condições de discernir uma loja de tecidos de um supermercado, um bar e restaurante de um banco, muito menos um escritório de contabilidade de uma farmácia, ou de um pipoqueiro de um posto de combustível.

Por certo a ciência médica nunca ateve seus estudos sobre os efeitos do isolamento de quem tem perfeitas condições de trabalhar, dos que passam fome pelo simples fato de estar proibido de exercer seu labor diário. A ciência também não demonstrou em quais horários o vírus prefere circular. Deveria, portanto, vir a público e esclarecer até onde pesquisou e conseguiu resultados positivos.

Itabuna chora, mas não se queda. O itabunense forjado na imensa nação grapiúna, mesmo inconformado, sabe que é o momento de recolher os cacos, mas sem entregar os pontos, até que cheguem os tempos de bonança. O itabunense sempre soube como se soerguer e não será agora que fugirá à luta de manter Itabuna no mais alto patamar político, econômico e social do cenário baiano, por saber nadar contra a correnteza.

Como na mitologia, se antes Itabuna renascia das águas, como uma fênix renascerá das cinzas.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de editor do Cia da Notícia.

E POR FALAR EM SAUDADE… JÁ SE FORAM MAIS TRÊS

Tempo de leitura: 4 minutos

Abstêmio há anos, Robson participava da farra beliscando um tira-gosto e fazendo o que herdou do pai: tirar fotos, as quais eram imediatamente postadas nas redes sociais.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Nesses últimos dias o Pai Criador de todas as coisas deste mundo tem chamado para perto de Si uma turma boa, daquelas que já começaram a fazer muita falta aos amigos que deixaram aqui na terra. Toda a nossa amargura se reverterá na eterna – enquanto dure – saudade, pois temos que reconhecer a sabedoria Divina nas sábias escolhas que sempre faz.

Devem ter cumprido suas missões aqui pelo mundo terreno e, quem sabe, chegou a hora de darem uma mãozinha ao Criador na infinita missão de tornar melhor a humanidade, atualmente tão afastada da espiritualidade. Enquanto o materialismo campeia a passos largos, cada um segue caminhos mais que diferentes, antagônicos, em que vale mais a obediência à ideologia sectária, opressiva, que dispõe do homem apenas e tão somente como um objeto de dominação do Estado.

Em menos de um mês perdemos aqui no Sul da Bahia três pessoas que sempre foram além da conta, como o padre João Oiticica (28 de abril), um missionário que levava o nome de Deus aos ilheenses. Problemas renais o tiraram deste mundo e sequer pode receber as últimas homenagens do rebanho que apascentou por anos a fio e que lhe devotavam muito respeito e admiração.

Em pouco mais de duas semanas recebemos com pesar a notícia da morte do Bispo Emérito de Itabuna, Dom Czeslaw Stanula, acometido de pneumonia, chicungunha e neoplasia da próstata. De origem polonesa, Dom Ceslau (como passou a ser chamado) viveu as dificuldades em sua terra massacrada pela guerra e o domínio comunista e dedicou sua vida a fazer o bem à humanidade.

Em Itabuna, onde chegou em 1997, encontrou parte da diocese desviada de sua finalidade, descuidando das coisas de Deus e privilegiando sobremaneira a política partidária. Com muita sabedoria soube separar o que era de Cesar e o que era de Deus, retomando os ensinamentos de Jesus Cristo, de forma apostólica para promover a salvação do homem.

Figura carismática, Dom Ceslau pacificou ânimos com sua sabedoria. Ao entrevistá-lo, convidei-o para escrever um artigo semanal no jornal Agora, do qual era o editor, sobre assuntos litúrgicos e da Igreja, de forma geral. A cada semana nos brindava com grandes peças sobre a fé, lidos e debatidos pela comunidade católica com grande repercussão no Sul da Bahia.

Muitas das vezes, quando não recebia o e-mail no prazo do fechamento, nos comunicávamos e o encontrávamos em vários países dos diversos continentes pregando missões, embora aqui pouco soubéssemos do conceito internacional que gozava. Nos bate-papos descontraídos, quando eu comentava sobre meus tempos de seminarista capuchinho e que poderia lhe dar trabalho hoje caso tivesse me ordenado, dizia de forma risonha: “Meu filho, Deus é muito sábio e me poupou desse contratempo”.

Nesta terça-feira (19), recebo um telefonema de minha amiga jornalista Maria Antonieta (Tonet) informando da morte do amigo Robson Nascimento, com o diagnóstico de ter contraído o vírus Covid-19. Robson era um daqueles amigos inseparáveis e nos falávamos cerca de três vezes por dia, a última ligação no dia 7 de maio, quando se queixou de uma gripe e tosse – não a seca – que lhe estava causando dores de cabeça.

