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7 de abril de 2020 | 11:42 pm

O DISCURSO É POLITICAMENTE CORRETO. MAS SÓ O DISCURSO

Tempo de leitura: 3 minutos

Daniel Thame | danielthame@hotmail.com

Felizmente, o Brasil é hoje um país de instituições sólidas e a proteção ao meio ambiente não é assegurada em reuniões realizadas no breu das tocas.

De pouco proveito para a sociedade é a radicalização do debate em torno do Complexo Intermodal, como ora ocorre na ofensiva de grupos tidos como ambientalistas, numa inusitada associação com a Rede Globo. Esta, que em tantas oportunidades se associou a grupos que conspiraram contra a democracia, apoiando integralmente e se beneficiando economicamente da ditadura implantada pelos militares de 64, os mesmos que rasgaram o coração da floresta no megalômano, caro e inútil projeto da Rodovia Transmazônica, esse monumento histórico de desperdício de recursos públicos e de agressões ao meio-ambiente.

O que preocupa é que, nessa radicalização, o debate perde em objetividade e ganha em preconceitos, mistificações e desinformação. Surge um comportamento de arquibancada, de torcida organizada, com desprestígio da razão e de uma análise séria. Criticam de maneira preconceituosa e carregada de xenofobia os “investimentos do Cazaquistão”, quando sempre festejaram as investidas dos EUA, para os quais o Brasil nunca passou de mero quintal da Casa Branca. É a essa gente que interessa um clima tão impróprio ao debate amplo e transparente, que deve ser focado no interesse regional.

As muitas reuniões onde o projeto do Intermodal foi explicitado ocorreram em campo aberto, em audiências públicas com a participação franqueada a todos os interessados. Há pelo menos três anos, autoridades do Governo da Bahia e do Governo Federal, inclusive o próprio ex-presidente Lula, têm vindo à região para falar sobre o projeto. Não houve omissão de informações, muito pelo contrário.

Por outro lado, grupos que se organizam para combater o projeto – com interesses nem sempre muito claros – vêm promovendo encontros fechados, para poucos. Quase todos os participantes desses encontros são de fora da Bahia e ligados a grupos que não atentam para as demandas relacionadas ao desenvolvimento do Estado. São privilegiados que desejam a Bahia como área recreativa de luxo, não importando que esta porção do território nacional sofra de uma crônica falta de infraestrutura, o que impede o surgimento de uma economia sólida e de oportunidades de geração de emprego e renda para sua população.

Curiosamente, algumas dessas pessoas altamente privilegiadas, que hoje se aliam à Rede Globo para combater o Porto Sul, são as mesmas que se juntaram no passado para atacar a democracia, exterminar a liberdade e garantir que os interesses da minoria aquinhoada desse País continuassem intocados.

Esse grupo tem a força no potencial financeiro e tende a jogar pesado com a mídia e formadores de opinião, como os artistas globais já convocados pela Globo para sair em defesa do “meio ambiente”. E quem é contra?

Felizmente, o Brasil é hoje um país de instituições sólidas e a proteção ao meio ambiente não é assegurada em reuniões realizadas no breu das tocas. Projetos como o do Porto Sul e outros do mesmo porte são submetidos a critérios rigorosos, que procuram minimizar o impacto ambiental. Existem regras e instituições fortes, como o Ibama e o Ministério Público, que analisam, fiscalizam e têm poder para barrar o empreendimento, caso o seu benefício econômico-social seja inferior às perdas para o ecossistema.

Não fossem tais critérios, o Porto Sul já teria obtido licença ambiental e as máquinas estariam em operação. Mas nem o fato dele ser um projeto que é fruto de uma decisão de governo implica na possibilidade de queimar etapas.

Tais condições são ignoradas por esse grupo de tão variados interesses (onde o que menos conta é o interesse da população do Sul da Bahia), que conspira contra o projeto logístico em busca de favorecer investimentos ligados ao turismo de alto luxo. Essa é a intenção, mas é melhor e politicamente correto maquiá-la como defesa do meio ambiente.