Recomendei sua transferência para a casa de praia, onde poderia caminhar diariamente nas areias da praia dos Lençóis e fortalecer o corpo e o espírito, notadamente o pulmão, órgão sensível ao vírus. Embora fosse ele que estivesse acamado, manifestava a toda hora os cuidados que eu e minha mulher deveríamos tomar para não ser infectado e recomendava: “Muito cuidado, não saia de casa!”. Outros telefonemas não foram atendidos, pois já se encontrava internado e eu não sabia.

Robson é meu companheiro de lutas jornalísticas desde a década de 1980, quando viajava a Bahia inteira e trazia dezenas de fitas com entrevistas e reportagens para darmos o texto para o jornal Agora. No Correio da Bahia, do qual foi chefe da sucursal de Itabuna, cobríamos o Sul, Extremo Sul e Baixo Sul da Bahia para a publicação diária e o caderno Sul da Bahia, onde fiz reportagens memoráveis, com magníficas fotos dele.

De volta do Paraná e Santa Catarina, fui convidado a elaborar o projeto para transformar o semanal jornal Agora em diário, e Robson foi uma das pessoas que pedi a contratação para a direção comercial. Assim, fortaleceríamos as vendas e a torcida do Botafogo – apenas eu e Joel Filho contra os flamenguistas Kleber Torres, José Adervan e Antônio Lopes.

Edição de fim de semana fechada com mais de 100 páginas, a sexta-feira do Agora se tornou famosa pelo encontro etílico semanal na sala do presidente Adervan – dividida com Robson –, local dos comes e bebes. Abstêmio há anos, Robson participava da farra beliscando um tira-gosto e fazendo o que herdou do pai: tirar fotos, as quais eram imediatamente postadas nas redes sociais.

Por falar em encontros, fico meio ressabiado com nossos almoços promovidos pelo último grande anfitrião de Ilhéus, Carlos Farias Reis, recentemente desfalcado pelo padre João Oiticica, encarregado das orações com os pedidos de que nunca faltassem recursos e vontade de novos convites. Agora, teremos sentiremos a falta do nosso fotógrafo oficial e motorista da vez, dada sua condição de abstêmio.

Rogo a Deus que sensibilize nosso anfitrião Carlos Farias a realizar mais um almoço, desta vez para relembrarmos e homenagearmos os ausentes fisicamente José Adervan, padre João Oiticica, Robson do Nascimento, Moreia, Djalma Eutímio, dentre outros. Prometo que chegarei o mais cedo possível para ajudar a transportar a mesa da diretoria, na qual terei o merecido assento.

O tempo Urge!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

OS CASTIGOS EM NOME DA CIÊNCIA OU ESFERAS DIVINAS

Tempo de leitura: 4 minutos

Pelas notícias chegadas de Ipiaú, o vírus agiu com flagrante desrespeito ao Santo Padroeiro da cidade, São Roque, o Roque de Montpellier, protetor contra a peste e padroeiro dos inválidos e cirurgiões. Em Itabuna, terra que goza do prestígio de São José, pai do Nosso Senhor Jesus Cristo, ele também não deu a mínima e espalhou o terror nos quatro cantos da cidade.

Walmir Rosário*

Não se brinca com assunto sério! Esse ditado tem perpassado gerações e é dito geralmente quando não se admite qualquer controvérsia em relação a um tema que envolva determinado fato, que cause dor ou constrangimento. Fora disso, vem como advertência a uma determinada crítica feita por alguém do povo a ato ou fato praticado por alguém ou autoridade de escalões superiores.

O que critica, embora embasado na consagrada Carta Cidadã, como queria Ulisses Guimarães, poderá enfrentar sérios problemas de ordem legal junto ao poder judiciário, atrelado aos dissabores financeiros e outros contratempos. Ao entendimento juntam-se as famosas proibições do politicamente incorreto, hoje “legalizado” pelos ditos progressistas e o incauto cidadão estará metido em camisa de onze varas.

Se nesta terra de Santa Cruz existisse pena de morte, um desavisado qualquer estaria em maus lençóis ao propor, por exemplo, um suco de mastruz misturado com leite de vaca – tirado na hora –, para extirpar o mal dos peitos, botando para fora todo o catarro. Mas como por aqui pena de morte só é aplicada por meio da pobreza, cujo cumprimento se dá pela falta de ingestão dos alimentos, me atrevo a recomendar: Mastruz com leite (não a banda musical) para os males do Covid-19.

E posso comprovar cientificamente os benefícios medicamentosos do mastruz, do alto dos meus 70 anos, certificando, a quem interessar possa, todos os milagres desta santa plantinha, fartamente encontrada no campo e na cidade. Lembro de um vizinho que sofre daquela doença ruim que o povo tinha até medo de falar – a tuberculose – e que se curou com a ajuda providencial do mastruz com leite.