Daniel Thame é jornalista.

Artigo publicado nesta terça-feira (22), no Diário Bahia

Esta publicação possui 0 comentários
  1. Eu vi um dia desses na Globo News, notícias sobre uma reunião fechada ocorrida em São Paulo com advogados e ambientalistas daquele lugar, cujo palestrante ou apresentador do Projeta era nada mais nada menos do que Rui Rocha. Inclusive foi dito que a reunião foi realizada lá para não sofrer interferências regionais. Ora, se o empreendimento tem como linha final Ilhéus, não entendo porque a reunião ser feita em São Paulo. São Paulo agora manda nas decisões da Bahia? Quando o rodoanel foi construido em São Paulo, que interferiu terrivelmente sobre a Mata Atlântica, alguma reunião de lá foi realizada na Bahia para que os ambientalistas e advogados daqui opinassem sobre o projeto? Todos nós estamos ávidos para saber quais são os reais interesses dos grupos que trabalham contra o projeto. A quem estão obedecendo? Todo projeto tem impacto. Todos sabemos da importância da Mata Atlântica, mas nada fica sem mitigação é só cumprir os determinantes das licenças ambientais.

  2. Zelão diz: – As duas faces de um mesmo discurso

    Se politicamente correto, porque se supor que seja verdadeiramente falso?

    De um lado os defensores incondicionais da implantação do Projeto Intermodal, agitam a bandeira do desenvolvimento regional, como argumento para a implantação do mega projeto, sem, no entanto, negarem as suspeitas dos “contra,” quanto aos malefícios ecológicos reservados para o futuro.

    Parece inconsequente e até mesmo subserviente, os argumentos da existência de interesses econômicos que se escondem por trás dos argumentos dos contrários. Seria então uma mera luta entre grupos econômicos pró e contra? Se for, então, ambos são “politicamente incorretos” por defenderem apenas os seus interesses, sem se importarem com as consequências a serem sofridas pelo povo.

  3. Daniel, parabéns!

    É isso aí. Pois o que estamos vendo é um bando de oportunistas, que mamando nas tetas do governo, através das Ong’s, se dizm defensores da natureza.
    Se estão tão cientes de que o projeto intermodal é uma coisa danosa e que não trará nenhum benefício para a região, que projetos, esses senhores, têm em mente para da o socorro que a região precisa?
    Pois, como dito na matéria acima, eles estão pagando aos artistas globais para fazer a propoganda em defesa da natureza, mas, não estão dando a oportunidade aos artistas da região. Quem faria melhor essa defesa? Nada melhor do que os nativos que segundo eles (defensores) estão sofrendo e irão sofrer ainda mais com a implantação do Projeto-Intermodal.
    Um abraço!!!

  4. Muito oportuna a colocação do jornalista Thame. O Complexo Intermodal é muito importante para nosso estado, especialmente para nossa região, por vários motivos. Trata-se de um grande projeto de desenvolvimento, dentro das normas internacionais de proteção ao meio-ambiente, e mais, com a importante chancela de nosso grande governador Jaques Wagner e nossa presidenta Dilma Roussef, ou seja, com a garantia do mais alto escalão de nossos governantes. Estou com o governador, a presidenta e a sociedade organizada em favor do Porto Sul.

  5. Novamente leio o argumento rasteiro de querer desqualificar os ambientalistas e culpa-los peoo atraso no projeto de desenvolvimento da regiao.
    Sr. Daniel, entenda, numa regime democratico forcas contrarias a qualquer movimento deverao ser respeitadas e vencidas com argumentos cientificos dentro da lei.
    A sa tentativa de usar o arguento da rede Globo no passado ter sido contrario ao processo democratico tambem nao se sustenta , ate os esquerdistas da epoca eram contra, pois democracia seria uma manifestacao burguesa e queriam na verdade a implantacao da Ditadura do Prlotariado no modelo cubano.
    O que quremos saber: Porque a licenca ambiental ainda nao saiu?
    Quais sao as etapas que impedem esta liberacao?