Num domingo desse vi uma reportagem na televisão que uma cidade mineira está estimulando a plantação desses remédios caseiros nos quintais das unidades de saúde, com a ajuda dos próprios pacientes, moradores das redondezas. Ao que parece está tudo indo às mil maravilhas. Só não posso dar um atestado científico de sua eficácia contra o maldito vírus de agora por falta de outra reportagem.

Mas voltando a um passado mais ou menos recente, me salta aos olhos as tristes visões dos amigos e vizinhos acometidos de doenças “brabas” como sarampo, catapora, papeira e até varíola, a pior de todas. Todas elas curadas com plantas cultivadas nas casas vizinhas e que eram tiro e queda: um bom banho de sabugueiro para fechar as feridas, um chá de pitanga para acalmar a febre e uns caroços de milho em baixo da cama.

Além de não custar um centavo, bastava apenas ser amigo dos cultivadores dessas plantas e um muito obrigado. Já a papeira, ou caxumba, requeria outros cuidados significativos, principalmente nos homens. Caso fossem bem cuidados e os pacientes não fizessem nenhuma estripulia durante a recuperação, estava sarado para o resto da vida; do contrário, a inflamação desceria para os testículos e o dito cujo ficaria estéril.

Um corte mais ou menos profundo merecia um tratamento de certa forma mais simples, como uma pequena porção de pó de café para estancar o sangue; caso o estrago fosse maior, o pó de café estancaria o sangue até chegar ao hospital. Uma picada de cascavel lá pelas caatingas bastaria uma incisão de canivete junto à marca dos dentes da danada e um pouco de querosene, o cabra estava novinho em folha. Melhor ainda se fosse em local que desse para sugar o sangue e cuspi-lo fora.

Não sei como explicar, mas as doenças daquela época pareciam menos perigosas, bastando um remédio caseiro e um meio dia de descanso, já as de hoje se sofisticaram e ficaram metidas a besta. Qual o filho de Deus que imaginaria algum dia ver, com os olhos que a terra há de comer, as manias dessas doenças de hoje, que não precisam ficar vagando a esmo por aí e têm até horário e local de acometer o coitado.

Pelo que fui informado, o vírus tem hábitos noturnos em algumas cidades e se recusam a dar o ar da graça em supermercados (deve ser com receio dos preços altos), agências lotéricas, bancos e farmácias. Também não gosta de andar (fuxicando) em casa alheia e tampouco se apavora com leis e decretos de autoridades. Quanto mais o povo se esconde, o danado do Covid-19 fica amuado e não respeita qualquer isolamento.

Pelas notícias chegadas de Ipiaú, o vírus agiu com flagrante desrespeito ao Santo Padroeiro da cidade, São Roque, o Roque de Montpellier, protetor contra a peste e padroeiro dos inválidos e cirurgiões. Em Itabuna, terra que goza do prestígio de São José, pai do Nosso Senhor Jesus Cristo, ele também não deu a mínima e espalhou o terror nos quatro cantos da cidade.

Dentre todas as possibilidades que engendrei, tirando fora o mastruz com leite, a hidroxicloroquina, a ivermectina e a azitromicina, vistas até então como coisa sem importância pela ciência, só resta ao povo apelar para outras esferas divinas. Como disse nosso colega baiano, radialista e compositor da música Súplica Cearense: “Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe, / Eu acho que a culpa foi / Desse pobre que nem sabe fazer oração / Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água / E ter-lhe pedido cheiinho de mágoa…”

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

DOS VELHOS CARNAVAIS AO COVID-19, UM BAILE DE MÁSCARAS

Tempo de leitura: 3 minutos

De pronto, garanto que não sou orgulhoso, mas me senti o máximo ao adentrar pela porta giratória do banco com minha máscara fabricada em tecido jeans sem ser importunado pelo segurança de olhar vigilante.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Que eu me lembre mesmo, as máscaras eram vestimentas de bandidos que procuravam esconder o rosto para não serem reconhecidos nos assaltos, conforme víamos todos os domingos nos velhos filmes de faroeste. A maioria dos assaltantes usavam as de cor preta, ou negra, como queira, embora alguns mais refinados exibiam as coloridas, estampadas, em tecido de seda. Um luxo só!

E não é que as máscaras voltaram à moda e qualquer cidadão que se preze usa a sua para as famosas saidinhas, as escapadas de casa, um simples bordejo pelas ruas para verificar se ainda existe vida fora do ambiente doméstico. Acredito que muitas dessas pessoas são da minha idade e assistiram aos mesmos filmes americanos que eu, ainda nos saudosos bons tempos.

Como não gosto de bisbilhotar a vida dos outros, fiquei com receio de perguntar em quais artistas se espelharam ou se existe um costureiro, modelista – me desculpem pela deselegância – ou personal stylist que o orientam. Pelo que notei, a moda mudou de lado e passou a compor os mocinhos e mocinhas, ao contrário dos malfeitores que assaltavam bancos e diligências.

Pelo que li num grande portal, a máscara se tornou uma indumentária obrigatória, como o chapéu ou o paletó antigamente. Algumas são concebidas em Paris e Milão embora não deixem de ser copiadas por aqui, numa obediência aos padrões chineses de desrespeito à propriedade intelectual. São tecidos dos mais diversos preços, de bolinhas, cores psicodélicas, no estilo jeans e até mesmo com a imagem do herói preferido.

Na minha leitura sobre o uso das máscaras não chegou a se esmerar no estilo, mas traçou alguns conceitos de proteção que, infelizmente, não agradou em cheio a alguns descolados ou teimosos. Hoje é mais que corriqueiro vermos máscaras que não protegem o nariz e nem mesmo a boca, deve ser algum look nostálgico de Woodstock revelando toda a sua rebeldia.

Como ensinava o Abelardo Chacrinha, nada se cria tudo se copia. Como bom observador, fico cá pensando se esse Covid-19 teimar em ficar mais uns anos por aqui, reeditaremos as máscaras de todos os saudosos carnavais, quiçá não buscaremos inspiração no antigo Egito e passaremos a desfilar de múmias dos faraós, ou quem sabe as orientais para nos afastar dos maus espíritos.

Quem sabe daremos uma passadinha pela Grécia e reeditaremos o famoso teatro grego como se estivéssemos interpretando dramas e tragédias. Essas máscaras vestiriam muito bem o personagem representativo da tragédia pandêmica que estamos vivendo e sem hora marcada para a peça acabar. Para os mais refinados, nada como o tradicional estilo Bal Masqué para extravasar os seus impulsos reprimidos e libertadores.

Os que preferem segurança 100% por certo adotarão a máscara no estilo protetor facial móvel, fabricada em acetato, de fácil higienização, protegendo a máscara tradicional. Acabada a pandemia, os mais criativos poderiam participar de programas de televisão e ainda ganharia alguns milhões desfiliando nas passarelas de Faustão, Sílvio Santos e Luciano Hulk mostrando seus modelitos.

A criatividade do homem não tem limites e o que foi concebido como uma simples e eficiente proteção contra os vírus se tornaram objeto de ostentação, enfeites e adorno da face humana. Fácil mesmo seria para nossos marqueteiros reviverem fantásticas peças comerciais baianos produzidos pelas Ótica Ernesto, jornal A Tarde, Tio Correia e Supermercados Unimar, lembrando as máscaras carnavalescas de Clóvis Bornay e Evandro Castro Lima.

No campo jurídico, as máscaras desfrutaram de notoriedade nacional ao ser questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) se poderia ou não vestir (ou esconder) os rostos nos carnavais, manifestações e protestos. Discussões constitucionais à parte, sei que os temidos grupos de black blocs não deram a mínima para as proibições, no que foram seguidos pelos carnavalescos. A máscara acima da lei!

Saudosista que sou, confesso que nunca liguei muito para as máscaras, a não ser nos tempos em que ainda menino lá no bairro Conceição, em Itabuna, quando resolvíamos brincar de cowboy, em que tínhamos que atirar nos mascarados. Fora disso, ainda recordando, àquela época, pra nós, mascarados de verdade eram aqueles colegas arrogantes, “metidos a besta”, que comiam cuscuz e arrotavam caviar.

De pronto, garanto que não sou orgulhoso, mas me senti o máximo ao adentrar pela porta giratória do banco com minha máscara fabricada em tecido jeans sem ser importunado pelo segurança de olhar vigilante. Só me faltou mesmo uma cartucheira com dois revólveres Colt 45 niquelados e, tal e qual um artista de Hollywood, ordenar em alto de bom som: “Mãos ao alto”! Seria a glória pros meus tempos de menino.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

DIA INTERNACIONAL DO GOLEIRO. QUAL O SEU HOMENAGEADO?

Tempo de leitura: 3 minutos

Caso seja bafejado pela sorte, ou quem sabe, a técnica, defendendo sua retaguarda, é aplaudido efusivamente pelos torcedores de sua equipe e xingado pela torcida adversária. Se não foi feliz na sua intervenção, “a casa cai” e imediatamente ganha, no mínimo, a alcunha de frangueiro

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Não sei como surgiu a homenagem aos goleiros, comemorada em todo o mundo no dia 26 de abril. Goleiro é uma das posições que não admitem falha, pois no futebol é o gol quem “manda” e quem marca mais ganha o jogo, o turno, o campeonato. Goleiros bons já tivemos à mancheia, embora os milhões de comentaristas brasileiros sempre disseram que eles não sabiam sair das quatro linhas como os europeus.