    Isto de ficar culpando reuniao a portas fechas e ao arhumento do governador da existencia de “forcas ocultas” nao cola mais.

  6. Walmir está totalmente…. CERTO!!!!Esse tal de rui até hoje nao disse para que veio e o que está fazendo em Ilheus!porque o mesmo nao vai para a China discutir sobre os direitos ambientais?ou na Líbia ou na Venezuela? se toca rui porque a grande e esmagadora maioeia do Sul da Bahia quer o Porto Intermodal!Cai fora rui e nos deixe em paz.

  7. Rubens Ricupero De volta ao leninismo?
    ————————————————-

    O pacote de afrouxamento das regras para licença ambiental preparado por Brasília justifica indagar se o novo governo estaria voltando ao célebre lema leninista: “o comunismo são os sovietes mais a eletrificação”.

    Não me refiro, é claro, ao defunto comunismo e aos olvidados sovietes. A essência do lema era a concepção simplista do desenvolvimento visto como mera acumulação material de obras sem preocupação com os efeitos sobre as pessoas ou a natureza.

    O resultado dessa mentalidade foi converter a finada União Soviética no maior canteiro de destruição ambiental do planeta, da secagem do Mar de Aral à explosão da usina nuclear de Chernobyl.

    O comunismo e os sovietes acabaram há muito tempo. Já os danos ambientais provaram ser irreversíveis, constituindo, ao lado dos milhões de vítimas do stalinismo, testemunho imperecível da loucura bolchevista.

    Estarão destinados a esse triste papel os elefantes brancos que desejamos construir a toque de caixa e sem incômodas cautelas ambientais?

    Planejado para produzir “choque de gestão ambiental”, o pacote é apresentado como fruto do razoável desejo de reduzir custos e exigências excessivas. Se for só isso, não haverá o que dizer. Mas então por que introduzir as mudanças por decretos cozinhados no segredo de gabinetes acessíveis apenas aos lobbies econômicos?

    O atual governo e o maior partido de sua base de apoio se orgulham de defender a democracia participativa. Por que motivo ela não valeria para tema tão sensível como o do impacto das grandes obras sobre as tribos indígenas e a natureza?

    Que razões haveria para temer audiências públicas com a participação de especialistas capazes de submeter as modificações propostas ao crivo da ciência e da razão?

    Pode haver exageros em certas exigências ambientais. Nesse caso é preciso examinar se o motivo está na insuficiência de recursos humanos e materiais dos órgãos de licenciamento ou em atitudes sem justificativa científica e técnica.

    “MUITRA GENTE NÃO SABE, MAS HÁ EMPRESAS AMERICANAS E INGLESAS DESPOLUINDO AS AGUAS DA CHINA, E OLHEM QUE PARA A DITADURA CHINESA ACEITAR ESSA HUMILHAÇÃO É PORQUE A COISA TÁ FEIA DEMAIS, AÍ OS SOCIALISTAS DAQUI PERGUNTAM, COMO ISSO É POSSÍVEL SE NOS NOTICIÁRIOS NOS É MOSTRADO UM VERDADEIRO PÁRAISO, E O PROGRESSO LÁ VAI DE VENTO EM POPA? É MUITO SIMPLES DE RESOLVER ESSA PARADAM, BASTA FAZER UMA VISITINHA AO PAÍS QUE MAIS CRESCE NO MUNDO E LEVAR UMA FILMADORA OU ATÉ MESMO UMA SIMPLES CÂMERA DESSAS QUE VOCES LEVAM PARA FILMAR NA EUROPA E EUA DO CAPITALISMO SELVÁGEM, VÃO FILMAR NA CHINA E VERÃO O QUE É BOM PRA TOSSE”

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