Na seleção canarinho sempre foi motivo de amor e ódio. Que o diga o goleiro da Copa de 50, Barbosa, que tomou os dois gols do “Maracanaço”, marcado para sempre e morreu com esse desgosto. Dizem até que o lugar do goleiro – embaixo dos três paus – é tão amaldiçoado que não nasce grama. As diferenças entre o goleiro e os atacantes são abissais e ninguém enfarta caso um atacante perca um gol, mas morre se o goleiro toma.

Marcadas as diferenças, alguns goleiros sabem se impor e conseguem fazer história nos times por que passam – com raríssimas exceções – e na Seleção Brasileira, outros não conseguem essa proeza. Guarda-redes, goalkeeper, arqueiro ou simplesmente goleiro é aquele que consegue fazer voos sensacionais para tirar, com a ponta dos dedos, a bola da direção do gol, se jogar nos pés do atacante, calcular o lado certo da batida da falta ou do pênalti.

Caso seja bafejado pela sorte, ou quem sabe, a técnica, defendendo sua retaguarda, é aplaudido efusivamente pelos torcedores de sua equipe e xingado pela torcida adversária. Se não foi feliz na sua intervenção, “a casa cai” e imediatamente ganha, no mínimo, a alcunha de frangueiro e perde a admiração da torcida e a confiança do treinador e dos cartolas do clube, mesmo sendo o petardo disparado pelo adversário indefensável.

Neste domingo (26), Dia do Goleiro, fiz questão de homenagear o arqueiro Manga, que sabia se colocar em frente da trave como ninguém. No Botafogo foi Campeão Carioca em 1961, 1962, 1967 e 1968, Taça Brasil de 1968, Rio-São Paulo de 1962, 1964, 1966. Já que falei de estatística, pelo Botafogo jogou 442 partidas e sofreu 394 gols. Também jogou 12 partidas pela Seleção Brasileira.

Manga em ação defendendo o Botafogo (RJ)

Pelo Botafogo passaram grandes goleiros, com os quais me identifiquei bastante, mas Manga sempre foi especial pela sua presença e firmeza na pequena área e impunha respeito ao abrir “as asas” e deixar o atacante perdido, sem saber o que fazer. Melhor, ainda, quando o próximo jogo era contra o Flamengo e ele não perdia a esportiva ao dizer que tinha recebido o “bicho” pela vitória antes mesmo do jogo.

Já Maurício Duarte, ex-jogador profissional de grandes equipes brasileiras (Botafogo, inclusive), radialista, comentarista de futebol, amigo de excelente caráter, homenageou o goleiro Laércio, do Itabuna. E a homenagem foi prestada em tempo certo a uma pessoa que não mais se encontra entre nós e fez história no Itabuna Esporte Clube e em Itabuna, chegando a ser o xodó da torcida pelas grandes atuações dentro e fora do campo.

Itabuna sempre foi pródiga em bons goleiros desde os tempos do futebol amador – Fluminense, Flamengo, Grêmio, Janízaros, Bahia, Itabuna, Corinthians e Botafogo, este com um fato inusitado: o goleiro Danielzão mais tarde trocou de posição e passou a jogar como centroavante. Esses mesmos goleiros dos clubes defenderam com mãos de ferro a Seleção de Itabuna, vencedora do Intermunicipal por oito anos seguidos: Octacampeã.

Desfilaram em baixo dos três paus da seleção itabunense os goleiros Carlito, Asclepíades, Ivanildo, Plínio, Luiz Carlos, Betinho, dentre outros, que escreveram seus nomes da história do futebol itabunense. Goleiros que defendiam bolas impossíveis e se atiravam nelas como um esfomeado em busca de um prato de comida, para não deixar de citar a rica e bela gíria futebolística, além dos altamente técnicos.

É uma justa homenagem a um profissional – antes amador – que destoa dos colegas de equipe desde pequeno, por ser raro os que têm o sonho de ser goleiro e lutam para isso nos babas e escolinhas de futebol. Não raro, os goleiros são descobertos por serem aqueles que não têm talento para jogar na zaga, meio do campo e ataque e são escalados nos babas como goleiro, posição pouco disputada nos campinhos.

Por isso e tudo isso, minhas homenagens aos goleiros do Brasil e do mundo. Vai que é sua, Tafarel!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

A NOSSA GERAÇÃO AINDA PODE SE CONSIDERAR FELIZ

Tempo de leitura: 4 minutos

Que nossos governantes aprendam a planejar e modificar a paisagem da cidade, como mostram as fotos, com os requisitos mínimos de habitabilidade e conforto para os que realmente merecem: os que pagam seus impostos.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Quase que diariamente recebo fotos e textos explicativos e comparativos sobre a evolução do município de Ilhéus, algumas vezes de Itabuna. O vasto material – iconográfico, assim podemos chamar – faz parte do acervo de bibliotecas particulares de ilheenses ou instituições baianas traçam um perfeito Raio X de como as aglomerações e cidades eram planejadas, privilegiando a arquitetura, a estética o conforto e a segurança.

Quando comparadas com as atuais, podemos perceber claramente um choque entre o esmero de antes e a pobreza conceitual de agora, causada, quem sabe, pela falta de planejamento do poder público. É certo que tínhamos nossos vergonhosos cortiços, nos variados graus de miséria, sem as mínimas condições de higiene e habitabilidade, que ainda teimam em ficar, embora em menor escala.

Quando recebo esse material enviado pelo fotógrafo e vice-prefeito de Ilhéus, José Nazal, vibro com a história e o pioneirismo do que com muito sacrifício conseguiram implantar nossas cidades, com as construções de acordo com as características dos diferentes locais. Entretanto, não encontro o mesmo entusiasmo ao ver o avanço das aglomerações, que não obedecem qualquer padrão técnico ou paisagístico.

Não consigo compreender os discursos dos políticos, notadamente os ocupantes de mandatos no poder executivo, que torcem loas às administrações [suas, é claro] comemorando o crescimento de tal bairro e tal cidade. Faço esforço em acreditar na honestidade do discurso em desprezar a palavra desenvolvimento, quem sabe por total desconhecimento do que o vocábulo significa.

Analisando essa desconformidade crescente nas aglomerações, hoje chamadas generosamente de comunidade, sinto ter nascido na última geração de gente feliz, mesmo com todas as diferenças sociais da época. Basta lermos ou ouvirmos os “causos” de Jessier Quirino, para confirmarmos nossa felicidade nos bons tempos passados que não voltam mais.

Ilhéus no antes e depois em foto e acervo de José Nazal

Não nos incomodávamos com as pequenas doenças ou surtos que apareciam corriqueiramente em nosso corpo, a exemplo dos piolhos na cabeça, das impinges que apareciam e ficavam à mostra no corpo, chamadas popularmente de “ziquizira”. Era um prato cheio para as gozações no recreio da escola, no jogos de gude ou nos campinhos de futebol. E ninguém morria por isso, no máximo um xingamento da mãe e três tapas trocados.

Como não sabíamos o que significava “bullying”, essa santa ignorância nos livrava de outros males maiores e que necessitavam do auxílio dos profissionais da psicologia, psiquiatria e outros mimos que conhecíamos pelos livros. Também não existia o politicamente correto. Nos contentávamos em sentar para ouvir os programas de rádio do Rio de Janeiro e saímos em carreira para mostrar nosso conhecimento dos grandes clubes de futebol, após ouvirmos atentamente a resenha.

Ninguém se incomodava em ver os programas de televisão na casa de um vizinho, com uma enorme plateia sentada no chão da sala – os privilegiados e os mais apressados – ou olhando pelos ombros dos que se acomodavam na janela. Os chuviscos na tela faziam parte do espetáculo, bem como os mais espertos eram bem-vistos quando se ofereciam para regular a antena lá nas alturas.

Hoje, nossos objetos de desejo passaram a ser os aparelhos celulares no lançamento, que trocamos a cada seis meses, em perfeito estado, por outro ainda em pré-lançamento. Não colocamos nossos pés na lama dos campinhos de futebol, pois estamos jogando nos poderosos notebooks e a qualquer leve mudança de temperatura corremos em busca dos médicos especialistas e suas dezenas de exames.

Saudosismos à parte, prefiro os tempos em que desejávamos uma rua calçada a paralelepípedos mas não pensávamos duas vezes em tirar os sapatos para atravessar um trecho de lama. Não recebíamos merenda na escola e às vezes não trazíamos de casa, mas não dispensávamos o “baba” com uma bola de pano no recreio e chegávamos em casa sãos e salvos.

Nos tempos atuais posso assegurar que muitos de nós teria saudade de doenças como catapora, sarampo e caxumba do que conviver com as gripes virulentas importadas de outros países, que não apenas “fabricam” catarro como antigamente. Não, os vírus são exigentes e levam à morte, principalmente se o coitado já estiver acometida de doenças outras como diabetes, cardiopatias, hipertensão.

Naquela época não existia o Sistema Único de Saúde, o famigerado SUS, que abarrota de dinheiro os sacos sem fundo que se transformaram os governos estaduais e municipais de todo o Brasil. Ainda hoje muitos ainda desconheciam o SUS, destinado a atender de qualquer jeito os mais pobres, e que muitos políticos os conhecem – o SUS e os pobres – apenas por ouvir dizer.

Lembro de um ditado antigo que asseverava: “Pela entrada da cidade eu conheço o prefeito”, numa alusão aos que sabiam cuidar da comunidade, da sua gente. É triste, porém comum, que muitos políticos e servidores públicos sequer conheçam essas comunidades, simplesmente chamadas de invasão e que aparecem com frequência nas fotografias de José Nazal.

Que nossos governantes aprendam a planejar e modificar a paisagem da cidade, como mostram as fotos, com os requisitos mínimos de habitabilidade e conforto para os que realmente merecem: os que pagam seus impostos. Quem sabe a pandemia e o distanciamento social presencial seja uma importante ferramenta para podermos aprender como nos comportar como eleitor. E com o apoio das redes sociais, para a felicidade das novas gerações.

Walmir Rosário é advogado, jornalista e radialista.

O EXEMPLO DE GENEROSIDADE SOCIAL QUE VEM DA PADARIA

Pães são doados a quem precisa em padaria no Conceição, em Itabuna
Tempo de leitura: 3 minutos

Mas não percamos a esperança em mudanças positivas, pois mesmo sabendo que elas não virão com abundância e de pronto, poderão chegar aos poucos.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Na semana passada, em meio à avalanche de más notícias que baixa nossa imunidade social, uma subvertia a ordem das demais e se tornou um bom exemplo para ser lembrado e divulgado com a generosidade que merecia. Simples, mas eficaz, a Padaria Santa Fé, no bairro Conceição, em Itabuna, colocou pães em sacos plásticos numa prateleira exterior com a seguinte informação: “Se acabou seu dinheiro e está sem trabalhar, favor pegar um desses pacotes de pães!”

Uma medida simples, porém eficaz para prestar a solidariedade aos que não têm como abastecer sua casa de alimentos. A generosidade chega em forma de pão, um dos alimentos mais antigos e significativos na vida de qualquer pessoa, com várias passagens na Bíblia Sagrada, a exemplo do milagre da multiplicação dos pães, realizado por Jesus Cristo para alimentar seus seguidores.

O pão – de maneira geral – é o primeiro alimento que qualquer pessoa tem nas primeiras horas da manhã para se alimentar e estar pronto para enfrentar o trabalho. Sem ele, a barriga chora e o cérebro humano não consegue se desvencilhar dos constantes apelos da necessidade de satisfazer a fome. Que digam melhor os que já passaram por essa necessidade…

E esse gesto de generosidade dos proprietários da Padaria Santa Fé chega na forma material, espiritual, e reciprocidade. Material, por matar a fome momentânea de quem não se encontra com poder aquisitivo para adquiri-lo, por ter perdido o emprego, exercer seu trabalho individual ou outros malefícios causados pelo Coronavírus; espiritual, por representar um ato de vontade em ajudar o próximo, nesses tempos de individualismo.

E o terceiro – de reciprocidade –, por dar de volta à comunidade em que está inserida há mais de 80 anos e que sustenta o seu negócio na relação comerciante-consumidor por toda uma vida. A simples e nem tão onerosa ação do advogado e comerciante José Roberto (Tinho) Vilas-Boas e sua família deverá servir de exemplo à sociedade para que atos como esse se multipliquem em benefício dos necessitados.

O gesto de Tinho, poderia ficar restrito ao benfeitor e os beneficiários não fosse a curiosidade do jornalista Domingos Matos, morador do bairro e cliente da padaria em publicar a notícia do site O Trombone. O fato correu o mundo pela internet com a mesma rapidez que o Coronavírus na forma do Covid-19, apenas com os interesses divergentes: enquanto o vírus prejudica, mata, o gesto de Tinho alimenta o corpo e a alma.

E de fato não ficou restrito à padaria, pois outros clientes também começaram a dividir o gesto de nobreza, adquirindo outros produtos como o leite, biscoitos, dentre outros para complementar o café dos que necessitavam. E essa corrente de doação se transformou campanha – mesmo pequena – que conseguiu alcançar a sua finalidade, doando aos necessitados, sem alardes, filas para chamar a atenção, sem releases para ressaltar a “bondade” do político que usa o dinheiro público como se fosse seu.

Pelo que me recordo, a Padaria Santa Fé – com seus mais de 80 anos de fundada e funcionando no mesmo local – não é apenas uma dessas empresas em que não se conhece o dono, às vezes morador em outro país. Pelo contrário, desde os tempos em que Florisvaldo Vilas-Boas fundou a padaria colocou seus filhos para trabalhar, integrando-os à comunidade do bairro Conceição, que até hoje fazem parte.

Em conversa com o irmão Romário Brito Vasconcelos – participante ativo do trabalho missionário espírita –, tomo conhecimento que nas campanhas realizadas em benefício dos mais carentes, as doações são provenientes das camadas sociais mais baixas, financeiramente falando. Durante as campanhas – segundo a experiência de Romário – é muito mais produtivo bater à porta do mais humilde, que divide com quem precisa.

Mas não percamos a esperança em mudanças positivas, pois mesmo sabendo que elas não virão com abundância e de pronto, poderão chegar aos poucos, dependendo apenas das campanhas sociais que poderão ser realizadas. Nesse caso, a parábola de que “é mais fácil um camelo passar pelo fundo (buraco) de uma agulha do que um rico entrar no reino do céu”, poderá ser aplicada com segurança.

Walmir Rosário é advogado, radialista e jornalista.

COMÉRCIO SE REINVENTA COM A CRISE DO CORONAVÍRUS

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Essa é uma forma de aprisionamento das forças comunistas para tomar o poder e se manter por tempo indeterminado no comando de um país sob o regime de força.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Como em todo o tempo em que uma crise assola uma determinada região, um país ou o mundo, a sabedoria popular consegue reverter a situação negativa e encontrar meios de subverter a ordem imposta pela adversidade. Não está sendo diferente neste Brasil de 2020, em que impera o medo e o terror imposto pelo Coronavírus, por meio do Covid-19, os meios de comunicação e os políticos de esquerda.

Não fosse a iniciativa privada, não teria sobrado um só brasileiro para contar a triste história dessa pandemia, do jeitinho que gostam os marajás da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ditam as regras que querem, do jeito que querem, condenam os que não comungam com suas ideologias, não contribuem financeiramente e se acham os donos da verdade, mesmo sem conhecer a realidade de cada país.

Como ia dizendo, mesmo com as portas fechadas a criatividade da iniciativa privada – do norte a sul, leste a oeste – passou a operar por delivery, que nada mais é do que a simples entrega, remessa. Se antes esse serviço se restringia a alimentação e correspondência, hoje tomou conta de todos os ramos, com a maior naturalidade, apesar da proibição dos governos em teimar com o fechamento das empresas.

Ainda, na iniciativa privada, surgiu em Canavieiras uma proposta de um jornalista desocupado, que apresentou uma ideia espetacular a um proprietário de bar e restaurante para funcionar com toda a segurança. Seria tão somente Panela de Barro adquirir no mercado máscaras de segurança suficiente e oferecer aos clientes, que poderiam beber suas cervejas com toda a tranquilidade e dentro do protocolo de defesa do coronavírus. Só falta registrar a patente.

Sim, a iniciativa privada merece aplausos por bancar grande parte das despesas da população, mesmo com o castigo imposto pelos governos em manter as portas de seus estabelecimentos fechadas. O olhar dos governadores e prefeitos não consegue alcançar a situação real da população. Ela [a população] tem consciência de que é importante não ser infectada, mas não tem a capacidade de pregar a bunda do sofá.

E não pode ficar em casa simplesmente porque não quer e sim por faltar recursos financeiros para manter sua família. E esse suado dinheiro é oriundo dos produtos que vende nas ruas, nos bicos que fazem, do parco salário que recebem. Sim, eles não têm poupança como nossos prefeitos, governadores, deputados, embora também tenham estômago, por incrível que pareça.

No poder público – governos estaduais e municipais – sobram pedidos de muitos recursos  ao governo federal, sob o argumento de que precisam cuidar das pessoas. Como sempre, esquecem suas obrigações e gastam desbragadamente, endividando os entes federativos, apesar da Lei de Responsabilidade Fiscal, sob a falácia do argumento da independência, até a bancarrota.

Neste Brasil, após os tristes anos de roubalheira petista, se constroem discursos com as narrativas de desconstrução, bastando que os inimigos – deveriam ser adversários – não rezem por sua cartilha. E como vemos, apesar de o governo federal bancar todas as despesas, ainda sofre violentas perseguições da oposição política e de comunicação, além dos malefícios do Coronavírus.

Para tentar tirar o poder do presidente tentam o enxovalhamento do presidente, pelo simples fato de querer manter a economia funcionando, dentro dos padrões ditados pela triste e nefasta cartilha comunista. De uma vez, querem assumir o poder por meio de um golpe, já que foram derrotados na eleição. Além de promover a falência da iniciativa privada, buscam a bancarrota do Brasil.

Ora, está mais do que provado que o isolamento deve ser mantido na forma vertical, apenas com os grupos de risco e não encurralando uma população ativa em suas casas, por tempo indeterminado. Essa é uma forma de aprisionamento das forças comunistas para tomar o poder e se manter por tempo indeterminado no comando de um país sob o regime de força.

Exemplo maior está dando a população de rua, que não dá bolas para o coronavírus e continua no mesmo habitat como se nada de ruim estivesse acontecendo. Pior ainda, é o caso da Cracolândia paulista – um antro de degradação do ser humano, que se transformou no xodó do governo petista de Fernando Haddad e agora de Dória. Pois bem, não se tem notícia de infecção pelo Coronavírus neste e outros locais análogos.

Indo sempre na contramão do governo federal, os governadores e prefeitos querem manter o país paralisado, como se a população tivesse o sagrado direito de escolher qual sua morte preferida: Coronavírus ou de fome. Agora, a população ganha outro inimigo, um juiz federal que proíbe o presidente Bolsonaro de se abster de falar sobre o fim do confinamento.

Além da queda, coice.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

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